domingo, 18 de dezembro de 2011

Capítulo 6

Cap. 6 ”Eu te amo”.


     “Para de mexer nisso sua anta”, “Ei, não me chama assim Godzilla!”, “Pessoal, ela tem que descansar. Silêncio!”, “Psiu! Cala a boca namoradinho”, “Vai irritar sua avó, vai!”, “Vocês terão que se retirar. A paciente precisa de repouso”, “Já disse pra você soltar isso! Quer que ela morra?”, “Vamos logo” e em seguida o barulho da porta sendo fechada.
     Abri os olhos e dei de cara com uma grande parede branca com apenas uma porta de vidro no canto. Minha cabeça latejava como nunca e meus olhos lacrimejavam. Tentei sentar, mas não consegui. Senti algo pesado e desconfortável preso à minha perna direita. Puxei o lençol branco que me cobria para que eu pudesse ver. Era um gesso que ia desde o início do peito do meu pé até abaixo do meu joelho, e estava claro que alguém já havia escrito algo ali. Havia algumas mensagens, uma de cada cor, e mesmo longe, eu pude ler:



Agora além de moca e cega você também é perneta. Melhoras MCP!
Ei linda, melhora logo viu?! Amo-te, Tom.
Hey, estou torcendo por você! Quando iremos comer lasanha novamente? Beijos Grey. =)
Amiga, melhoras. Estou torcendo por ti linda! Amo-te demais e quero ver você bem outra vez. Beijos da sua linda e maravilhosa bff: Jane.

     Acabei de ler e não pude esconder o sorrido. Realmente eles eram ótimos amigos e eu só queria abraça-los agora, neste exato momento. Cobri minha perna novamente e reparei nos fios que estavam presos em mim. “Não acredito que vim parar no hospital, eu odeio hospitais. Sabe-se lá se alguém já faleceu nesta cama” pensei. Abri a boca para chamar alguém que pudesse me atender, mas não saiu voz nenhuma. Pigarreei e tentei novamente. Agora sim pude ouvir minha voz que estava extremamente chiada. Eu estava roca e tinha acabado de descobrir isso. Uma moça muito bonita deu uma corridinha até mim e já foi ajeitando os fios presos aos meus braços.

     - Você pode chamar meus amigos? – Perguntei enquanto tentava, discretamente, tirar os fios que ela acabara de ajeitar.
     - Todos eles de uma vez? – Ela perguntou e eu balancei a cabeça representando um sim. – Só um estante. – Ela se virou de costas e saiu do quarto de onde eu estava.
     Já havia se passado um tempo e eu já conseguia me mexer facilmente. Sentei na cama e olhei para os lados. Havia outros pacientes no mesmo quarto que eu, e eles pareciam exaustos. Um deles estava com os dois braços engessados e o pescoço enfaixado. Outro mais no canto havia o tronco todo coberto por um pano branco e o paciente a minha esquerda estava com o topo da cabeça e o braço direito enfaixado. Continuei olhando para todos eles que pareciam dormir até que Michael entrou gritando no quarto acordando todos eles.
     - VOCÊ ACORDOU!!! QUE BOM MCP, QUE COISA BOA! EU ESTAVA COMEÇANDO A FICAR DEPRIMIDO. – Michael gritou já me abraçando enquanto Jane, Tom e Greyson vinham também correndo para me abraçar. – Não mais deprimido que o Greyson, mas eu estava quase chorando, é sério!
     - MCP? – Perguntei rindo enquanto abraçava todos os outros que me diziam belas palavras a cada abraço.
     - Você não leu o gesso não? – Michael perguntou cruzando os braços e se escorando na beira da cama.
     - Ah tá! Entendi. – Disse sorrindo enquanto Jane não largava minha mão. – Gente, que horas são e que dia é hoje?
     - Hoje é 17 de dezembro e são exatamente 15h48min. – Tom me respondeu enquanto olhava o celular.
     - AH MEU DEUS! Eu dormi aqui no hospital desde ontem? O que aconteceu com você e o Mimi? E o Greg? E como me trouxeram? – Sai perguntando em todas as direções e Jane já veio me respondendo.
     - Amiga durante a briga você foi empurrada pelo Greg, caiu em cima da Lauren e quebrou o tornozelo. Então você desmaiou, deve ter sido porque todos fecharam uma roda em volta de você e seu nariz não parava de sangrar. – Coloquei a mão no nariz como se ainda pudesse sentir o sangue escorrer. Depois voltei com minha mão até o colchão e continuei ouvindo atenciosamente. – Então eu consegui chegar até você e Greyson te pegou no colo. Eu insisti para ele te levar até a enfermaria da escola, mas ele não me deu ouvidos e foi correndo com você até o ponto de táxi e te trouxe pra cá. – Ela disse enviando para Greyson um olhar de desaprovação. Ele estava com os olhos fixos em mim. Dei um sorriso sem mostrar os dentes e ele me devolveu outro. Voltei a encarar Jane e ela continuou explicando. – Avisei a diretora sobre o ocorrido e então o Greg, Mimi e Tom foram para a sala dela. Eles conseguiram se livrar – Jane disse apontando para Michael e Tom. – só que o Greg levou suspensão de três dias e quando voltar terá que ajudar na cozinha por um mês. – Ela parou de falar e parecia assustada com o castigo que a diretora havia dado à Greg.
     - Mas afinal o que vocês fizeram para se meterem com o Greg? – Perguntei à Michael e Tom.
     - Na verdade a culpa foi toda do Michael. – Tom começou a falar, mas foi interrompido por um “tinha que ser” de Jane. Todos riram e então ele continuou. –Nós já estávamos indo para a sala quando a toupeira do Michael inventou de ir dar uma cantada na Lauren. Só que, é óbvio que ela prefere a mim, então chamou o Mimi de qualquer um e se agarrou no braço do Greg que estava passando. Só que a toupeira aqui quis confrontar o cara mais forte da escola e eu fui ajudar é claro, por eu ser um bom amigo, então nós apanhamos juntos e o resto você já sabe.
     - Então tudo isso foi por causa da Lauren? – Perguntei perplexa. Todos assentiram e se entreolharam.- Gente, por que essas caras? – Perguntei novamente enquanto encarava principalmente Greyson que parecia o mais assustado dali.
     - É que... ér... – Greyson começou a falar, mas não conseguiu terminar, pois foi logo interrompido por Jane que praticamente gritou bem rápido uma frase que não deveria ser dita de tal maneira a alguém.
     - A LAUREN DISSE PRO GREG QUE VOCÊ A AMEAÇOU E ELE MARCOU COM TODA A MÁFIA DELE PARA TIRAR SATISFAÇÕES COM VOCÊ NO PRÓXIMO DIA QUE VOCÊ APARECER NA ESCOLA. – Jane gritou de olhos fechados e depois os abriu encarando o chão. Engoli á seco e depois olhei para Greyson que não parecia querer olhar em meus olhos.
     - É verdade Greyson? – Perguntei e ele assentiu. Fiquei perplexa. Eu nunca poderia imaginar de que o garoto que eu gostava há um tempo atrás, iria me espancar ou sei lá o que em breve, e tudo por causa de uma garota que é ex do garoto mais perfeito do mundo que havia praticamente salvado minha vida.
     - É melhor deixarmos você descansar. Daqui a pouco a enfermeira vai te dar alta e você deverá estar descansada. – Jane falou ainda olhando para o chão. Ela se levantou, passou pela porta e todos fizeram o mesmo, menos Greyson. Ele me olhou e parecia estar muito abatido. “Obrigado” sussurrei e ele deu um sorriso de canto de boca e se virou fechando a porta do quarto.
     “Isso não pode está acontecendo comigo” pensei. Virei de lado e fiquei encarando os outros pacientes que estavam à minha direita. “Eu não posso reclamar de nada, eles devem estar passando por algo muito pior do que estou passando” fiquei com esse pensamento martelando na minha cabeça, até que a enfermeira chegou e se sentou em um banquinho ao lado da minha cama.
     - Você se sente melhor? – Ela disse enquanto analisava uns papéis presos na prancheta que ela carregava. Com certeza neles haviam meus dados. Ela olhou para mim esperando minha resposta e eu balancei a cabeça no sentido de dizer sim. – Ótimo. Você sente alguma dor aqui? – Ela disse enquanto apertava meu joelho e meus dedos do pé direito onde começava e acabava o gesso. Fiz que não com a cabeça e então ela anotou algo em sua prancheta e se virou para mim sorrindo. – Você está de alta. Quando quiser já pode voltar para casa.
     - Agora, por favor.
     - Vou informar a quem está te acompanhando para que possa te ajudar a voltar para casa com todos os seus pertences. – Ela disse e se levantou indo em direção à porta.
     - Espere. Quem está me acompanhando? – Perguntei um pouco confusa. Será que minha mãe havia voltado de Seattle por minha culpa? Largar o trabalho por um pequeno acidente que havia acontecido por motivos bobos?  Não poderia ser. Eu me culparia para o resto da minha vida!
     - O garoto que acabou de sair, o Senhor... – Ela olhou para prancheta procurando o nome do tal acompanhante, até que finalmente achou.- Senhor Greyson Chance.
     - Mas o acompanhante não tem que ser maior de idade? – Perguntei ainda mais confusa.
     - Sim, mas aceitamos, pois ele foi a única pessoa que chegou com você e não dava mais para esperarmos ninguém pois seu estado era grave. Mas depois uma moça apareceu aqui dizendo ser sua tia, a senhora Virginia. – Ela disse novamente olhando para a prancheta. - A equipe da recepção perguntou a ela se nós podíamos trocar os nomes e colocar o dela, mas ela recusou, então acabou ficando o do jovem mesmo. Ele pagou tudo certinho e se encarregou de fazer tudo o que o acompanhante pode fazer. Ele passou a noite com você também, tadinho, não saiu nem para comer. Agora, se me der licença eu tenho que avisá-lo. – A enfermeira disse já se virando e saindo pela porta de vidro. Eu fiquei perplexa, chocada, assustada e tudo que tem direito. O Greyson, aquele garoto que até um tempo atrás eu odiava, que se quisesse não faria nada por mim. O garoto que eu conheci tão bem há tão pouco tempo estava sendo a pessoa mais importante para mim de um tempo pra cá. Não é qualquer pessoa que faria o que ele está fazendo por mim. Isso me deixou totalmente arrependida de ter o julgado tão mal sem nenhum motivo. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi uma batida na porta.
     - Com licença. Posso entrar? – Greyson disse só com a cabeça dentro da sala.
     - Claro que pode. – Respondi sorrindo. Eu queria mesmo falar com ele. Queria agradecer tudo que ele tinha feito por mim e me desculpar por ter o julgado tão mal durante anos.
     - A enfermeira me avisou que você está de alta. O resto do pessoal está lá em baixo na cantina. Você está pronta para voltar para casa? – Ele disse tentando ao máximo parecer alegre. Tadinho! Ele estava tão exausto por minha causa.
     - Sim. Só não estou pronta para encarar Greg, toda a máfia e a Lauren.
     - Não se preocupe com isso. Você tem amigos que te ajudarão. – Greyson disse enquanto vinha na minha direção e se apoiava na beira da cama. – Confie em mim.
     - Mais do que já confio? É impossível. – Eu disse o fazendo corar. Ele deu um sorriso de canto de boca e não disse nada, apenas ficou me olhando. – Greyson, eu queria agradecer por você ter feito tudo isso por mim... Eu não tenho palavras, sério.
     - Tudo isso o que? – Perguntou desmanchando o sorriso que brilhava em seu rosto.
     - Como tudo isso o que? Tudo Greyson, tudo! Você ter me trazido para o hospital, ter pagado todas as contas necessárias para me internar, ter se responsabilizado por mim enquanto minha própria tia não quis, resumindo: ter sido um grande amigo. – Fui falando enquanto ele me olhava um pouco assustado. Deixei uma lágrima escorrer pelo meu rosto, e logo a limpei. – Nós nos conhecemos há tão pouco tempo e você já fez tanta coisa por mim. Isso é muito para mim, eu não mereço tudo isso.
     - Mas é isso que um amigo faz pelo outro. Cuida dele como se fosse seu próprio irmão. E como assim você não merece tudo isso? Eu tenho certeza que você faria o mesmo por mim. – Greyson disse se sentando na minha cama e me olhando fixamente.
     - Sim, agora eu faria. Mas até um tempo atrás eu te interpretava mal e achava que você não era quem você realmente é hoje. Você é incrível! Você é um ótimo amigo, eu posso confirmar isso para quem for! Mas até você derramar café em mim eu não te ajudaria, em absolutamente nada. – Eu disse abaixo a cabeça. As lágrimas começaram a descer mais rapidamente e eu não conseguia olhar nos olhos castanhos dele. Como eu poderia falar que não gostava dele até um tempo atrás? Não gostar da pessoa me ajudou como ninguém, a não ser alguém da minha família, havia me ajudado antes? Senti a parte do colchão onde ele estava sentado ir levantando aos poucos. Ele havia se levantado e agora estava muito perto de mim. Ele tentava enxergar meu rosto, mas eu não conseguia olhar para ele. Senti meu queixo ser encostado pelos dedos dele e minha cabeça foi levantando lentamente por iniciativa dele. Encontrei seus olhos e eles estavam um pouco vermelhos. Ele foi secando minhas lágrimas pouco a pouco, e eu mal podia aguentar tudo aquilo. Ele estava sendo tão maravilhoso, que não pude me conter e abracei-o, muito forte.
     - Eu te amo. – Sussurrei no meio do abraço. Eu pude sentir a respiração dele bater em meu pescoço e algo havia pingado no meu ombro. Ele estava chorando. Inacreditável!
     - Idem. – Ele também sussurrou. Neste instante eu o apertei ainda mais forte e depois o soltei. Estávamos muito próximos e nossa respiração estava se misturando. Os olhos dele estavam há menos de 5 cm dos meus, igual a sua boca. Senti o meu nariz tocar no dele até que um barulho muito alto me fez encostar no travesseiro e Greyson se levantar em um pulo.
     - Ah, desculpa. Se eu soubesse que as coisas estavam indo tão bem assim eu não teria interrompido. – Tom disse com os olhos arregalados e um pouco (muito) sem jeito.
     - É, eu também não. – Jane disse sorrindo pra mim. Ela parecia feliz. COMO ASSIM? Eu estava a ponto de beijar o garoto que ela gostava e ela estava feliz por mim?
      - Ah, eu já sim. Que sem-vergonhice é essa dona MCP? Posso saber hein? – Michael disse entrando e colocando as mãos na cintura. – Quem eu estou querendo enganar? Parabéns para o casal, AEEEEE! – Michael disse enquanto me abraçava e apertava a mão do Greyson.
     - Mas Mimi, não houve nada aqui. Só estávamos conversando e... – Fui tentar explicar, mas acabei me perdendo no meio. Pedi ajuda para o Greyson com o olhar, mas ele também não sabia o que dizer. – Ér...
     - As pessoas não conversam tão de perto assim não, você sabia? – Michael voltou a cruzar os braços enquanto olhava para Greyson que estava totalmente vermelho de vergonha.
     - Mas o que vocês vieram fazer aqui hein? – Perguntei para tentar livrar principalmente Greyson de uma resposta qualquer.
     - Então quer dizer que não podemos mais ver nossa amiga? Temos que marcar horário?! – Tom foi sarcástico.
     - Gente, vamos deixa-los a sós poxa! – Jane entrou no quarto para puxar Michael.
     - O que? Eu não quero ser titio não. Não tão cedo pelo menos. Esse momento love tá muito cedo de acontecer ainda! – Michael disse tentando se livrar da mão que Jane havia posto em seu pulso para leva-lo para fora do quarto.
     - GENTE! – Falei um pouco alto demais. – Não estava acontecendo nada aqui. Está tudo bem, você não vai ser titio, nem a Jane titia e nem o Tom dindinho. – Falei enquanto Greyson concordava comigo.
     - Mimiiiiiii – Jane cantarolou – nós podemos ir atrás daquela enfermeira loira que te deu um fora. E Tom, - Jane se virou para Tom. – nós podemos ir até a praça, vai que a Lauren está lá.
     - Eu estou em outra agora. É muito duro levar um fora de uma enfermeira tão linda. – Michael fez voz de choro e colocou a mão no peito, onde fica o coração. Todos riram da atuação dele.
     - Ok então. Eu vou so-zi-nha com o Tom. – Jane se virou com um sorriso diabólico e parou quando Michael gritou.
     - NÃO! Eu vou Janezinha. – Michael foi correndo até ela e colocou seu braço esquerdo entrelaçado com o braço direito de Jane. Tom fez o mesmo só que do outro lado. “Tá podendo!” pensei. Eles caminharam até a porta e então Jane virou com os olhos brilhando e eu pude ler seus lábios, “Me conta tudo depois” eles diziam, e então ela sorriu e fechou a porta.
     Greyson levantou, passou a mão em seus cabelos e então me olhou e sorriu.
     - Eles entenderam tudo errado. – Disse olhando para ele. Eu estava totalmente morta de vergonha, imagina então o Greyson?!
     - É. – Ele disse sem jeito. – Então, está pronta para ir?
     - Ah, claro! – Disse enquanto tentava me levantar. Greyson veio correndo me ajudar colocando a mão em minha cintura e o ombro embaixo do meu braço.
     - É melhor você chamar a enfermeira, porque eu tenho que me trocar e... – Eu disse e ele assentiu. Era óbvio que eu não ia trocar de roupa na frente do Greyson. Ele me deixou encostada na cama e logo saiu do quarto.


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     - Me conta t-u-d-o! O que rolou entre você e o Greyson? – Jane perguntava toda animada enquanto pulava de joelhos na minha cama.
     - Ai meu pai! Eu já te disse. Não aconteceu nada. – Respondi enquanto ria de Jane.
     - Para de mentir, fala logo! – Jane parou de pular e me balançou como se aquilo fizesse as palavras saírem pulando da minha boca.
     - Vou repetir: Eu agradeci a ele por tudo que ele tinha feito por mim, depois pedi desculpas por julgá-lo mal há um tempo atrás, então comecei a chorar, ele secou minhas lágrimas, o abracei e só.
     - Aham, sei... Só isso né?! – Jane parou de me balançar e colocou a mão no queixo. Ri da palhaça da minha amiga e depois tirei a mão dela de seu queixo.
     - Mas Jane, você não gostava do Greyson?! Por que essa alegria toda? – Perguntei um pouco aflita.
     - Amiga, uma coisa que eu aprendi é que você pode amar bastante uma pessoa, mas se ela não te ama você não deve insistir, e nem desistir dela é claro. Mas se essa pessoa ama outra pessoa e essa outra pessoa ama o mesmo, você deve colocar dentro da sua cabeça que se você o ama realmente, você deve deixa-lo ser feliz. É o que estou fazendo. Ainda mais sabendo que a felicidade vai ser em dobro. – Jane respondeu sorridente.
     - Como assim em dobro? – Perguntei.
     - Como assim em dobro?! Em dobro ué. A felicidade vai vir para ele e para a minha melhor amiga. Duas pessoas que amo de mais, e se vocês forem felizes, eu serei feliz também. E ultimamente, eu tenho me encantado por uma pessoa. – Jane disse com um sorriso bobo no rosto.
     - E quem é? – Perguntei curiosa enquanto segurava as mãos de Jane.
     - Promete que não conta pra ninguém? – Jane me perguntou enquanto olhava para os lados como se houvesse alguém dentro do meu quarto. Se houvesse alguém ali seria minha tia Virginia, mas acho que ela não se importaria muito com segredos e confissões de duas adolescentes que, como diz ela, não tinham futuro.
     - É claro que sim sua boba.
     - O Mimi. – Jane sussurrou. Eu fiquei boquiaberta. Como eu não pude ter percebido isso? Teve tantos sinais de romance no ar, como eu não me liguei? Os apelidos, as briguinhas, as chantagens e tudo mais. Como eu sou burra!
     - Que lindo amiga! – A abracei muito forte e ela deu uma risada fofa enquanto me abraçava. Estava tudo muito bem, até eu começar a sentir um peso de culpa nos meus ombros. Eu devia contar para ela que o Greyson havia dito “eu te amo” para mim? Talvez ele tenha dito só por amizade, ou talvez amor... Eu estava um pouco confusa com isso, mas não aguentei e acabei falando.
     - Jane, enquanto eu e o Greyson estávamos nos abraçando eu disse que o amava e ele disse idem. Depois nós quase nos beijamos mas só Mimi viu porque ele foi o primeiro a entrar do quarto. – Falei um pouco rápido demais fazendo Jane me soltar e fazer uma careta de “o que?”.
     - QUE BOM AMIGA! – Jane gritou após entender o que eu havia dito. – Desejo tudo de bom para vocês e...
     - Jane, eu não estou namorando ele. – A interrompi. – Nós quase nos beijamos apenas isso. – Eu disse enquanto passava o dedo indicador nas palavras que Greyson havia escrito no meu gesso.
     - Ah tá bom. Está na cara que vocês se amam. Só falta o Greyson perder a vergonha e ir te pedir em namoro. E o melhor disso tudo é que a Lauren vai ficar com a cara no chão quando receber a notícia de que seu amado Greysonzinho está namorando outra. – Jane disse me fazendo rir. Rir de entusiasmo, nervoso, alegria... Mas minha risada acabou bem rápida ao me lembrar do que Jane havia me dito no hospital.
     - Jane! O Greg e os amigos dele... - Jane se lembrou e assim como eu, ficou com os olhos arregalados.
     - Calma amiga, vai dar tudo certo, pode acreditar! Nem que eu precise chamar a diretora para andar com você eu chamo, só para te ver sem nenhum arranhão. Mas ainda temos tempo. Temos três dias, que é o tempo que o Greg levou de suspensão. – Jane percebeu que eu ia falar algo, mas me interrompeu antes mesmo de algum som sair de minha boca. – Amiga, eu duvido que a máfia faça algo de ruim sem ele por perto. – Jane disse colocando a mão no meu ombro. Pareceu que ela adivinhou o que eu estava pensando. Assenti e sorri para ela. “Grande amiga eu tenho” pensei. – Tenho que ir amiga, senão minha mãe corta meu fígado em três pedaços e depois vende para algum canibal ou dá para o cachorro comer. – Jane foi falando enquanto calçava as botas. Ela me abraçou e acenou com a mão. Fiz o mesmo e corri até a sacada para vê-la indo embora.


AVISO: Enchancers, eu (autora) vou viajar, então o próximo capítulo, que prometo fazer bem maior para compensar, só postarei na quarta (21) antes de ir para o aeroporto. Vou ficar fora até o dia 19/01, e quando voltar eu prometo que volto a postar um capítulo por dia, como eu estava fazendo. Vou escreve-los durante a viagem mas não prometo conseguir internet, então eu lamento fazer vocês que leem esperarem, mas é o máximo que posso fazer. Espero que intendem amores, beijos da Mi. AH, e comentem! rs

2 comentários:

  1. Eu aguento mais um pouco de tempo pra essa perfeição!!!

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  2. Perfeito! Está tudo bem! Eu aguento mais um pouco de tempo porque seu IB é perfeito! Beijos! ^^

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