quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Capítulo 14

Cap. 14 Far away

     Sete de janeiro e três dias haviam se passado. A heroína ainda se encontrava na mesma cama de hospital ligada a tubos, e meu coração cada vez menor.
     No dia em que ela foi atropelada o horário de visita já tinha acabado, mas no dia seguinte, quando meus pais chegaram à Austrália, consegui entrar no CTI. Como ela estava? Quebrada.
     Quando entrei no quarto divido com mais pacientes em estados gravíssimos, eu pude dizer que ela era a melhor dali. A mesma perna que ela havia posto gesso, se encontrava novamente engessada. Seu braço direito estava enfaixado, enquanto sua mão esquerda recebia um tubo. No canto de sua testa havia um curativo, e sua boca estava levemente machucada. Enquanto isso, um homem que se encontrava ao lado dela, tinha todos os seus membros engessados, e seu pescoço era envolvido por algo preto. A sorte da (seunome) foi que, depois da batida, seu corpo foi arremessado para o canto, fazendo com que apenas sua perna recebesse o peso do carro. Pera aí! Que sorte o que? Isso não deveria ter acontecido e ponto final.
     No segundo dia de visita ela continuava em coma, e a cada minuto que se passava mais eu me sentia culpado. Vê-la imóvel, toda machucada, e aquele sorriso encantador que alegrava todos à sua volta não existia mais, assim como o meu coração. Todos os dias, ao vê-la pálida e desacordada eu chorava. Quer dizer, nem precisa vê-la para chorar. Era só alguém comentar o nome dela, ou algo que me lembrava a ela que eu me distanciava de todos para me afogar em minhas próprias lágrimas.
     Uma ou duas vezes, pensei em me castigar por ter sido tão duro com ela. Na noite passada, Cody havia derrubado uma garrafa de vidro no chão, e sem ninguém perceber, recolhi um caco de vidro. O que eu fiz com ele? Quase me cortei voltando de táxi para casa quando minha mãe me mandou descansar um pouco. Claro que foi contra a minha vontade sair de lá, mas minha cabeça estava tão cheia de coisas e ódio de mim mesmo que acabei aceitando. Por muito pouco, eu estou dizendo, MUITO POUCO, eu não me mutilei. O santo homem que me impediu de fazer isso foi o próprio taxista que a me ver com o caco na mão pelo retrovisor, me deu uma lição de moral que eu fiquei boquiaberto. Acho que ele estava certíssimo, e que me cortar não iria resolver nada. Ele também me perguntou o motivo de eu querer fazer aquilo, e expliquei a ele toda história, como se fossemos amigos de infância. Mas depois de muitos conselhos e duras histórias contadas por ele, eu pude perceber a merda que eu estava prestes a fazer. Como ele mesmo disse, se cortar não iria agilizar a saída da (seunome) do hospital, só iria adiantar a minha instalação lá, ou até mesmo na minha morte.
     Já na visita de ontem, percebi que o machucado de seus lábios já estava sarando, e depois de muito insistir, deixaram com que eu e a mãe dela ficássemos alguns minutos depois do horário de visitar ser encerrado.
     Ao contrário do quarto normal, o CTI tem um horário de visita próprio, pois todos os pacientes se encontram em estado crítico, e é necessário que todos fiquem sobre supervisão de médicos 24 horas ao dia. Já no quarto, o paciente pode receber visitas o dia todo e pode ter um acompanhante. Quer dizer, alguém pode dormir com ele e não é necessário sair depois de algumas horas. Mas infelizmente hoje completou cinco dias que ela se encontrava em coma no CTI.
     - O horário de visita já começou? – Perguntei para Cody que estava sentado em um banco conversando com Savannah quando cheguei correndo ao hospital.
     Desde o dia do acidente, eu não tinha falado com Savannah ainda. Eu já havia a encontrado com ela na rua, e ela perguntou como estava (seunome) e se podia vir visitar, mas nada de conversa longa.
     - Ainda não. – Cody respondeu e fez um gesto para que eu me sentasse.
     - E aí Greyson, tá conseguindo segurar a barra? – Savannah disse tentando ser simpática e eu dei um meio sorriso.
     - Nem tanto, mas é isso ou eu desabo, então estou fazendo o melhor. – Respondi sem entusiasmo e ela suspirou.
     - Mas é bem difícil mesmo. Se fosse eu, acho que eu acabaria me machucando. Quer dizer, me mutilando pra amenizar a dor, ou melhor, piorar, porque não adianta absolutamente nada. – Ela disse e eu a mirei assustada. Será que ela soube?
     - Estou vendo que estou sobrando na conversa aqui. Vou perturbar a Alli. – Cody disse se levantando e indo em direção a um grupo de pessoas que reconheci ser o pessoal.
     - Você deve ter achado muita coincidência eu dizer aquilo não é? – Savannah praticamente leu minha mente. Balancei a cabeça positivamente e ela deu um meio sorriso. – O meu tio é taxista, e ele me contou que pegou um passageiro que não se mutilou por pouco. Ele me contou a história do tal passageiro e deduzi que era você. – Ela terminou de falar e ficou bem óbvio.
     - Foi exatamente assim. – Disse desviando o olhar.
     - Olha Greyson, você pode estar passando pelo que for, mas você precisa ser forte! A (seunome) não ia gostar nadinha se te visse nesse estado. É sério! – Savannah disse eu assenti.
     - Obrigado. – Disse e a abracei.
     - Grey vem! – Alli disse quando passou por mim. – Já podemos entrar pra visitar. Vem você também Savannah. – Ela disse e nós nos levantamos. A seguimos e chegando ao andar certo, nos dividimos, pois só podia entrar de dois em dois. Minha mãe e a (nomedasuamãe) entraram na frente. Depois de minutos entrou Jane e Jones, enquanto Michael morria de ciúmes no lado de fora. Em seguida Tom e Alli entraram, e depois deles Savannah e Brad. Em seguida meu pai e Michael ficando por último Cody e eu. Avistei (seunome) na mesma cama de sempre e corri até lá. Olhei os aparelhos ligados como se eu entendesse de alguma coisa, mas minha atenção foi roubada quando ouvi um barulho baixo, quase como um gemido. Encarei Cody e percebi que ele chorava. Peguei a mão da (seunome) e fiquei acariciando com cuidado para não arrancar o tubo. Assim fiquei até o fim da visita. Cody saiu depois de alguns minutos e a (nomedasuamãe) entrou em seu lugar.
     - Alguma notícia boa dos médicos? – Perguntei para minha mãe quando sai do CTI.
     - Até agora nada Greyson, mas vamos ser otimistas! Muitas pessoas acordam do coma, e a (seunome) vai ser uma delas! – Ela tentou me tranquilizar, mas bufei com raiva.
     - Mas você sabe muito bem! Se não fosse eu, ela não precisaria estar aqui e... – Fui interrompido.
     - PARA COM ISSO GREYSON! – Alli gritou e eu a encarei perplexo. – Se aconteceu uma coisa dessas, é porque tinha que acontecer! Talvez, se fosse com você, o senhor não sobreviveria, por isso a (seunome) te salvou. Você deveria estar grato pelo que ela fez, não ficar se lamentando e lamentando como um idiota. – Ela disse e todos ali concordaram.
     - É Alli, mas eu estou grato, e muito! Mas saber que quem você ama está imóvel em uma cama porque ele te salvou é lógico que você vai se culpar! Não adianta! – Retruquei e ela bufou revirando os olhos.
     - Poxa Greyson! – Ela disse e em seguida encarou Cody e soltou um “RÁ!” fazendo ele suspirar. Deve ter sido por ela ter dito “poxa” ao invés de um palavrão. – Olha... – ela se virou novamente para mim. – pode estar sendo impossível conviver com a tal culpa que você acha que tem, mas se ela fez isso é porque ela sabia que não iria se arrepender depois, ou seja, valeria a pena. Então se ela escolheu isso, respeite-a e para de se culpar! Foi ela que escolheu, ela quis isso, mas eu tenho certeza que ela não gostaria nada de te ver assim! Agora, pra relaxar um pouco pelo menos e tirar essa tensão que todos ficam quando veem ao hospital, vamos para casa, alugamos um filme ou ficamos um pouco na piscina e amanhã voltamos no horário de visita. – Alli disse e todos concordaram.
     - De jeito nenhum, eu só saio daqui... – Fui interrompido mais uma vez.
     - Você vai sair é agora senhor Chance, ou se você preferir, podemos te carregar nas costas. – Tom disse e em seguida, ele e Alli fizeram um cumprimento nem um pouco doido.
     - É melhor fazer o que ela está falando. – Meu pai disse e eu bufei. Despedimo-nos dos três adultos que ficaram e fomos embora, no meu caso, batendo o pé.

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     - Vocês querem terror ou comédia? – Alli perguntou enquanto olhava alguns filmes na prateleira abaixo de sua TV na sala.
     - Qualquer coisa. – Sussurrei e sem que antes eu pudesse respirar, fui respondido por uma almofadada no rosto. – AAAI DEMÔNIO!
     - Isso aí, tá voltando a ser o garoto que eu conheço. – Ela disse escolhendo um filme qualquer. A mesma colocou no aparelho de DVD e se sentou ao lado de Tom. Por ironia do destino o filme que eu estava prestes a ver era de romance, e não pude deixar de notar a expressão de felicidade no rosto da Alli.
     - Isso vai ajudar, e muito. – Ela sussurrou pra mim e eu assenti.
     Passada uma hora e meia de filme, todas as meninas choravam como crianças, enquanto os meninos aproveitavam a situação para abraça-las. Savannah e Cody, Alli e Tom, Jones e Jane e ao lado um Michael revoltado. E os dois “forever alones”, eu e Brad, ficávamos olhando da TV para os casais, dos casais para a TV.
     - Eu já volto. – Sussurrei e Alli assentiu. Sai de fininho pela porta e tentei não fazer barulho ao fechá-la. Ninguém ali sabia que eu estava indo para casa, e se soubessem iriam ir atrás de mim, sem dúvidas. Andei calmamente pela rua relembrando todos os momentos que eu havia passado com a (seunome). Até aí eu consegui ser forte e segurar as lágrimas, mas ao mirar o mar e me lembrar da noite de réveillon as mesmas lágrimas caíram com tal força que em segundos, meu rosto se encontrava vermelho e meus olhos inchados. Andei até a praia e me sentei na areia olhando o sol que se punha. A cada minuto eu olhava para os lados, pensando em ver uma garota que eu conhecia bem aparecer e vir ao meu encontro. Mas depois de alguns segundos perturbadores, lembrei-me que essa garota se encontrava bem longe dali, não só fisicamente, mas na cabeça dela também. Ela estava desacordada por dias e parecia que minhas orações haviam ido em vão. Mas a pergunta era a seguinte: Será que eu aguentaria passar pelo pior? Será que eu aguentaria viver sem ela? Será que eu aguentaria receber uma notícia ruim? Não, não e não. Sem dúvidas. E eu já havia prometido para mim mesmo que, se a (seunome) não saísse dessa, eu iria junto com ela. Assim seria menos doloroso e eu não iria me sentir culpado pelo resto da minha vida. Se eu desperdiçaria uma nova chance de viver? Sim, pois ser salvo há milésimos de um acidente gravíssimo era como nascer de novo, só que mais forte. De qualquer forma, a promessa já tinha sido feita, e ali, no mesmo local onde ela me prometeu durar enquanto sejamos feliz, eu fiz a minha própria promessa.
     - Grey. – Ouvi alguém falar atrás de mim e olhei de canto de olho. Era Alli.
     - Eu não estou mais aguentando. – Sussurrei para ela que se sentou ao meu lado na areia.
     - Olha Greyson, se matar não é a melhor opção. – Ela disse e eu a encarei perplexo. Como assim todo mundo sabia do que eu andava fazendo ou pretendia fazer? – Você deve estar se perguntando como eu sei disso. Savannah me contou no hospital, e Greyson, automutilação é uma passagem só de ida para a morte. Claro que nem sempre a pessoa chega a tal ponto, mas essa mesma pessoa precisa ser ajudada, antes que ela corra para o hospital. – Ela disse e eu encarei a areia que escapava entre meus dedos. – Desabafar seria ótimo, não acha? – Ela me fez a pergunta e durante um breve silêncio, a palavra desabafar percorreu toda a minha cabeça, e não sei se seria melhor contar com Alli, ou guardar tudo para mim mesmo. O único problema é que não cabia mais nenhum sentimento, muito menos segredos em mim. Eu estava lotado, e prestes a explodir em qualquer movimento brusco. Na verdade, eu não tinha escolha.
     - Alli, eu fiz uma promessa. – Disse e ela balançou a cabeça para que eu continuasse. – Eu prometi que se a (seunome) não sair dessa, eu me mato para ir junto dela. – Disse e a cada vez minha voz ia afracando mais. Alli encarou o pôr-do-sol e depois voltou a olhar para mim.
     - Greyson, eu sei que se mutilar é uma maneira rápida de parar de sofrer pelas dores emocionais. Assim você se preocupa com a física, mas Grey pensa comigo: E a dor emocional de quem te ama? Tal dor que irá aumentar a cada corte feito para que você fugisse de você mesmo. É você mesmo. Pra mim, todos nós somos feitos de sentimentos, bons e ruins, uns entrelaçados nos outros, mas se fugimos dos nossos sentimentos acaba que fugimos de nós, e isso não é muito bom. – Ela disse e eu a encarei sério. Eu estava entendo o que ela dizia, mas o que dizer quando você acaba de descobrir que estava completamente errado e a pessoa a sua frente está cem por cento certa? Não faço ideia. – O que eu estou querendo dizer é que a morte é como a mutilação. Com ela você foge dos seus sentimentos e da sua própria vida. Mas de brinde vem a dor incontável dos familiares e amigos. Dos melhores amigos e dos namorados. Você já parou pra pensar de como seus amigos iriam reagir a sua morte? Você tem noção de quanto sua família iria sofrer com sua ida sem volta? Você já parou pra pensar? – Ela disse e sobre suas palavras pude tomar o conhecimento de que eu fui muito burro ao pensar em algum dia me matar. – Você já pensou que a sua mãe pode entrar em depressão e até mesmo pensar em se matar, assim como você? Você ia querer isso para a sua mãe? Para Lisa? Uma pessoa tão forte que sempre te incentivou a seguir em frente seja qual fosse o risco ou problema. Acho que não né. Mas agora pensa nos seus amigos, que pelo menos eu acho, que todos eles também são amigos da (seunome). São duas mortes para suportar. Será que eles conseguem? E se um deles também optar por se matar para não sofrer tanto? Você já teria matado duas pessoas. Sim Greyson, duas pessoas! Querendo ou não, elas estavam sofrendo por sua causa, e aonde você deveria estar para confortá-las restou um vácuo, uma sombra que não responde e que só trás mais dor. E com mais essas duas mortes, outras pessoas seriam afetadas. Vamos colocar como exemplo a Jane. Ela se mataria a ver dois amigos mortos, e assim, a família toda dela iria sofrer. A mãe iria querer se matar de tanta dor, e assim afetaria mais pessoas. Tá vendo como funciona isso tudo? E se, ao invés de apenas uma pessoa querer partir dessa pra melhor, todas seguirem o seu exemplo e para fugir da dor se matarem. Imagina quantas mortes por ano! Se todos fosse assim Greyson, até eu mesma estaria morta, e eu me digo muito forte. Greyson olha... eu sei que eu estou falando demais, mas é porque eu quero o seu bem, e de toda a galera. Eu tive que dizer isso tudo, e espero que você não fique chateado comigo, porque eu só disse a verdade. – Ela foi falando, e há essa altura do campeonato, eu não existia mais. Só existiam lágrimas, remorso, dor, angústia e mais lágrimas. – E também espero do fundo do meu coração que você não cometa uma burrada ou fique com a ideia de se matar na cabeça. Eu sei que você é forte o suficiente para aguentar tudo isso, e é por isso que eu quis falar com você. Porque ainda tenho chances de fazer você mudar de ideia. – Ela disse e deu um meio sorriso. Sequei algumas das lágrimas que escorriam no meu rosto e a abracei muito forte.
     - Obrigado. – Sussurrei no ouvido dela que ao me ouvir, deu duas batidinhas fracas, mas por ser da Alli foram fortes até demais, nas minhas costas.

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     - BORA MICHAEL! – Gritei para Michael que se encontrava na cozinha.
     - PERA AÍ CARAMBA! – Ele gritou de volta, e logo apareceu na sala com um pacote.
     - Que isso? – Perguntei apontando para o pacote.
     - Meu almoço. –Ele respondeu enquanto fechava a porta de entrada.
     - Mas já almoçamos. – Respondi incrédulo.
     - Então é a sobremesa. – Ele disse me fazendo juntar as sobrancelhas.
     - Mas já comemos a sobremesa. – Respondi e ele bufou.
     - Então é o lanche da tarde. – Ele disse e eu ri.
     - Michael, vamos voltar antes da hora do lanche! – Disse dando sinal para o táxi. Todos já tinham isso para o hospital, mas infelizmente eu perdi no zerinho ou um e acabei tendo que esperar o Michael arrumar o cabelo dele. É, para arrumar o cabelo o garoto demora mais tempo do que uma noiva demora pra se arrumar no dia do casamento. Eu não estou brincando.
     - AI CARAMBA! Então é... um petisco. – Ele disse enquanto entrávamos no táxi. Dei o endereço do hospital e o taxista seguiu com a gente.
     - Qual é o petisco? – Perguntei só mesmo para puxar assunto.
     - Eu peguei um pedaço da torta, dois hambúrgueres, uma maça, sete pacotes de salgadinhos, uma dúzia de torradas, um vidro de geleia, mais um hambúrguer, um sanduíche de presunto e queijo, uma bandeja de frango frito e uma porção de fritas. – Ele disse enquanto olhava dentro do pacote. Suspirou e virou-se para mim.  – Devia ter posto mais frango frito.
     - Como você é magro? – Perguntei e ele me olhou confuso.
     - Qual o problema? – Ele perguntou e eu ri.
     - Esses “petiscos” são para todos ou pra você? – Perguntei ele fez uma cara óbvia.
     - Pra mim né, dã. – Ele disse dando um “soco” na testa.
     - Para o resto do ano todo então. – Disse e ele bufou.
     - Lógico que não. É pra comer enquanto eu espero você visitarem a (seunome).
     - Mas Michael, não demora nem duas horas! – Retruquei e ele atacou um dos hambúrgueres. – E lá tem lanchonete. Mas pensando melhor, acho que lá não tem tudo isso aí não. – Sussurrei o fazendo soltar um “O QUE?” óbvio. – Nada não. – Respondi e fiquei olhando pela janela pessoas ir e vir.

PÕE PRA CARREGAR ENCHANCER:
http://www.youtube.com/watch?v=j4y-RzVGrHg&ob=av2n
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     - Quando a Jane e Alli saírem você vai com Tom, Greyson. – Minha mãe disse enquanto esperávamos as meninas saírem.
     Hoje como nos três últimos dias, a janela estava com a persiana fechada, fazendo com que eu pudesse enxergar (seunome) entre algumas brechas. Esperei mais algum tempo, e pude ver as meninas se distanciarem da cama. Logo, elas apareceram na porta, e eu entrei com Tom. Como sempre, olhei para os aparelhos como se eu entendesse de algo ali, e peguei a mão dela. Fiquei um tempo admirando seu rosto pálido enquanto Tom fazia o mesmo. Só quem realmente prestasse atenção nela poderia perceber que, depois de alguns minutos, ela mexeu ligeiramente o olho. Assim como eu, Tom continuou com o olhar fixo para ver se ela iria repetir o movimento. Dito e feito. Novamente seus olhos se apertaram, mas dessa vez, seu lábio inferior tremeu. Olhei para Tom que me olhava assustado e eu não pude esconder meu melhor sorriso.
     - Ela... ela tá acordando? – Perguntei com lágrimas de felicidade nos olhos.
     - A-acho que sim. – Ele respondeu e continuou a olhar para ela. Fiz o mesmo.
     Em segundos, novamente seus olhos foram friccionados e o barulho de algum dos aparelhos mudou.
     - ELA ACORDOU! – Gritei para quem quisesse ouvir e saber o tamanho da minha felicidade. – DOUTOR, ELA TÁ ACORADANDO! ELA TÁ SAINDO DO COMA! – Eu misturei palavras com risos e lágrimas. Eu não sabia o tamanho real da minha felicidade. Eu só sabia que estava gostando muito da sensação que percorreu meu corpo. Um dos médicos correu até nós e estudou os aparelhos. Pude notar um sorriso no rosto dele, e aí tive certeza que era verdade.
     - Parabéns, a paciente está de volta. – Ele disse sorrindo e eu quase pulei de alegria. Tom também chorava, assim como eu, e nós ficamos atentos para algum novo movimento. – Vou informar a equipe e depois vocês terão que se retirar para fazermos uma série de exames na paciente. – Ele disse e eu assenti. Voltei minha atenção para (seunome) e um único movimento me fez ganhar o dia, e sem dúvida, ser a pessoa mais feliz do mundo.
     Durante seis dias em coma, ela abriu levemente os olhos e eu não sabia ao certo se chorava, sorria, conversava, a abraçava ou informava aos outros. Eu só sabia que eu estava feliz. E muito!
     - (Seunome)! – Tom sussurrou e ela o encarou de canto de olho. – Se você estiver me escutando pisca o olho. – Ele disse e assim, ela piscou levemente.
     A felicidade mal cabia em mim, e sem pensar em nada, a abracei com cuidado e depois de dias sem motivos reais para ser feliz, pude descontar tudo ali, naquele abraço, e senti que eu realmente estava amando.
     - Agora terei que pedir para que se retirem. – O mesmo médico de alguns instantes atrás apareceu. Assentimos e saímos olhando para trás.
     - GENTE, A (seunome) SAIU DO COMA! – Praticamente gritei enquanto as lágrimas caíam sem controle do meu rosto. Todos ali se emocionaram, se abraçaram e no caso de Jane, Alli e Savannah, pularam.

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     Estávamos todos esperando ansiosos o momento em que pudéssemos ver a (seunome) novamente, quando o mesmo médico que nos informara sobre a série de exames apareceu.
     - Quem é (nome&sobrenomedasuamãe)? – Ele perguntou e a (nomedasuamãe) se levantou e o acompanhou. Esperamos alguns minutos e logo ela apareceu com um sorriso monstruoso no rosto.
     - Ele disse que está tudo bem com a minha filha, mas ele terá que fazer uns exercícios para ver se ela não perdeu nenhum movimento. – Ela disse e nós assentimos.
     - Mas já podemos ver? – Jones perguntou e a (nomedasuamãe) deu de ombros.
     - Ele não me disse nada, é melhor aguardar e... – Ela foi interrompida pelo médico.
     - Vocês já podem vê-la, mas vale lembrar que ela saiu do coma, mas ainda não está cem por cento. Ou seja, ela não está se mexendo tanto e talvez ela fale muito pouco, ou até mesmo nem fale. Mas tenho quase certeza de que amanhã ela estará renovada. – Ele nos informou e todos assentiram. Todos correram ansiosos para vê-la e é claro que na hora de entrar foi uma briga, mas conseguimos resolver, e eu acabei ficando por último com Cody.
     - Vai na frente Cody, eu quero ir sozinho. – Disse e ele me olhou confuso, mas logo seguiu para o quarto. Esperei alguns minutos e logo ele saiu sorridente.
     - Toda sua. – Ele brincou e eu dei um tapa que de leve não tinha nada nas costas dele.
     Entre no quarto. Como sempre, fiquei chocado com os casos dos outros pacientes, e ao dar de cara com uma moça com o rosto praticamente deformado devido a queimaduras, pude perceber que a (seunome) havia trocado de lugar. Continuei andando e a encontrei na extremidade oposta de onde estava. Ela estava com os olhos abertos, mas totalmente reta na cama.
     - (Seunome)... – Sussurrei e por ela não virar a cabeça para me encarar, percebi que ela continuava imóvel. Cheguei mais perto da cama para que ela pudesse me ver, e seus lábios formaram as curvas mais lindas que eu já tinha visto. Chama-se sorriso. – Você...  eu senti tanto medo. – Disse por impulso e a abracei, colocando minha cabeça em seu peito. As lágrimas jorravam e eu definitivamente não sabia se eu estava feliz ou completamente apaixonado. Quem sabe os dois. – Eu não sei por onde começar...  são tantas coisas pra agradecer e... – Fui interrompido por um barulho vindo dela. Ela estava tentado dizer algo, e se esforçava bastante pra isso. [DÊ PLAY NO VÍDEO ENCHANCER E CONTINUE A LEITURA]
     - E-e... – Ela pegou fôlego. – T-mo. – Foi o que pude ouvir, mas entendi do que se tratava.
     - Eu também, e nem sei quanto. Só sei que é muito pra caber só em mim. – Disse secando algumas das muitas lágrimas que rolavam pelo meu rosto sem parar. – Você foi uma heroína, você salvou a minha vida! Não era para você estar assim, e sim eu! Era eu que devia ficar seis dias em coma, com a perna e o braço quebrado. Era eu que deveria pagar todo o preço de ter sido tão estúpido a ponto de não acreditar em você! Como eu não pude ver que você dizia a verdade? Eu não gosto nem de lembrar os dias que passamos separados... eu... – E o soluço veio à tona. – Você é incrível. Você sim é uma heroína, e eu não sei se mereço tudo que você faz por mim. – Soltei um riso fraco. – Antes era o contrário, você me agradecia por tudo, mas eu me dei conta de que nunca lhe agradeci por entrar na minha vida e ser você mesma. Essa foi a maior benção que eu poderia receber e eu não reconheci seu valor. Você é um anjo da guarda que apareceu de uma maneira inusitada e me mudou completamente. Desde o dia em que derrubei café duas vezes em você, até o meu olhar de reprovação antes do acidente, tudo que vivi com você valeu a pena, e mesmo se eu pudesse, não mudaria absolutamente nada. Nem nos acontecimentos e muito menos em você. – Disse e eu sequei meu rosto com a manga do casaco, o que não adiantou muito, pois as lágrimas secadas deram lugar para outras. – Eu sei que eu sou insuportável, grudento com quem amo, e muito ciumento, mas acho que qualquer pessoa seria assim se tivesse ao seu lado alguém como você. Eu não mereço nada disso, e você não merece ficar assim. Mais uma vez eu peço desculpas e eu sei que dizer eu te amo é muito simples, mas pra mim, vale. E muito! – Disse e vi que ela me olhava de canto de olho, já que não mexia seu pescoço. – Eu ainda tenho tanto a dizer e não sei como falar... olha, se você estiver com raiva de mim, ódio, rancor, mágoa eu aceito. Se você duvidar de alguma coisa que te falei, você tem o direito. Só lhe peço, por favor, não duvide no meu amor.
     - N-nunc duvd-daria. – Ela disse rouca enquanto fazia esforço para mover a mão. Ainda com a cabeça direcionada para frente e seus olhos fixos em mim, ela conseguiu erguer um pouco a mão. Abaixei para ficar na altura dela, e sua mão entrou em contato com minha pele. Um choque de emoções transcorreu todo o quarto ali, e eu não pude parar de sorrir. Ela secou alguma das lágrimas de felicidade que caíam sem controle e depois me levantei. Olhei para ela e com muito esforço a mesma conseguiu dar um meio sorriso. Sorri de volta e acariciei seu rosto. Percebi que algumas lágrimas caíam pelo canto de seu olho e seus olhos brilhavam como nunca haviam brilhado.
     - Você é feliz? – Perguntei e seu sorriso se apagou.
     - S-sim. – Ela praticamente sussurrou e eu sorri.
     - Então vai durar pra sempre. – Disse me lembrando da promessa e a ela piscou fazendo as lágrimas escorrerem com mais intensidade. Sequei suas lágrimas e encostei minha cabeça em seu peito. – Meu coração também está assim. Rápido, forte e...
     - C-cheio d-de am-or. – Ela me interrompeu e conseguiu dizer a frase com dificuldade. Sorri para ela e não tive dúvidas sobre a minha próxima ação.
     - (Seunome&sobrenome), você quer namorar comigo? – Perguntei me ajoelhando e ficando quase na mesma altura que ela. Ouvi um barulho baixo e vi que ela estava chorando mais do que antes, e seu rosto estampava um belo sorriso. Esperei ansioso pela resposta e com muita dificuldade, ouvi a palavra que faria o meu dia mais feliz, e faria com que aquele quarto se enchesse de energia positiva.
     - Q-quero. – Ela disse e fui surpreendido por muitos aplausos. Olhei em volta e percebi que todos os pacientes conscientes prestavam atenção, e os médicos e enfermeiras também.
     Sem sombra de dúvida esse fora o momento mais feliz da minha vida. Os motivos? Eu estava com a pessoa mais importante da minha vida e ela havia “nascido de novo”. A encarei como nunca havia encarado antes, e fui chegando meu rosto cada vez mais perto do dela. Se estivéssemos em um conto de fadas, soltariam faíscas a cada toque. Pera aí, eu estava sim num conto de fadas! Qual história, que momento seria melhor que aquele? E porque é necessário faíscas se temos o coração cheio de amor? O que importava ali era o momento em que eu e ela estávamos. Era como se tudo de ruim que havíamos passado fosse mais alguns motivos para amar cada vez mais aquela garota. Na verdade, era sim, e eu nunca me senti tão completo na minha vida.
     Nossas respirações se misturaram, meu batimento cardíaco aumentou, assim como o dela, e num toque de mágica, literalmente, estávamos enfeitiçados pela presença um do outro. Enfeitiçados pelos olhos que transmitiam tanta alegria, e pelo coração que não cabia de tanto sentimento bom. Selei nossos lábios.

AVISINHO: Acabei de ler pra postar e estou aos prantos... Gente, é muito mais emocionante com a música, então quem não estiver com o meu sinônimo (preguiça) coloca o vídeo ok? Se você demorar pra ler e a música acabar faltando um pedaço, põe esse bagulho de novo! rs A música se chama "Far Away" do Nickelback e vale muito a pena conferir a tradução! Eu sempre choro lendo: 
http://letras.terra.com.br/nickelback/286115/#traducao . Bom... espero que tenham gostado e COMENTEM, como eu sempre perturbo. Beijos da fofíssima que não tem nada de fofa, Mi.

7 comentários:

  1. Aii, eu quase chorei aquiee!!!!!! :')
    Por favor! CONTINUAA! =^.^=

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  2. Nossa muito lindo quase chorei também ,muito lindo espero que continue .amei muito lembrei de quem eu gosto

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  3. CONTINUUUA !! suua máa ! qeer matar eeu afogada nas lagrimas !

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  4. Agora que eu vi que não tem comentario meu aqui, a milena deve ter apago só pode ahushas
    Olha só milena como eu ja disse eu só vo posta o meu quando tu posta o 15 então u.u pode ir postando éer kkk
    Btw tu podia me emprestar um pouco do teu talento né bolinho de arroz? kkkk ta PERFEITO, tipo P-E-R-F-E-I-T-O *-*

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  5. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH PODE CONTINUAR

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