Cap. 7 Meu herói
Quando eu era menor imaginava minha vida como nos livros de contos de fadas. Eu iria me casar com um príncipe encantado lindo e moraria em um belo palácio ou castelo. Toda noite ia ter um baile e a cada baile eu usaria um vestido longo perfeito.
Há pouco tempo atrás eu imaginava minha vida totalmente resumida em uma única palavra: Estudar. Eu iria estudar para me formar na profissão que eu quisesse e ser alguém na vida. Eu ainda penso assim, só que hoje os meus pensamentos se misturaram um pouco. Os contos de fadas se embaralharam com a vida real e agora eu só penso na minha vida com uma única pessoa. Eu imagino que se algum dia eu for me casar com alguém, que seja com esse alguém. Se for para ter filhos, que seja com esse alguém. Se for para morrer ao lado de alguém, que seja esse alguém. E esse alguém está bem óbvio para mim. Ninguém mais e ninguém menos que o meu “herói” Greyson Chance.
- Hoje é o dia que você vai se esfolar. É melhor ir preparada. – Disse para mim mesma em frente ao espelho. Eu e essa minha mania de conversar comigo mesma.
Depois de exatos cinquenta minutos eu estava pronta para encarar Greg, Lauren e os amiguinhos deles. Já havia se passado três dias e todos na escola não paravam de me perguntar sobre a perna engessada e como foi passar uma noite no hospital. Poxa, eu não sou um alienígena por está com o tornozelo quebrado e nem por ter passado um tempo dentro de um quarto de algum hospital! Até a diretora da escola, a “Dona Ocupada”, quis saber. O normal seria ela se importar com um aluno e não fofocar como se fosse alguma amiga minha.
Desci as escadas com cuidado para não machucar ainda mais a minha perna e dei de cara com a Tia Virginia. Minha mãe havia dito que ela viria apenas TRÊS dias na semana, não a semana inteira.
- Por que você veio hoje? – Perguntei torcendo para que ela não me desse nenhum fora.
- Porque eu falei com a sua mãe e ela disse para eu vir todos os dias enquanto sua perna estiver engessada. – Ela respondeu ajeitando as almofadas do sofá. AJEITANDO? Foi isso que eu disse? Ela estava espancando as almofadas do sofá, que, aliás, estavam bem arrumadas em seus lugares e não precisavam ser “ajeitadas”.
- Quando você falou com a minha mãe? Eu pedi para você me deixar falar com ela quando ligasse, já que você não quis me devolver meu celular. – Eu disse morrendo de raiva por dentro. Minha querida titia havia confiscado meu celular só porque ela o achou embaixo da almofada do sofá e disse que eu não tinha responsabilidade suficiente para ter um, pois eu havia o perdido. É claro que eu não tinha perdido meu celular. Eu sabia que ele estava dentro de casa, em algum lugar em algum cômodo. Mesmo assim ela não tinha nenhum direito de fazer isso, ainda mais porque eu estava louca de saudades da minha mãe.
- Ontem à noite. – Ela disse com a voz suave como se estivesse adorando me ver com raiva. Que ódio da minha tia!
- Olha, se você achar melhor ficar em casa fazendo o que você quiser, eu não me importo. Eu me viro bem sozinha. Não quero roubar o seu precioso tempo. – Fui falando com uma voz bem doce. “Talvez assim aquela mulher pare de vir me atormentar” pensei.
- Eu estaria fazendo a sua vontade, e mesmo sendo chato para eu vir para cá, eu não quero que você seja mimada. Já basta ser uma mal-educada sem futuro...
- Você pode dizer o que quiser de mim, mas que sou mal-educada não! Você sabe muito bem que eu não sou assim e você só diz isso porque seus filhos são uns pestes. – A interrompi. Fiquei vermelha de tanta raiva e acabei falando tudo que estava entalado na minha garganta enquanto apontava o dedo em seu rosto. – TAL MÃE TAL FILHOS! SE A MÃE É UM CAPETA OS FILHOS TAMBÉM SEGUIRÃO O EXEMPLO, E VOCÊS SÃO A PROVA DISSO! – Gritei. Eu não devia ter dito nada disso, mas eu me descontrolei e acabei a deixando vermelha de raiva, assim como eu estava.
- Nunca mais aponte o dedo na minha cara e nem fale mal de mim e meus filhos! – Ela disse pausadamente enquanto abaixava com muita força minha mão. – Você não sabe o perigo que está correndo senhorita. Quando sua mãe souber disso...
- Isso mesmo. Se esconda embaixo da asa da minha mãe. Se esconda da verdade mais uma vez na sua vida. Uma hora você vai ver tudo o que está fazendo e talvez assim você veja o mal que está causando não só pra mim, mas para toda a sua família! – Disse e logo me virei e fui mancando em direção à porta que bati tão forte que o cachorro do vizinho começou a latir desesperadamente devido ao som.
- Ei, (seunome)! – Alguém me gritou no outro lado da rua. Virei-me e deparei com um garoto branquelo, cheio de sardas, com olhos castanhos brilhantes e cabelos bagunçados. Era Greyson.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei sorrindo. Que surpresa maravilhosa eu tive. Depois de uma briga com a minha tia a única coisa que eu não queria era ir sozinha carregando pelo menos 1 kg de gesso na minha perna e mais uma bolsa pesada. E o melhor de tudo era que a pessoa que apareceu era a mesma pessoa que eu gostaria de estar, neste momento.
- Ué, você não gostou da surpresa? Porque se quiser eu posso ir embora e...
- NÃO! – Gritei. – Quer dizer, não. Eu adorei, de verdade. E ainda mais porque eu não quero andar sozinha, não hoje correndo risco do Greg e seus amigos aparecerem em algum canto.
- Eu te disse que o seus amigos iriam te ajudar. – Ele disse enquanto pegava a minha bolsa e me ajudava a caminhar.
- Obrigado. – Disse a parei de andar. Virei-me para ele e o encarei nos olhos. – Greyson, eu queria saber uma coisa.
- Pode falar. – Ele disse enquanto ajeitava a minha bolsa que escorregava pelo braço dele.
- O que aconteceu no hospital, quer dizer, o que quase aconteceu no hospital... Ér, eu queria saber se... Ah, bem é que... – Eu comecei a falar, mas não consegui terminar. Eu estava com muita vergonha e um pouco de medo por não saber qual seria a resposta dele.
- Eu também queria falar com você sobre isso. – Ele me interrompeu. – Não sei se para você significou alguma coisa. Eu disse a verdade e tudo que fiz foi verdadeiro. Não fiz nada para ganhar crédito com você e muito menos brincar com o seu coração. Não sei onde isso vai acabar, ou se algo vai começar, eu só quero dizer que... – Greyson começou a gaguejar. – Que... Tudo que eu menos quero é te ver machucada, por dentro ou por fora, então para mim, o que for melhor para você, será também melhor para mim. – Ele terminou de falar e estava muito corado. Deve ser horrível para um garoto dizer tudo o que sente, ainda mais se for para a mesma pessoa pela qual ele sente tudo aquilo.
- Então... Então você disse a verdade enquanto me abraçava? – Perguntei fixando os meus olhos ainda mais nos dele. Se ele dissesse “sim” ali, eu enfartaria. Mentira! Eu seria a pessoa mais feliz do mundo, o que é muito para mim. Ele estava mais corado ainda e seus olhos brilhavam como nunca. Ele fixou seus olhos nos meus, assim como eu estava fazendo, e sorriu.
- Sim. – Ele disse ainda sorrindo. Não consegui me conter e abri para ele o meu melhor sorriso. Eu não podia acreditar que eu estava apaixonada pelo garoto que eu odiava há um tempo atrás e ele por mim. Eu não sabia o que fazer ali. Eu só conseguia sorrir, admirá-lo, sorrir novamente e mais nada. Feliz era a palavra que me descrevia nesse momento.
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Eu não sabia se havia feito a coisa certa. Eu respondi a verdade para ela, mas não tinha ideia se ela a aceitaria. A (seunome) sorria para mim e eu retribuía o sorriso. Ela estava maravilhosa e parecia que seus olhos brilhavam muito mais do que em qualquer outro momento. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas o que? Eu não podia fazer nada de errado porque não queria magoá-la e nem me passar por grosso. Der repente fui totalmente surpreendido. Ela havia posto a mão na minha nuca e mexia com as pontas dos dedos nos meus cabelos. Ela foi se aproximando de mim, e num piscar de olhos acordei pra vida, pra realidade. A garota mais incrível do mundo estava prestes a me beijar e eu estava parado ali como um completo idiota esperando ela fazer toda a ação. Coloquei meu braço direito em sua cintura a fazendo chegar mais perto de mim, e com o esquerdo subi até seu ombro onde, com minha mão, acariciei seu rosto.
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Greyson envolveu minha cintura com um de seus braços e acariciou meu rosto. Eu não sabia direito se era isso que ele queria, mas eu não pude conter a felicidade. Eu amava aquele garoto e isto estava óbvio. Nossa respiração se misturou assim como aconteceu no hospital. Nossos narizes se encostaram e der repente senti seus lábios nos meus. Uma sensação maravilhosa percorreu todo o meu corpo e por mim, eu continuaria exatamente assim, até a morte. Ele der repente parou, olhou no fundo dos meus olhos e sorriu. Será que eu havia feito alguma bobagem? Será que ele não gostou? Minhas perguntas foram respondidas quando, logo depois, Greyson voltou a me beijar. Eu pedi passagem da língua e ele deixou. Era algo mágico sentir seu toque, seu beijo e tudo que estava acontecendo bem ali. A língua dele me aquecia e me deixava calma. A última coisa que eu queria que acontecesse ali era o nosso beijo ser interrompido ou parar pela iniciativa de algum de nós. Eu estava cada vez mais apaixonada por ele.
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Nossos lábios se encostaram e eu pude sentir a verdadeira felicidade. Agora sim eu entendia o que algumas pessoas diziam sobre o primeiro beijo com a pessoa que você ama de verdade. Era algo mágico. Separei nossos lábios e a olhei sorrindo. Eu não podia conter minha felicidade. Fechei meus olhos e voltei a beijá-la. Ela pediu passagem da língua e eu cedi. Era maravilhoso sentir tudo aquilo. Eu disse maravilhoso? Era muito mais que isso! Eu percebi que ela me amava, e agora sim eu havia encontrado a parte da minha vida que estava perdida por aí; Ela se chamava (seunome&sobrenome), ou MCP, segundo Michael.
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Durante todo beijo nossos olhos ficaram fechados. Eu nunca havia me sentido tão bem, tão feliz, tão viva! Ele novamente parou o beijo, mas dessa vez eu tive certeza de que não tinha sido por nada que eu fiz. Ele me olhou sorrindo, me abraçou e me girou no ar. Era muito bom senti-lo perto de mim, nos meus braços, só para mim. Estava tudo indo perfeitamente bem até que a minha adorável tia aparecer para estragar o momento mais feliz que o meu dia havia tido.
- Então é isso que a senhorita faz ao invés de ir para a escola? – Tia Virginia perguntou sendo totalmente sarcástica. – Sua mãe não vai gostar nada ao saber disso. – Ela já foi pegando o celular do bolso.
- Eu não vou tentar te impedir. Faça o que quiser. – Eu disse me virando de costas e puxando Greyson que estava sem entender nada.
- Como assim não? Eu posso acabar com você e...
- Eu estou cansada de discutir com você. Pra mim já chega. – Disse me virando novamente para ela. – Faça o que bem entender, estrague a vida de quem você quiser, mas não me meta em mais discussão boba. – Voltei a virar para Greyson e o chamei. Fomos caminhando para a escola e nem um de nós disse nenhuma palavra pelo caminho.
- Qual o problema entre você e sua tia? – Greyson perguntou assim que sentamos em um banco de pedra que havia no pátio.
- Ela é totalmente louca. Vive me ameaçando, me xingando, dizendo que não tenho futuro e inventando histórias para a minha mãe. – O respondi enquanto meus olhos percorriam todo o pátio atrás de Lauren, Greg e companhia.
- Não se preocupe. Eles ainda não chegaram. – Greyson disse ao perceber quem eu estava procurando.
- Como você sabe? – Perguntei me virando assustada para Greyson.
- A Lauren sempre me envia mensagem perguntando se eu não quero ir buscá-la. – Greyson disse um pouco entediado.
- Tá, mas e o Greg?
- Já que eu nunca fui buscar a Lauren, ela vem com o Greg. Acho que é para me fazer sentir ciúmes. – Greyson disse e abriu o sorriso. – Acho que não está dando certo. – Ele terminou de falar e também sorri.
- BOM DIA CASAL!! – Tom e Michael gritaram ao mesmo tempo enquanto vinham na direção onde eu e Greyson estávamos.
- Como é que eles sabem? – Perguntei olhando para Greyson que parecia ter a mesma pergunta na cabeça.
- Não é preciso espionar vocês para saber disso, mas nós queríamos ter certeza, então... – Tom começou a falar, mas eu o interrompi.
- EI! Vocês estavam me espionando? – Perguntei incrédula.
- Não. Nós estávamos cuidando de você. – Michael respondeu sorrindo. – Você não pode andar sozinha nesse estado e muito menos hoje que acabam os três dias de suspensão do Greg. – Michael apontou para minha perna engessada.
- Ah, e em falar em suspensão, hoje ele vai ter que ajudar na cozinha. – Tom disse rindo. Ele já estava ficando vermelho de tanto rir. Não tinha graça nenhuma naquilo. Ah tinha sim! Imagina o garoto mais forte, bonito, esportista, respeitado e durão da escola inteira ajudando na cozinha. Limpando bandejas, mesas, servindo e obedecendo aos alunos. HÁ! O intervalo vai ser TUDO!
- Pelo menos isso pra animar meu dia. – Eu disse enquanto olhava para os lados a procura de Jane.
- Ei! Eu não existo não? – Greyson perguntou cruzando os braços.
- É claro que sim Grey. – Disse o abraçando. – Mais uma coisa para alegrar meu dia. Tá bom assim?
- Melhorou. – Ele respondeu rindo e me deu um selinho.
- Tom, vamos ao banheiro, eu preciso vomitar. – Michael disse puxando Tom.
- Por quê? A garotinha aí tá gravida? – Tom fez voz afetada enquanto eu e Greyson não parávamos de rir, ainda abraçados.
- HÁ-HÁ. – Michael foi sarcástico. – Eu te disse para usarmos preservativo, mas você não me ouviu amor. – Ele se virou fazendo uma voz afetado que me fez tossir de tanto rir.
- Vão discutir a relação em um lugar menos público, por favor?! – Greyson disse fazendo Michael rir.
- Hey favela! Como estão? – Jane tinha acabado de chegar e já foi me cumprimentar.
- Agora sim isso aqui virou uma favela. – Michael disse encarando Jane. Com certeza ele queria vê-la irritada.
- Mimi querido fecha esse buraco negro que você chama de boca. – Jane disse pausadamente e depois caiu no riso. – Amiga tá nervosa? – Ela se virou para mim.
- Um pouco, mas com vocês perto de mim fica tudo mais fácil. – Respondi fazendo todos soltarem um “awn” e depois rirem.
- Ah não. Lá vem a cobra. – Jane parou de sorrir enquanto fixava seus olhos mel em algum ponto atrás de mim. Virei-me e vi Lauren chegar toda sorridente.
- Você me disse que ela vinha com o Greg. – Sussurrei olhando para Greyson.
- Eles devem estar lá fora. Ela nunca viria sozinha pra cá.
- Olá amigos, oi Grey. – Lauren nos cumprimentou com uma voz super doce.
- O que você quer aqui? – Jane disse já se enfiando na frente de Lauren para que ela não pudesse encostar em nenhum fio de cabelo meu.
- Calma emburradinha. Grey posso falar com você?
- Não. – Greyson respondeu friamente.
- Vai lá. – Sussurrei. – Por mim você pode ir. – Me virei para olhá-lo. Ele assentiu e se levantou, mas voltou a sentar e me abraçou por trás quando Greg e seus amigos apareceram no portão da escola. – Calma, ele não pode fazer nada com todos olhando.
- Bom dia Lala. – Greg cumprimentou Lauren dando um beijo na bochecha dela. – Bom dia pessoal. – Ele acenou para todos com um sorriso de canto de boca. Ninguém disse nada. Todos o encaravam com ódio nos olhos. Michael foi andando lentamente em direção a ele, mas Jane o puxou de volta para trás. Eu sabia que Jane não queria que nada de mal acontecesse para ninguém ali, mas ela deveria saber que Greg ficaria com raiva dela por ter impedido Michael de morrer ali mesmo.
BLIIIIIIIIM! O sinal tocou e todos nós, tirando a máfia, nos viramos e fomos andando em direção à sala de aula. Despedi-me do Greyson com um selinho e entrei na sala 5, enquanto ele ia rumo a sala 13.
- Você está namorando o Greyson? – Jane perguntou assustada e feliz ao mesmo tempo. – Até ontem você disse que não havia rolado nada demais! – Jane já foi me puxando com cuidado para uma carteira no meio da sala para que eu a contasse tudo, e, é claro, eu a informei sobre tudo que havia acontecido. – AI QUE LINDO AMIGA! Quem dera que o Mimi fizesse isso. – Jane lançou um olhar de reprovação para Michael que neste instante conversava com Tom sobre algo muito empolgante, pois os dois faziam movimentos bruscos.
- Bom dia classe! – A professora de música, Dona Carlita, entrou na sala toda sorridente. Ela era um amor de pessoa ao contrário do Professor Bradween. – Já estamos chegando perto do natal então queria fazer uma atividade diferente com vocês. Que tal aprendermos a tocar alguma música natalina em algum instrumento? – Ela nos perguntou ainda sorridente e foi respondida por vários “BOA!”, “MANEIRO!”, “GOSTEI!” dos alunos. - Eu conversei com a diretora e ela me deixou usar os instrumentos que pertencem à escola para essa atividade. Para não haver muitas turmas com o mesmo instrumento nós iremos usar violões e teclados. Cada um poderá escolher o seu preferido e eu ensinarei todas as notas para vocês... – A professora foi interrompida por uma batidinha na porta. Ela a abriu e se deparou com um aluno. Era Greg. – Sim?
- Com licença professora. A diretora está pedindo para que a aluna (seunome&sobrenome) compareça agora na sala dela. – Greg disse e Jane me enviou um olhar de desespero. Ou aquilo era verdade e eu estava encrencada ou o Greg fez curso de teatro e na verdade ele iria me bater quando eu saísse da sala.
- Senhorita (seunome) pode ir. – A professora disse sorridente e eu assenti. Levantei-me e dei uma última olhada em meus amigos. Virei-me e fui caminhando em direção à porta onde Greg me olhava com os olhos brilhando. Sai da sala e fui andando o mais rápido possível rumo à diretoria. Eu sabia que não tinha feito nada para a diretora me chamar. Eu tinha certeza do que ia acontecer ali, daqui a alguns segundos, mas tentei ir para onde houvesse alguém, só que todo o corredor estava deserto.
- Espera princesa. – Greg disse com um tom de voz doce demais para ele. Eu estava ferrada!
- Cadê seus amiguinhos hein? – Me virei com todo o ódio que havia no meu corpo. Eu poderia estar com o medo que fosse, mas também estava com muita raiva daquele garoto. É pura covardia ele querer me bater, ainda mais com ajuda dos amigos dele.
- Então você já sabe da história toda não é?! – Ele foi chegando cada vez mais perto de mim. Eu já estava encostada na parede e apenas assenti.
NARRAÇÃO DA JANE ON
Quando (seunome) saiu da sala enviei um olhar de pavor para Mimi e Tom. Eu estava totalmente assustada e com ódio de mim mesma por não estar com a minha amiga, para defendê-la. Não tinha como ela se defender! Primeiro porque o Greg era muito mais forte que ela, ainda mais com a ajuda dos amiguinhos dele. Segundo que ela estava com a perna engessada, o que dificultava até mesmo ela correr para se salvar.
- Meninos! – Sussurrei enquanto a professora a professora explicava algo sobre o violão. – Precisamos ir atrás da (seunome) agora!
- Não sabemos o que fazer para sair da sala. – Tom respondeu preocupado.
- Vou enrolar a professora e vocês correm para chamar algum inspetor. – Mimi começou a falar, mas foi logo interrompido pela professora.
- Algum problema querido?
- Ah, sabe o que é professora. É que... Que eu queria muito mostrar para a senhora a música que eu sei tocar no violão. Então se a senhora pudesse pegá-lo e... – Michael tentou fazer com que a professora saísse de sala atrás do instrumento, mas ela logo o interrompeu e a tentativa adiantou de nada.
- Eu acabei de explicar que iríamos pegar os instrumentos no segundo tempo Michael. – A professora disse um pouco sem paciência. Michael corou e olhou-me pedindo ajuda pelo olhar. Eu estava a ponto de pular em seu pescoço, mas eu não podia perder mais tempo. Nesse momento minha amiga poderia estar sangrando.
- Professora! Posso ir ao banheiro? – Perguntei um pouco alto demais.
- O sinal do segundo tempo já irá tocar então você poderá ir. Tudo bem querida? – A professora foi doce ao me responder, mas eu não estava mais aguentando a doçura dela. Eu tinha que sair daquela sala de qualquer maneira!
- Professora, eu estou muito apertada. Deixa-me ir agora! – Insisti.
- Querida, você não pode perder essa parte da explicação. É muito importante! – Ela disse ainda sorrindo. Que raiva daquela mulher! Deu vontade de mandá-la calar a boca até eu voltar, mas respirei fundo e outra ideia veio em minha cabeça. Peguei rapidamente meu celular e escrevi uma mensagem para Greyson. Talvez o professor que estava dando aula para ele o deixasse sair. A mensagem dizia:
Greyson, pede pra sair de sala AGORA! O Greg veio aqui na minha turma e inventou uma história de que a diretora queria ver a (seunome). Ela tá sozinha e eu não consegui sair daqui. CORRE! Boa sorte, Jane.
Quando eu era menor imaginava minha vida como nos livros de contos de fadas. Eu iria me casar com um príncipe encantado lindo e moraria em um belo palácio ou castelo. Toda noite ia ter um baile e a cada baile eu usaria um vestido longo perfeito.
Há pouco tempo atrás eu imaginava minha vida totalmente resumida em uma única palavra: Estudar. Eu iria estudar para me formar na profissão que eu quisesse e ser alguém na vida. Eu ainda penso assim, só que hoje os meus pensamentos se misturaram um pouco. Os contos de fadas se embaralharam com a vida real e agora eu só penso na minha vida com uma única pessoa. Eu imagino que se algum dia eu for me casar com alguém, que seja com esse alguém. Se for para ter filhos, que seja com esse alguém. Se for para morrer ao lado de alguém, que seja esse alguém. E esse alguém está bem óbvio para mim. Ninguém mais e ninguém menos que o meu “herói” Greyson Chance.
- Hoje é o dia que você vai se esfolar. É melhor ir preparada. – Disse para mim mesma em frente ao espelho. Eu e essa minha mania de conversar comigo mesma.
Depois de exatos cinquenta minutos eu estava pronta para encarar Greg, Lauren e os amiguinhos deles. Já havia se passado três dias e todos na escola não paravam de me perguntar sobre a perna engessada e como foi passar uma noite no hospital. Poxa, eu não sou um alienígena por está com o tornozelo quebrado e nem por ter passado um tempo dentro de um quarto de algum hospital! Até a diretora da escola, a “Dona Ocupada”, quis saber. O normal seria ela se importar com um aluno e não fofocar como se fosse alguma amiga minha.
Desci as escadas com cuidado para não machucar ainda mais a minha perna e dei de cara com a Tia Virginia. Minha mãe havia dito que ela viria apenas TRÊS dias na semana, não a semana inteira.
- Por que você veio hoje? – Perguntei torcendo para que ela não me desse nenhum fora.
- Porque eu falei com a sua mãe e ela disse para eu vir todos os dias enquanto sua perna estiver engessada. – Ela respondeu ajeitando as almofadas do sofá. AJEITANDO? Foi isso que eu disse? Ela estava espancando as almofadas do sofá, que, aliás, estavam bem arrumadas em seus lugares e não precisavam ser “ajeitadas”.
- Quando você falou com a minha mãe? Eu pedi para você me deixar falar com ela quando ligasse, já que você não quis me devolver meu celular. – Eu disse morrendo de raiva por dentro. Minha querida titia havia confiscado meu celular só porque ela o achou embaixo da almofada do sofá e disse que eu não tinha responsabilidade suficiente para ter um, pois eu havia o perdido. É claro que eu não tinha perdido meu celular. Eu sabia que ele estava dentro de casa, em algum lugar em algum cômodo. Mesmo assim ela não tinha nenhum direito de fazer isso, ainda mais porque eu estava louca de saudades da minha mãe.
- Ontem à noite. – Ela disse com a voz suave como se estivesse adorando me ver com raiva. Que ódio da minha tia!
- Olha, se você achar melhor ficar em casa fazendo o que você quiser, eu não me importo. Eu me viro bem sozinha. Não quero roubar o seu precioso tempo. – Fui falando com uma voz bem doce. “Talvez assim aquela mulher pare de vir me atormentar” pensei.
- Eu estaria fazendo a sua vontade, e mesmo sendo chato para eu vir para cá, eu não quero que você seja mimada. Já basta ser uma mal-educada sem futuro...
- Você pode dizer o que quiser de mim, mas que sou mal-educada não! Você sabe muito bem que eu não sou assim e você só diz isso porque seus filhos são uns pestes. – A interrompi. Fiquei vermelha de tanta raiva e acabei falando tudo que estava entalado na minha garganta enquanto apontava o dedo em seu rosto. – TAL MÃE TAL FILHOS! SE A MÃE É UM CAPETA OS FILHOS TAMBÉM SEGUIRÃO O EXEMPLO, E VOCÊS SÃO A PROVA DISSO! – Gritei. Eu não devia ter dito nada disso, mas eu me descontrolei e acabei a deixando vermelha de raiva, assim como eu estava.
- Nunca mais aponte o dedo na minha cara e nem fale mal de mim e meus filhos! – Ela disse pausadamente enquanto abaixava com muita força minha mão. – Você não sabe o perigo que está correndo senhorita. Quando sua mãe souber disso...
- Isso mesmo. Se esconda embaixo da asa da minha mãe. Se esconda da verdade mais uma vez na sua vida. Uma hora você vai ver tudo o que está fazendo e talvez assim você veja o mal que está causando não só pra mim, mas para toda a sua família! – Disse e logo me virei e fui mancando em direção à porta que bati tão forte que o cachorro do vizinho começou a latir desesperadamente devido ao som.
- Ei, (seunome)! – Alguém me gritou no outro lado da rua. Virei-me e deparei com um garoto branquelo, cheio de sardas, com olhos castanhos brilhantes e cabelos bagunçados. Era Greyson.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei sorrindo. Que surpresa maravilhosa eu tive. Depois de uma briga com a minha tia a única coisa que eu não queria era ir sozinha carregando pelo menos 1 kg de gesso na minha perna e mais uma bolsa pesada. E o melhor de tudo era que a pessoa que apareceu era a mesma pessoa que eu gostaria de estar, neste momento.
- Ué, você não gostou da surpresa? Porque se quiser eu posso ir embora e...
- NÃO! – Gritei. – Quer dizer, não. Eu adorei, de verdade. E ainda mais porque eu não quero andar sozinha, não hoje correndo risco do Greg e seus amigos aparecerem em algum canto.
- Eu te disse que o seus amigos iriam te ajudar. – Ele disse enquanto pegava a minha bolsa e me ajudava a caminhar.
- Obrigado. – Disse a parei de andar. Virei-me para ele e o encarei nos olhos. – Greyson, eu queria saber uma coisa.
- Pode falar. – Ele disse enquanto ajeitava a minha bolsa que escorregava pelo braço dele.
- O que aconteceu no hospital, quer dizer, o que quase aconteceu no hospital... Ér, eu queria saber se... Ah, bem é que... – Eu comecei a falar, mas não consegui terminar. Eu estava com muita vergonha e um pouco de medo por não saber qual seria a resposta dele.
- Eu também queria falar com você sobre isso. – Ele me interrompeu. – Não sei se para você significou alguma coisa. Eu disse a verdade e tudo que fiz foi verdadeiro. Não fiz nada para ganhar crédito com você e muito menos brincar com o seu coração. Não sei onde isso vai acabar, ou se algo vai começar, eu só quero dizer que... – Greyson começou a gaguejar. – Que... Tudo que eu menos quero é te ver machucada, por dentro ou por fora, então para mim, o que for melhor para você, será também melhor para mim. – Ele terminou de falar e estava muito corado. Deve ser horrível para um garoto dizer tudo o que sente, ainda mais se for para a mesma pessoa pela qual ele sente tudo aquilo.
- Então... Então você disse a verdade enquanto me abraçava? – Perguntei fixando os meus olhos ainda mais nos dele. Se ele dissesse “sim” ali, eu enfartaria. Mentira! Eu seria a pessoa mais feliz do mundo, o que é muito para mim. Ele estava mais corado ainda e seus olhos brilhavam como nunca. Ele fixou seus olhos nos meus, assim como eu estava fazendo, e sorriu.
- Sim. – Ele disse ainda sorrindo. Não consegui me conter e abri para ele o meu melhor sorriso. Eu não podia acreditar que eu estava apaixonada pelo garoto que eu odiava há um tempo atrás e ele por mim. Eu não sabia o que fazer ali. Eu só conseguia sorrir, admirá-lo, sorrir novamente e mais nada. Feliz era a palavra que me descrevia nesse momento.
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Eu não sabia se havia feito a coisa certa. Eu respondi a verdade para ela, mas não tinha ideia se ela a aceitaria. A (seunome) sorria para mim e eu retribuía o sorriso. Ela estava maravilhosa e parecia que seus olhos brilhavam muito mais do que em qualquer outro momento. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas o que? Eu não podia fazer nada de errado porque não queria magoá-la e nem me passar por grosso. Der repente fui totalmente surpreendido. Ela havia posto a mão na minha nuca e mexia com as pontas dos dedos nos meus cabelos. Ela foi se aproximando de mim, e num piscar de olhos acordei pra vida, pra realidade. A garota mais incrível do mundo estava prestes a me beijar e eu estava parado ali como um completo idiota esperando ela fazer toda a ação. Coloquei meu braço direito em sua cintura a fazendo chegar mais perto de mim, e com o esquerdo subi até seu ombro onde, com minha mão, acariciei seu rosto.
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Greyson envolveu minha cintura com um de seus braços e acariciou meu rosto. Eu não sabia direito se era isso que ele queria, mas eu não pude conter a felicidade. Eu amava aquele garoto e isto estava óbvio. Nossa respiração se misturou assim como aconteceu no hospital. Nossos narizes se encostaram e der repente senti seus lábios nos meus. Uma sensação maravilhosa percorreu todo o meu corpo e por mim, eu continuaria exatamente assim, até a morte. Ele der repente parou, olhou no fundo dos meus olhos e sorriu. Será que eu havia feito alguma bobagem? Será que ele não gostou? Minhas perguntas foram respondidas quando, logo depois, Greyson voltou a me beijar. Eu pedi passagem da língua e ele deixou. Era algo mágico sentir seu toque, seu beijo e tudo que estava acontecendo bem ali. A língua dele me aquecia e me deixava calma. A última coisa que eu queria que acontecesse ali era o nosso beijo ser interrompido ou parar pela iniciativa de algum de nós. Eu estava cada vez mais apaixonada por ele.
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Nossos lábios se encostaram e eu pude sentir a verdadeira felicidade. Agora sim eu entendia o que algumas pessoas diziam sobre o primeiro beijo com a pessoa que você ama de verdade. Era algo mágico. Separei nossos lábios e a olhei sorrindo. Eu não podia conter minha felicidade. Fechei meus olhos e voltei a beijá-la. Ela pediu passagem da língua e eu cedi. Era maravilhoso sentir tudo aquilo. Eu disse maravilhoso? Era muito mais que isso! Eu percebi que ela me amava, e agora sim eu havia encontrado a parte da minha vida que estava perdida por aí; Ela se chamava (seunome&sobrenome), ou MCP, segundo Michael.
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Durante todo beijo nossos olhos ficaram fechados. Eu nunca havia me sentido tão bem, tão feliz, tão viva! Ele novamente parou o beijo, mas dessa vez eu tive certeza de que não tinha sido por nada que eu fiz. Ele me olhou sorrindo, me abraçou e me girou no ar. Era muito bom senti-lo perto de mim, nos meus braços, só para mim. Estava tudo indo perfeitamente bem até que a minha adorável tia aparecer para estragar o momento mais feliz que o meu dia havia tido.
- Então é isso que a senhorita faz ao invés de ir para a escola? – Tia Virginia perguntou sendo totalmente sarcástica. – Sua mãe não vai gostar nada ao saber disso. – Ela já foi pegando o celular do bolso.
- Eu não vou tentar te impedir. Faça o que quiser. – Eu disse me virando de costas e puxando Greyson que estava sem entender nada.
- Como assim não? Eu posso acabar com você e...
- Eu estou cansada de discutir com você. Pra mim já chega. – Disse me virando novamente para ela. – Faça o que bem entender, estrague a vida de quem você quiser, mas não me meta em mais discussão boba. – Voltei a virar para Greyson e o chamei. Fomos caminhando para a escola e nem um de nós disse nenhuma palavra pelo caminho.
- Qual o problema entre você e sua tia? – Greyson perguntou assim que sentamos em um banco de pedra que havia no pátio.
- Ela é totalmente louca. Vive me ameaçando, me xingando, dizendo que não tenho futuro e inventando histórias para a minha mãe. – O respondi enquanto meus olhos percorriam todo o pátio atrás de Lauren, Greg e companhia.
- Não se preocupe. Eles ainda não chegaram. – Greyson disse ao perceber quem eu estava procurando.
- Como você sabe? – Perguntei me virando assustada para Greyson.
- A Lauren sempre me envia mensagem perguntando se eu não quero ir buscá-la. – Greyson disse um pouco entediado.
- Tá, mas e o Greg?
- Já que eu nunca fui buscar a Lauren, ela vem com o Greg. Acho que é para me fazer sentir ciúmes. – Greyson disse e abriu o sorriso. – Acho que não está dando certo. – Ele terminou de falar e também sorri.
- BOM DIA CASAL!! – Tom e Michael gritaram ao mesmo tempo enquanto vinham na direção onde eu e Greyson estávamos.
- Como é que eles sabem? – Perguntei olhando para Greyson que parecia ter a mesma pergunta na cabeça.
- Não é preciso espionar vocês para saber disso, mas nós queríamos ter certeza, então... – Tom começou a falar, mas eu o interrompi.
- EI! Vocês estavam me espionando? – Perguntei incrédula.
- Não. Nós estávamos cuidando de você. – Michael respondeu sorrindo. – Você não pode andar sozinha nesse estado e muito menos hoje que acabam os três dias de suspensão do Greg. – Michael apontou para minha perna engessada.
- Ah, e em falar em suspensão, hoje ele vai ter que ajudar na cozinha. – Tom disse rindo. Ele já estava ficando vermelho de tanto rir. Não tinha graça nenhuma naquilo. Ah tinha sim! Imagina o garoto mais forte, bonito, esportista, respeitado e durão da escola inteira ajudando na cozinha. Limpando bandejas, mesas, servindo e obedecendo aos alunos. HÁ! O intervalo vai ser TUDO!
- Pelo menos isso pra animar meu dia. – Eu disse enquanto olhava para os lados a procura de Jane.
- Ei! Eu não existo não? – Greyson perguntou cruzando os braços.
- É claro que sim Grey. – Disse o abraçando. – Mais uma coisa para alegrar meu dia. Tá bom assim?
- Melhorou. – Ele respondeu rindo e me deu um selinho.
- Tom, vamos ao banheiro, eu preciso vomitar. – Michael disse puxando Tom.
- Por quê? A garotinha aí tá gravida? – Tom fez voz afetada enquanto eu e Greyson não parávamos de rir, ainda abraçados.
- HÁ-HÁ. – Michael foi sarcástico. – Eu te disse para usarmos preservativo, mas você não me ouviu amor. – Ele se virou fazendo uma voz afetado que me fez tossir de tanto rir.
- Vão discutir a relação em um lugar menos público, por favor?! – Greyson disse fazendo Michael rir.
- Hey favela! Como estão? – Jane tinha acabado de chegar e já foi me cumprimentar.
- Agora sim isso aqui virou uma favela. – Michael disse encarando Jane. Com certeza ele queria vê-la irritada.
- Mimi querido fecha esse buraco negro que você chama de boca. – Jane disse pausadamente e depois caiu no riso. – Amiga tá nervosa? – Ela se virou para mim.
- Um pouco, mas com vocês perto de mim fica tudo mais fácil. – Respondi fazendo todos soltarem um “awn” e depois rirem.
- Ah não. Lá vem a cobra. – Jane parou de sorrir enquanto fixava seus olhos mel em algum ponto atrás de mim. Virei-me e vi Lauren chegar toda sorridente.
- Você me disse que ela vinha com o Greg. – Sussurrei olhando para Greyson.
- Eles devem estar lá fora. Ela nunca viria sozinha pra cá.
- Olá amigos, oi Grey. – Lauren nos cumprimentou com uma voz super doce.
- O que você quer aqui? – Jane disse já se enfiando na frente de Lauren para que ela não pudesse encostar em nenhum fio de cabelo meu.
- Calma emburradinha. Grey posso falar com você?
- Não. – Greyson respondeu friamente.
- Vai lá. – Sussurrei. – Por mim você pode ir. – Me virei para olhá-lo. Ele assentiu e se levantou, mas voltou a sentar e me abraçou por trás quando Greg e seus amigos apareceram no portão da escola. – Calma, ele não pode fazer nada com todos olhando.
- Bom dia Lala. – Greg cumprimentou Lauren dando um beijo na bochecha dela. – Bom dia pessoal. – Ele acenou para todos com um sorriso de canto de boca. Ninguém disse nada. Todos o encaravam com ódio nos olhos. Michael foi andando lentamente em direção a ele, mas Jane o puxou de volta para trás. Eu sabia que Jane não queria que nada de mal acontecesse para ninguém ali, mas ela deveria saber que Greg ficaria com raiva dela por ter impedido Michael de morrer ali mesmo.
BLIIIIIIIIM! O sinal tocou e todos nós, tirando a máfia, nos viramos e fomos andando em direção à sala de aula. Despedi-me do Greyson com um selinho e entrei na sala 5, enquanto ele ia rumo a sala 13.
- Você está namorando o Greyson? – Jane perguntou assustada e feliz ao mesmo tempo. – Até ontem você disse que não havia rolado nada demais! – Jane já foi me puxando com cuidado para uma carteira no meio da sala para que eu a contasse tudo, e, é claro, eu a informei sobre tudo que havia acontecido. – AI QUE LINDO AMIGA! Quem dera que o Mimi fizesse isso. – Jane lançou um olhar de reprovação para Michael que neste instante conversava com Tom sobre algo muito empolgante, pois os dois faziam movimentos bruscos.
- Bom dia classe! – A professora de música, Dona Carlita, entrou na sala toda sorridente. Ela era um amor de pessoa ao contrário do Professor Bradween. – Já estamos chegando perto do natal então queria fazer uma atividade diferente com vocês. Que tal aprendermos a tocar alguma música natalina em algum instrumento? – Ela nos perguntou ainda sorridente e foi respondida por vários “BOA!”, “MANEIRO!”, “GOSTEI!” dos alunos. - Eu conversei com a diretora e ela me deixou usar os instrumentos que pertencem à escola para essa atividade. Para não haver muitas turmas com o mesmo instrumento nós iremos usar violões e teclados. Cada um poderá escolher o seu preferido e eu ensinarei todas as notas para vocês... – A professora foi interrompida por uma batidinha na porta. Ela a abriu e se deparou com um aluno. Era Greg. – Sim?
- Com licença professora. A diretora está pedindo para que a aluna (seunome&sobrenome) compareça agora na sala dela. – Greg disse e Jane me enviou um olhar de desespero. Ou aquilo era verdade e eu estava encrencada ou o Greg fez curso de teatro e na verdade ele iria me bater quando eu saísse da sala.
- Senhorita (seunome) pode ir. – A professora disse sorridente e eu assenti. Levantei-me e dei uma última olhada em meus amigos. Virei-me e fui caminhando em direção à porta onde Greg me olhava com os olhos brilhando. Sai da sala e fui andando o mais rápido possível rumo à diretoria. Eu sabia que não tinha feito nada para a diretora me chamar. Eu tinha certeza do que ia acontecer ali, daqui a alguns segundos, mas tentei ir para onde houvesse alguém, só que todo o corredor estava deserto.
- Espera princesa. – Greg disse com um tom de voz doce demais para ele. Eu estava ferrada!
- Cadê seus amiguinhos hein? – Me virei com todo o ódio que havia no meu corpo. Eu poderia estar com o medo que fosse, mas também estava com muita raiva daquele garoto. É pura covardia ele querer me bater, ainda mais com ajuda dos amigos dele.
- Então você já sabe da história toda não é?! – Ele foi chegando cada vez mais perto de mim. Eu já estava encostada na parede e apenas assenti.
NARRAÇÃO DA JANE ON
Quando (seunome) saiu da sala enviei um olhar de pavor para Mimi e Tom. Eu estava totalmente assustada e com ódio de mim mesma por não estar com a minha amiga, para defendê-la. Não tinha como ela se defender! Primeiro porque o Greg era muito mais forte que ela, ainda mais com a ajuda dos amiguinhos dele. Segundo que ela estava com a perna engessada, o que dificultava até mesmo ela correr para se salvar.
- Meninos! – Sussurrei enquanto a professora a professora explicava algo sobre o violão. – Precisamos ir atrás da (seunome) agora!
- Não sabemos o que fazer para sair da sala. – Tom respondeu preocupado.
- Vou enrolar a professora e vocês correm para chamar algum inspetor. – Mimi começou a falar, mas foi logo interrompido pela professora.
- Algum problema querido?
- Ah, sabe o que é professora. É que... Que eu queria muito mostrar para a senhora a música que eu sei tocar no violão. Então se a senhora pudesse pegá-lo e... – Michael tentou fazer com que a professora saísse de sala atrás do instrumento, mas ela logo o interrompeu e a tentativa adiantou de nada.
- Eu acabei de explicar que iríamos pegar os instrumentos no segundo tempo Michael. – A professora disse um pouco sem paciência. Michael corou e olhou-me pedindo ajuda pelo olhar. Eu estava a ponto de pular em seu pescoço, mas eu não podia perder mais tempo. Nesse momento minha amiga poderia estar sangrando.
- Professora! Posso ir ao banheiro? – Perguntei um pouco alto demais.
- O sinal do segundo tempo já irá tocar então você poderá ir. Tudo bem querida? – A professora foi doce ao me responder, mas eu não estava mais aguentando a doçura dela. Eu tinha que sair daquela sala de qualquer maneira!
- Professora, eu estou muito apertada. Deixa-me ir agora! – Insisti.
- Querida, você não pode perder essa parte da explicação. É muito importante! – Ela disse ainda sorrindo. Que raiva daquela mulher! Deu vontade de mandá-la calar a boca até eu voltar, mas respirei fundo e outra ideia veio em minha cabeça. Peguei rapidamente meu celular e escrevi uma mensagem para Greyson. Talvez o professor que estava dando aula para ele o deixasse sair. A mensagem dizia:
Greyson, pede pra sair de sala AGORA! O Greg veio aqui na minha turma e inventou uma história de que a diretora queria ver a (seunome). Ela tá sozinha e eu não consegui sair daqui. CORRE! Boa sorte, Jane.
Enviei a mensagem e avisei os meninos. Agora é só torcer para que tudo dê certo.
NARRAÇÃO DA JANE OFF
Greg estava chegando perto demais e eu comecei a sentir que não era me bater o que ele queria.
- Eu pedi para eles não virem. Não queria estragar a surpresa, sabe. Eu prefiro que seja equilibrado, para não haver injustiça. – Ele foi dizendo enquanto esticava os dois braços e encostava as mãos na parede me fazendo ficar presa. – Tem que ser justo. – Ele sussurrou no meu ouvido. Há algum tempo atrás o que eu mais queria era isso. Ter Greg pertíssimo de mim pronto para me beijar, ou seja, lá o que fosse. Mas agora eu estava ansiosa, esperando um milagre para me tirar dali.
- O que você sabe sobre ser justo? – Fui irônica. Ele fixou seus olhos nos meus e deu um sorrisinho. A minha maior vontade naquele momento era chutá-lo onde meu joelho alcança-se, só que era impossível. Eu não poderia chutar com a perna engessada e nem aguentar todo o meu peso em cima dela enquanto chuto com a outra perna. O que fazer?
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Senti uma vibração do meu bolso. Peguei o celular e vi que era uma mensagem de Jane e a abri. Meu coração começou a acelerar e eu não pude acreditar no que li. A (seunome) estava correndo perigo e eu não sabia, até agora. Pensei em alguma desculpa para sair da sala, mas com aquele professor era impossível. Ele nunca deixava nenhum aluno sair de sala, mesmo se o mesmo estivesse morrendo. Só havia um jeito, e ele era perigoso. Virei-me para meu amigo Jack que sentava ao meu lado e sussurrei “desculpa, é o único jeito!” e logo em seguida dei um soco no rosto dele. Jack se virou pra mim e sussurrou um “Por quê?” mas logo foi interrompido pelo professor.
- Senhor Chance, o que você fez? – O professor correu em direção a Jack que estava com um hematoma perto do olho esquerdo. “Caramba! Eu sou forte” pensei. – O senhor vai agora para a direção e nem ouse mudar o seu rumo porque eu descobrirei e será bem pior! – Ele gritou e não duvido nada que as pessoas que estavam na rua tenham ouvido. Assenti e fui andando com calma. Eu não podia correr senão ele iria suspeitar, mesmo se minha vontade fosse chegar o mais rápido possível no Greg e acabar com ele. Passei pela porta e ainda pude ouvir o professor perguntar a Jack se estava tudo bem. Comecei a acelerar o passo procurando Greg e a (seunome). Onde eles estavam? Eu não podia perder nem mais um segundo.
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Greg me puxou pelo braço com muita força. Agora eu já não sabia mais o que ele queria comigo. Tentei me soltar dele, mas não adiantou. Ouvi passos no corredor e então Greg me colocou no colo dele e tampou meu rosto. Tentei gritar, mas a mão dele abafava todo o som. Depois de alguns segundos ouvi o barulho de uma porta fechar. ”Será que ele saiu da escola comigo?” Me perguntei. Não poderia ter sido isso. Os portões da escola ficavam trancados no horário de aula e os muros eram muito altos para Greg pular, ainda mais comigo no colo dele. De repente Greg tirou a mão do meu rosto e me jogou contra a parede, fazendo minha cabeça bater com tudo. Abri meus olhos cheios de lágrima e coloquei a mão na cabeça. Estávamos dentro do banheiro da escola, e pela cor, era o masculino. Ele me puxou pra perto dele e começou a acariciar meu corpo. Tentei me soltar, mas estava sem forças. Tentei gritar, mas não tinha voz alguma. Eu estava muito fraca, devia ter sido pela batida. Greg me encostou na parede e começou a chupar meu pescoço. Virei minha cabeça para tentar fazer com que ele parasse, mas ele puxou meu cabelo com muita força fazendo mais lágrimas correrem pelo meu rosto. Agora sim eu sabia o que ele queria fazer. Lauren com certeza o pediu para fazer com que eu e Greyson nos distanciássemos, ou seja, fazer Greyson pensar que eu o trai. Mas como eu poderia trair quem não era meu namorado? Será que Lauren nos viu nos beijando? A única coisa a fazer ali era deixar o meu corpo como um instrumento do Greg. Eu não tinha forças para me defender, muito menos para correr. Greg começou a passar a mão novamente no meu corpo e a parou na minha coxa. Ele foi subindo cada vez mais a mão e eu não podia deixa-lo fazer aquilo. Fui escorregando para o lado, tentando chegar até a porta onde eu poderia ficar encostada e a qualquer momento abri-la e me livrar daquela praga chamada Gregory. Senti minha blusa ser levantada. Tentei fazer com que ela voltasse, mas não adiantou nada, pois Greg a tirou de uma vez. Ele encarou meu sutiã e sorriu. Tentei chegar mais perto ainda da porta, mas foi simplesmente um fracasso. Greg desabotoou o meu short, abriu o zíper e o puxou com muita força. Em seguida me colocou sentada na pia enquanto chupada todas as partes visíveis do meu corpo. Eu só queria sair o mais rápido dali, mas o que eu poderia fazer? Onde estaria o pessoal da escola? E então minha pergunta foi respondida. Ouvi um baque na porta e Greg, numa fração de segundos, me pegou e colocou em uma das “cabines” onde havia os vasos e mictórios e fechou a porta.
NARRAÇÃO DO GREYSON ON
Corri o mais rápido que pude e parei em frente ao banheiro masculino. Estranhei ele estar com a porta fechada. Coloquei a orelha na porta e ouvi um barulho muito alto, como se alguém tivesse batido alguma parte do corpo em algo duro e depois caísse no chão. Tentei abri-la, mas estava trancada. Bati da porta para ver se alguém me respondia, mas a única coisa que ouvi foi o barulho de uma porta se fechando lá dentro.
- Tem alguém aí? – Gritei ainda batendo na porta, mas ninguém respondeu. Comecei a bater com o ombro na porta tentando arrombá-la. Eu tinha quase certeza que o Greg estaria lá com a (seunome), e o que é uma porta derrubada quando você bateu no seu colega e não obedeceu ao professor? De qualquer maneira eu estaria encrencado.
“BUM” e finalmente a porta caiu. Dei de cara com Greg que segurando uma blusa e um short. Eram as roupas que (seunome) estava usando hoje. A raiva tomou conta do meu corpo e eu parti para cima dele. Eu sabia que Greg era bem mais forte que eu e um pouco mais alto. Mas também sabia que a (senonome) estaria ali e quem sabe como. Corri na direção dele e o dei um soco que o rosto dele virou, bruscamente. Ele se virou com raiva e me deu outro. Senti o sangue escorrer de meu nariz, mas não me importei. Levantei-me e o dei outro soco que o fez cair e bater a cabeça na quina da pia. O rosto dele sangrava e eu não podia me conter. Comei a chutá-lo e ele parecia inconsciente, mas só parecia, pois do nada Greg me puxou para baixo dele e me deu um soco tão forte que minha cabeça bateu, levantou e voltou a bater no chão. O ódio já tomava conta de mim, e a única maneira de sair dali vivo era o deixando inconsciente. Como? Eu já sabia. Coloquei minhas mãos no pescoço dele e apertei muito forte. Vi ele ficar sem ar e depois o empurrei contra a parede. Ele caiu no chão de olhos fechados e então me virei para procurar (seunome).
NARRAÇÃO DO GREYSON OFF
Ouvi um baque muito alto na porta e depois a ouvi batendo contra o chão. Alguém havia entrado ali, pois consegui enxergar além dos tênis do Greg, um par de all-star preto. Tentei abrir a porta, mas ela estava emperrada. Subi em cima do vaso sanitário e tentei pular por cima da paredinha que dividia cada “cabine”. Foi um fracasso. Eu estando bem não tinha força no braço, quanto lá eu toda machucada. Por isso eu disse ao médico que não queria usar muletas, seria mais um peso atoa para eu carregar. Ouvi um barulho muito alto, alguém com certeza havia caído no chão. Voltei há por minha cabeça encostada ao piso e pude ver Greg caído. Ele estava sangrando muito e havia alguém que o chutava. Levantei-me e me sentei encostada a parede, ainda chorando muito. O que eu menos queria era estar ali, presa, com duas pessoas se matando e eu não podendo fazer nada. De repente ouvi uma voz muito familiar gritar meu nome. Era Greyson. Tentei gritar de volta, mas o nó na minha garganta impedia que minha voz saísse. Bati com todas as minhas forças na porta da “cabine” e pareceu que Greyson havia me achado.
- Sai de perto da porta porque eu vou derrubá-la. – Ele gritou. Não demorou nem sete segundos e a porta já estava no chão. Olhei para a porta caída e depois olhei para frente. Greyson estava suado, com a roupa e o rosto cheio de sangue e parecia exausto. Ele veio até mim e me abraçou muito forte. Comecei a chorar mais ainda e ele tentava me fazer parar de chorar.
- Calma, já está tudo bem. – Ele me disse enquanto secava minhas lágrimas.
- N-não dá. É t-tudo culpa-pa mi-minha! – Tentei falar, mas os soluços não deixavam. Greyson se levantou e pegou minhas roupas. Elas estavam muito sujas de sangue e ao perceber isso, ele tirou a própria camisa e me entregou. Vesti e escondi meu rosto nas mãos.
- É melhor irmos à direção, antes que bata o sinal e os alunos apareçam aqui. – Ele disse me ajudando a levantar. Assenti e sai do banheiro com ele me ajudando a andar.
AVISO: Queria pedir desculpas por não ter ficado tão grande, como eu prometi, e não sei se ficou muito bom, pois fiz correndo. Espero que gostem, e queria pedir dois favores para vocês. Comentem se gostarem e indiquem (se possível) o blog para outros enchancers, por favor. Obrigado a todos que leem, isso me deixa muito feliz. Um feliz natal e um ótimo ano novo adiantado para todos! Beijos da Mi.
Como assim não ficou Grande? Eu demorei meia hora pra ler kkkkk Obg e um otimo natal e ano novo pra vooc tbm! ^-^
ResponderExcluirBeijos...
taah otimo desse tamanho, dmorei uns 40 min. pra ler tudo !
ResponderExcluireee naum esqece : CONTINUUUUUUA !
leitora nova akii!!!
ResponderExcluircontinua!!