quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Capítulo 7

Cap. 7 Meu herói


     Quando eu era menor imaginava minha vida como nos livros de contos de fadas. Eu iria me casar com um príncipe encantado lindo e moraria em um belo palácio ou castelo. Toda noite ia ter um baile e a cada baile eu usaria um vestido longo perfeito.
     Há pouco tempo atrás eu imaginava minha vida totalmente resumida em uma única palavra: Estudar. Eu iria estudar para me formar na profissão que eu quisesse e ser alguém na vida. Eu ainda penso assim, só que hoje os meus pensamentos se misturaram um pouco. Os contos de fadas se embaralharam com a vida real e agora eu só penso na minha vida com uma única pessoa. Eu imagino que se algum dia eu for me casar com alguém, que seja com esse alguém. Se for para ter filhos, que seja com esse alguém. Se for para morrer ao lado de alguém, que seja esse alguém. E esse alguém está bem óbvio para mim. Ninguém mais e ninguém menos que o meu “herói” Greyson Chance.
     - Hoje é o dia que você vai se esfolar. É melhor ir preparada. – Disse para mim mesma em frente ao espelho. Eu e essa minha mania de conversar comigo mesma.
     Depois de exatos cinquenta minutos eu estava pronta para encarar Greg, Lauren e os amiguinhos deles. Já havia se passado três dias e todos na escola não paravam de me perguntar sobre a perna engessada e como foi passar uma noite no hospital. Poxa, eu não sou um alienígena por está com o tornozelo quebrado e nem por ter passado um tempo dentro de um quarto de algum hospital! Até a diretora da escola, a “Dona Ocupada”, quis saber. O normal seria ela se importar com um aluno e não fofocar como se fosse alguma amiga minha.
      Desci as escadas com cuidado para não machucar ainda mais a minha perna e dei de cara com a Tia Virginia. Minha mãe havia dito que ela viria apenas TRÊS dias na semana, não a semana inteira.
     - Por que você veio hoje? – Perguntei torcendo para que ela não me desse nenhum fora.
     - Porque eu falei com a sua mãe e ela disse para eu vir todos os dias enquanto sua perna estiver engessada. – Ela respondeu ajeitando as almofadas do sofá. AJEITANDO? Foi isso que eu disse? Ela estava espancando as almofadas do sofá, que, aliás, estavam bem arrumadas em seus lugares e não precisavam ser “ajeitadas”.
     - Quando você falou com a minha mãe? Eu pedi para você me deixar falar com ela quando ligasse, já que você não quis me devolver meu celular. – Eu disse morrendo de raiva por dentro. Minha querida titia havia confiscado meu celular só porque ela o achou embaixo da almofada do sofá e disse que eu não tinha responsabilidade suficiente para ter um, pois eu havia o perdido. É claro que eu não tinha perdido meu celular. Eu sabia que ele estava dentro de casa, em algum lugar em algum cômodo. Mesmo assim ela não tinha nenhum direito de fazer isso, ainda mais porque eu estava louca de saudades da minha mãe.
     - Ontem à noite. – Ela disse com a voz suave como se estivesse adorando me ver com raiva. Que ódio da minha tia!
     - Olha, se você achar melhor ficar em casa fazendo o que você quiser, eu não me importo. Eu me viro bem sozinha. Não quero roubar o seu precioso tempo. – Fui falando com uma voz bem doce. “Talvez assim aquela mulher pare de vir me atormentar” pensei.
     - Eu estaria fazendo a sua vontade, e mesmo sendo chato para eu vir para cá, eu não quero que você seja mimada. Já basta ser uma mal-educada sem futuro...
     - Você pode dizer o que quiser de mim, mas que sou mal-educada não! Você sabe muito bem que eu não sou assim e você só diz isso porque seus filhos são uns pestes. – A interrompi. Fiquei vermelha de tanta raiva e acabei falando tudo que estava entalado na minha garganta enquanto apontava o dedo em seu rosto. – TAL MÃE TAL FILHOS! SE A MÃE É UM CAPETA OS FILHOS TAMBÉM SEGUIRÃO O EXEMPLO, E VOCÊS SÃO A PROVA DISSO! – Gritei. Eu não devia ter dito nada disso, mas eu me descontrolei e acabei a deixando vermelha de raiva, assim como eu estava.
     - Nunca mais aponte o dedo na minha cara e nem fale mal de mim e meus filhos! – Ela disse pausadamente enquanto abaixava com muita força minha mão. – Você não sabe o perigo que está correndo senhorita. Quando sua mãe souber disso...
     - Isso mesmo. Se esconda embaixo da asa da minha mãe. Se esconda da verdade mais uma vez na sua vida. Uma hora você vai ver tudo o que está fazendo e talvez assim você veja o mal que está causando não só pra mim, mas para toda a sua família! – Disse e logo me virei e fui mancando em direção à porta que bati tão forte que o cachorro do vizinho começou a latir desesperadamente devido ao som.
     - Ei, (seunome)! – Alguém me gritou no outro lado da rua. Virei-me e deparei com um garoto branquelo, cheio de sardas, com olhos castanhos brilhantes e cabelos bagunçados. Era Greyson.
     - O que você está fazendo aqui? – Perguntei sorrindo. Que surpresa maravilhosa eu tive. Depois de uma briga com a minha tia a única coisa que eu não queria era ir sozinha carregando pelo menos 1 kg de gesso na minha perna e mais uma bolsa pesada. E o melhor de tudo era que a pessoa que apareceu era a mesma pessoa que eu gostaria de estar, neste momento.
     - Ué, você não gostou da surpresa? Porque se quiser eu posso ir embora e...
     - NÃO! – Gritei. – Quer dizer, não. Eu adorei, de verdade. E ainda mais porque eu não quero andar sozinha, não hoje correndo risco do Greg e seus amigos aparecerem em algum canto.
     - Eu te disse que o seus amigos iriam te ajudar. – Ele disse enquanto pegava a minha bolsa e me ajudava a caminhar.
     - Obrigado. – Disse a parei de andar. Virei-me para ele e o encarei nos olhos. – Greyson, eu queria saber uma coisa.
     - Pode falar. – Ele disse enquanto ajeitava a minha bolsa que escorregava pelo braço dele.
     - O que aconteceu no hospital, quer dizer, o que quase aconteceu no hospital... Ér, eu queria saber se... Ah, bem é que... – Eu comecei a falar, mas não consegui terminar. Eu estava com muita vergonha e um pouco de medo por não saber qual seria a resposta dele.
     - Eu também queria falar com você sobre isso. – Ele me interrompeu. – Não sei se para você significou alguma coisa. Eu disse a verdade e tudo que fiz foi verdadeiro. Não fiz nada para ganhar crédito com você e muito menos brincar com o seu coração. Não sei onde isso vai acabar, ou se algo vai começar, eu só quero dizer que... – Greyson começou a gaguejar. – Que... Tudo que eu menos quero é te ver machucada, por dentro ou por fora, então para mim, o que for melhor para você, será também melhor para mim. – Ele terminou de falar e estava muito corado. Deve ser horrível para um garoto dizer tudo o que sente, ainda mais se for para a mesma pessoa pela qual ele sente tudo aquilo.
     - Então... Então você disse a verdade enquanto me abraçava? – Perguntei fixando os meus olhos ainda mais nos dele. Se ele dissesse “sim” ali, eu enfartaria. Mentira! Eu seria a pessoa mais feliz do mundo, o que é muito para mim. Ele estava mais corado ainda e seus olhos brilhavam como nunca. Ele fixou seus olhos nos meus, assim como eu estava fazendo, e sorriu.
     - Sim. – Ele disse ainda sorrindo. Não consegui me conter e abri para ele o meu melhor sorriso. Eu não podia acreditar que eu estava apaixonada pelo garoto que eu odiava há um tempo atrás e ele por mim. Eu não sabia o que fazer ali. Eu só conseguia sorrir, admirá-lo, sorrir novamente e mais nada. Feliz era a palavra que me descrevia nesse momento.


NARRAÇÃO DO GREYSON ON

     Eu não sabia se havia feito a coisa certa. Eu respondi a verdade para ela, mas não tinha ideia se ela a aceitaria. A (seunome) sorria para mim e eu retribuía o sorriso. Ela estava maravilhosa e parecia que seus olhos brilhavam muito mais do que em qualquer outro momento. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas o que? Eu não podia fazer nada de errado porque não queria magoá-la e nem me passar por grosso. Der repente fui totalmente surpreendido. Ela havia posto a mão na minha nuca e mexia com as pontas dos dedos nos meus cabelos. Ela foi se aproximando de mim, e num piscar de olhos acordei pra vida, pra realidade. A garota mais incrível do mundo estava prestes a me beijar e eu estava parado ali como um completo idiota esperando ela fazer toda a ação. Coloquei meu braço direito em sua cintura a fazendo chegar mais perto de mim, e com o esquerdo subi até seu ombro onde, com minha mão, acariciei seu rosto.



NARRAÇÃO DO GREYSON OFF

     Greyson envolveu minha cintura com um de seus braços e acariciou meu rosto. Eu não sabia direito se era isso que ele queria, mas eu não pude conter a felicidade. Eu amava aquele garoto e isto estava óbvio. Nossa respiração se misturou assim como aconteceu no hospital. Nossos narizes se encostaram e der repente senti seus lábios nos meus. Uma sensação maravilhosa percorreu todo o meu corpo e por mim, eu continuaria exatamente assim, até a morte. Ele der repente parou, olhou no fundo dos meus olhos e sorriu. Será que eu havia feito alguma bobagem? Será que ele não gostou? Minhas perguntas foram respondidas quando, logo depois, Greyson voltou a me beijar. Eu pedi passagem da língua e ele deixou. Era algo mágico sentir seu toque, seu beijo e tudo que estava acontecendo bem ali. A língua dele me aquecia e me deixava calma. A última coisa que eu queria que acontecesse ali era o nosso beijo ser interrompido ou parar pela iniciativa de algum de nós. Eu estava cada vez mais apaixonada por ele.



NARRAÇÃO DO GREYSON ON

     Nossos lábios se encostaram e eu pude sentir a verdadeira felicidade. Agora sim eu entendia o que algumas pessoas diziam sobre o primeiro beijo com a pessoa que você ama de verdade. Era algo mágico. Separei nossos lábios e a olhei sorrindo. Eu não podia conter minha felicidade. Fechei meus olhos e voltei a beijá-la. Ela pediu passagem da língua e eu cedi. Era maravilhoso sentir tudo aquilo. Eu disse maravilhoso? Era muito mais que isso! Eu percebi que ela me amava, e agora sim eu havia encontrado a parte da minha vida que estava perdida por aí; Ela se chamava (seunome&sobrenome), ou MCP, segundo Michael.


NARRAÇÃO DO GREYSON OFF

    Durante todo beijo nossos olhos ficaram fechados. Eu nunca havia me sentido tão bem, tão feliz, tão viva! Ele novamente parou o beijo, mas dessa vez eu tive certeza de que não tinha sido por nada que eu fiz. Ele me olhou sorrindo, me abraçou e me girou no ar. Era muito bom senti-lo perto de mim, nos meus braços, só para mim. Estava tudo indo perfeitamente bem até que a minha adorável tia aparecer para estragar o momento mais feliz que o meu dia havia tido.

     - Então é isso que a senhorita faz ao invés de ir para a escola? – Tia Virginia perguntou sendo totalmente sarcástica. – Sua mãe não vai gostar nada ao saber disso. – Ela já foi pegando o celular do bolso.
     - Eu não vou tentar te impedir. Faça o que quiser. – Eu disse me virando de costas e puxando Greyson que estava sem entender nada.
     - Como assim não? Eu posso acabar com você e...
     - Eu estou cansada de discutir com você. Pra mim já chega. – Disse me virando novamente para ela. – Faça o que bem entender, estrague a vida de quem você quiser, mas não me meta em mais discussão boba. – Voltei a virar para Greyson e o chamei. Fomos caminhando para a escola e nem um de nós disse nenhuma palavra pelo caminho.
     - Qual o problema entre você e sua tia? – Greyson perguntou assim que sentamos em um banco de pedra que havia no pátio.
     - Ela é totalmente louca. Vive me ameaçando, me xingando, dizendo que não tenho futuro e inventando histórias para a minha mãe. – O respondi enquanto meus olhos percorriam todo o pátio atrás de Lauren, Greg e companhia.
     - Não se preocupe. Eles ainda não chegaram. – Greyson disse ao perceber quem eu estava procurando.
     - Como você sabe? – Perguntei me virando assustada para Greyson.
     - A Lauren sempre me envia mensagem perguntando se eu não quero ir buscá-la. – Greyson disse um pouco entediado.
     - Tá, mas e o Greg?
     - Já que eu nunca fui buscar a Lauren, ela vem com o Greg. Acho que é para me fazer sentir ciúmes. – Greyson disse e abriu o sorriso. – Acho que não está dando certo. – Ele terminou de falar e também sorri.
     - BOM DIA CASAL!! – Tom e Michael gritaram ao mesmo tempo enquanto vinham na direção onde eu e Greyson estávamos.
     - Como é que eles sabem? – Perguntei olhando para Greyson que parecia ter a mesma pergunta na cabeça.
     - Não é preciso espionar vocês para saber disso, mas nós queríamos ter certeza, então... – Tom começou a falar, mas eu o interrompi.
     - EI! Vocês estavam me espionando? – Perguntei incrédula.
     - Não. Nós estávamos cuidando de você. – Michael respondeu sorrindo. – Você não pode andar sozinha nesse estado e muito menos hoje que acabam os três dias de suspensão do Greg. – Michael apontou para minha perna engessada.
     - Ah, e em falar em suspensão, hoje ele vai ter que ajudar na cozinha. – Tom disse rindo. Ele já estava ficando vermelho de tanto rir. Não tinha graça nenhuma naquilo. Ah tinha sim! Imagina o garoto mais forte, bonito, esportista, respeitado e durão da escola inteira ajudando na cozinha. Limpando bandejas, mesas, servindo e obedecendo aos alunos. HÁ! O intervalo vai ser TUDO!
     - Pelo menos isso pra animar meu dia. – Eu disse enquanto olhava para os lados a procura de Jane.
     - Ei! Eu não existo não? – Greyson perguntou cruzando os braços.
     - É claro que sim Grey. – Disse o abraçando. – Mais uma coisa para alegrar meu dia. Tá bom assim?
     - Melhorou. – Ele respondeu rindo e me deu um selinho.
     - Tom, vamos ao banheiro, eu preciso vomitar. – Michael disse puxando Tom.
     - Por quê? A garotinha aí tá gravida? – Tom fez voz afetada enquanto eu e Greyson não parávamos de rir, ainda abraçados.
     - HÁ-HÁ. – Michael foi sarcástico. – Eu te disse para usarmos preservativo, mas você não me ouviu amor. – Ele se virou fazendo uma voz afetado que me fez tossir de tanto rir.
     - Vão discutir a relação em um lugar menos público, por favor?! – Greyson disse fazendo Michael rir.
     - Hey favela! Como estão? – Jane tinha acabado de chegar e já foi me cumprimentar.
     - Agora sim isso aqui virou uma favela. – Michael disse encarando Jane. Com certeza ele queria vê-la irritada.
     - Mimi querido fecha esse buraco negro que você chama de boca. – Jane disse pausadamente e depois caiu no riso. – Amiga tá nervosa? – Ela se virou para mim.
     - Um pouco, mas com vocês perto de mim fica tudo mais fácil. – Respondi fazendo todos soltarem um “awn” e depois rirem.
     - Ah não. Lá vem a cobra. – Jane parou de sorrir enquanto fixava seus olhos mel em algum ponto atrás de mim. Virei-me e vi Lauren chegar toda sorridente.
     - Você me disse que ela vinha com o Greg. – Sussurrei olhando para Greyson.
     - Eles devem estar lá fora. Ela nunca viria sozinha pra cá.
     - Olá amigos, oi Grey. – Lauren nos cumprimentou com uma voz super doce.
     - O que você quer aqui? – Jane disse já se enfiando na frente de Lauren para que ela não pudesse encostar em nenhum fio de cabelo meu.
     - Calma emburradinha. Grey posso falar com você?
     - Não. – Greyson respondeu friamente.
     - Vai lá. – Sussurrei. – Por mim você pode ir. – Me virei para olhá-lo. Ele assentiu e se levantou, mas voltou a sentar e me abraçou por trás quando Greg e seus amigos apareceram no portão da escola. – Calma, ele não pode fazer nada com todos olhando.
     - Bom dia Lala. – Greg cumprimentou Lauren dando um beijo na bochecha dela. – Bom dia pessoal. – Ele acenou para todos com um sorriso de canto de boca. Ninguém disse nada. Todos o encaravam com ódio nos olhos. Michael foi andando lentamente em direção a ele, mas Jane o puxou de volta para trás. Eu sabia que Jane não queria que nada de mal acontecesse para ninguém ali, mas ela deveria saber que Greg ficaria com raiva dela por ter impedido Michael de morrer ali mesmo.
     BLIIIIIIIIM! O sinal tocou e todos nós, tirando a máfia, nos viramos e fomos andando em direção à sala de aula. Despedi-me do Greyson com um selinho e entrei na sala 5, enquanto ele ia rumo a sala 13.
     - Você está namorando o Greyson? – Jane perguntou assustada e feliz ao mesmo tempo. – Até ontem você disse que não havia rolado nada demais! – Jane já foi me puxando com cuidado para uma carteira no meio da sala para que eu a contasse tudo, e, é claro, eu a informei sobre tudo que havia acontecido. – AI QUE LINDO AMIGA! Quem dera que o Mimi fizesse isso. – Jane lançou um olhar de reprovação para Michael que neste instante conversava com Tom sobre algo muito empolgante, pois os dois faziam movimentos bruscos.
     - Bom dia classe! – A professora de música, Dona Carlita, entrou na sala toda sorridente. Ela era um amor de pessoa ao contrário do Professor Bradween. – Já estamos chegando perto do natal então queria fazer uma atividade diferente com vocês. Que tal aprendermos a tocar alguma música natalina em algum instrumento? – Ela nos perguntou ainda sorridente e foi respondida por vários “BOA!”, “MANEIRO!”, “GOSTEI!” dos alunos. - Eu conversei com a diretora e ela me deixou usar os instrumentos que pertencem à escola para essa atividade. Para não haver muitas turmas com o mesmo instrumento nós iremos usar violões e teclados. Cada um poderá escolher o seu preferido e eu ensinarei todas as notas para vocês... – A professora foi interrompida por uma batidinha na porta. Ela a abriu e se deparou com um aluno. Era Greg. – Sim?
     - Com licença professora. A diretora está pedindo para que a aluna (seunome&sobrenome) compareça agora na sala dela. – Greg disse e Jane me enviou um olhar de desespero. Ou aquilo era verdade e eu estava encrencada ou o Greg fez curso de teatro e na verdade ele iria me bater quando eu saísse da sala.
     - Senhorita (seunome) pode ir. – A professora disse sorridente e eu assenti. Levantei-me e dei uma última olhada em meus amigos. Virei-me e fui caminhando em direção à porta onde Greg me olhava com os olhos brilhando. Sai da sala e fui andando o mais rápido possível rumo à diretoria. Eu sabia que não tinha feito nada para a diretora me chamar. Eu tinha certeza do que ia acontecer ali, daqui a alguns segundos, mas tentei ir para onde houvesse alguém, só que todo o corredor estava deserto.
     - Espera princesa. – Greg disse com um tom de voz doce demais para ele. Eu estava ferrada!
     - Cadê seus amiguinhos hein? – Me virei com todo o ódio que havia no meu corpo. Eu poderia estar com o medo que fosse, mas também estava com muita raiva daquele garoto. É pura covardia ele querer me bater, ainda mais com ajuda dos amigos dele.
     - Então você já sabe da história toda não é?! – Ele foi chegando cada vez mais perto de mim. Eu já estava encostada na parede e apenas assenti.


NARRAÇÃO DA JANE ON

     Quando (seunome) saiu da sala enviei um olhar de pavor para Mimi e Tom. Eu estava totalmente assustada e com ódio de mim mesma por não estar com a minha amiga, para defendê-la. Não tinha como ela se defender! Primeiro porque o Greg era muito mais forte que ela, ainda mais com a ajuda dos amiguinhos dele. Segundo que ela estava com a perna engessada, o que dificultava até mesmo ela correr para se salvar.

     - Meninos! – Sussurrei enquanto a professora a professora explicava algo sobre o violão. – Precisamos ir atrás da (seunome) agora!
     - Não sabemos o que fazer para sair da sala. – Tom respondeu preocupado.
     - Vou enrolar a professora e vocês correm para chamar algum inspetor. – Mimi começou a falar, mas foi logo interrompido pela professora.
     - Algum problema querido?
     - Ah, sabe o que é professora. É que... Que eu queria muito mostrar para a senhora a música que eu sei tocar no violão. Então se a senhora pudesse pegá-lo e... – Michael tentou fazer com que a professora saísse de sala atrás do instrumento, mas ela logo o interrompeu e a tentativa adiantou de nada.
     - Eu acabei de explicar que iríamos pegar os instrumentos no segundo tempo Michael. – A professora disse um pouco sem paciência. Michael corou e olhou-me pedindo ajuda pelo olhar. Eu estava a ponto de pular em seu pescoço, mas eu não podia perder mais tempo. Nesse momento minha amiga poderia estar sangrando.
     - Professora! Posso ir ao banheiro? – Perguntei um pouco alto demais.
     - O sinal do segundo tempo já irá tocar então você poderá ir. Tudo bem querida? – A professora foi doce ao me responder, mas eu não estava mais aguentando a doçura dela. Eu tinha que sair daquela sala de qualquer maneira!
     - Professora, eu estou muito apertada. Deixa-me ir agora! – Insisti.
     - Querida, você não pode perder essa parte da explicação. É muito importante! – Ela disse ainda sorrindo. Que raiva daquela mulher! Deu vontade de mandá-la calar a boca até eu voltar, mas respirei fundo e outra ideia veio em minha cabeça. Peguei rapidamente meu celular e escrevi uma mensagem para Greyson. Talvez o professor que estava dando aula para ele o deixasse sair. A mensagem dizia:


Greyson, pede pra sair de sala AGORA! O Greg veio aqui na minha turma e inventou uma história de que a diretora queria ver a (seunome). Ela tá sozinha e eu não consegui sair daqui. CORRE! Boa sorte, Jane.


     Enviei a mensagem e avisei os meninos. Agora é só torcer para que tudo dê certo.


NARRAÇÃO DA JANE OFF

     Greg estava chegando perto demais e eu comecei a sentir que não era me bater o que ele queria.

     - Eu pedi para eles não virem. Não queria estragar a surpresa, sabe. Eu prefiro que seja equilibrado, para não haver injustiça. – Ele foi dizendo enquanto esticava os dois braços e encostava as mãos na parede me fazendo ficar presa. – Tem que ser justo. – Ele sussurrou no meu ouvido. Há algum tempo atrás o que eu mais queria era isso. Ter Greg pertíssimo de mim pronto para me beijar, ou seja, lá o que fosse. Mas agora eu estava ansiosa, esperando um milagre para me tirar dali.
     - O que você sabe sobre ser justo? – Fui irônica. Ele fixou seus olhos nos meus e deu um sorrisinho. A minha maior vontade naquele momento era chutá-lo onde meu joelho alcança-se, só que era impossível. Eu não poderia chutar com a perna engessada e nem aguentar todo o meu peso em cima dela enquanto chuto com a outra perna. O que fazer?


NARRAÇÃO DO GREYSON ON

     Senti uma vibração do meu bolso. Peguei o celular e vi que era uma mensagem de Jane e a abri. Meu coração começou a acelerar e eu não pude acreditar no que li. A (seunome) estava correndo perigo e eu não sabia, até agora. Pensei em alguma desculpa para sair da sala, mas com aquele professor era impossível. Ele nunca deixava nenhum aluno sair de sala, mesmo se o mesmo estivesse morrendo. Só havia um jeito, e ele era perigoso. Virei-me para meu amigo Jack que sentava ao meu lado e sussurrei “desculpa, é o único jeito!” e logo em seguida dei um soco no rosto dele. Jack se virou pra mim e sussurrou um “Por quê?” mas logo foi interrompido pelo professor.

     - Senhor Chance, o que você fez? – O professor correu em direção a Jack que estava com um hematoma perto do olho esquerdo. “Caramba! Eu sou forte” pensei. – O senhor vai agora para a direção e nem ouse mudar o seu rumo porque eu descobrirei e será bem pior! – Ele gritou e não duvido nada que as pessoas que estavam na rua tenham ouvido. Assenti e fui andando com calma. Eu não podia correr senão ele iria suspeitar, mesmo se minha vontade fosse chegar o mais rápido possível no Greg e acabar com ele. Passei pela porta e ainda pude ouvir o professor perguntar a Jack se estava tudo bem. Comecei a acelerar o passo procurando Greg e a (seunome). Onde eles estavam? Eu não podia perder nem mais um segundo.


NARRAÇÃO DO GREYSON OFF

     Greg me puxou pelo braço com muita força. Agora eu já não sabia mais o que ele queria comigo. Tentei me soltar dele, mas não adiantou. Ouvi passos no corredor e então Greg me colocou no colo dele e tampou meu rosto. Tentei gritar, mas a mão dele abafava todo o som. Depois de alguns segundos ouvi o barulho de uma porta fechar. ”Será que ele saiu da escola comigo?” Me perguntei. Não poderia ter sido isso. Os portões da escola ficavam trancados no horário de aula e os muros eram muito altos para Greg pular, ainda mais comigo no colo dele. De repente Greg tirou a mão do meu rosto e me jogou contra a parede, fazendo minha cabeça bater com tudo. Abri meus olhos cheios de lágrima e coloquei a mão na cabeça. Estávamos dentro do banheiro da escola, e pela cor, era o masculino. Ele me puxou pra perto dele e começou a acariciar meu corpo. Tentei me soltar, mas estava sem forças. Tentei gritar, mas não tinha voz alguma. Eu estava muito fraca, devia ter sido pela batida. Greg me encostou na parede e começou a chupar meu pescoço. Virei minha cabeça para tentar fazer com que ele parasse, mas ele puxou meu cabelo com muita força fazendo mais lágrimas correrem pelo meu rosto. Agora sim eu sabia o que ele queria fazer. Lauren com certeza o pediu para fazer com que eu e Greyson nos distanciássemos, ou seja, fazer Greyson pensar que eu o trai. Mas como eu poderia trair quem não era meu namorado? Será que Lauren nos viu nos beijando? A única coisa a fazer ali era deixar o meu corpo como um instrumento do Greg. Eu não tinha forças para me defender, muito menos para correr. Greg começou a passar a mão novamente no meu corpo e a parou na minha coxa. Ele foi subindo cada vez mais a mão e eu não podia deixa-lo fazer aquilo. Fui escorregando para o lado, tentando chegar até a porta onde eu poderia ficar encostada e a qualquer momento abri-la e me livrar daquela praga chamada Gregory. Senti minha blusa ser levantada. Tentei fazer com que ela voltasse, mas não adiantou nada, pois Greg a tirou de uma vez. Ele encarou meu sutiã e sorriu. Tentei chegar mais perto ainda da porta, mas foi simplesmente um fracasso. Greg desabotoou o meu short, abriu o zíper e o puxou com muita força. Em seguida me colocou sentada na pia enquanto chupada todas as partes visíveis do meu corpo. Eu só queria sair o mais rápido dali, mas o que eu poderia fazer? Onde estaria o pessoal da escola? E então minha pergunta foi respondida. Ouvi um baque na porta e Greg, numa fração de segundos, me pegou e colocou em uma das “cabines” onde havia os vasos e mictórios e fechou a porta.



NARRAÇÃO DO GREYSON ON

     Corri o mais rápido que pude e parei em frente ao banheiro masculino. Estranhei ele estar com a porta fechada. Coloquei a orelha na porta e ouvi um barulho muito alto, como se alguém tivesse batido alguma parte do corpo em algo duro e depois caísse no chão. Tentei abri-la, mas estava trancada. Bati da porta para ver se alguém me respondia, mas a única coisa que ouvi foi o barulho de uma porta se fechando lá dentro.

     - Tem alguém aí? – Gritei ainda batendo na porta, mas ninguém respondeu. Comecei a bater com o ombro na porta tentando arrombá-la. Eu tinha quase certeza que o Greg estaria lá com a (seunome), e o que é uma porta derrubada quando você bateu no seu colega e não obedeceu ao professor? De qualquer maneira eu estaria encrencado.
     “BUM” e finalmente a porta caiu. Dei de cara com Greg que segurando uma blusa e um short. Eram as roupas que (seunome) estava usando hoje. A raiva tomou conta do meu corpo e eu parti para cima dele. Eu sabia que Greg era bem mais forte que eu e um pouco mais alto. Mas também sabia que a (senonome) estaria ali e quem sabe como. Corri na direção dele e o dei um soco que o rosto dele virou, bruscamente. Ele se virou com raiva e me deu outro. Senti o sangue escorrer de meu nariz, mas não me importei. Levantei-me e o dei outro soco que o fez cair e bater a cabeça na quina da pia. O rosto dele sangrava e eu não podia me conter. Comei a chutá-lo e ele parecia inconsciente, mas só parecia, pois do nada Greg me puxou para baixo dele e me deu um soco tão forte que minha cabeça bateu, levantou e voltou a bater no chão. O ódio já tomava conta de mim, e a única maneira de sair dali vivo era o deixando inconsciente. Como? Eu já sabia. Coloquei minhas mãos no pescoço dele e apertei muito forte. Vi ele ficar sem ar e depois o empurrei contra a parede. Ele caiu no chão de olhos fechados e então me virei para procurar (seunome).


NARRAÇÃO DO GREYSON OFF

      Ouvi um baque muito alto na porta e depois a ouvi batendo contra o chão. Alguém havia entrado ali, pois consegui enxergar além dos tênis do Greg, um par de all-star preto. Tentei abrir a porta, mas ela estava emperrada. Subi em cima do vaso sanitário e tentei pular por cima da paredinha que dividia cada “cabine”. Foi um fracasso. Eu estando bem não tinha força no braço, quanto lá eu toda machucada. Por isso eu disse ao médico que não queria usar muletas, seria mais um peso atoa para eu carregar. Ouvi um barulho muito alto, alguém com certeza havia caído no chão. Voltei há por minha cabeça encostada ao piso e pude ver Greg caído. Ele estava sangrando muito e havia alguém que o chutava. Levantei-me e me sentei encostada a parede, ainda chorando muito. O que eu menos queria era estar ali, presa, com duas pessoas se matando e eu não podendo fazer nada. De repente ouvi uma voz muito familiar gritar meu nome. Era Greyson. Tentei gritar de volta, mas o nó na minha garganta impedia que minha voz saísse. Bati com todas as minhas forças na porta da “cabine” e pareceu que Greyson havia me achado.

     - Sai de perto da porta porque eu vou derrubá-la. – Ele gritou. Não demorou nem sete segundos e a porta já estava no chão. Olhei para a porta caída e depois olhei para frente. Greyson estava suado, com a roupa e o rosto cheio de sangue e parecia exausto. Ele veio até mim e me abraçou muito forte. Comecei a chorar mais ainda e ele tentava me fazer parar de chorar.
     - Calma, já está tudo bem. – Ele me disse enquanto secava minhas lágrimas.
     - N-não dá. É t-tudo culpa-pa mi-minha! – Tentei falar, mas os soluços não deixavam. Greyson se levantou e pegou minhas roupas. Elas estavam muito sujas de sangue e ao perceber isso, ele tirou a própria camisa e me entregou. Vesti e escondi meu rosto nas mãos.
     - É melhor irmos à direção, antes que bata o sinal e os alunos apareçam aqui. – Ele disse me ajudando a levantar. Assenti e sai do banheiro com ele me ajudando a andar.

AVISO:  Queria pedir desculpas por não ter ficado tão grande, como eu prometi, e não sei se ficou muito bom, pois fiz correndo. Espero que gostem, e queria pedir dois favores para vocês. Comentem se gostarem e indiquem (se possível) o blog para outros enchancers, por favor. Obrigado a todos que leem, isso me deixa muito feliz. Um feliz natal e um ótimo ano novo adiantado para todos! Beijos da Mi.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Capítulo 6

Cap. 6 ”Eu te amo”.


     “Para de mexer nisso sua anta”, “Ei, não me chama assim Godzilla!”, “Pessoal, ela tem que descansar. Silêncio!”, “Psiu! Cala a boca namoradinho”, “Vai irritar sua avó, vai!”, “Vocês terão que se retirar. A paciente precisa de repouso”, “Já disse pra você soltar isso! Quer que ela morra?”, “Vamos logo” e em seguida o barulho da porta sendo fechada.
     Abri os olhos e dei de cara com uma grande parede branca com apenas uma porta de vidro no canto. Minha cabeça latejava como nunca e meus olhos lacrimejavam. Tentei sentar, mas não consegui. Senti algo pesado e desconfortável preso à minha perna direita. Puxei o lençol branco que me cobria para que eu pudesse ver. Era um gesso que ia desde o início do peito do meu pé até abaixo do meu joelho, e estava claro que alguém já havia escrito algo ali. Havia algumas mensagens, uma de cada cor, e mesmo longe, eu pude ler:



Agora além de moca e cega você também é perneta. Melhoras MCP!
Ei linda, melhora logo viu?! Amo-te, Tom.
Hey, estou torcendo por você! Quando iremos comer lasanha novamente? Beijos Grey. =)
Amiga, melhoras. Estou torcendo por ti linda! Amo-te demais e quero ver você bem outra vez. Beijos da sua linda e maravilhosa bff: Jane.

     Acabei de ler e não pude esconder o sorrido. Realmente eles eram ótimos amigos e eu só queria abraça-los agora, neste exato momento. Cobri minha perna novamente e reparei nos fios que estavam presos em mim. “Não acredito que vim parar no hospital, eu odeio hospitais. Sabe-se lá se alguém já faleceu nesta cama” pensei. Abri a boca para chamar alguém que pudesse me atender, mas não saiu voz nenhuma. Pigarreei e tentei novamente. Agora sim pude ouvir minha voz que estava extremamente chiada. Eu estava roca e tinha acabado de descobrir isso. Uma moça muito bonita deu uma corridinha até mim e já foi ajeitando os fios presos aos meus braços.

     - Você pode chamar meus amigos? – Perguntei enquanto tentava, discretamente, tirar os fios que ela acabara de ajeitar.
     - Todos eles de uma vez? – Ela perguntou e eu balancei a cabeça representando um sim. – Só um estante. – Ela se virou de costas e saiu do quarto de onde eu estava.
     Já havia se passado um tempo e eu já conseguia me mexer facilmente. Sentei na cama e olhei para os lados. Havia outros pacientes no mesmo quarto que eu, e eles pareciam exaustos. Um deles estava com os dois braços engessados e o pescoço enfaixado. Outro mais no canto havia o tronco todo coberto por um pano branco e o paciente a minha esquerda estava com o topo da cabeça e o braço direito enfaixado. Continuei olhando para todos eles que pareciam dormir até que Michael entrou gritando no quarto acordando todos eles.
     - VOCÊ ACORDOU!!! QUE BOM MCP, QUE COISA BOA! EU ESTAVA COMEÇANDO A FICAR DEPRIMIDO. – Michael gritou já me abraçando enquanto Jane, Tom e Greyson vinham também correndo para me abraçar. – Não mais deprimido que o Greyson, mas eu estava quase chorando, é sério!
     - MCP? – Perguntei rindo enquanto abraçava todos os outros que me diziam belas palavras a cada abraço.
     - Você não leu o gesso não? – Michael perguntou cruzando os braços e se escorando na beira da cama.
     - Ah tá! Entendi. – Disse sorrindo enquanto Jane não largava minha mão. – Gente, que horas são e que dia é hoje?
     - Hoje é 17 de dezembro e são exatamente 15h48min. – Tom me respondeu enquanto olhava o celular.
     - AH MEU DEUS! Eu dormi aqui no hospital desde ontem? O que aconteceu com você e o Mimi? E o Greg? E como me trouxeram? – Sai perguntando em todas as direções e Jane já veio me respondendo.
     - Amiga durante a briga você foi empurrada pelo Greg, caiu em cima da Lauren e quebrou o tornozelo. Então você desmaiou, deve ter sido porque todos fecharam uma roda em volta de você e seu nariz não parava de sangrar. – Coloquei a mão no nariz como se ainda pudesse sentir o sangue escorrer. Depois voltei com minha mão até o colchão e continuei ouvindo atenciosamente. – Então eu consegui chegar até você e Greyson te pegou no colo. Eu insisti para ele te levar até a enfermaria da escola, mas ele não me deu ouvidos e foi correndo com você até o ponto de táxi e te trouxe pra cá. – Ela disse enviando para Greyson um olhar de desaprovação. Ele estava com os olhos fixos em mim. Dei um sorriso sem mostrar os dentes e ele me devolveu outro. Voltei a encarar Jane e ela continuou explicando. – Avisei a diretora sobre o ocorrido e então o Greg, Mimi e Tom foram para a sala dela. Eles conseguiram se livrar – Jane disse apontando para Michael e Tom. – só que o Greg levou suspensão de três dias e quando voltar terá que ajudar na cozinha por um mês. – Ela parou de falar e parecia assustada com o castigo que a diretora havia dado à Greg.
     - Mas afinal o que vocês fizeram para se meterem com o Greg? – Perguntei à Michael e Tom.
     - Na verdade a culpa foi toda do Michael. – Tom começou a falar, mas foi interrompido por um “tinha que ser” de Jane. Todos riram e então ele continuou. –Nós já estávamos indo para a sala quando a toupeira do Michael inventou de ir dar uma cantada na Lauren. Só que, é óbvio que ela prefere a mim, então chamou o Mimi de qualquer um e se agarrou no braço do Greg que estava passando. Só que a toupeira aqui quis confrontar o cara mais forte da escola e eu fui ajudar é claro, por eu ser um bom amigo, então nós apanhamos juntos e o resto você já sabe.
     - Então tudo isso foi por causa da Lauren? – Perguntei perplexa. Todos assentiram e se entreolharam.- Gente, por que essas caras? – Perguntei novamente enquanto encarava principalmente Greyson que parecia o mais assustado dali.
     - É que... ér... – Greyson começou a falar, mas não conseguiu terminar, pois foi logo interrompido por Jane que praticamente gritou bem rápido uma frase que não deveria ser dita de tal maneira a alguém.
     - A LAUREN DISSE PRO GREG QUE VOCÊ A AMEAÇOU E ELE MARCOU COM TODA A MÁFIA DELE PARA TIRAR SATISFAÇÕES COM VOCÊ NO PRÓXIMO DIA QUE VOCÊ APARECER NA ESCOLA. – Jane gritou de olhos fechados e depois os abriu encarando o chão. Engoli á seco e depois olhei para Greyson que não parecia querer olhar em meus olhos.
     - É verdade Greyson? – Perguntei e ele assentiu. Fiquei perplexa. Eu nunca poderia imaginar de que o garoto que eu gostava há um tempo atrás, iria me espancar ou sei lá o que em breve, e tudo por causa de uma garota que é ex do garoto mais perfeito do mundo que havia praticamente salvado minha vida.
     - É melhor deixarmos você descansar. Daqui a pouco a enfermeira vai te dar alta e você deverá estar descansada. – Jane falou ainda olhando para o chão. Ela se levantou, passou pela porta e todos fizeram o mesmo, menos Greyson. Ele me olhou e parecia estar muito abatido. “Obrigado” sussurrei e ele deu um sorriso de canto de boca e se virou fechando a porta do quarto.
     “Isso não pode está acontecendo comigo” pensei. Virei de lado e fiquei encarando os outros pacientes que estavam à minha direita. “Eu não posso reclamar de nada, eles devem estar passando por algo muito pior do que estou passando” fiquei com esse pensamento martelando na minha cabeça, até que a enfermeira chegou e se sentou em um banquinho ao lado da minha cama.
     - Você se sente melhor? – Ela disse enquanto analisava uns papéis presos na prancheta que ela carregava. Com certeza neles haviam meus dados. Ela olhou para mim esperando minha resposta e eu balancei a cabeça no sentido de dizer sim. – Ótimo. Você sente alguma dor aqui? – Ela disse enquanto apertava meu joelho e meus dedos do pé direito onde começava e acabava o gesso. Fiz que não com a cabeça e então ela anotou algo em sua prancheta e se virou para mim sorrindo. – Você está de alta. Quando quiser já pode voltar para casa.
     - Agora, por favor.
     - Vou informar a quem está te acompanhando para que possa te ajudar a voltar para casa com todos os seus pertences. – Ela disse e se levantou indo em direção à porta.
     - Espere. Quem está me acompanhando? – Perguntei um pouco confusa. Será que minha mãe havia voltado de Seattle por minha culpa? Largar o trabalho por um pequeno acidente que havia acontecido por motivos bobos?  Não poderia ser. Eu me culparia para o resto da minha vida!
     - O garoto que acabou de sair, o Senhor... – Ela olhou para prancheta procurando o nome do tal acompanhante, até que finalmente achou.- Senhor Greyson Chance.
     - Mas o acompanhante não tem que ser maior de idade? – Perguntei ainda mais confusa.
     - Sim, mas aceitamos, pois ele foi a única pessoa que chegou com você e não dava mais para esperarmos ninguém pois seu estado era grave. Mas depois uma moça apareceu aqui dizendo ser sua tia, a senhora Virginia. – Ela disse novamente olhando para a prancheta. - A equipe da recepção perguntou a ela se nós podíamos trocar os nomes e colocar o dela, mas ela recusou, então acabou ficando o do jovem mesmo. Ele pagou tudo certinho e se encarregou de fazer tudo o que o acompanhante pode fazer. Ele passou a noite com você também, tadinho, não saiu nem para comer. Agora, se me der licença eu tenho que avisá-lo. – A enfermeira disse já se virando e saindo pela porta de vidro. Eu fiquei perplexa, chocada, assustada e tudo que tem direito. O Greyson, aquele garoto que até um tempo atrás eu odiava, que se quisesse não faria nada por mim. O garoto que eu conheci tão bem há tão pouco tempo estava sendo a pessoa mais importante para mim de um tempo pra cá. Não é qualquer pessoa que faria o que ele está fazendo por mim. Isso me deixou totalmente arrependida de ter o julgado tão mal sem nenhum motivo. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi uma batida na porta.
     - Com licença. Posso entrar? – Greyson disse só com a cabeça dentro da sala.
     - Claro que pode. – Respondi sorrindo. Eu queria mesmo falar com ele. Queria agradecer tudo que ele tinha feito por mim e me desculpar por ter o julgado tão mal durante anos.
     - A enfermeira me avisou que você está de alta. O resto do pessoal está lá em baixo na cantina. Você está pronta para voltar para casa? – Ele disse tentando ao máximo parecer alegre. Tadinho! Ele estava tão exausto por minha causa.
     - Sim. Só não estou pronta para encarar Greg, toda a máfia e a Lauren.
     - Não se preocupe com isso. Você tem amigos que te ajudarão. – Greyson disse enquanto vinha na minha direção e se apoiava na beira da cama. – Confie em mim.
     - Mais do que já confio? É impossível. – Eu disse o fazendo corar. Ele deu um sorriso de canto de boca e não disse nada, apenas ficou me olhando. – Greyson, eu queria agradecer por você ter feito tudo isso por mim... Eu não tenho palavras, sério.
     - Tudo isso o que? – Perguntou desmanchando o sorriso que brilhava em seu rosto.
     - Como tudo isso o que? Tudo Greyson, tudo! Você ter me trazido para o hospital, ter pagado todas as contas necessárias para me internar, ter se responsabilizado por mim enquanto minha própria tia não quis, resumindo: ter sido um grande amigo. – Fui falando enquanto ele me olhava um pouco assustado. Deixei uma lágrima escorrer pelo meu rosto, e logo a limpei. – Nós nos conhecemos há tão pouco tempo e você já fez tanta coisa por mim. Isso é muito para mim, eu não mereço tudo isso.
     - Mas é isso que um amigo faz pelo outro. Cuida dele como se fosse seu próprio irmão. E como assim você não merece tudo isso? Eu tenho certeza que você faria o mesmo por mim. – Greyson disse se sentando na minha cama e me olhando fixamente.
     - Sim, agora eu faria. Mas até um tempo atrás eu te interpretava mal e achava que você não era quem você realmente é hoje. Você é incrível! Você é um ótimo amigo, eu posso confirmar isso para quem for! Mas até você derramar café em mim eu não te ajudaria, em absolutamente nada. – Eu disse abaixo a cabeça. As lágrimas começaram a descer mais rapidamente e eu não conseguia olhar nos olhos castanhos dele. Como eu poderia falar que não gostava dele até um tempo atrás? Não gostar da pessoa me ajudou como ninguém, a não ser alguém da minha família, havia me ajudado antes? Senti a parte do colchão onde ele estava sentado ir levantando aos poucos. Ele havia se levantado e agora estava muito perto de mim. Ele tentava enxergar meu rosto, mas eu não conseguia olhar para ele. Senti meu queixo ser encostado pelos dedos dele e minha cabeça foi levantando lentamente por iniciativa dele. Encontrei seus olhos e eles estavam um pouco vermelhos. Ele foi secando minhas lágrimas pouco a pouco, e eu mal podia aguentar tudo aquilo. Ele estava sendo tão maravilhoso, que não pude me conter e abracei-o, muito forte.
     - Eu te amo. – Sussurrei no meio do abraço. Eu pude sentir a respiração dele bater em meu pescoço e algo havia pingado no meu ombro. Ele estava chorando. Inacreditável!
     - Idem. – Ele também sussurrou. Neste instante eu o apertei ainda mais forte e depois o soltei. Estávamos muito próximos e nossa respiração estava se misturando. Os olhos dele estavam há menos de 5 cm dos meus, igual a sua boca. Senti o meu nariz tocar no dele até que um barulho muito alto me fez encostar no travesseiro e Greyson se levantar em um pulo.
     - Ah, desculpa. Se eu soubesse que as coisas estavam indo tão bem assim eu não teria interrompido. – Tom disse com os olhos arregalados e um pouco (muito) sem jeito.
     - É, eu também não. – Jane disse sorrindo pra mim. Ela parecia feliz. COMO ASSIM? Eu estava a ponto de beijar o garoto que ela gostava e ela estava feliz por mim?
      - Ah, eu já sim. Que sem-vergonhice é essa dona MCP? Posso saber hein? – Michael disse entrando e colocando as mãos na cintura. – Quem eu estou querendo enganar? Parabéns para o casal, AEEEEE! – Michael disse enquanto me abraçava e apertava a mão do Greyson.
     - Mas Mimi, não houve nada aqui. Só estávamos conversando e... – Fui tentar explicar, mas acabei me perdendo no meio. Pedi ajuda para o Greyson com o olhar, mas ele também não sabia o que dizer. – Ér...
     - As pessoas não conversam tão de perto assim não, você sabia? – Michael voltou a cruzar os braços enquanto olhava para Greyson que estava totalmente vermelho de vergonha.
     - Mas o que vocês vieram fazer aqui hein? – Perguntei para tentar livrar principalmente Greyson de uma resposta qualquer.
     - Então quer dizer que não podemos mais ver nossa amiga? Temos que marcar horário?! – Tom foi sarcástico.
     - Gente, vamos deixa-los a sós poxa! – Jane entrou no quarto para puxar Michael.
     - O que? Eu não quero ser titio não. Não tão cedo pelo menos. Esse momento love tá muito cedo de acontecer ainda! – Michael disse tentando se livrar da mão que Jane havia posto em seu pulso para leva-lo para fora do quarto.
     - GENTE! – Falei um pouco alto demais. – Não estava acontecendo nada aqui. Está tudo bem, você não vai ser titio, nem a Jane titia e nem o Tom dindinho. – Falei enquanto Greyson concordava comigo.
     - Mimiiiiiii – Jane cantarolou – nós podemos ir atrás daquela enfermeira loira que te deu um fora. E Tom, - Jane se virou para Tom. – nós podemos ir até a praça, vai que a Lauren está lá.
     - Eu estou em outra agora. É muito duro levar um fora de uma enfermeira tão linda. – Michael fez voz de choro e colocou a mão no peito, onde fica o coração. Todos riram da atuação dele.
     - Ok então. Eu vou so-zi-nha com o Tom. – Jane se virou com um sorriso diabólico e parou quando Michael gritou.
     - NÃO! Eu vou Janezinha. – Michael foi correndo até ela e colocou seu braço esquerdo entrelaçado com o braço direito de Jane. Tom fez o mesmo só que do outro lado. “Tá podendo!” pensei. Eles caminharam até a porta e então Jane virou com os olhos brilhando e eu pude ler seus lábios, “Me conta tudo depois” eles diziam, e então ela sorriu e fechou a porta.
     Greyson levantou, passou a mão em seus cabelos e então me olhou e sorriu.
     - Eles entenderam tudo errado. – Disse olhando para ele. Eu estava totalmente morta de vergonha, imagina então o Greyson?!
     - É. – Ele disse sem jeito. – Então, está pronta para ir?
     - Ah, claro! – Disse enquanto tentava me levantar. Greyson veio correndo me ajudar colocando a mão em minha cintura e o ombro embaixo do meu braço.
     - É melhor você chamar a enfermeira, porque eu tenho que me trocar e... – Eu disse e ele assentiu. Era óbvio que eu não ia trocar de roupa na frente do Greyson. Ele me deixou encostada na cama e logo saiu do quarto.


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     - Me conta t-u-d-o! O que rolou entre você e o Greyson? – Jane perguntava toda animada enquanto pulava de joelhos na minha cama.
     - Ai meu pai! Eu já te disse. Não aconteceu nada. – Respondi enquanto ria de Jane.
     - Para de mentir, fala logo! – Jane parou de pular e me balançou como se aquilo fizesse as palavras saírem pulando da minha boca.
     - Vou repetir: Eu agradeci a ele por tudo que ele tinha feito por mim, depois pedi desculpas por julgá-lo mal há um tempo atrás, então comecei a chorar, ele secou minhas lágrimas, o abracei e só.
     - Aham, sei... Só isso né?! – Jane parou de me balançar e colocou a mão no queixo. Ri da palhaça da minha amiga e depois tirei a mão dela de seu queixo.
     - Mas Jane, você não gostava do Greyson?! Por que essa alegria toda? – Perguntei um pouco aflita.
     - Amiga, uma coisa que eu aprendi é que você pode amar bastante uma pessoa, mas se ela não te ama você não deve insistir, e nem desistir dela é claro. Mas se essa pessoa ama outra pessoa e essa outra pessoa ama o mesmo, você deve colocar dentro da sua cabeça que se você o ama realmente, você deve deixa-lo ser feliz. É o que estou fazendo. Ainda mais sabendo que a felicidade vai ser em dobro. – Jane respondeu sorridente.
     - Como assim em dobro? – Perguntei.
     - Como assim em dobro?! Em dobro ué. A felicidade vai vir para ele e para a minha melhor amiga. Duas pessoas que amo de mais, e se vocês forem felizes, eu serei feliz também. E ultimamente, eu tenho me encantado por uma pessoa. – Jane disse com um sorriso bobo no rosto.
     - E quem é? – Perguntei curiosa enquanto segurava as mãos de Jane.
     - Promete que não conta pra ninguém? – Jane me perguntou enquanto olhava para os lados como se houvesse alguém dentro do meu quarto. Se houvesse alguém ali seria minha tia Virginia, mas acho que ela não se importaria muito com segredos e confissões de duas adolescentes que, como diz ela, não tinham futuro.
     - É claro que sim sua boba.
     - O Mimi. – Jane sussurrou. Eu fiquei boquiaberta. Como eu não pude ter percebido isso? Teve tantos sinais de romance no ar, como eu não me liguei? Os apelidos, as briguinhas, as chantagens e tudo mais. Como eu sou burra!
     - Que lindo amiga! – A abracei muito forte e ela deu uma risada fofa enquanto me abraçava. Estava tudo muito bem, até eu começar a sentir um peso de culpa nos meus ombros. Eu devia contar para ela que o Greyson havia dito “eu te amo” para mim? Talvez ele tenha dito só por amizade, ou talvez amor... Eu estava um pouco confusa com isso, mas não aguentei e acabei falando.
     - Jane, enquanto eu e o Greyson estávamos nos abraçando eu disse que o amava e ele disse idem. Depois nós quase nos beijamos mas só Mimi viu porque ele foi o primeiro a entrar do quarto. – Falei um pouco rápido demais fazendo Jane me soltar e fazer uma careta de “o que?”.
     - QUE BOM AMIGA! – Jane gritou após entender o que eu havia dito. – Desejo tudo de bom para vocês e...
     - Jane, eu não estou namorando ele. – A interrompi. – Nós quase nos beijamos apenas isso. – Eu disse enquanto passava o dedo indicador nas palavras que Greyson havia escrito no meu gesso.
     - Ah tá bom. Está na cara que vocês se amam. Só falta o Greyson perder a vergonha e ir te pedir em namoro. E o melhor disso tudo é que a Lauren vai ficar com a cara no chão quando receber a notícia de que seu amado Greysonzinho está namorando outra. – Jane disse me fazendo rir. Rir de entusiasmo, nervoso, alegria... Mas minha risada acabou bem rápida ao me lembrar do que Jane havia me dito no hospital.
     - Jane! O Greg e os amigos dele... - Jane se lembrou e assim como eu, ficou com os olhos arregalados.
     - Calma amiga, vai dar tudo certo, pode acreditar! Nem que eu precise chamar a diretora para andar com você eu chamo, só para te ver sem nenhum arranhão. Mas ainda temos tempo. Temos três dias, que é o tempo que o Greg levou de suspensão. – Jane percebeu que eu ia falar algo, mas me interrompeu antes mesmo de algum som sair de minha boca. – Amiga, eu duvido que a máfia faça algo de ruim sem ele por perto. – Jane disse colocando a mão no meu ombro. Pareceu que ela adivinhou o que eu estava pensando. Assenti e sorri para ela. “Grande amiga eu tenho” pensei. – Tenho que ir amiga, senão minha mãe corta meu fígado em três pedaços e depois vende para algum canibal ou dá para o cachorro comer. – Jane foi falando enquanto calçava as botas. Ela me abraçou e acenou com a mão. Fiz o mesmo e corri até a sacada para vê-la indo embora.


AVISO: Enchancers, eu (autora) vou viajar, então o próximo capítulo, que prometo fazer bem maior para compensar, só postarei na quarta (21) antes de ir para o aeroporto. Vou ficar fora até o dia 19/01, e quando voltar eu prometo que volto a postar um capítulo por dia, como eu estava fazendo. Vou escreve-los durante a viagem mas não prometo conseguir internet, então eu lamento fazer vocês que leem esperarem, mas é o máximo que posso fazer. Espero que intendem amores, beijos da Mi. AH, e comentem! rs

sábado, 17 de dezembro de 2011

Capítulo 5

Cap. 5 Lauren

     Era terça-feira, acordei bem cedo, fiz tudo que precisava fazer no banheiro e me vesti. Depois de quarenta minutos meu celular começou a tocar.



LIGAÇÃO ON

     - Alô? – Atendi enquanto ajeitava meu cabelo. Dessa vez eu não ia aparecer com o cabelo naquele estado.

     - CADÊ VOCÊ? – Uma voz familiar gritou no telefone.
     - Peraí! – Juntei as palavras. – Quem tá falando?
     - É o Michael caramba! Mas hein, você já tá vindo? – Mimi parecia muito nervoso e dava para ouvir uma voz gritando lá no fundo “Anda logo sua anta! Manda ela vir agora!” enquanto Michael gritava de volta mandando a pessoa calar a boca. – FECHA A MATRACA TOM! PORR* VÊ SE PARA DE FALAR POR TRÊS SEGUNDOS DA SUA VIDA MISERÁVEL!
     - Mimi, quem te deu meu número?
     - A Jane é claro.
     - Droga! Vou ter que mudar meu chip de novo. Você nem o Tom podem ter meu número.
     - Qual é o preconceito? É porque nós somos pretos né?! Pode falar! – Michael fez voz de choro. Claro que não era por isso, e eu percebi que ele estava brincando. Eu não era e nem sou preconceituosa, e eles eram branquelos. Dessa vez Michael não foi criativo. – Quer saber, nem responde ok?! Mas é sério, vem pra cá, queremos que você veja alguém.
     - Tá bom. Já estou indo. Beijo!


LIGAÇÃO OFF


     Guardei meu celular em uma bolsa, a pendurei no meu ombro e desci as escadas correndo. Procurei minha mãe por toda a casa, mas não a achei, em vez disso, vi um bilhete em cima da mesinha de canto na sala. O bilhete estava escrito por uma letra muito bonita e familiar. Era a da minha mãe. Ele dizia:


     Filha,
Desculpe-me por não ter me despedido de você descentemente, mas eu não quis ter acordar porque sei como você não gosta.
     Como você já sabe, quando chega perto do Natal a fábrica fica uma loucura, e já que eu sou a secretaria do dono da fábrica tenho que resolver os problemas dele. Houve um problema com um dos fornecedores e eu tive que viajar para Seattle. Eu sei que é perto de Los Angeles, mas eu vou demorar um pouco a voltar. Vou tentar ser o mais rápida possível, mas enquanto isso, sua tia Virginia vai ir aí três vezes à semana para ver se está tudo em ordem. Confio em você, então estou deixando a casa em suas mãos por alguns dias, e quero que a minha confiança não diminua. Beijos e te amo muito querida.

                                                                         Sua mãe (nomedasuamãe).

     Fechei o bilhete e o coloquei de volta da mesinha. Eu não pude fingir que não estava triste, pois estava. Ainda mais por ter que olhar para o rosto da minha Tia Virginia por três vezes na semana. E em falar em semana, quantas semanas será que minha mãe ia ficar por lá? Bom, de qualquer maneira eu vou ter que aguentar a minha querida titia reclamar dos meus modos e dizer que eu não tenho futuro. Sempre desconfiei se ela é realmente irmã da minha mãe, as duas são tão diferentes, mas pelo menos sei que... Meu celular tocou novamente.



LIGAÇÃO ON

     - CADÊ VOCÊ? – A mesma voz que escutei na outra ligação gritava agora nos meus tímpanos.

     - Estou indo, mas se você parasse de me ligar eu iria mais rápido sabia? – Fui irônica.
     - Tá bom, beijos. VEM LOGO! – Mimi disse bem rápido e desligou.


LIGAÇÃO OFF


     Eu havia me esquecido totalmente de que precisava ir correndo para escola. Peguei as chaves que estavam ao lado do bilhete, tranquei a porta e fui correndo para a escola. O bom de morar perto da sua escola é que você não precisa pegar transporte nenhum, e se você esquecer algo em casa é só voltar bem rápido que ninguém percebe sua falta.
     - Finalmente hein filha! – Tom já veio me puxando.
     - Ah, desculpa a demora papai. – Fui irônica.
     - Que negócio é esse de papai? Você me traiu não foi Tom? – Mimi fez voz afetada fazendo todos rirem.
     - Amiga você precisa ver a Lauren. Ela é... – Jane começou falando, mas foi logo interrompida por Tom.
     - Linda!
     - E o que tem de mais nisso? – Perguntei.
     - O que tem de mais é que você não pode deixar o Greyson voltar a namorar ela ué. – Michael foi falando enquanto ajudava Tom a me puxar.
     - Mas por quê?
     - Porque você é que deve namorar ele. – Michael virou olhando para mim como se isso fosse óbvio.
     - Que? – Perguntei olhando o rosto de cada um. Para todos eles parecia ser a coisa mais óbvia do mundo, menos para mim.
     - Olha, vamos parar de conversa e vamos logo ver a Lauren. – Michael voltou a me puxar.
     - E também, porque ela tem que ficar livre para mim. – Tom cochichou no meu ouvido. Olhei para ele e sorri. Ele parecia falar sério, então assenti e continuei andando.
     Depois de andarmos pela escola inteira finalmente achamos a tal da Lauren. Ela era realmente bonita e parecia ser popular, mesmo sendo este, o seu primeiro dia de aula.
     - Ah, oi. – Me apresentei estendendo a mão para ela apertar.
     - Oi, sou Lauren. – Ela disse toda simpática apertando minha mão. – E você quem é?
     - Sou (seunome).
     - Nunca havia escutado esse nome antes. Você é americana? – Perguntou me olhando. Meu nome poderia ser diferente para os americanos, mas não era tão difícil de pronunciar, então nunca precisei ter nenhum apelido.
     - Ah não. Sou brasileira, só moro aqui. Vim para Los Angeles com a minha mãe, pois quando ela e meu pai se separaram não quiseram ficar perto um do outro. Então ela pensou um pouco longe demais e resolveu vir para cá. – Expliquei a ela quando vi Greyson chegando.
     - Então já se conheceram. – Ele disse enquanto cumprimentava todos.
     - Acabamos de nos apresentar. Você sabia que ela é brasileira Grey? – Lauren disse enquanto abraçava Greyson de lado.
     - Agora está explicado. – Ele disse enquanto discretamente se afastava de Lauren.
     - Explicado o que? – Perguntei. Eu já sabia a que ele se referia. As brasileiras tem a fama de serem bonitas tanto de rosto quanto de corpo, e bom, eu comprovava isso.
     - Nada não. Ei Michael, posso falar com você um estante? – Greyson já foi o puxando para longe do grupo.
     - É Mimi! – Jane gritou fazendo Michael a olhar com raiva.
     - Você achou a Lauren bonita? – Greyson perguntou.
     - Claro, ela é uma gata! Só que (seunome) ainda é mais. – Michael virou de costas para ver o que estávamos fazendo e depois voltou a olhar para Greyson.
     - Eu poderia pedir um favor pra você? E se o Tom quiser ajudar será bem mais fácil.
     - Claro, fala logo. – Michael disse estalando os dedos.
     - Eu queria que vocês fizessem com que a Lauren gostasse de outra pessoa. Eu sei que isso é meio loucura, mas não quero que ela fique em cima de mim, e já que vocês são meninos e bonitos – Greyson segurou o riso. – vocês poderiam me ajudar.
     - Já iriamos fazer isso de qualquer forma. – Michael disse enquanto passava a mão em seus cachinhos. Parece que ele achou que Greyson estava falando a verdade quando disse que eles eram bonitos.
     - Obrigado, agora vamos. – Greyson disse já andando na direção onde estávamos.
     - Grey, eu estava contando aqui para a (seunome) no dia em que você pediu para namorar comigo, se lembra? – Lauren perguntou enquanto colocava a mão no ombro do Greyson.
     - Não, eu não me lembro. – Greyson respondeu, e parecia estar sendo sincero.
     - Como não? Você se ajoelhou e me deu uma caixinha com um anel...
     - Lauren, foi você que pediu para namorar comigo. – Greyson disse a encarando e fazendo todos rirem, menos claro, Lauren.
     Lauren já ia abrir a boca para dar qualquer explicação quando o sinal tocou.
     - Vamos pessoal. – Jane chamou a galera enquanto passava o braço por dentro do meu e ria sobre o mico que Lauren havia pagado. – Que garota sem noção cara. Ela devia ser presa por ser tão chata. – Jane disse séria me fazendo rir. – É sério amiga!
     - Concordo Jane. Como será que o Greyson conseguiu aturar ela? – Disse fazendo Jane rir.
     - Do mesmo modo que ele atura a gente ué.
     - Ei, cala a boca Godzilla loiro. – Disse rindo e fazendo Jane rir também.
     Chegamos à sala e ela ainda estava vazia. Entramos, sentamos nos mesmos lugares de sempre e esperamos Michael e Tom aparecerem na porta. Ninguém apareceu. Nem Michael, nem Tom, nem o nerd da primeira carteira, nem o mulherengo lá de trás, nem mesmo o professor. Levantamo-nos e saímos da sala até que nos deparamos com uma multidão no fim do corredor.
     - O que está acontecendo? – Jane me perguntou. Dei de ombros e continuei andando. Sai empurrando as pessoas que me xingavam quando eu passava e cheguei lá na frente. Pisquei os olhos com força e não pude acreditar.
      Michael estava com o nariz sangrando, Tom com a mão inchada e mais perto deles vi Greg se preparando para dar um soco no rosto de Tom.
     - PARA! – Gritei, mas não adiantou nada. Greg socou o rosto de Tom como se fosse de borracha e Michael não tinha força para se levantar. Atrás de Greg vi Lauren toda sorridente como se estivesse adorando aquilo tudo. – PARA GREG! – Gritei mais uma vez e me coloquei entre ele e Tom. Ele acabou de dando um soco no rosto sem querer e ao perceber isso, me ajudou a levantar (o soco dele me fez cair) e me colocou sentada em um canto. Meu nariz sangrava e o ódio tomou conta do meu corpo. Levantei-me e chutei Greg em lugar não muito bom para ser chutado.
     -OOOOOOUUUH! – Todos gritaram. Percebi que Greg me olhou furioso e para não ser chamado de covarde por bater em uma garota ele me empurrou me fazendo cair em cima de Lauren. Ouvi um “creck” bem alto e todos pararam ao ouvi-lo.
     - Ai! – Sussurrei. Senti as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto e logo coloquei a mão no meu tornozelo. A multidão formou uma roda em volta de mim e de Lauren que há essa hora, estava fazendo uma ceninha como se eu a tivesse machucado.
     - SAIAM DA FRENTE! – Ouvi uma voz familiar gritar. Era a voz de Jane. – GREYSON, RÁPIDO! – Jane continuava gritando. A multidão começou a me sufocar, comecei a ficar sem ar, o meu nariz sangrava sem parar e senti alguém passando o braço por baixo das minhas pernas e por trás das minhas costas. A última coisa que ouvi foi “SAIAM DA FRENTE!” e logo em seguida, desmaiei.



Enchancers comentem para eu poder postar o próximo capítulo! =)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Capítulo 4

Cap. 4 Godzilla loiro


     Quando cheguei à sala de aula Michael e Tom já vieram em cima de mim para saber das novidades, mas como eu sou uma pessoa calma e educada eu atendi um de cada vez, com bastante calma.
     - TIRAMOS 4,5 MULEQUEEEEEEEEEEE!!! SOMOS PIKA DAS GALÁXIAS, MUAHAHA. – Eu disse calmamente para os meninos. Tá, eu gritei pra eles, e bom, já era de se esperar que todos da sala olhassem para mim.
     - Te dou meus comprimentos. Estou tão orgulhoso de você minha querida. – Michael disse olhando sério para mim, como se fosse realmente educado.
     - Quê? – Jane perguntou fazendo uma careta. Na verdade, todos estavam fazendo caretas, menos Michael.
     - Qual a surpresa minha Lady?
     - Tá bom Tom, o que você fez com o Michael? – perguntei encarando Tom, que pelo incrível que pareça, estava achando graça daquilo.
     - Eu já saquei qual é a dele. Ele está fingindo ser educado já que você foi um pouco, ér... Extravagante quando chegou. – Tom disse ainda rindo.
     - Ah claro. Então você sente vergonha de mim Michael? – Falei fazendo cara de ofendida.
     - Porque eu teria minha querida? – Michael disse fazendo uma voz de superior.
     - Porque eu não sou bonita, não estou arrumada e falo “pika das galáxias”. – Disse fazendo uma ceninha básica.
     - Ah, vem cá coisa! – Michael me abraçou e me rodou. – Eu tentei ser educado, mas convivendo com vocês é impossível.
     - O que você quer dizer com isso? – Jane perguntou já segurando firme um caderno na mão.
     - Ah, nada não Janezinha. – Michael foi falando e se enfiando atrás de mim para ser proteger de Jane.
     - Cuidado hein, você não vai querer se meter numa briga com esse godzilla loiro ai não! – Tom disse encarando Jane para ver sua reação.
     - Então é assim né?! – Jane gritou e saiu correndo atrás dos meninos. Enquanto isso eu assistia a cena rindo absurdamente até que em um golpe quase ninja de Jane, eu fui acertada e é claro cai.
     - Seu monstro, você acertou a (seunome)! – Michael disse fazendo voz de choro enquanto eu ria da cara de Jane que estava realmente preocupada.
     - Eu matei minha amiga. Ai meu Deus! – Jane ainda não tinha visto que eu estava acordada, já que Tom e Michael me tampavam enquanto fingiam chorar. – Me deixa vê-la. – Jane saiu empurrando Michael e Tom que caíram bem longe de mim.
     - Bú? – disse sorrindo.
     - Você sabia que pra assustar alguém você deve gritar e não falar um meio com dúvida? – Jane falou me ajudando a levantar.
     - Ou você pode ser acertada por um livro e se fingir de morta. – Michael sussurrou no ouvido de Tom.
     - Eu escutei isso aí hein! – Jane disse virando para os amigos.
     - Desculpa Godzilla loiro. – Michael disse fazendo todos rirem.
     - Ei, vocês querem almoçar lá em casa hoje?
     - Eu aceito. – O Godzilla loiro, ops, Jane disse me abraçando como se ir para minha casa fosse a melhor coisa do mundo.
     - Ou eu almoço na sua casa ou eu passo fome então vambora. – Michael disse com a voz afetada fazendo todos rirem.
     - Como se você não tivesse comida em casa né Mimi? – Jane disse com a mesma voz afetada que Michael fez.
     - Que praga é essa de Mimi? – Michael perguntou assustado.
     - É como iremos te chamar daqui em diante. – Tom disse apertando as bochechas de Michael. – Não é mesmo Mimi? – todos riram.
     - Eu prefiro beijar a Jane a ser chamado assim. – Michael disse cruzando os braços.
     - Ah, então é assim né? – Jane já disse correndo atrás de Michael novamente que, dessa vez, subiu em uma das mesas e pegou uma cadeira para se defender. – Desce daí se for homem.
     - Sai de mim seu projeto de Godzilla oxigenado! – Michael disse cheio de medo. Agora a luta foi oficialmente iniciada. Michael não ia sair dali vivo, com certeza!
     - Ah, eu te mato moleque! – Jane começou a subir na mesa em que Michael estava, e é claro, aquilo deu merda. Os dois caíram no chão e a cadeira que Michael segurava por pouco não batia na cabeça de Jane. Eu e Tom começamos a rir sem parar, até que o professor entrou na sala e todos se ajeitaram muito rápido e fingiram que nada havia acontecido.
     - Alunos, quero que vocês terminem o trabalho para amanhã, e as senhoritas Jane e (seunome) não precisarão me apresentar o trabalho. – O professor foi falando enquanto arrumava a sua mesa. Parecia que ele não tinha percebido o que havia acontecido ali há 5 segundos. Todos fizeram “aaaah”, menos claro eu e Jane que comemoramos por não termos trabalho daquela matéria. – Agora, eu queria... – O professor foi interrompido pelo sinal que soou alto nos tímpanos de todos que saíram correndo felizes para fora.
     - Ei, meninos, vocês vão ou não para minha casa? – Perguntei novamente enquanto saíamos da sala.
     - Eu já disse que vou. – Michael berrou do outro lado do corredor. Ele estava tentando ficar o mais longe possível de Jane, que ainda tinha em mente a morte do Mimi. – Bom, mas a Godzilla aí vai ter que se controlar. – Todos riram.
     - Depende. Quem vai cozinhar? – Tom perguntou.
     - Eu. Já que está perto do natal, minha mãe está trabalhando direto, então almoça pelo trabalho mesmo.
     - Então eu passo. – Tom disse levantando as mãos para cima.
     - EI! Por quê? Sou tão mal na cozinha assim? – Eu já sabia a resposta. Eu era e sou péssima na cozinha.
     - O que você tem de linda você tem de má cozinheira. Devia ser crime você cozinhar! – Tom fez voz afetada no final da frase.
     - Eu como qualquer coisa! – Michael que já chegava perto da gente disse.
     - Ei, posso ir também? – Uma voz atrás da gente perguntou. Todos viraram e era Greyson.
     - Se você tiver o estômago forte é claro que pode ir. – Tom disse sendo o único a rir.
     - A casa é sua ou da (seunome)? – Michael perguntou a Tom como se ele próprio não convidaria Greyson também.
     - Cala a boca Mimi! – Tom disse fazendo todos rirem.
     - Mimi? – Greyson perguntou com uma cara de “vocês estão bem?”.
     - É o apelido carinhoso dele. – Eu disse fazendo Michael, ou melhor, Mimi bufar. – E esta é a Godzilla loira. – disse apontando pra Jane.
     - Ou se você preferir: projeto de godzilla oxigenado. – Mimi disse fazendo Greyson rir super alto.
     - Daria para vocês pararem de falar tanto e irmos logo comer? – Tom perguntou.
     - Ué, mas você nem queria comer minha comida! – perguntei rindo.
     - Ah, mas quando se está com fome qualquer coisa entra na goela. Vambora! – Tom disse me puxando.
     - Vem Greyson! – Jane o chamou.
     - Posso (seunome)?
     - Claro você já é da galera. – Mimi respondeu por mim.
     - Isso aí que ele disse. – Disse sorrindo, até que o celular de Greyson tocar. Ele atendeu um pouco nervoso, e é claro, ficamos olhando pra ele. Ah qual é, somos todos curiosos em algum momento.
     - Ah, oi Lauren. – Greyson disse se distanciando um pouco da gente.
     - Quem será essa tal de Lauren? – Tom perguntou ainda olhando para Greyson.
     - É a namorada dele. – Jane respondeu fingindo que não se importava muito, e realmente ela não estava se importando.
     Depois de poucos segundos Greyson voltou e reparou na cara de curiosidade que todos estavam.
     - Era minha amiga Lauren, ela queria saber se eu queria almoçar na casa dela.
     - O que você respondeu? – Tom perguntou.
     - Amiga né, sei... – Michael foi sarcástico.
     - Você vai pra lá? – Jane também perguntou.
     - Gente, que isso? É falta de educação, parem com isso! – Eu disse e logo em seguida me virei para o Greyson. – Mas você vai ou não? – Todos riram.
     - Não, eu disse pra ela que tinha compromisso. E é minha amiga sim Michael, terminei com ela semana passada. – Greyson respondeu sorrindo.
     - Gente, vamos logo! Meu estômago tá começando a gritar aqui. – Tom disse empurrando a galera.
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     - ALGUÉM AQUI SABE FAZER LASANHA? – gritei para o pessoal que estava na sala da minha casa, enquanto eu me entendia com o fogão.
     - NÃAAO! – todos gritaram de volta.
     - O QUE? – Gritei mais alto ainda, pois eu havia acabado de ligar o liquidificador para bater o tomate. Tem tomate na lasanha?
     - NÃAAAAAAAAO! – Todos gritaram mais alto ainda, até eu desligar o liquidificador e ouvir só a voz de um indivíduo gritando. – CARAMBA! TÁ MOCA? – era Michael. Quando todos perceberam que só ele gritava naquele silêncio começamos a rir.
     - NÃO MAIS! – Gritei de volta fazendo todos rirem. Fui até a sala e vi todos sentados em um mesmo sofá de três lugares. – Vocês sabiam que existe uma poltrona ali? – Apontei para a poltrona que havia ao lado de uma mesinha marfim.
     - Aé mesmo né. – Tom já foi se levantando para sentar na poltrona, mas o interrompi.
     - Nada disso! Os quatro vão me ajudar a fazer a comida. A época da escravidão já acabou sabiam? – Todos se levantaram reclamando e me seguiram até a cozinha. Comecei a pegar travessas no armário enquanto Jane se sentava no balcão ao lado de Michael e Tom abria a geladeira para procurar algo que fosse comestível. – Ué, cadê o Greyson? – Fui andando até a sala e o encontrei no telefone. Ele parecia preocupado e um pouco nervoso.
     - Ok, tchau! – Ele disse e logo depois guardou o telefone.
     Sai o mais rápido que pude da sala e apareci na cozinha, assim não parecia que eu havia escutado a conversa dele.
     - O que houve Grey? – Jane perguntou. Ela disse Grey. GREY! Parecia que já estavam bem íntimos. Talvez eles tenham conversado enquanto estavam na sala.
     - A Lauren de novo. Ela acabou de me ligar e disse que vai mudar para a nossa escola. – Todos perceberam que o tom de voz dele havia mudado. Ele parecia triste.
     - Isso não é bom? – Perguntei.
     - Mais ou menos. Ela é legal, mas às vezes é um pouco possessiva.
     - Vocês poderiam parar de falar e fazer logo o rango? – Tom disse já demonstrando um pouco (muito) de impaciência na voz.
     - Sim senhor chefão. – Jane disse pulando do balcão. Ela pegou a travessa e começou a acrescentar várias coisas, com a nossa ajuda claro. Depois de algum tempo a lasanha já estava pronta e todos sentados na mesa me esperando servir.
     - Eu que tenho que servir é? – Perguntei trazendo a travessa quente nas duas mãos.
     - Por mim eu me sirvo logo porque estou quase comendo as bochechas do Greyson. – Tom disse pegando a travessa da minha mão e, consequentemente, se queimando (eu estava de luvas).
     - Por que minhas bochechas? – Greyson perguntou botando as mãos no rosto.
     - Por que elas são rosinhas, o que me lembra comida. – Tom respondeu já enfiando uma garfada enorme de lasanha na boca. Na boca não, na garganta. Todos riram. Peguei a travessa eu fui servindo, até que, quando cheguei ao prato de Michael eu deixei a lasanha cair na toalha da mesa.
     - Além de moca você é cega também (seunome)? Tá bem hein filha! – Michael disse fazendo Jane se engasgar com a lasanha.
     - Bom, então já que é assim, você já está servido. – Falei guardando a travessa dentro do forno do fogão para não esfriar.
     - Como assim? – Michael perguntou olhando para o prato vazio.
     - É pra pegar a lasanha da mesa né cabeção. – Tom respondeu fazendo Michael respirar fundo e comer a lasanha da mesa.
     - Pensei que ela ia ficar pior do que está. – Greyson disse enquanto Tom ia até o forno pegar mais lasanha. Que esfomeado meu amigo hein!
     - Então quer dizer que tá ruim é senhor Chance? – Jane disse enquanto encarava o Greyson ficar vermelho de vergonha.
     - Vocês não podem reclamar de nada. – Michael disse enquanto ainda comia a lasanha da mesa. Ele não tinha se dado o trabalho de nem por no prato! Todos entenderam a que ele se referia e rimos bastante daquela cena. 



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