terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Continuação do capítulo 13

 Já estava tudo preto e daí em diante, eu não senti absolutamente nada.

NARRAÇÃO GREYSON ON

      Eu não sei se aquilo que acabara de ocorrer foi algo na minha mente, ou se era eu que não podia acreditar. Talvez fosse um pesadelo. Um dos piores, aqueles que você mal sabe como pode sonhar. Ou talvez tenha sido apenas um pensamento ruim, que tomou conta da minha cabeça e dos meus olhos.
     Não. Não era nada disso. Era real, só eu que não queria ver. Quando dizem que você deve proteger quem ama, eu não sabia ao certo que tipo de proteção o dizer se referia. Poderia ser a proteção dos sentimentos, ou seja, fazer de tudo para que a pessoa amada não sofra emocionalmente. Ou o tipo de proteção que eu fazia com a (seunome). Fazer de tudo para que ela não se machuque fisicamente, mas talvez eu tenha me esquecido da maior proteção de todas, que para mim, é o bem estar de todos os sentidos. O que eu quero dizer é que poderia protegê-la fisicamente e emocionalmente, mas será que um simples abraço seria melhor?
     O corpo dela estava lá, no meio da pista, pronto para ser atropelado mais uma vez quando algum carro em alta velocidade fizesse o retorno. Muitos curiosos olhavam espantados, enquanto poucos choravam. E eu? Perplexo, confuso, com o coração estraçalhado vendo o amor da minha vida caído, sangrando, sem reação e sem cor. Talvez fosse menos doloroso eu me matar e morrer junto dela, ao seu lado. Mas acho que ela não iria querer que eu fizesse isso. Se ela arriscou a sua vida para salvar a minha, o máximo que eu poderia fazer para agradecer era viver. Lógico que eu preferia que fosse eu no lugar dela, mas o fato já havia ocorrido, e o que eu poderia fazer agora além de me lamentar, era lutar pela sua sobrevivência.
     Levantei-me na calçada e corri até seu corpo imóvel. As lágrimas caíam sem controle dos meus olhos e eu não sabia o que seria de mim sem aquela garota. O carro que a atropelou fugiu e todos ali presentes acompanhavam meu desespero e cada detalhe dos meus atos, mas será que ninguém agia para me ajudar?
     - ALGUÉM CHAMA UMA AMBULÂNCIA?! – Gritei e parece que muitos ali, em volta, acordaram de um transe.
     - Deixa que eu ligo! – Uma garota que devia ter a mesma idade que a minha, loira, como a maioria ali, pegou o celular e em questão de segundos já havia dado todas as informações necessárias.
     - Obrigado. – Sussurrei quando a mesma se ajoelhou ao meu lado.
     - Não seria melhor tirar o corpo dela do meio da pista? – Ela sugeriu, mas eu neguei.
     - Podemos fazer com que ela perca muito sangue. – Respondi e a garota assentiu deitando a cabeça no meu ombro enquanto mirava o corpo. No momento imaginei o que a (seunome) diria ao ver essa cena. Algo como “bonito né senhor Chance” ou me olharia com uma cara que me faria rir. Não pude esconder um meio sorriso, mas logo ele se apagou quando meu coração respondeu o cérebro com uma pontada. As lágrimas começaram a cair cada vez mais, e parece que a garota percebeu que eu precisava ficar sozinho. Ela se levantou e deu uma batidinha no meu ombro, fazendo com que mais uma enchente de lágrimas caísse sobre o corpo da (seunome). Será que eu devia avisar o pessoal sobre o ocorrido? Não, eles ficariam nervosos, chorariam e ia piorar toda a situação. Mas era necessário que eu ligasse para meus pais, para que avisassem a (nomedasuamãe). Respirei fundo e tentei parar de soluçar. Peguei o telefone e disquei o número da minha mãe.

LIGAÇÃO ON

     - M-mãe? – Disse ao perceber que a pessoa do outro lado da linha havia atendido a ligação.
     - Greyson? O que aconteceu? Que voz é essa? – Ela perguntou preocupada e eu respirei fundo para não tentar passar desespero para ela.
     - Mãe, a (seunome) f-foi atropelada. – Disse e ao dizer a última palavra da frase, as lágrimas começaram a cair novamente, com muito mais força.
     - COMO ASSIM GREYSON? ATROPELADA? – Lisa perguntou desesperada e assenti, como se ela pudesse me ver.
     - ERA PARA EU ESTAR NO LUGAR DELA MÃE, EU! Ela me empurrou para que eu não fosse atropelado, mas ela não conseguiu sair a tempo e... AAAI QUE ÓDIO DE MIM! NÃO ERA PARA SER ELA! ERA PARA SER EU! EU! COMO EU SOU ID...
     - CALMA GREYSON! – Minha mãe gritou do outro lado da linha e eu parei de falar. – Eu vou avisar a mãe dela e se for possível, viajamos hoje para Autrália. Agora fica calmo! Vocês já estão no hospital?
     - Não, mas a ambulância está vindo. –Respondi e ela soltou um “ok, calma!” que parecia ser mais para ela do que para mim. – O pessoal já sabe?
     - Não, ainda não disse nada para eles. – Respondi e ela soltou o ar.
     - Então não diz nada, senão só vai piorar a situação. Quando chegar ao hospital, vê se você consegue dar entrada mesmo sendo menos de idade.
     - Claro né mãe. Mas olha, avisa logo a mãe da (seunome), e vem o mais rápido possível! – Disse e depois desliguei o telefone.

LIGAÇÃO OFF

     Todos olhavam ainda muito apavorados o corpo da (seunome) quando o barulho de uma sirene percorreu toda a orla da praia. A ambulância enfim havia chegado e logo alguns enfermeiros desceram dela com uma maca. Colocaram o corpo da (seunome) sem nem perguntar se ela era mesmo (lógico, ou teria mais alguém atropelado na rua?) e se dirigiram a mim.
     - Você é da família dela? – Um dos enfermeiros perguntou. Eu poderia dizer namorado? Ou apenas um amigo? Ou, pensando melhor, nem amigo eu estava sendo dando as costas para ela durante dias por algo bobo. O que eu diria?
     - Namorado. – Respondi com a maior segurança possível.
     - Tem alguém da família que mora perto? – O outro enfermeiro perguntou e eu neguei.
     - Não. A mãe dela mora em Los Angeles, estávamos passando as férias aqui.
     - E o responsável de vocês? Onde está? – Ele perguntou e meu coração acelerou de tal forma que comecei a gaguejar.
     - São meus pais, mas eles tiveram que voltar para Los Angeles anteontem, mas eu já avisei pra minha mãe e ela vai pegar o primeiro voo para cá. –Respondi e os dois assentiram.
     - Mas você é menor de idade, não pode dar entrada no hospital. – Um deles disse e minha vontade era de soca-lo naquele exato momento. Porr*! A (seunome) estava ali, perdendo sangue, podendo estar morrendo enquanto eles ficavam pedindo informações.
     - Olha, eu já dei entrada uma outra vez. Dinheiro não é problema, mas poderíamos ir logo? Ela pode estar morrendo! – Disse impaciente e eles assentiram. Entrei na ambulância junto com a (seunome) que recebia de um aparelho algum líquido transparente. “Deve ser soro.” Pensei e um dos enfermeiros se sentou ao meu lado, enquanto o outro ia junto com o motorista.
     Durante todo o caminho permaneci em silêncio observando (seunome). Até agora eu ainda não tinha acreditado no que ela fez por mim. Aquilo foi sem dúvida alguma a maior prova de amor que eu poderia receber. Depois disso percebi que fui um idiota e que eu deveria ter acreditado nela, mas o ódio me segou, e eu acabei não enxergando o quanto ela estava sofrendo. Agora? É tarde demais, e eu me sinto culpado por tudo isso. Se eu tivesse a escutado e tentado entender a desculpa, aquilo não teria acontecido. Estaríamos abraçados na praia vendo o sol se por. Mas infelizmente estamos dentro de uma ambulância enquanto peço a Deus para te ajudar a sair dessa.
     - Com licença, precisamos leva-la para a emergência. – O enfermeiro que veio junto do motorista disse ao abrir as duas portas traseiras para retirar a maca. Assenti e desci enquanto olhava tudo em volta.
     Quando retiraram a maca da ambulância, vieram duas enfermeiras para ajudar. Os quatro praticamente correram com a (seunome) e eu fui atrás.
     - Você não pode entrar. Ela vai passar por vários exames e talvez cirurgias. Você deve dar entrada no hospital e esperar o horário de visita. – Uma das enfermeiras disse e a raiva tomou conta do meu corpo. Qual era a desgraça do problema? Talvez fossem os últimos segundos que eu poderia vê-la com vida, e eles queriam tirar isso de mim? “Calma Greyson!” falei pra mim mesmo e fui até a recepção. Dei todas as informações necessárias e depois de insistir muito para a moça, ela aceitou.
     - Tá, tudo bem. Mas e só porque não há nenhum responsável na Austrália e porque a mãe da paciente vai chegar dentro de algumas horas! Agora por favor, aguarde ali. – Ela disse apontando para uma cadeira vazia no meio de tantas cheias. Fui em direção a ela e me sentei. Como todos sabem, sempre há um problema em todo lugar. Então você deve se distanciar dele o mais rápido possível. No meu caso? Três pirralhos que pareciam muito com os do avião que peguei para vir à Austrália.
     - Ei moço! – Um deles disse me cutucando. Olhei e ele virou o rosto, como se ele não soubesse de nada. Respirei fundo.
     - EI! AQUI! – Outro, mas do outro lado me chamou e quando me virei pra ele, o mesmo me deu um beijo. Sabe o que foi pior? Não era uma pirralha, e sim um pirralho. Olhei para ele sério e passei a mão na boca, como se quisesse limpá-la. Senti algo na minha nuca e quando coloquei a mão para tirar, percebi que uma terceira criança havia colado um chiclete. Tirei, e ao invés de coloca-lo na lixeira, colei no rosto do pirralho que começou a chorar. Levantei-me dali antes que algum pai de dois metros e 50 cm de músculo no braço aparecesse.
     Fui andando pelo hospital e achei vários casos. De pessoas com doenças internas como algum problema no fígado ou coração, até pessoas que sofreram acidentes de moto ou carro. Outras estavam com algum membro engessado e poucas com algum hematoma muito feio no rosto. A cada segundo meu coração acelerava ao ver tantos casos horríveis, mas de repente meu celular tocou o que fez uma das enfermeiras, que cuidava que uma moça com as duas pernas enfaixadas, me mandar tirar o toque do celular. Assenti, e fui para fora do hospital, pois aquele ar já estava começando a me fazer mal.

LIGAÇÃO ON

     - Alô? – Atendi.
     - Greyson, é a Alli! Onde você tá? Onde a (seunome) está? Vocês não apareceram em casa até agora e... – Alli dizia atropelando as próprias palavras.
     - Estamos no hospital. – Respondi e como esperado, Alli começou a gritar.
     - O QUE ACONTECEU? – Ela perguntou e minha vontade foi de inventar qualquer coisa para que eles não ficassem preocupados, mas eles tinham o direito de saber a verdade.
     - A (seunome) foi atropelada. Por minha culpa. – Disse e as lágrimas novamente começaram a rolar pelo meu rosto.
     - CARALHO!  – Ela disse depois de um breve silêncio. – COMO ASSIM ATROPELADA? – Ao dizer isso, ouvi muitas pessoas no fundo dizer “como assim?”, “o que houve?”, “ALGUÉM PODE ME EXPLICAR COMO?” ou algo do tipo. – SILENCIO CARALHO! EU QUERO OUVIR O GREYSON!
     - Olha Alli, vem para aquele hospital onde tem duas árvores na frente. Sabe qual é? – Perguntei esperando um “sim”. Eu não fazia ideia do endereço nem do nome do hospital. Eu estava acostumado visitar hospitais em Los Angeles, não na Austrália.
     - MAS TODOS OS HOSPITAIS TÊM DUAS ÁRVORES NA FRENTE! – Ela disse ainda gritando.
     - DARIA PRA PARAR DE GRITAR E FALAR QUE NEM GENTE? – Gritei de volta já irritado.
     - NÃO DÁ PORRA NENHUMA! VOCÊ DIZ QUE A MINHA AMIGA FOI ATROPELADA E QUER QUE EU FIQUE CALMA? VOCÊ NÃO TÁ VENDO COMO EU TO NERVOSA? NÃO ERA PARA EU ESTAR FALANDO NENHUM PALAVRÃO, PORQUE AGORA EU VOU TER QUE PAGAR UM DÓLAR POR CADA PALAVRÃO QUE EU DISSE. PAGAR PRA QUEM? PRO CODY! E VOCÊ NÃO DIZ QUAL É A PORRA DO HOSPITAL QUE A (seunome) ESTÁ! – Ela desabafou e eu bufei.
     - TÁ ALLI! – Disse e olhei em volta procurando algum ponto de referência. – Ah, é o hospital que tem um prédio laranja do lado.
     - VOCÊ ACHA QUE EU VOU GRAVAR A PORRA DA COR DA PORRA DE UM PRÉDIO? ME DIZ O NOME CACETE! – Ela gritou mais alto ainda e eu respirei fundo pra não desligar o telefone na cara dela.
     - Eu não sei o nome. – Falei pausadamente e ela bufou.
     - ENTÃO PERGUNTA A PORRA DO NOME NA PORRA DA RECEPÇÃO CARALHO! MAS ANDA LOGO! – Ela gritou novamente e eu respirei fundo tentando me acalmar.
     - Você não sabe o tamanho que está a fila, e eu estou do lado de fora e até chegar lá dentro é minutos porque esse hospital é gigante e eu quase me perdi nele quando vim pra fora.
     - Ah, por que não falou antes? É o (nomedealgumhospital). Tamoinopraí! – Ela juntou as palavras e depois desligou.

LIGAÇÃO OFF

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     - Então ela te salvou. – Alli concluiu após uma longa conversa na lanchonete do hospital. Assenti secando poucas lágrimas que rolavam pelo meu rosto. Os outros também estavam com os olhos inchados.
     - Cara, eu sabia que ia acontecer algo ruim! Eu disse pra ela que eu estava com um mau pressentimento. – Jane disse secando algumas lágrimas em um guardanapo. Michael aproveitou o momento e a abraçou, tentado confortá-la, e parece que ela nem ligou pra isso.
     - Calma Jane. Ela vai ficar bem! – Jones tentou tranquiliza-la e ela se desvencilhou de Michael para abraçar Jones.
     - É Janezinha. Fica calma, porque não é tão difícil alguém que foi atropelado sair vivo. Quer dizer, não é fácil sair vivo, mas também não é impossível. – Michael disse e todos o encararam.
     - Nossa, Michael! Você nos confortou mesmo. – Brad foi irônico e todos riram. Mentira. Ninguém conseguia rir ali, mas todos conseguiram dar um meio sorriso.
     Durante horas ficamos ali, sentados na mesma mesa calados. Depois entramos para saber notícias da (seunome), mas ela ainda estava passando por exames.
     - Greyson tem certeza que não quer ir pra casa, tomar banho e dormir um pouco? – Jane perguntou quando me viu tombar a cabeça pra trás. Eu havia cochilado.
     - Não, de jeito nenhum. Eu só saio daqui quando vê a (seunome) acordada! – Respondi decidido e ninguém ousou questionar.

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     - Greyson acorda!  - Alguém me sacudiu e eu dei um pulo da cadeira. Dei de cara com meus pais e a mãe da (seunome).
     - Mãe! – Disse a abraçando. Abracei meu pai, e cumprimentei a (nomedasuamãe).
     - Greyson, me conta detalhado, o que aconteceu? – Minha mãe disse se sentando. Sentei-me e o resto do pessoal fez o mesmo. Respirei fundo e comecei a contar tudo, nos mínimos detalhes. Contei sobre a briga que tivemos, mas não quis contar o motivo da briga. Contei que ela me procurou e contei sobre o atropelamento. – Uma heroína. – Minha mãe sussurrou quando acabei de explicar e todos ali presentes concordaram.
     - Filho vai pra casa, toma um banho, come alguma coisa... – Meu pai começou a falar, mas eu o interrompi.
     - Só quando me deixarem falar com a (seunome). – Respondi e a dona (nomedasuamãe) suspirou.
     - Greyson, isso leva tempo. É melhor fazer o que seu pai disse. Qualquer coisa ligamos dando notícias, e você volta pra cá. – Ela disse num tom calmo e eu me surpreendi. Se meu filho tivesse sido atropelado eu não sei o que faria, e a (nomedasuamãe) estava até controlada. Claro que ela já havia tomado vários calmantes, mas ela parecia segura, ao contrário de mim. É o certo. Nessas horas deve-se manter calmo.
     - Ok. Eu vou tomar um banho, comer alguma coisa, mas eu volto. – Disse me levantando. – Vocês vão? – Perguntei aos outros que estavam atirados na cadeira. Cody, Jones e Brad pareciam bem melhor do que Alli, Jane, Michael e Tom. Seus olhos ainda estavam muito inchados e eles estavam com uma cara péssima.
     - É melhor irmos também. – Jane disse se levantando. Os outros fizeram o mesmo e combinamos de todos irem lá pra casa quando se arrumarem para almoçar e depois voltar ao hospital. Dividimo-nos em dois grupos e pegamos dois táxis.

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     - Vocês querem ligar pra algum restaurante ou alguém se habilita a cozinhar? – Perguntei quando todos já haviam chegado.
     - Deixa que eu me viro. – Jane disse indo em direção à cozinha.
     - Eu vou ajuda-la. – Jones disse se levantando e fazendo Michael bufar.
     - E eu vou cuidar do que é meu. – Ele disse fazendo o mesmo caminho que Jones e Jane fizeram.
     - Então ele vai cuidar do Jones. – Brad disse e todos riram.
     Passada meia hora, já estavam todos comendo a macarronada que Jane fez, ou tentou fazer.
     - Nossa Jane, você como cozinheira é uma ótima cantora. – Alli disse fazendo todos rirem.
     - Você nunca me ouviu cantando. – Jane respondeu de boca cheia.
     - E nem vai querer ouvir, porque Alli... – Tom disse e todos riram.
     - Continua a frase Tom! – Jane disse apontando sua faca para Tom, mas antes que algum deles pudesse dizer uma palavra, meu celular tocou, e vi no visor “mãe”.

LIGAÇÃO ON

     - Mãe, o que houve? – Perguntei com medo de sua resposta.
     - Greyson, vocês já comeram? – Ela perguntou com uma voz trêmula, o que fez meu coração acelerar.
     - Estamos acabando de comer. Por que? O que houve com a (seunome)? – Perguntei já desesperado e ela respirou fundo.
     - É melhor conversarmos pessoalmente. Acaba de comer e vem pra cá, mas não fica nervoso! É pra ter calma! – Ela disse e interrompeu a chamada.

LIGAÇÃO OFF

     - O que houve Greyson? – Tom foi o primeiro a perguntar.
     - Gente, minha mãe tem notícias, mas não quis me falar. Ela disse que era melhor dizer quando chegarmos lá, mas também disse para comermos e termos calma. Eu to confuso! – Declarei enquanto todos me encaravam.
     - É melhor irmos logo. – Jones aconselhou e todos concordaram. Fui à frente e por sorte vinha um táxi. Dei sinal e ele parou.
     - Quem vai agora e quem espera o próximo? – Perguntei e todos se entreolharam até chegar a Michael, que estava com a travessa de macarrão na mão e o garfo na boca.
     - Que foi gente? To com fome! – Ele disse de boca cheia quando percebeu que todos o encaravam.
     - Greyson, vai você, Alli, Jane e Tom. Nós vamos no próximo. – Cody sugeriu e eu assenti. Entramos no táxi e eu pedi para que o motorista chegasse o mais rápido possível no hospital (nomedealgumhospital) que Alli havia dito ontem quando a mesma me ligou.
     - Não dá pra ir mais rápido? – Insisti depois de trinta minutos de viagem.
     - Não, está tudo engarrafado! – O taxista disse assim que buzinou.
     - Ai caralho! – Alli soltou baixinho e eu a encarei. – Não diz pro Cody! Já estou devendo demais pra ele. – Ela disse e eu dei um meio sorriso.
     - Ainda tá muito longe? – Perguntei a ela que balançou a cabeça negativamente. – Então vamos a pé mesmo. – Disse pegando cem dólares no bolso na calça. – Aqui, pode ficar com o troco. – Disse entregando ao motorista e em seguida, saí do táxi. Os outros fizeram o mesmo e fomos correndo até o hospital.
     - Eu nunca mais ando com você Greyson! – Jane declarou assim que chegamos ao hospital. Quando eu ia responder, avistei meus pais e a (nomedasuamãe) sentados em uma mesa da lanchonete. Fui até eles e eles me olharam abatidos.
     - O que houve? Como tá a (seunome)? – Perguntei e todos se entreolharam.
     - É melhor você sentar. – Minha mãe aconselhou e eu assenti. – Filho, a (seunome) está em coma. – Ela terminou de falar e foi como se uma bomba explodisse dentro de mim e acabasse com o que restara do meu coração. As lágrimas vieram à tona e todos ali voltaram a chorar, principalmente a (nomedasuamãe).
     - Eu preciso ver ela! – Disse me levantando, mas meu pai me puxou de volta.
     - Não dá Greyson. Já tentamos. – A (nomedasuamãe) disse e eu suspirei.
     - Sempre tem um jeito. – Disse e depois corri para dentro do hospital. Tom e Alli vieram atrás de mim, mas não me importei. Entrei no elevador e eles conseguiram passar pela porta quando ela estava se fechando.
     - Greyson, você pirou? Você pode piorar tudo! É melhor esperarmos o horário de visita! – Tom disse e Alli concordou.
     - Mas eu preciso vê-la agora! – Disse apertando qualquer andar. A porta do elevador se abriu e eu saí na frente. Os dois não disseram mais nada, só me seguiram. Andei por vários corredores procurando o CTI, pois se ela estava em coma, ela estaria lá. Não encontrei e voltei para o elevador. Apostei no segundo andar, e logo quando saí, dei de cara com uma sala que havia um segurança na porta. Olhei pelo vidro e pude ver vários pacientes ligados há vários aparelhos, e no canto, a (seunome). Meu coração disparou e corri até a porta, onde o segurança me barrou.
     - O horário de visita começa daqui a duas horas! – Ele disse e eu bufei.
     - Mas eu preciso entrar agora! – Disse impaciente, mas o segurança me colocou para trás.
     - É melhor você esperar, senão serei obrigado a te tirar de dentro do hospital. – Ele disse eu assenti. Virei-me e fui caminhando lentamente. Tom e Alli estavam parados em frente o elevador e ao me verem voltando, apertaram o botão para chamar o elevador. Olhei pelo canto do olho para o segurança, e sem medo de confrontá-lo, dei meia volta e corri em direção à porta. Não deu certo. O segurança me barrou mais uma vez e eu suspirei. Virei-me e fui em direção ao elevador, onde Alli e Tom me esperavam.
     - É melhor esperarmos. – Alli disse dando um tapinha de leve no meu ombro. Assenti e entrei no elevador. Ela apertou o número 1, e enfim chegamos onde o pessoal estava. Sentei-me sozinho em um banco, e quando Alli veio em minha direção, Tom se pôs na frente.
     - É melhor deixa-lo sozinho. – Ele disse e ela assentiu. Os dois se sentaram onde os outros conversavam nada entusiasmados e fiquei ali, pensando e pensando no que estava por vir.



AVISO: Hey enchancers, eu fiz a continuação correndo, hoje, antes de postar, então não sei se ficou tão bom. O capítulo 14 eu não faço ideia de quando vou postar, mas vou TENTAR encrever amanhã e postar quinta, mas não prometo nada. Peço desculpas pela falta de organização nos dias de postagens, mas eu estou ficando cada vez mais sem tempo. Agradeço a quem está comentando, lendo, virou membro e tudo mais. AAH, viram quantas visitinhas eu tenho? alcancei a meta, e eu devo tudo isso a vocês! Muito obrigado enchancers, é de coração. Comentem! Beijos da Mi. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Capítulo 13

Cap. 13 Alone

     Sabe quando parece que seu mundo desmoronou todo em cima das suas costas e você não tem força de vontade para tirar cada pedra? Exatamente assim que eu me senti durante a noite e um dia inteiro.
     - Menina, você tem que sair desse quarto. Você precisa conversar com ele e explicar tudo de novo. Uma hora ele vai acreditar em você. – Alli disse se sentando na beira da cama.
     Eu havia ido conversar com Greyson e Savannah no dia seguinte do acontecimento, no caso, ontem. Mas nem Savannah e muito menos Greyson quiseram me ouvir. Tentei novamente depois, mas não consegui chegar perto deles, pois estavam juntos, sentados na areia rindo de algo enquanto o sol se punha. Aquela cena havia estraçalhado o meu coração, e se aquilo fosse o que eu estava pensando, eu poderia me matar ali mesmo que seria menos doloroso.
     - Não dá Alli. Eu já te disse o que eu vi, e acho que se ele é mais feliz com ela, eu preciso engolir toda a angústia e deixa-lo viver da melhor maneira possível. Claro que eu queria muito que fosse eu sentada na areia ao lado dele, mas se eu fiz a burrada de beijar Cody, eu preciso pagar todo o preço. – Disse secando algumas lágrimas que rolavam no meu rosto.
     - Para com isso (seunome)! Você sabe muito bem quem ele ama de verdade, e você também sabe com quem ele é realmente feliz! Não só você, mas todos que o conhecem. Ele pode estar tentando esquecer você, por isso anda tanto com Savannah. Ou talvez eles estejam muito amigos porque aconteceu a “traição” com os dois. – Ela fez aspas com os dedos. – Quer dizer, assim como o Greyson, a Savannah ficou decepcionada, mas com o Cody. Além do mais, eles estavam começando a ficar, talvez tenha sido muito difícil para ela, por isso um se confortou com o outro. – Alli disse e eu suspirei.
     - É Alli, mas ele pode me amar o quanto for, mas até que eu prove que o beijo foi um acidente eles vão acabar se aproximando mais e mais, e daqui a pouco ela vai andar de mãos dadas com ele e vão se beijar. Olha Alli, ultimamente não há nada que me conforte, quer dizer, se o Greyson entender e me aceitar de volta eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo, mas enquanto isso não acontecer, nada vai adiantar. Então se você não se importar, eu quero ficar sozinha. – Disse me deitando, mas Alli nem se mexeu.
     - Você acha então que a melhor coisa a fazer é ficar hibernando aí na cama né? (Seunome), acorda pra vida! Greyson e Savannah estão aí fora, livres e desimpedidos e a qualquer momento eles podem começar a gostar um do outro, se já não tiver acontecido! E enquanto isso você fica esperando um milagre aqui, sem comer, beber, ir ao banheiro e sem querer conversar. A Jane, o Tom, o Michael, o Jones e o Brad estão aí na sala, querendo falar com você e a senhorita não quer nem vê-los. Se eles estão aqui, é porque te apoiam e querem te ver animada, igual antig... – Alli começou a falar, mas foi interrompida por uma batida na porta. A pessoa abriu a porta sem nem esperar uma resposta e logo vi que era Cody.
     - Posso falar com você (seunome)? – Cody perguntou e eu encarei Alli, que assentiu e se retirou.
     - Pode. – Sussurrei e ele se sentou no pé da cama.
     - Olha, eu sei que erramos e...
     - Foi um acidente Cody! Não foi de propósito. – O interrompi.
     - Tá, eu sei, mas a Alli tem razão, você tem que agir. Eu já cansei de pedir desculpas para a Savannah, e ela disse que está tudo bem, mas eu sei que não está. Eu não estou dizendo pra você partir pra outra, mas o Greyson não vai vir aqui ver como você está. Corre atrás dele, antes que seja tarde demais, e acaba logo com essa hibernação! – Ele disse o encarei perplexa. Como assim o Cody sabia confortar pessoas? – Caralh* (seunome)! Você é linda, jovem, divertida e está acabando com suas férias assim? Um dia, eu li em algum site uma frase que ajudou a minha irmã voltar a se divertir. Foi na época em que ela e o Greyson se separaram. Eu li que muitas pessoas existem, mas poucas vivem, e quando ela ouviu esse dizer, ela se levantou na hora e lavou o rosto. Daí ela mudou completamente e hoje nada a abala. Você vai mesmo existir enquanto o Greyson vive por aí a fora? – Cody disse se levantando e indo em direção à porta.
     - Cody! – O chamei e ele se virou. – Obrigado. – Agradeci e ele sorriu me deixando sozinha no quarto de Alli. Respirei fundo, e quando eu estava pronta a encarar a realidade, Michael entrou correndo no quarto enquanto Jane dizia que era necessário bater antes de entrar. O resto do pessoal também entrou e Tom fechou a porta. Consegui dar um meio sorriso, mas meu coração ainda estava apertado.
     - Como você tá amiga? – Jane perguntou me dando um abraço apertado.
     - Na verdade, eu não sei. – Disse e vendo todos ali, me olhando preocupados, as lágrimas começaram a cair novamente, mas dessa vez de felicidade por ter tantos amigos verdadeiros.
     - Não viemos aqui para te dar lição de moral nenhuma, e muito menos repetir tudo que Alli disse pra você, mas sim para que você se sinta melhor e desabafe. – Tom disse e eu estiquei meus braços para abraça-lo. Ele sorriu e me abraçou forte, e ali eu pude deixar um pouco da minha angústia.
     - Gente, falem logo com ela porque eu quero ficar sozinha com a (seunome)! – Jane disse e eu ri. Todos vieram, me abraçaram e pediram para que eu saísse da cama o mais rápido possível, como já esperado. Depois, eles se retiraram ficando só eu e Jane. – Amiga, eu sei que você viu a Savannah e o Greyson juntos, mas não cai nessa. Eu consigo ver nos olhos dele que ele não gosta dela. Ao contrário de quando vocês estão juntos. Olha, você sabe muito bem que ele te ama, e você não pode deixa-lo sofrer. Pode parecer que não, mas ele está muito triste mesmo, e ele só vai ficar feliz estando com você outra vez! – Jane disse, mas eu a interrompi me sentando novamente na cama.
     - Mas Jane, ele não quer me ver nem pintada de ouro, quanto mais conversar comigo. – Eu disse e ela deu um meio sorriso.
     - (Seunome), ele não para de perguntar por você! Pelo menos pra mim. Antes de ontem, depois do acidente que houve entre você e o Cody ele perguntou pra onde você tinha ido e perguntou como você estava. Ontem de manhã, ele perguntou novamente como você estava, e antes de vir pra cá, ele me perguntou se eu ia vir visitar você. – Ela disse e eu não pude conter um enorme sorriso. Depois de tanto tempo sofrendo sem saber o que se passava com ele, receber a notícia que ele se importa com você é muito melhor que receber qualquer recompensa.
     - Jura Jane? – Perguntei mais animada.
     - E eu mentiria sobre uma coisa dessas pra você? – Ela disse colocando a mão na cintura e eu sorri.
     - Eu vou falar com ele. Hoje ele vai me perdoar e tudo vai voltar a ser como antes! – Eu disse me levantando e correndo para o banheiro.
     - É assim que se fala amiga! – Jane vibrou. – Te espero lá em baixo. – Me avisou e saiu do quarto.
     “Otimismo sempre!” sussurrei pra mim mesma e sorri. Entrei no banho, lavei a cabeça, me arrumei e depois de cinquenta minutos eu estava pronta para esclarecer tudo, de uma vez por todas.  Desci as escadas sorrindo e todos me aplaudiram, fazendo me sentir melhor. Agradeci a todos pelo apoio, e enquanto todos foram para a casa de Greyson, eu fui em direção a praia, onde Cody disse que Greyson e Savannah estavam.
     - Depois nos vemos amiga, calma! – Disse abraçando Jane que tinha lágrimas nos olhos.
     - Ai, não sei (seuapelido), eu to com um mau pressentimento. – Ela disse apertando forte o local onde se encontra o coração.
     - Calma Jane, eu só vou me desculpar com o Greyson, não vou ser sequestrada. – Tentei tranquiliza-la, mas a mesma só deu um meio sorriso e assentiu.
     - Ok, te vejo depois. – Ela disse me abraçando novamente, mas com muito mais força. Sorri e acenei para os outros que esperavam Jane. Ela foi se distanciando e meu coração começou a acelerar. Virei-me sentindo à praia e fui caminhando pela calçada atrás de Greyson e Savannah.
     Hoje a rua parecia estar mais movimentada, e os carros passavam em alta velocidade. A praia também estava cheia, o que dificultou encontrar quem eu procurava, mas depois de alguns minutos encontrei os dois sentados na areia com os pés na água. Respirei fundo e não foi preciso eu ir até eles, pois quando Greyson me avistou, levantou-se e veio em minha direção, acompanhado de Savannah.
     - Eu queria falar com vocês. – Disse quando eles se aproximaram. Nenhum dos dois disse uma palavra, então respirei fundo e me concentrei para não dar um soco em Savannah por ela estar de mãos dadas com o Greyson. – Eu sei que vocês devem estar cansados de ouvir a mesma história, mas eu só vou repeti-la porque é a história verdadeira. Mas antes de qualquer coisa, Greyson eu queria te dizer que não estou te obrigando a voltar pra mim, mas se você me perdoasse, eu já seria muito honrada. Eu sei que vocês estão juntos, e eu não posso fazer nada contra isso, portanto se você for feliz, eu já me sinto bem. – Disse e os dois continuaram em silêncio. Aquilo estava me matando por dentro. Por que nenhum deles dizia algo? – Olha, foi tudo um acidente, eu tropecei e acabei caindo em cima de Cody e foi... – Fui interrompida.
     - Olha, se você veio aqui só pra dizer isso, pode dando meia volta e... – Savannah começou a falar, mas Greyson a interrompeu.
     - A deixa falar, ela tem esse direito. – Greyson disse e dei um meio sorriso.
     - Eu peço de todo o coração que vocês me desculpem. Não foi a minha intenção, nem do Cody. Foi um acidente, que provocou em um erro, pois não devíamos ter deixado a confusão se prolongar até hoje. Eu queria pedir desculpas, em meu nome e no nome dele, e espero que vocês entendam como nós estamos sofrendo por isso.
     - Não. – Greyson disse secamente e eu o encarei. – Eu ainda não acredito nessa história. Você pode inventar qualquer coisa, mas eu tinha razão sobre ele querer algo além da amizade.
     - Greyson! Se nós quiséssemos você acha que teríamos vindo até vocês tantas vezes pedir desculpas? – Perguntei perplexa.
     - Talvez. Vocês podem estar planejando tudo pelas nossas costas, para quando nós perdoarmos vocês, os dois terem algo para rir. – Ele disse e eu não estava o reconhecendo.
     - Você acha mesmo que eu teria coragem de fazer isso? Você me conhece tão bem quanto eu te conheço, e eu sei que você sabe que isso é mentira. Eu nunca faria isso, nem com quem eu mais odiasse no mundo. Eu não sou esse tipo de pessoa Greyson! – Disse e fechei os olhos e depois os abri, enquanto respirava fundo. – Eu quero saber de você, da sua boca, olhando em seus olhos. Você vai deixar tudo que passamos ser jogado fora tão rapidamente? – Perguntei e sua expressão mudou. Ele encarou o chão, e há esta hora, meus olhos eram preenchidos de lágrimas.
     - Não, mas você deveria ter pensado antes de fazer aquilo. Você não acha que está cobrando muito de mim? Cobrando demais o meu perdão quando não há desculpas razoáveis para o problema? – Ele disse e meu rosto começou a receber as lágrimas que caíam rapidamente.
     - O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA PRA PROVAR QUE FOI TUDO UM ACIDENTE? – Elevei a voz sem nem perceber, e ele suspirou.
     - Você deveria saber. – Ele disse e a cada segundo, eu estava mais confusa.
     - VOCÊ TAMBÉM ESTÁ COBRANDO DEMAIS DE MIM. VOCÊ NÃO SABE COMO EU ESTOU SOFRENDO, E AINDA QUER QUE EU DESVENDE ENÍGMAS? – Respirei fundo e abaixei o tom de voz. – Eu pensei que o meu amor já era o suficiente pra provar. – Disse e olhei em volta. Vários curiosos nos observavam, e Savannah comprava uma água no quiosque. Greyson também viu as pessoas que faziam uma roda em volta de nós, e ao perceber isso, ele começou a andar em direção a pista.
     - Desculpa, mas eu não consigo te perdoar. – Ele disse enquanto andava de costas. Através de uma enxurrada de lágrimas vi algumas caírem de seu rosto, e ele parecia muito abatido. Ele me olhou pela última vez e foi andando enquanto secava seu rosto. Fiquei acompanhando seus movimentos enquanto meu coração era dilacerado, mas algo fez com que aquela dor toda passasse, e eu me preocupasse com apenas uma coisa.
     Um carro alto, preto em alta velocidade cruzou a pista, e ao contrário de mim, Greyson parecia não prestar a atenção. “GREYSON!” Pensei em gritar, mas seria tarde demais. Tudo o que havíamos passado juntos em questões de milésimos passou diante dos meus olhos, e eu pude perceber que uma vida sem aquele garoto chamado Greyson Michael Chance não seria possível. Uma coisa seria viver longe dele, mas sabendo que ele era feliz. Outra bem diferente seria viver em um mundo que ele não existisse. Valeria a pena? Não tive dúvidas, e sem arrependimento pelo que eu estava prestes a fazer, corri e o empurrei o mais longe possível, fazendo-o cair na calçada. Enxerguei seu rosto coberto de pavor e ouvi alguém me gritar ao longe. Aquele rosto amedrontado foi sumindo aos poucos, como os sons também. Já estava tudo preto e daí em diante, eu não senti absolutamente nada.

CONTINUA...

AVISO: Hey enchancers, gostaram do capítulo? Ele não acabou aqui, ele vai ter uma continuação que eu irei postar terça! É, eu sei que vocês devem estar querendo me matar por parar na melhor parte, mas eu sou muito legal e fofa, então não matem a escritora, please! rs COMENTEM fofos, beijos da Mi, que ainda não morreu.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo 12

Cap. 12 Traição?

     - CUIDADO (seunome)! – Greyson gritou enquanto eu passava creme em suas costas. Suas costas, rosto e o resto do corpo todo foi o resultado de dois dias seguidos na praia sem protetor solar.

     - Se você tivesse me ouvido e passado protetor... – Disse sarcástica e ele gritou “AI!” quando dei um tapinha leve onde estava mais vermelho.
     - Mas você não me aconselhou a passar protetor. – Ele disse e eu me dei conta que era verdade.
     - Shh! – Fiz. – Finge que eu aconselhei! – Falei o fazendo rir. – Prontinho senhor Chance, agora a minha recompensa. – Sorri e ele me deu um selinho que me fez cair na cama, com ele em cima de mim.
     - CARACA! – Michael disse um pouco alto demais. – Tão cedo e vocês já se pegando? Espera pra noite. Se vocês quiserem, a gente deixa vocês sozinhos aqui, mas respeitem meus olhos e parem de assanhamento ao dia. – Michael desabafou e nós rimos. Greyson caiu deitado ao meu lado e sua reação não foi outra.
     - AAAAAAI! – Ele gritou e em menos de um segundo, o vi pulando igual um louco.
     - Vem cá. – Levantei-me da cama e o puxei em direção à porta. – Deve aliviar se colocarmos gelo onde está queimado. – Disse e ele suspirou.
     - Tomara. – Ele disse para si mesmo me fazendo rir. Chegamos à cozinha e Jane estava com uma compressa no rosto de Tom, que também estava parecendo um camarão. – Por que isso? – Perguntou Greyson se sentando no balcão enquanto me esperava com o gelo.
     - É pra amenizar a dor. – Tom disse e logo Jane o mandou fechar a boca.
     - Que dor? – Perguntei enquanto enrolava umas quatro pedras de gelo em um paninho.
     - Do sol ué. – Jane disse e ao mesmo tempo, eu e Greyson fizemos um “aé”. Terminei de enrolar as pedras de gelo e comecei a deslizá-las sobre suas costas. Cada vez mais ele ia chegando para frente, arrepiado.
     - Fica queto! – Disse e ele riu.
     - Não dá. Faz cócegas e ao mesmo tempo é muito gelado. Dá arrepios. – Ele disse se envergando cada vez mais para frente. Se alguém olhasse para ele agora, iria pensar que ele tinha um sério problema de lordose.
     - Os arrepios são o resultado que causo quando estou perto de você. – Fui sarcástica e todos riram.
     - Aé, a (seunome) tem muita sensualidade pra isso. – Jane foi irônica e eu passei o mesmo pano com as pedras de gelo que eu estava passando em Greyson, nas costas delas, já que a mesma estava de biquíni.
     - AAAI CACHORRA! – Ela disse correndo trás de mim.
     - Tá vendo? Também causo arrepios na Jane. – Disse e todos caíram na gargalhada. – Tá bom, agora vamos terminar o nosso serviço de enfermeiras. – Disse voltando para onde Greyson estava sentado, mas antes que eu pudesse voltar a passar o pano em suas costas, Jane soltou uma pedra de gelo dentro da minha roupa.
     - AAAAH. – Gritei tentando tirar a pedra. – Tira Greyson! RÁAAPIDO! – Pedi, quer dizer, ordenei. Ao contrário de Jane, eu estava de blusa, o que dificultou a retirada, mas enfim, depois de alguns segundos desesperadores Greyson finalmente tirou e eu taquei a mesma pedra de gelo em Jane, que abaixou e a fez cair no chão.
     - CADÊ A CACHORRA? – Michael gritou assim que apareceu na cozinha ofegante.
     - Ali. – Jane apontou pra mim e todos riram.
     - Palhaça! – Disse e continuei passando o pano nas costas de Greyson. - Ei Michael, pega mais gelo pra mim? – Perguntei e quando ele foi fazer o que pedi, o vi escorregando e caindo com tudo no chão.
     - QUEM DEIXOU ESSA PEDRA DE GELO NO CHÃO? - Ele perguntou irritado enquanto todos riam absurdamente alto.
     - Jane eu te falei para não largar pedras de gelo no chão porque alguém poderia escorregar. Viu o que aconteceu?! – Fui sarcástica fazendo Tom e Greyson rirem.
     - Então foi você Jane? – Michael perguntou enquanto se levantava.
     - Foi. – Tom mentiu e Greyson concordou. Michael fixou seus olhos verdes em Jane, e em três segundos, ele corria atrás dela que corria atrás de mim. Sai da cozinha, ainda com o pano na mão e abri a porta de entrada. Sai em disparada pela rua e pude ouvir Jane me xingar de vários nomes enquanto ria e fugia de Michael. Por pura sorte, Alli estava entrando em casa quando passei em frente onde ela morava e sem nem cumprimenta-la, entrei e fui para qualquer direção, enquanto Michael ia atrás de Jane que ia atrás de mim. Avistei a piscina e a única coisa que pude pensar foi pular. O único probleminha disso tudo foi que Cody e Savannah estavam lá, e bem... havíamos acabado de estragar um encontro deles.
     - O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – Cody gritou assim que chegou à superfície, já que eu havia pulado em cima dele.
     - Viemos convidar vocês para uma... festa. É isso. Estão convidados, tchau. – Dei qualquer desculpa e me sentei na borda da piscina para sair, mas Jane me empurrou de volta. – AAAAI CARAMBA! – Gritei assim que engoli no mínimo três litros d’água.
     - Que festa? – Savannah perguntou confusa.
     - A festa que vai ter lá na casa do Greyson às 08h00min. – Jane mentiu enquanto Michael concordava com ela.
     - Ei, o que houve? Por que vocês entraram correndo? – Alli perguntou assim que nos achou.
     - Por causa da festa. – Michael disse e eu concordei.
     - É, às 8h30min, ok? Espero vocês lá, tchau! – Disse saindo da piscina.
     - Mas não era às 8h00min? – Cody perguntou e eu assenti.
     - Foi o que eu disse. – Respondi sem graça.
     - Sei... mas vencá, precisava nos convidar assim? Não podia vir aqui normalmente ou enviar um torpedo? – Cody perguntou e ficamos surpresos por ele acreditar na nossa história.
     - Porque nós queremos que tudo que fizermos seja especial e marcante. Isso foi marcante não foi? – Michael disse e Jane o encarou com um olhar de “não tinha uma desculpa melhor não?”.
     - Se foi marcante. Se vocês acharem três marcas vermelhas aqui é pouco, porque a (seunome) é meio...
     - Olha o que você vai falar senhor Simpson! – Disse cruzando os braços e ele riu.
     - Adorável. – Ele disse e depois deu um sorriso meio torto. – Agora, se vocês quiserem podem ficar aqui na piscina...
     - Eu já tomei banho de piscina demais por hoje. Vejo vocês na balada. – Disse me virando de costas e acenando com o braço.
     - Não era festa? – Alli perguntou e eu me virei confusa.
     - Exatamente. Agora tchau! – Disse e sai correndo para fora. Jane e Michael me seguiram e nós rimos de tudo que havia acontecido.
     - Você é péssima em atuação. – Jane disse enquanto caminhávamos para casa.
     - Desculpa aí gênio. – Fui irônica e Michael riu. – Mimi querido, me leva nas costas? – Perguntei e ele parou de rir me olhando com uma cara de “tá brincando, né?”. – Aproveita e leva a Jane também.
     - Eu sou uma pessoa, não um guindaste. – Ele disse e nós rimos. Com mais alguns minutos de caminhada, finalmente chegamos ao nosso destino e o carro que Lisa e Scott haviam alugado estava parado em frente, com o pisca alerta ligado. Ao lado com algumas malas, e o pessoal estava todo reunido no hall de entrada.
     - O que houve? – Perguntei a Greyson.
     - Meus pais vão ter que ir embora. Minha mãe quer visitar minha tia que está no CTI e meu pai está enrolado lá no trabalho. – Ele me respondeu e eu assenti.
     - A Alexa e o Tanner também vão? – Perguntei e Greyson balançou a cabeça positivamente.
     - Minha mãe nos deixou ficar aqui até dia 11. Ela já falou com os pais de todos e eles concordaram. – Ele disse e eu dei um meio sorriso. Me despedi do pessoal e eles partiram rumo o aeroporto.
     - O que eles tão fazendo aqui? – Michael perguntou apontando para dois meninos que vinham em nossa direção.
      - Sossega hein Michael. – Jane disse dando um tapinha de leve em seu ombro.
     - Oi povo. – Brad disse cumprimentando todos.
     - Por que vocês vieram? – Michael perguntou emburrado fazendo Jane o lançar um olhar de reprovação.
     - Eu quero falar com a Jane. – Jones disse indo na direção dela. O cumprimentamos enquanto Michael lançava, a cada um, um olhar maligno. Depois de um interrogatório completo de Michael, entramos e logo Jones e Jane foram para a cozinha enquanto o resto do pessoal conversava com Brad.
     - Como vai sua vó? – Perguntei depois que o assunto já tinha morrido.
     - Cada vez mais velha. – Ele disse e nos entreolhamos.
     - Que coisa... diferente de se dizer. – Tom disse tentando não parecer grosso.
     - Fala logo que é uma coisa horrorosa pra se dizer. – Michael disse e eu dei um chute nele.
     - Michael, não sou eu que estou afim da Jane, é o Jones. – Brad disse, e pela sua expressão, ele queria ver Michael irritado. Concordei com Brad e Michael bufou.
     - Vou atrás da minha Jane. – Ele disse se levantado.
     - A Jane é sua? – Fui sarcástica.
     - É! – Ele gritou me deixando perplexa.
     - Tá bom, desculpa. – Disse e depois cai no riso com o pessoal.
     - Não seria melhor alguém ir antes que o Michael cometa um assassinato? – Tom disse fazendo todos rirem. Levantamo-nos e fomos em direção à cozinha. Por sorte, Michael ainda não havia enxergado a frigideira em cima da bancada e a tacado em Jones, mas se eu o conheço bem, ele poderia fazer isso a qualquer momento.
     - Brad e Jones, vocês querem vir pra festa que vai ter a noite? – Jane perguntou para quebrar o gelo.
     - Jane! – Michael sussurrou ao se lembrar que não ia ter festa nenhuma.
     - Na verdade é só uma social. – Disse enquanto Greyson e Tom me olhavam confusos. – Tá, a verdade é que nós entramos na casa da Alli, e para fugir da sanguinária da Jane, eu pulei na piscina e estraguei o encontro do Cody com a Savannah. Mas pra não chateá-los, falei que ia ter uma festa aqui, mas teremos que fazer alguma coisa pelo menos, então se vocês quiserem vir... Só não pode falar pra eles que não estava combinado. – Disse e eles assentiram.


                                                            ----------------------

     - Ual, que festa legal (seunome). – Cody foi irônico e eu ri.

     - É uma social Cody. – Disse e fechei a porta quando Alli e Savannah já haviam entrado. – Alugamos um filme, tem batata-frita, pipoca e mini pizza. Tem coisa melhor? – Perguntei e eles riram.
     - Tá vendo Alli. Eu disse que não precisava você usar um salto do tamanho do meu braço pra vir. – Savannah disse e Alli suspirou.
     - Mas então, que filme vocês alugaram? – Ela perguntou se sentando no sofá ao lado de Tom.
     - A hora do pesadelo. – Ele respondeu e Cody riu.
     - Esse nem é tão assustador assim. – Ele disse se sentando no chão, com as costas apoiada no sofá.
     - Se você diz... – Repeti a mesma frase de alguns dias atrás, enquanto me sentava ao lado de Cody.
     - Deve ser verdade. – Greyson completou se sentado ao meu lado. – Você vai ver, ele vai dar um chilique na hora de dormir. – Ele sussurrou no meu ouvido e eu ri. Jane deu play e Jones trouxe as comidas. Ela se sentou entre os dois ruivos no sofá, e Alli ao lado de Tom que estava ao lado de Brad. Michael, que estava uma fera, sentou-se ao lado de Greyson e Savannah ao lado de Cody.
     Hora após horas, depois de muitos gritinhos de Jane e Alli, depois de muitos gritões meus, depois de vários ataques de medo de Cody e depois de vários chiliques de Michael por Jane apoiar a cabeça no ombro de Jones, o filme finalmente acabou, assim como a pipoca, a mini pizza e a batata-frita.
     - Vocês querem dormir aqui? – Perguntei e Alli aceitou logo de cara.
     - Por favorrrr! Quer dizer, só se o Cody dormir lá em casa, porque se ele for dormir aqui eu durmo lá. – Ela disse e todos riram.
     - Por mim tudo bem. – Jones disse e Michael bufou.
     - Calminho aí touro. – Disse batendo de leve na cabeça de Michael e todos riram.
     - Eu só preciso ligar pra minha mãe. – Savannah disse já pegando o celular e indo para um canto.
     - Mas os pais do Greyson deixaram? – Brad perguntou.
     - Eles voltaram pra Los Angeles hoje. A casa é nossa. – Greyson o respondeu.
     - Então eu fico. – Cody disse se atirando na poltrona.
     - Então eu vou-me. – Alli disse e eu fiz cena básica
     - NÃAAO AMIGA! FICAAA, POR FAVOR! Agente manda o Cody embora. – Eu disse e Cody protestou com um “EEI!” fazendo todos rirem. – Você vai poder dormir pertinho do Tom. – Sussurrei no ouvido dela que abriu um sorriso monstro.
     - Tá bom, eu fico. – Ela disse e Jane deu um pulo do sofá e a abraçou, assim como eu.
     - Minha mãe deixou. – Savannah disse dando alguns pulinhos de alegria.
     - Então, o que vocês querem fazer agora? – Perguntei e todos se entreolharam.

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     - QUEM FOI QUE DEU A IDÉIA DE FAZER LASANHA? – Gritei assim que a lasanha explodiu. É, ela explodiu. Inacreditável, mas de alguma maneira, nove pessoas conseguiram explodir uma lasanha, e olha que uma delas já havia feito uma deliciosa antes.
     - Minha. – Greyson disse rindo e eu joguei uma fatia de queijo nele. – EEEI! – Ele disse e em seguida, atirou uma fatia de presunto, mas antes que ela pudesse me atingir, abaixei e ela bateu no rosto de Cody.
     - Então é assim? – Ele perguntou e em seguida pegou uma maçã, que havia na fruteira e tacou em Greyson, que desviou e acabou batendo em Savannah. – Desculpa Sa... – Cody poderia terminar de falar, se não fosse outra fatia de presunto golpear seu rosto.
     - EU DECLARO INICIADA A GUERRA DE COMIDA! – Brad gritou e, ao meio de tantas risadas, cada um de nós levou um banho de molho, queijo, presunto e etc. Poderíamos ser servidos em um restaurante qualquer.
     Passado aproximadamente quarenta minutos, todos já estavam exaustos e já era de madrugada.
     - Eu preciso de um banho. – Declarei após a guerra.
     - Vou em casa tomar banho, depois eu volto. – Brad disse já indo em direção a porta. Jones o seguiu e assim desapareceram. Cody, Alli e Savannah fizeram o mesmo e já que só estávamos nós cinco em casa, não houve uma fila grande para usar o banheiro, pois agora havia mais liberados.
     Passada uma hora, já estavam todos reunidos na suíte onde estávamos acostumados dormir.
     - Vão dormir todos aqui? – Jane perguntou enquanto olhava um monte de “sem-teto” sentados em colchões no chão.
     - Podemos fazer assim: Dorme Jane, Alli, Greyson, Michael, Tom, Savannah, Brad e Jones aqui, enquanto o Cody dorme na outra suíte, já que ele disse que o filme não era tão assustador. – Disse e todos concordaram, menos é claro Cody.
     - Mas eu prefiro ficar em grupo, sabe como é, aproveitar os momentos com meus amigos e... – O interrompi.
     - Tá bom, você não está com medo. – Fui irônica e todos riram.
     - Vamos dormir todos aqui mesmo. – Jane disse e eu concordei. – Mas como vamos nos dividir?
     - Jane, Alli e Savannah dormem na cama, eu e Greyson em um colchão de solteiro, Michael e Cody no outro e Brad e Jones no outro. – Falei e alguns me olharam de cara feia.
     - E eu? – Tom perguntou me fazendo ficar perplexa.
     - A casa do cachorro. – Michael disse me fazendo lembrar do dia em que chegamos. Rimos do comentário dele, e acabou que Tom buscou outro colchão de solteiro e Alli inventou uma desculpa qualquer para dormir junto dele.
     - Posso apagar as luzes Cody? – Fui sarcástica fazendo todos rirem.
     - HÁ-HÁ-HÁ. – Ele riu ironicamente. – Claro que p... – Cody começou a falar, mas antes que ele pudesse terminar de falar, as luzes se apagaram. – Não dava para eu terminar de falar não? – Ele perguntou, mas assim como eu, todos estavam perplexos.
     - Não fui eu que desliguei as luzes. – Disse e todos se entreolharam no meio ao breu. – Greyson, faltou luz? – Perguntei esperando um “não”.
     - Parece que sim, o pior é que não tem gerador. – Greyson disse e eu suspirei.
     - Tá muito quente pra dormir sem ar-condicionado. – Resmunguei.
     - Por que não vamos lá pra casa? – Cody deu a ideia e todos o olharam com uma cara de “sério?”.
     - Cody seu demente, se faltou aqui, faltou lá também né. – Alli disse e todos riram.
     - Greyson, tem lanterna em algum canto? – Jane perguntou enquanto tentava andar pelo quarto. O único problema foi que eu e ela batemos de frente, e ela caiu por cima de Michael, enquanto eu caí em cima de Cody.
     - Cody, sai de cima de mim. E tira sua mão da minha bunda! – Michael disse fazendo todos rirem.
     - Desculpa, eu estou com a mão, eu acho. – Disse tirando rapidamente minha mão de algo.
     - Eu estou do seu lado Michael, eu não estou em cima de você. – Cody disse impaciente enquanto eu saía de cima dele.
     - Desculpa Mimi. – Jane se desculpou enquanto se sentava na beira do colchão.
     - Gente, vamos atrás de vela ou lanterna? – Greyson disse se levantando. Ele pegou o celular e foi iluminando o caminho. Eu, Savannah, Alli, Tom e Cody o seguimos pela casa.
     - Gente, cadê vocês? – Cody perguntava a cada cinco segundos.
     - Parece que alguém está com medo do filme. – Alli foi irônica e todos riram.
     - Olha, se eu não me engano tem uma lanterna no quarto onde a Alexa estava, e tem vela na cozinha. Vamos nos separar pra pegar as coisas. – Greyson sugeriu.
     - Vamos eu, Alli, Savannah e Greyson para a cozinha enquanto Cody vai no quarto da Alexa. – Disse e todos concordaram, menos Cody que deu um chilique básico.
     - AAAH NÃO! (Seunome), já que você parece ser tão corajosa, vem comigo pegar a lanterna enquanto o resto do pessoal pega as velas. – Ele disse e eu suspirei.
     - Crianças. – Sussurrei e o guiei para o quarto de Alexa. – Calma aí garoto, é por aqui. – Disse quando Cody quase me atropelou quando ouviu um barulho. Depois de pouco tempo, havíamos chegado no quarto certo, e procurávamos a lanterna. – Achou Cody?
     - Ainda não. Ó, me espera hein. Não sai na frente não! – Ele disse me fazendo rir.
     - (Seunome)! – Ouvi Greyson me gritar.
     - ESTOU NO QUARTO DA ALEXA! – Gritei de volta. – Ah, achei! – Disse quando finalmente achei o que tanto procurava.
     - Cadê você? – Cody perguntou e logo ouvi um barulho muito alto, como se algo tivesse batido em um objeto de madeira. – AI MEU ROSTO ANGELICAL! – Ele gritou e eu ri.
     - Que rosto angelical que você tem? – Perguntei e ele soltou uma risada irônica.
     - Eu bati o rosto muito forte. Tá doendo e você fica rindo aí. – Ele disse e eu ri mais ainda. – Liga a lanterna inteligente! – Ele disse e eu soltei um “aé”.
     - Que droga! Tá sem pilha! – Disse e ele bufou. – Pera aí, cadê você? – Perguntei indo em qualquer direção, até que tropecei em algo e pelo que pareceu, acabei derrubando Cody que caiu na cama, e eu em cima dele. A queda fora tão grande que pude sentir meu nariz roçar no dele, e sem que eu pudesse me levantar, senti meus lábios tocarem nos dele. Em algum lugar, o barulho de passos iam aumentando, até que uma luz forte surgiu, e sem saber o que estava acontecendo, levantei-me e dei de cara com um Greyson perplexo e atrás dele, duas meninas espantadas e um garoto chocado. A luz havia voltado e uma angústia percorreu todo o meu corpo.
     - E-eu posso explicar. – Disse, mas parei de falar quando vi duas lágrimas percorrem o rosto de Greyson. Savannah também chorava e Alli permanecia assustada, assim como Tom.
     - Não precisa. – Ele disse dando meia volta e saindo do quarto.
     - Savannah, eu... – Cody começou a falar, mas ela o interrompeu.
     - Pensei que você fosse diferente. – Ela sussurrou e, assim como Greyson, saiu do quarto.
     - Eu sei que vocês não fizeram por mal, mas acho que devem explicações a eles. – Alli disse e eu assenti. Sai do quarto e fui rumo ao outro onde estava o pessoal. Abri a porta e todos me encararam sérios como se já soubessem o que ocorrera. Savannah chorava sentada na cama enquanto Brad a tranquilizava. Fechei a porta e desci as escadas à procura de Greyson. Ouvi um barulho abafado e segui o som, até chegar ao lavabo, do andar de baixo. Vi Greyson com a cabeça baixa, apoiado na bancada da pia. Respirei fundo e toquei seu ombro.
     - Foi um acidente, eu nunca iria trair quem amo. – Disse, mas ele me olhou sério. Ele não parecia estar com ódio de mim, mas também não estava feliz em me ver.
     - Você poderia ter me falado que gostava dele. – Ele disse secando algumas das lágrimas que rolavam em seu rosto. – Parece que o meu ciúme não foi atoa. – Ele sussurrou e um nó se formou em minha garganta. As lágrimas começaram a rolar, mas tentei não perder o foco.
     - Eu não gosto dele Greyson! Eu gosto de você. Eu não sou tão baixa a ponto de trair alguém. – Eu disse me ajoelhando em frente a ele.
     - AÉ? ENTÃO POR QUE VOCÊS SE BEIJARAM? PORQUE QUERIAM RIR DA CARA DO IDIOTA AQUI. – Ele disse se levantando. Levantei-me também e o segui até a cozinha.
     - NÃO GREYSON, NÃO É NADA DISSO! – Disse um pouco alto demais enquanto as lágrimas caíam cada vez mais. – Ele bateu a cabeça em algum lugar, e quando fui ajuda-lo, eu tropecei e caí em cima dele, foi aí que você apareceu. – Tentei me explicar, mas Greyson riu sínico.
     - E seus lábios se tocaram porque quiseram. – Ele disse irônico e eu neguei com a cabeça.
     - Não Greyson! Foi pelo impacto! Eu nunca pensaria na vida em ficar com ele. Pra que eu iria trocar quem amo, que já me salvou tantas vezes? Trocar quem eu daria a minha vida por alguém que eu mal conheço? – Argumentei, mas ele nem se quer pareceu ouvir.
     - Eu queria acreditar em você, mas não consigo. – Foram suas últimas palavras até ele subir as escadas, ainda com seus olhos inchados. Sentei-me no sofá com as mãos no rosto, e senti alguém tocar meu ombro. Era Alli.
     - Eu preciso ter o Greyson perto de mim, amiga, eu preciso. – Disse chorando cada vez mais. Ela me abraçou e suspirou.
     - A melhor coisa a fazer agora é dormir até essa história esfriar um pouco. Ele precisa pensar, e não vai adiantar em nada você tentar convence-lo que foi um acidente há essa hora. – Ela disse e eu assenti. – Vamos dormir lá em casa, vai ser melhor. – Assenti e a segui, até sua casa.
     Quando alguém me disse que um relacionamento deveria ter brigas, eu imaginei brigas mais fáceis. Não que eu tenha beijado Cody de propósito, pois o meu amor por Greyson é muito maior do que qualquer capricho, mas aquilo era muito duro para mim. Alli tinha razão em que eu deveria fazer, mas durante toda noite, fui afogada em minhas próprias lágrimas enquanto Greyson percorria minha cabeça. Tudo o que já havíamos passado será que acabaria assim, tão fácil? E tudo que dizemos para o outro? E a nossa promessa que fizemos na praia? Será que havia se dissipado? Não fazia ideia, mas o que eu mais queria ali era alguém chamado Greyson Michael Chance, mais conhecido como o amor da minha vida.


AVISO: Desculpem algum erro ortográfico, porque eu ainda não li e nem quero ler, pois agora é exatamente 00h51min, e eu acabei de escrever o capítulo. Prometi pra Ju que eu ia postar logo pra ver se ela não morria, por isso postei tão cedo. Gente, queria pedir para que vocês lessem o imagine dela. É realmente muito bom, mas não é tão reconhecido. Aqui o link: imaginegrey-chance.blogspot.com, vocês não vão se arrepender de irem lá. Espero que gostem e COMENTEM! Beijos da Mi.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Capítulo 11

Cap. 11 Réveillon.

     - SAI DE CIMA DE MIM SUA ANTA DO NORDESTE! – Ouvi alguém e gritar, e por estar gritando, devia ser Jane. Abri meus olhos, sentei-me na cama e encarei Greyson, que dormia em um sono pesado. Não havia ninguém no quarto, então me levantei, olhei o relógio que marcava 9h45min e saí do quarto sem fazer barulho para não acordar Greyson. Não foi preciso andar muito e achei o motivo e a pessoa que gritou. Alexa e Tanner haviam chegado, e pelo que parecia, Tanner estava imobilizando Alexa.
     - Ah, oi (seunome). – Tanner saiu de cima da irmã e veio me cumprimentar. Levantei Alexa que me deu um abraço.
     - Vocês não iam chegar só lá pro dia 3? – Perguntei.
     - Sim, mas quisemos fazer uma surpresa. Não iríamos passar o ano novo longe da nossa família. – Alexa disse dando uma cotovelada em Tanner.
     - Ah... Então sejam bem-vindos. – Falei sendo o mais simpática possível e voltei para o quarto. Fui ao banheiro, escovei os dentes, dei um jeito no fuá chamado cabelo, troquei de roupa e desci. Scott e Lisa não estavam na sala, mas o resto do pessoal estava.
     - (Seunome), vamos pra praia? – Jane me perguntou quando me viu descendo.
     - De novo? – Perguntei sem animação nenhuma.
     - É isso ou vamos ficar olhando um para cara do outro. – Jane disse sem entusiasmo.
     - Que sorte de vocês então. Ficar olhando para o meu belo rosto. – Falei ironicamente fazendo todos rirem. – Vamos esperar o Greyson acordar, aí nós vamos.
     - Por que não acordamos ele? – Tom perguntou fazendo todos ali presentes, olhar uns para os outros com malicia.

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     - Uma coisa é ser acordado por derramarem um balde d’água em você, ou com uma buzina no ouvido, ou batendo a cabeça em algo. Mas é sacanagem ouvir duas buzinas, uma de cada lado, se levantar no pulo e bater a cabeça em uma mesinha que supostamente foi colocada na minha cama e ainda ser molhado. – Greyson disse enquanto caminhávamos para a praia, já com Cody, Alli, Brad e Jones.
     - Mas esse é o espírito de férias. – Michael disse levantando uma mão como se, com aquele movimento, ele fosse receber um dom dos deuses.
     - Uma vez eu combinei com meu tio para ele se vestir de policial e acordar o Jones dizendo que ele estava preso. Jones teve que ir ao psicólogo por meses. – Brad disse normalmente como se aquilo fosse a mesma coisa que mascar chiclete.
     - Ai meu Deus! – Cody disse pausadamente enquanto mirava em algum ponto. Olhamos tentando enxergar o que provocara tal reação à Cody, mas a única coisa que vimos foi uma menina de pele morena, mas não tão escura, e assim como os olhos, seus cabelos eram castanhos. Ela parecia uma índia. Realmente linda. Olhei para o lado querendo ver a cara de Cody, mas o enxerguei longe, na outra calçada.
     - CODY! – Gritei, mas ele fingiu não ouvir. Corri até ele e o puxei de volta à calçada em frente à praia. – Você gosta dela não é? – Perguntei indicando a menina, que nesta hora, estava com uma prancha de surf, olhando para o mar.
     - Sim, mas ela não sabe disso. Quer dizer, já nos falamos algumas vezes, mas nunca fomos amigos. – Ele disse enquanto acompanhávamos o resto da galera que andava em direção ao mar.
     - Qual é o nome dela? – Perguntei tirando meus chinelos e carregando-os na mão.
     - Savannah. – Ele disse baixo como se ela pudesse ouvir. Lembrei-me da personagem Savannah que havia no livro que eu estava lendo e não pude esconder a cara de espanto.
     - Mas você acha que ela gosta de você? Ou pelo menos quer ser sua amiga? – Perguntei para Cody que há essa hora, já estava pálido de nervosismo.
     - Não faço ideia. – Ele respondeu respirando fundo.
     - Se você quiser eu posso te ajudar e... – Comecei a falar, mas antes que eu pudesse terminar ele já havia me pego no colo e comemorado dizendo mil obrigados enquanto pulava.
     - PeloamordeDeus! – Juntei as palavras. – Me solta doido!
     -Ei, que isso? – Greyson perguntou a me ver praticamente abraçada com Cody.
     - Chegou o ciumento. – Cody disse ironicamente enquanto me colocava no chão. – Não é nada de mais ok? Somos amigos e a (seunome) vai me ajudar com a Savannah.
     - Quem é Savannah? – Greyson perguntou enquanto me abraçava de lado.
     - Ela. – Apontei para a morena que agora, já estava na beira da água.
     - Linda. – Ele disse para si mesmo e eu o olhei com uma cara séria.
     - Espero que esteja falando de mim. – Disse o fazendo rir.
     - Claro meu amor. – Ele disse me dando um selinho.
     - Agora com licença que eu vou virar amiga da tal linda. – Falei o final da frase ironicamente fazendo os dois rirem. Caminhei até Savannah e tentei ser o mais simpática possível.
     - Oi, sou (seunome). – Disse apertando a mão de Savannah.
     - Sou Savannah. Você é americana mesmo? Porque seu nome é diferente. – Ela disse sorrindo.
     - Não, sou brasileira. – Respondi e ela arregalou os olhos.
     - Eu também! Quer dizer, mais ou menos. Meus pais são australianos, mas eu nasci no Brasil, e logo depois, minha família voltou pra cá. – Ela disse e eu sorri, tentando ser simpática.
     - Então... você surfa? – Perguntei apontando para a prancha.
     - Sim e você? – Ela respondeu parecendo animada.
     - Nem no videogame. – Respondi a fazendo rir.
     - Quer tentar? – Ela perguntou e em segundos, meu estômago embrulhou. Surfar? Naquela água fria? Naquele mar cheio de ondas fortes? Pela primeira vez sem antes praticar o equilíbrio? Tá né, tudo para ajudar Cody. Assenti e ela me puxou para o mar com um enorme sorriso. Ela me explicou tudo que eu deveria saber, e quando eu finalmente deitei na prancha  para esperar a onda vir, meus amigos correram até beira da água e ficaram me olhando surpresos, até mesmo Greyson. Mentira. Ele correu para onde eu estava enquanto dizia que eu podia me machucar. Eu disse que estava tudo bem e que sabia o que estava fazendo, mas pelo que eu o conheço, ele não ia sossegar. E foi o que aconteceu. Ele ficou na beira da água pronto para me salvar se preciso. Eu estava super tranquila, até ver uma onda que, segundo Savannah era pequena. Acho que ela mentiu, pois a onda tinha um pouco menos que dois metros. Respirei fundo e fiz tudo que ela me ensinara e o resultado foi um sucesso. Consegui ficar em pé na prancha até chegar à beira e fui aplaudida por todos, até mesmo Savannah.
     - Não sabia que você surfava. – Greyson disse me ajudando com a prancha.
     - Nem eu. – Respondi sorrindo. – Savannah, esse é Greyson, aquele Cody, Michael, Tom, Jane, Brad e Jones. Quer dizer, Jones e Brad. – Apresentei o pessoal enquanto ela dava um abraço em cada um.
     - Prazer, sou Savannah. – Ela disse o mais sorridente possível. – Eu já conhecia Cody. – Disse virada para mim o apontando. Olhei para ele e ergui as sobrancelhas, o fazendo rir nervoso.
     - Vamos ficar aqui mesmo ou vamos para água? – Alli quebrou o silêncio fazendo todos soltarem um “aé”. Entramos no mar e eu tentei ao máximo fazer Savannah ficar perto de Cody. Tanto é que eu passei praticamente o dia inteiro ao lado deles, fazendo Greyson ficar um pouquinho aborrecido. Pouquinho?
     - Eu vou parar de chamar o Cody pros lugares. – Greyson explodiu logo que chegamos em casa.
     - Eu estava o ajudando com a Savannah. Você não ajudaria um amigo? – Perguntei achando um absurdo tal reação.
     - E se ele não gostar da Savannah? E se ele esteja fazendo isso só pra ficar mais perto de você? – Ele disse me fazendo respirar fundo.
     - E se, e se... – Disse ironicamente. – E se nada Greyson. Ele é um amigo, e dá pra perceber como ele gosta da Savannah. Hoje eu só passei o dia com ele para tentar fazer com que ele chegasse nela. E devo dizer que foi um sucesso, pois se você não percebeu, na hora que sai de perto deles eu fui ficar com você, mas o senhor estava muito ocupado com a Alli. Mas eu me importei? Claro que não. Porque eu confio em você e confio nela também. Primeiramente vocês são meus amigos, depois vem o fato de nós estarmos juntos. Se você me ama, eu tenho que confiar em você, e não tem a desculpa de que eu deva desconfiar dela, pois ela parece ser um amor. – Esvaziei-me em palavras o fazendo ficar perplexo. Não ousei aumentar o tom de voz, pois não tinha motivo, mas a minha vontade era o deixar ali, sozinho.
     - É totalmente diferente. – Ele disse, mas antes que pudesse terminar eu o interrompi.
     - Aé? E qual é a diferença? Ah, deixe-me ver... Já sei, eu não posso encostar em nenhum garoto, mas você pode ter mil garotas em volta que eu não preciso ligar. Inclusive a psicopata da Lauren. – Fui irônica e deu para perceber que Greyson não estava tão calmo quanto antes. – Não há diferença Greyson. Não há! Eu estava ajudando um amigo, e você brincando com uma amiga. Diferente seria se vocês não fossem só amigos ou fossem ex-namorados quem sabe. – Falei e uma expressão de surpresa percorreu todo seu rosto. – O que foi? Vocês são ex-namorados? – Perguntei com medo da resposta. Ele me encarou e em seguida fixou seus olhos no chão.
     - Somos. – Ele disse me fazendo ficar perplexa.
     - Mas, p-por que não me contaram? – Perguntei tentado ser compreensiva.
     - Eu não vi motivo. Quer dizer, não estamos mais juntos, e eu gosto de você, não dela, então achei que não fosse necessário. Aliás, talvez isso pudesse virar uma barreira para a amizade de vocês. – Ele tentou se explicar, mas, mesmo sem motivo, eu fiquei magoada. Ou será que eu tinha motivo?
     - Eu não tenho o direito de ficar magoada, porque vocês não fizeram nada demais, mas teria custado eu saber desse pequeno detalhe? Sabendo que iríamos passar alguns dias aqui com ela, e ter virado tão minha amiga. – Falei segurando algumas lágrimas. Não sei bem porque eu estava chorando. Não poderia ser de raiva, porque sentir raiva do Greyson é impossível. Também não foi por medo de perdê-lo para uma ex, porque eu acredito que ele me ama, assim como o mesmo disse. E também não foram lágrimas de ódio da Alli, pois ela tem o direito de guardar isso para ela mesma. Talvez o relacionamento dos dois tenha sido um choque para ela, ou tenha ocorrido algo ruim, por isso não contou. Ou talvez ela tenha escondido para que a minha relação com Greyson não ficasse abalada. Seja como for, o que eu não tinha direito ali era de chorar.
     - Me desculpa pelo que eu disse sobre você e o Cody. Me desculpa por ser muito ciumento, e peço desculpas por não te contar sobre o meu antigo relacionamento com a Alli. – Ele disse enquanto me abraçava. Assenti e aproveitei para secar as lágrimas sem que ele pudesse ver.
     - Vou subir para tomar banho. Daqui a algumas horas é a virada do ano e eu não quero passar com cheiro de maresia e cheia de areia. – Falei enquanto separava meu corpo do dele. Ele levantou meu queixo e tentou olhar dentro dos meus olhos, mas desviei o olhar. Com certeza ele percebeu que não estava tudo bem, mas ele também sabe que não é bom insistir na mesma coisa por tanto tempo. Virei-me e subi as escadas, o deixando sozinho na sala. O resto do pessoal havia ido à casa dos ruivos para convencer a avó deles a passar o réveillon na praia com o resto do pessoal.
     Cheguei ao quarto e me atirei na cama. Minha cabeça matutava o verdadeiro motivo pelo qual nenhum dos dois havia me contado sobre o que houvera com eles há um tempo. Aliás, por quanto deve ter sido? E quando? Não sei, mas gostaria de saber. Levantei-me e entrei no banho. Eu não queria ficar me martirizando por isso, e o que eu poderia fazer de melhor era esquecer essa história. Entrei no banho e em quarenta minutos saí. Coloquei um vestido branco, bem estilo praia, uma rasteirinha com alguns brilhinhos e a mesma pulseira de ouro que usei no Natal. Coloquei um pequeno brinco preso à orelha e um brilhinho no segundo furo.  Não quis fazer nenhuma maquiagem, aliás, eu sempre odiei maquiagem, e só passava com extrema necessidade. Para mim, o mais bonito é o natural, e isso também servia para as joias. Joias demais nos deixam muito repugnante, assim como a maquiagem. Parece que você só é bonita com a ajuda deles, o que é a pura mentira. Meus cabelos foram presos em uma trança bem simples, que na ponta, carregava um elástico da cor do meu cabelo, para não chamar muita atenção. Olhei-me uma última vez no espelho e peguei o livro que estava lendo, “Dear John” (Querido John na tradução) e desci as escadas. O resto do pessoal já estava reunido na sala e não fui recebida de outra maneira a não ser com elogios.
     - Você está linda. – Greyson disse me fazendo dar um sorriso de lado. Com ou sem motivo, eu não podia fingir que estava tudo bem.
     - Ela é linda. – Tom corrigiu Greyson que lhe enviou um olhar severo.
     - Que coincidência. Eu também me acho linda. – Falei pra descontrair e acabar com o clima ruim entre os dois. Deu certo. Eles riram e eu me senti segura para me sentar junto a eles.
     - Vou me arrumar, já que ninguém se meche. – Jane disse se levantando. Fiquei parada onde estava e parece que ela leu meus pensamentos. – (Seunome), me ajuda a escolher uma roupa? – Ela disse e eu a agradeci com os olhos. A segui e chegando ao quarto ela pode me fazer mil perguntas. – O que houve com você?
     - Jane, o Greyson e a Alli são ex-namorados. – Falei em um tom baixo, mas alto o suficiente para que ela ouvisse.
     - CA-RA-LH*! – Ela soltou um palavrão e sua expressão era igual a minha quando soube. – Lembra quando ela ia falar algo e parou e não quis continuar? – Jane disse e eu me lembrei. Realmente, no dia em que nos conhecemos ela ia falar mais alguma história, mas não quis continuar. Insistimos, mas ela não cedeu, e depois esquecemos completamente.
     - Devia ser sobre isso. – Disse e ela concordou.
     - Mas como você está reagindo a isso? – Ela perguntou e eu dei de ombros.
     - Não sei como devo reagir. Não posso ficar magoada, pois não rolou nada entre eles desde que eu e Greyson começamos a namorar. Mas também não posso fingir que está tudo indo a mil maravilhas, porque é mentira. – Eu disse e ela me abraçou.
     - Você ama o Greyson? – Ela perguntou e minha reação foi de surpresa.
     - Mas que pergunta Jane. Claro que sim! – Respondi me desvencilhado de seus braços.
     - Você gosta da Alli? – Ela perguntou parecendo não ter se importado com a minha resposta.
     - Claro. Ela é uma ótima amiga. – Respondi e Jane sorriu.
     - Então você não sabe de nada. Finge que você nunca soube, porque, pelo que você disse, não precisa se preocupar com isso já que não rolou nada entre os dois desde que vocês estão juntos. E eles te amam, então, mesmo se o passado quiser voltar à tona, eles vão saber fazer o que é melhor para todos. – Ela me confortou e eu sorri de volta. Assenti e me levantei com outro ânimo, bem diferente do que eu estava há alguns minutos. – Então, já sabe que roupa vai usar?
     - Não faço ideia. – Ela me respondeu abrindo uma gaveta da cômoda. Havíamos posto nossas coisas no guarda-roupa e na cômoda, enquanto os meninos deixaram suas roupas nas bolsas mesmo.
     - Jane, você está tentando fazer ciúmes em Michael com o Jones? – Perguntei e ela soltou um sorriso de orelha a orelha.
     - Aham. Você acha que está funcionando? – Ela perguntou animada me fazendo rir.
     - Funcionando? O Mimi tá fervendo de ciúmes. – Eu disse a deixando nas nuvens.
     - Sabe (seunome), acho que nunca gostei realmente do Greyson. – Ela disse me surpreendendo.
     - Como assim? Você falava dele 23h59min do dia! – Disse a fazendo rir.
     - Eu sei, mas com o Michael é diferente sabe? Acho que eu dizia gostar do Greyson mais por ele ser o bambambã da escola depois do Greg, e ter mil meninas caindo aos seus pés. Acho que foi tudo...
     - Fogo de palha. - Completei a fazendo rir e depois concordar.
     - Exatamente. Algo muito diferente do que sinto pelo Michael. Com ele me sinto confortável, feliz, amada. Nós brigamos bastante, mas quem se ama sempre briga, e no final, acaba sempre em abraços, que, da minha parte pelo menos, é carinhoso. Acho que isso...
     - É amor. – Completei novamente e ela fez uma careta.
     - Sai daqui Mãe Diná. – Ela disse me fazendo rir. – Mas é exatamente isso. Todos os relacionamentos muito perfeitinhos, calminhos, que só tem love acaba sempre em traição. – Ela disse me fazendo perceber como o meu relacionamento com o Greyson era muito perfeitinho. Fiquei com medo, afinal, o que ela disse era verdade. Mas não quis esquentar a cabeça com isso, aliás, estávamos junto há um mês ou menos, seria pedir demais que brigássemos entre esse período de tempo.
     - Tá, mas agora se arruma logo que ainda tem um bando de gente na fila, só esperando você. – Disse puxando um short e uma blusa branca que achei na pilha de roupas dentro da gaveta. – Veste isso aqui e mate o Michael com tanta beleza. – Eu disse a fazendo rir e depois desci para a sala.
     - Ela já tá pronta? – Tom perguntou perplexo me fazendo rir.
     - Não. Vai entrar no banho só agora. – Disse fazendo todos soltarem um “ahh” sem nenhuma animação.
     - O que vocês estavam fazendo lá então? Plantando pedra na horta? – Michael disse me fazendo soltar um “ã?” bem óbvio.
     - Não tem horta lá em cima. – Greyson disse o óbvio.
     - Nem se planta pedra. – Tom disse o óbvio do óbvio do filho do neto do padrinho do vizinho do primo da prima do outro vizinho de mais um primo do primo do avô do irmão do tio do óbvio.
     - Jura Tom? Acho que se você não falasse isso, eu nunca iria saber. – Fui irônica fazendo todos rirem. – Me deu até sede saber desse fato que só os sábios sabiam. Nem mesmo Shakespeare sabia disso. – Fui irônica mais uma vez e logo depois fui até a cozinha beber água.
     - Está tudo bem (seunome)? – Tom perguntou assim que eu enchi o copo d’água e encostei meus lábios. Claro que eu engasguei e quase cuspi tudo nele, mas eu não sou má a tal ponto.
     - Ah, claro. Por que não estaria? – Falei sem jeito e pude perceber que ele não acreditou. Falei com olhos e dei um meio sorriso desanimado e ele assentiu.
     - Você sabe que pode contar comigo pra tudo não é? – Ele disse me abraçando. Aproveitei aquele abraço para me confortar e assenti, sorrindo verdadeiramente.
     - Mais do que qualquer pessoa. – Respondi ainda no abraço e Greyson apareceu na porta.
     - Cof, cof. – Greyson tossiu de propósito fazendo Tom me soltar para ver quem era.
     - Já estava de saída. – Ele disse saindo da cozinha e me deixando a sós com Greyson.
     - Qual o problema agora? – Perguntei com calma enquanto colocava o copo da pia.
     - Por que você acha que tem problema? – Ele perguntou se sentando no balcão.
     - Você não fingiria uma tosse para me fazer soltar Tom. Ainda mais você que é ciumento ao extremo. – Falei me virando ficando de frente para ele, só que mais baixa devido a altura do balcão.
     - Acertou novamente. Eu não gosto quando você...
     - Greyson, por favor. Ele é meu amigo, na verdade, meu melhor amigo. Conheço ele há uns oito anos, bem antes de conhecer você. Ele mais do que ninguém merece um abraço saudável, porque nem eu e muito menos ele pensa em segundas intenções. – O interrompi.
     - Sei lá ué. Talvez depois do que ocorreu no natal, vocês tenham começado a mudar de ideia a respeito disso. – Ele disse e eu não estava acreditando em tais absurdos que o tal garoto perfeito dizia.
     - Greyson! Já discutimos isso. Estávamos bêbados e chegamos a conclusão que não rolou nada entre a gente. – Falei tentando ser o mais calma possível.
     - Esse pode ser a sua cabeça, mas você não sabe a dele. – Ele disse e eu percebi que aquela discussão não ia levar a lugar algum, e que se eu passasse mais cinco segundos ali, eu começaria a elevar a voz.
     - Não Greyson. Essa é a sua cabeça. A sua cabeça que pensa que meus amigos querem muito mais que amizade. A sua cabeça pensa que eu deva usar algemas com você para nem sequer olhar para a roupa de algum garoto. A sua cabeça pensa que é normal você agir assim com tudo. Porque daqui a pouco, quando eu der um beijo na Jane você vai sentir ciúmes. Ciúme demais é doença Greyson, e eu não quero que te ver doente por coisas tão bobas. – Falei e em seguida sai segurando algumas lágrimas de angústia. Topei com Tom que simplesmente não disse nada, apenas me abraçou apertado, percebendo é claro que eu não estava legal.
     - (Seunome)! – Ouvi Greyson me chamar e em seguida me separei de Tom dando de cara com Greyson.
     - Depois Greyson. – Disse e sai da casa, sem saber aonde ir e o que fazer. Apenas quis sair dali, para não piorar o que já estava ruim.
     Passos atrás de passos, metros seguidos de centímetros e pela ironia do destino, encontrei Cody.
     - Por que você está chorando? – Ele perguntou assim que me viu.
     - Problemas com o Greyson. – Respondi me sentando em um banco enquanto Cody fazia o mesmo.
     - Você se sente a vontade se me contar? – Ele perguntou e eu suspirei.
     - Promete não comentar nada disso com ninguém? – Perguntei e ele sorriu.
     - Prometo. – Ele disse e eu assenti.
     - Primeiramente o Greyson ficou com ciúmes, dizendo que eu estava muito grudada com você. Depois acabei descobrindo que ele e a Alli namoraram. Ei, você sabia disso? – Perguntei e Cody balançou a cabeça positivamente. Suspirei. – Isso não importa tanto. Não há essa altura do campeonato. Bom... Continuando. Nós tivemos uma pequena discussão e depois de um tempo, quando voltei para onde ele estava, eu fiquei a sós com Tom na cozinha e nós nos abraçamos. Mas isso é natural, ainda mais com um melhor amigo. E eu conheço Tom há tanto tempo que se eu dissesse que ele era a pessoa mais importante da minha vida, não seria nada estranho. Bem... Nos abraçamos e Greyson viu e deu um escândalo praticamente. Disse que talvez eu e Tom pudéssemos querer algo amais que amizade, e eu conclui que Greyson está ficando cada vez mais enciumado. E você deve saber que ciúmes demais é doença. – Terminei de falar e Cody mordeu os lábios.
     - Lhe agradeço pela ajuda, mas peço desculpas por causar essa confusão toda. – Ele se desculpou, mas balancei a negativamente.
     - Você não me deve desculpas Cody. – Disse o fazendo sorrir aliviado.
     - Quando Greyson namorou a Alli ele não era ciumento. Não me lembro pelo menos. – Ele disse e percebi que aquela era a oportunidade de eu saber toda a história dos dois.
     - Quando eles namoraram? Por quanto tempo? Por que terminaram? – Fiz várias perguntas, mas Cody nem sequer soltou um meio sorriso.
     - Eu não sou a melhor pessoa para te contar isso. Na verdade, eu não sou a pessoa certa, mas ela é. – Cody apontou para algum ponto na escuridão e, pela roupa branca da pessoa que estava chegando, eu pude enxergar uma menina loira de olhos brilhantes. Era Alli.
     - Finalmente te achei seu bode. Você viu o que você fez com o banh... oi (seunome)! – Alli foi falando com Cody, mas parou para me cumprimentar. – Por que esses olhos vermelhos?
     - Ela estava chorando Alli. – Cody disse e Alli logo se sentou ao meu lado. – Vou deixar vocês a sós. Cody saiu e ela me olhou confusa. Respirei fundo e contei, com mínimos detalhes, tudo que havia ocorrido entre mim e o Greyson.
     - Eu sinto muito não ter te contado sobre... – Alli começou a falar, mas a interrompi.
     - Não precisa se desculpar. Isso não importa mais. – Eu disse e ela me abraçou. Forte.
     - Imagino que você queira saber sobre como foi meu relacionamento com o Greyson certo? – Ela disse e eu assenti, enquanto secavas algumas lágrimas.
     - Começamos a namorar há dois anos, quando fui para Los Angeles, nas férias de verão. Mas antes, ele costumava vir aqui na Austrália, já que seus pais eram amigos dos meus e ele era, e é até hoje, eu acho, melhor amigo de Cody. Depois que voltei para cá, ainda ficamos namorando por mais meio ano, até que apareceu a Lauren. Ela no início parecia legal, mas comecei a perceber como ela estava acabando com o meu relacionamento com o Greyson aos poucos. Conversei com ele, e decidimos terminar, antes que aquilo tudo acabasse nos prejudicando de alguma forma. A partir daí, viramos grandes amigos, e nunca ligamos para o fato de termos nos apaixonados antes. – Ela terminou de falar e apenas uma lágrima caiu de seu olho esquerdo. Uma única lágrima que foi logo secada, por mim. A abracei forte e ali me confortei em seus braços. – Mesmo ele estando muito ciumento ultimamente, não faça com que vocês passem a virada do ano sem se falarem. A virada tem que ser um momento mágico, e eu entendo o lado dele, assim como o seu. – Ela disse depois que me abraçou. – Nós terminamos, mas ainda dava para perceber que não queríamos exatamente aquilo. Durante todo o nosso namoro, ele sempre foi muito carinhoso, compreensível e alegre, animado. Acho que toda essa ciumeira é pelo fato do nosso relacionamento acabar como acabou. Tenho certeza que ele está com medo de te perder, por isso tal comportamento. Mas (seunome), você deve superar todas essas barreiras se o ama realmente. Você assim como eu sabe que ele merece todo o nosso esforço para que ele seja feliz. Ele sempre se preocupou tanto com todos... está na hora de nos preocuparmos com ele. – Ela disse e assenti sorrindo e secando as últimas lágrimas que caíram do meu rosto. A minha vontade era perguntar se ela ainda gostava dele, mas seria constrangedor para ela. Então decidi esperar e o tempo, se fosse generoso comigo, iria responder. – E além do mais, você não vai querer dar o gostinho da Lauren o ver solteiro, ou vai? – Ela disse me fazendo rir.
     - Mas eles não já namoraram? – Perguntei e Alli balançou a cabeça negativamente soltando uma risada fraca.
     - Ficaram por um tempo, mas foi numa época em que a Lauren estava sofrendo. O porque do sofrimento eu não sei, mas tenho quase certeza de que Greyson ficou com ela por pena, não amor. Ao contrário de você. Dá para ver nos olhos dele como ele é louco por você, menina. – Ela disse dando uma leve cotovelada em mim e me fazendo corar.
     - Mas então, já está pronta? Quer ir lá pra casa? – Perguntei me levantando animada a fazendo rir.
     - É melhor que ficar sozinha com o Cody. – Ela disse e eu soltei uma risada muito estranha, que a fez rir. – O Tom está lá? – Ela perguntou quase num sussurro.
     - Está sim, por que? – Perguntei já percebendo uma segunda intenção na pergunta da minha amiga. – Vai me dizer que você gosta dele? – Meu tom de voz aumentou e minha animação também.
     - SHH! – Fez Alli. – Fala baixo menina! É, eu gosto dele, mas só um pouquinho. – Ela disse e eu a encarei. – Tá bom, muito. Mas isso morre aqui! – Ela disse quando finalmente chegamos no hall de entrada. Abri a porta e encontrei Jane, Michael e Cody em um sofá, conversando, enquanto Greyson estava sentado em um degrau da escada, sozinho, e sua expressão não era a das melhores.
     - É melhor você ir falar com ele. – Alli disse percebendo meus olhos fixos nele.  Assenti e fui em direção a ele, enquanto ela se juntou aos outros.
     - Eu posso falar com você? – Perguntei em um tom baixo enquanto me sentava ao lado dele.
     - Eu também queria falar com você. – Ele disse se virando para mim, e assim, pude ver seus olhos inchados e vermelhos. – Eu queria me desculpar por ser tão ciumento e arrogante. Eu não deveria ter dito nada daquilo. O Tom e o Cody são seus amigos e você tem todo o direito de abraça-los e tudo mais. E além do mais, eu não mando em você, não sou seu dono. A qualquer momento você pode querer terminar comigo, e o que eu vou fazer? Cuidar da sua vida enquanto eu não tenho nada haver com ela? Acho que isso é errado, e você tem razão em dizer que ciúme demais faz mal, é doença. – Ele disse e eu sorri. O abracei apertado e finalmente parecia que estava tudo bem entre nós.
     - Eu não queria passar a virada brigada com você. Não é legal brigar com quem você ama, mas alguém me disse que um relacionamento sem brigas não é um relacionamento verdadeiro. – Disse depois do abraço. Ele sorriu e acariciou meu rosto. Fui chegando acada vez mais perto dele, e em segundos nossas respirações viraram uma só. Ele fechou seus olhos e eu fiz o mesmo quando senti meus lábios nos dele. O beijo não foi duradouro. Na verdade, foi apenas um selinho, mas pude sentir que fora o mais intenso de todos. O mais verdadeiro. Terminei o beijo e encostei a cabeça em seu ombro, enquanto ele brincava com a minha trança. Ficamos assim, quietos, apenas aproveitando um ao outro no silêncio até todos ficarem pronto e enfim, irmos para a praia.
     Dez para a meia noite e estavam todos sentados em uma roda na areia. Os pais de Greyson, a avó de Jones e Brad e até mesmo Savannah fazia parte da roda, enquanto desconhecidos bebiam longe dali.
     - Agora que está perto da virada do ano, vamos fazer um jogo que eu sempre gostei de fazer. – Lisa começou a falar enquanto todos ouviam atentamente suas palavras. – Eu começo dizendo o que de melhor aconteceu na minha vida durante o ano de 2011, e também o de pior. Depois escolho outra pessoa para fazer o mesmo. Todos de acordo? – Ela perguntou e todos concordaram. – Então tá. O que me aconteceu de melhor foi a alegria de viver por mais um ano junto com minha família. E nada aconteceu de ruim, pois o que me aconteceria se tenho minha família ao meu lado? – Ela terminou de falar e todos a aplaudiram. – Agora você Alexa.
     - Xápensar. – Ela juntou as palavras. – O que me aconteceu de melhor foi, além de passar mais um ano com a minha família, tirar minha carteira de motorista. – Ela disse e todos riram. – E o pior foi ter que fazer a prova pra tirar a carteira cinco vezes. – Ela terminou de falar fazendo todos rirem novamente. – Vai pirralho.
     - Pirralho sou eu, prazer. – Greyson disse tirando a dúvida de muitos. – A melhor coisa que me aconteceu foi me apaixonar pela (seunome). – Ele disse e todos soltaram vários “awn” me fazendo corar. – E a pior coisa foi não ter a chance de me apaixonar por ela antes. Agora você! – Ele disse se virando para mim.
     - Ai senhor... ok. A pior coisa foi ter sofrido na mão do Greg, mas eu fui salva por uma das pessoas que mais amo no mundo, e ter a chance de abraça-la é a melhor coisa que me aconteceu esse ano. – Eu disse e como esperado, todos aplaudiram. Olhei para Jane que tinha lágrimas nos olhos, e não pude conter a emoção que poucas e simples palavras me traziam. Greyson me abraçou e ali eu me confortei em seus braços. – Agora a Alli.
     - A melhor coisa foi poder virar amiga de pessoas tão incríveis, e a pior foi ter que aturar sozinha meu irmão por dias. – Ela disse e todos riram do final de sua confissão.
     - Agora é a última pessoa Allison. Escolhe bem! – Lisa disse depois que olhou no relógio.
     - Ok. Vai Michael.
     - A pior coisa foi não poder ver meu pai tão presente na minha vida. E a melhor coisa foi achar uma nota de cinquenta dólares. – Ele disse e todos riram. Reparei a expressão de Jane que não era uma das melhores, mas logo ela mudou quando Michael voltou a falar. – Mentira. A melhor coisa foi poder viver mais um ano sendo, pelo menos, amigo de uma das pessoas que mais amo na vida. – Ele terminou de falar e todos, ao mesmo tempo, olharam para Jane que estava muito vermelha.
     - Agora vamos nos preparar para a virada, porque só faltam alguns minutos. – Scott anunciou e todos se levantaram. Os meninos pegaram cada um, uma garrafa de champanhe, esperando apenas a hora certa de abri-los.
     Todas as meninas, tirando Lisa e a avó dos ruivos, correram para a beira do mar, apenas molhando os pés. Ficamos um tempo conversando e de repente ouvimos a contagem regressiva.
     DEZ, NOVE, OITO, SETE, SEIS, CINCO, QUATRO, TRÊS, E DOIS E UMMMMM! Todos gritavam enlouquecidos e num piscar de olhos, estavam todos encharcados de champanhe. Cumprimentei as meninas e fui surpreendida por um banho de champanhe. Greyson pegou a garrafa e a virou em mim. Corri e pulei no mar, e o mesmo foi atrás. Mergulhamos e, de baixo d’água, demos um beijo salgado. Subimos até a superfície e todos comemoravam na água. Desejei feliz ano novo para o resto do pessoal, e quando fui até Tom e Cody, Greyson não reclamou, o que me deixou aliviada.
     - Quer champanhe? – Greyson me ofereceu e eu balancei a cabeça negativamente desesperada.
     - Depois daquele dia nunca mais. – Disse o fazendo rir. Aproveitamos o mar que agora era banhado de energia positiva de todos e muito champanhe.
     Passado uma hora, todos os jovens foram para areia, enquanto Brad e Jones faziam uma fogueira improvisada. Lisa, Scott e a avó dos ruivos já tinham ido para casa, e depois de conversarmos muito em volta na fogueira, os casais foram se sentando mais afastados dos outros. Eu e Greyson sentamos na beira do mar enquanto nossos pés, descalços, eram banhados pela água salgada do mar. Jane e Michael haviam ido para algum lugar bem longe dali, e ninguém os viu saindo. Cody convidou Savannah para dar um mergulho e depois, se sentaram num banco que havia na calçada. Alli tentou ficar a sós com Tom, mas por algum motivo ele não quis, e assim acabou ficando os dois e os ruivos em volta da fogueira rindo alto sobre alguma palhaçada que Brad, o mais animado ali, fazia.
     Deitei-me ao lado de Greyson na areia enquanto mirava a lua que enchia todos de luz. Esperei até uma nuvem tampá-la deixando a madrugada mais escura e me virei para Greyson. Ele não tirava seus olhos de mim, e eu não pude conter um dos meus melhores sorrisos.
     - Me promete uma coisa? – Ele perguntou enquanto eu ainda sorria.
     - Se estiver dentro dos meus limites, sim. – Respondi e ele continuou sério.
     - Promete que vai durar para sempre? – Ele perguntou e eu sorri.
     - Não. – Respondi e seu rosto tomou uma expressão confusa. – Eu prometo durar enquanto nós dois sejamos felizes. – Terminei de falar e pude ver que seus olhos brilhavam como nunca. A nuvem que cobria a lua finalmente tomou outro rumo e ali, à luz do luar, selei nossos lábios.

AVISO: Enchancers, desculpem algum erro ortográfico, ainda não tive tempo de ler, porque agora que quatro atividades minhas (ballet, jazz, sapateado e street dance)  voltaram, estou ficando cada vez mais sem tempo, e pra conseguir escrever os outros capítulos, eu estou deixando de ler os que já escrevi. Qualquer coisa repetida ou absurdamente errada me falem pelos comentários, e eu espero que gostem, e como sempre, comentem. Beijos da Mi =)