quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Capítulo 8

Cap. 8 A família Chance

     Durante todo o caminho até a diretoria eu não tive coragem de dizer nenhuma palavra, e parecia que Greyson respeitava isso, pois ele não abriu a boca. Eu me sentia suja, por ter, mesmo obrigada, se misturado com Greg. Eu não fazia a menor ideia do que Greyson estava pensando naquele momento. Ele poderia estar chateado, se sentindo traído, ou apenas com medo. De qualquer maneira, o que importava agora era esclarecer tudo com a diretora e se ela não tomasse medidas drásticas em relação a Greg, eu não teria medo de sair daquela escola.
     - Com licença. – Dei duas batidinhas na porta e a abri. Eu estava na secretaria e pelo estado que eu e Greyson nos encontrávamos todos se viraram e nos encararam.
     - O que aconteceu? – Uma das inspetoras do colégio logo perguntou quando nos viu.
     - Ah, aconteceu alg... – Comecei a falar, mas logo fui interrompida.
     - Nós poderíamos falar com a diretora? – Greyson perguntou já andando em direção a porta que dava acesso à diretoria.
     - Vou informar a ela que vocês estão aqui e ver se ela está disponível. – Uma das mulheres que se sentava na maior mesa da sala se levantou e entrou na sala da diretora. Depois de alguns segundos ela voltou e nos disse que poderíamos entrar. Entramos e a reação da diretora foi bem previsível. Ela estava de olhos arregalados e seu queixo caia lentamente.
     - O que aconteceu? – A diretora nos perguntou pausadamente. Se ela quisesse poderia nos dar suspensão naquele momento. Primeiramente não estávamos na aula. Segundo que Greyson estava sem blusa, que no caso, eu estava usando, e nós dois estávamos cobertos de sangue.
     - Diretora, eu não quero ser arrogante, mas ou você expulsa o Greg ou eu faço o que for para abrir um processo contra ele. – Greyson disse, mas foi logo interrompido por uma batida na porta, e de repente, um professor entrou com um aluno que havia um hematoma horrível perto do olho direito.
     - O que houve aqui? – O professor e o aluno perguntaram no mesmo momento.
     - É o que eu quero saber. – A diretora disse fazendo um gesto para que todos se sentassem. Sentamo-nos e eu contei tudo que havia acontecido comigo e logo em seguida Greyson contou como ele soube que eu estaria correndo perigo e o que ele fez para ir atrás de mim. Todos ficaram boquiabertos, até eu quando Greyson disse que havia dado um soco em seu amigo, por mim. A minha vontade ali era abraça-lo, mas eu não tinha certeza se estava tudo bem entre a gente. – Professor, me acompanhe, por favor. Iremos atrás do senhor Gregory e da senhorita Jane. – Eles se levantaram ficando apenas eu, Greyson e o aluno machucado, o tal de Jack.
     - Vou sair para que vocês possam conversar. – Ele disse em voz muito baixa já se levantando e colocando a mão na maçaneta da porta. Greyson assentiu e então ele se retirou da sala. Agora só estava eu e Greyson, um de frente para o outro.
     - Não precisa se culpar. – Greyson quebrou o silêncio. – A culpa não foi sua, todos sabem disso.
     - Mas eu poderia ter me defendido e não deixado Greg chegar perto de mim. – Disse abaixando a cabeça. Eu não queria olhar Greyson nos olhos. Eu estava com muita vergonha de tudo o que eu havia passado. Imagina você “trair” o garoto que você gosta, ainda mais quando vocês começaram a ficar neste mesmo dia.
     - Você não conseguiria se defender. Olha só para a sua perna, e pense no quanto Greg é mais forte que você.
     - Mas eu estraguei tudo. Eu não deveria ter deixado Greg chegar perto de mim. Eu sinto que te trai, e eu não mereço tudo que você faz por mim. – As lágrimas começaram rolar pelo meu rosto e minha cabeça a latejar de tanto que eu já havia chorado. – Você me salvou pela segunda vez e eu não sei como te agradecer. Agora você corre risco de ser expulso e é tudo minha culp...
     - Ei, você não se lembra do que eu te disse hoje de manhã?  – Greyson me interrompeu e foi se levantando e vindo em minha direção. Ele se ajoelhou na minha frente e levantou minha cabeça. – Eu te amo. – Ele disse e me abraçou. As lágrimas rolaram mais ainda pelo meu rosto e eu não conseguia parar de soluçar. Eu estava muito feliz por estar tudo certo entre a gente, mas ainda me sentia culpada. E o que será da gente quando a diretora voltar? Greyson poderia até ser expulso pelo soco que deu em Jack.
     BLAM! Alguma porta havia sido batida com muita força. Soltei Greyson e me virei para a porta. Não havia sido a da sala onde estávamos, mas era uma bem próxima.
     - Deve ser o Greg. – Greyson disse já se levantando e tentando olhar pelo pequeno quadrado de vidro que havia na porta. Eu ainda não tinha reparado no físico do Greyson, e a única palavra que eu pude pensar na hora foi uau! Ele não era do tipo musculoso, que fica indo na academia levantar pesos, mas nem por isso ele deixava de ser fraco. Ele era magro e bem branco. As costas dele era perfeita, com o desenho certo e... CARACA! Ele era um dos poucos garotos que conheço no mundo que tinha bunda. A maioria dos garotos são retos atrás, mas eu jamais poderia dizer isso do Greyson.
     - EU QUERO QUE MEU PAI VENHA AQUI AGORA! E COM ADVOGADO, POIS VOU ABRIR UM PROCESSO CONTRA ESSA ESCOLA! – Uma voz familiar gritava na outra sala e de repente a porta da sala onde estávamos foi aberta com tal força que ela bateu na parede e voltou com tudo. Greg, a diretora, o professor, Jack e Jane entraram na sala, todos já se sentando.
     - O senhor está expulso e não ouse questionar. Pode se retirar agora, pegar todos os seus pertences e nunca mais apareça na escola se não quiser uma porta fechada na sua cara. – A diretora foi dizendo e Greg bufava na cadeira. Agora que Greg foi expulso eu me sentia melhor, e finalmente muitas pessoas ficariam mais tranquilas, aquelas mesmas que com certeza sofriam bullying na mão dele. – Mas antes o senhor vai pedir desculpas à senhorita (seusobrenome) e ao senhor Chance. – Greg parou e fez uma cara de quem estava achando graça, e realmente estava. Ele soltou uma risada irônica e se virou de costas indo em direção à porta. A abriu e a fechou com muita força. A diretora se levantou atrás dele, mas eu interrompi sua ação.
     - Não precisa diretora. Não quero nada que venha dele. – Disse séria.
     - Também não. – Greyson concordou comigo e a diretora voltou a se sentar.
     - Agora precisamos resolver o que acontecerá com vocês. Senhor Jack, vá para a enfermaria para que a doutora cuide desse seu machucado. – Jack saiu da sala e a diretora nos encarou. - Senhorita Jane, já que você ajudou a “salvar” a senhorita (seunome), não irei te dar nenhum castigo. Mas quero que fique claro que você deveria ter informado o que estava acontecendo a alguém da escola, e não a um aluno. Já pode voltar à sala senhorita. – Jane assentiu e se levantou. Depois que ela saiu a diretora voltou a nos encarar. – Senhorita (seunome), eu queria pedir desculpas pela falta de organização da escola. Deveria haver algum inspetor nos corredores, mas infelizmente por uma falha nossa você sofreu esse absurdo. Está liberada para voltar para casa. A coordenadora já informou o seu responsável sobre o ocorrido e ele chegará aqui em alguns minutos. Você poderia esperar na secretaria, por favor, porque agora terei que tratar algo muito sério com o senhor Chance. – Assenti e me retirei da sala. Todos da secretaria me olhavam um pouco estranho, mas não liguei e fiquei rezando para que Greyson não fosse expulso. Seria minha culpa se algo de ruim acontecesse com ele, e eu NUNCA iria me desculpar por isso.
     Passado uns quinze minutos, finalmente Greyson saiu da sala. Corri até ele para ver se estava tudo bem, e ele parecia feliz.
     - E ai, o que ela disse? – Perguntei puxando-o para uma cadeira. – Você foi suspenso?
     - Por três dias, mas essa não é a melhor parte. Eu vou ganhar um certificado de num sei o que por não sei o que. – Ele disse sorrindo.
     - Tá sabendo bem hein. – Disse o fazendo rir. O abracei e ele me deu um beijo na testa. Virei-me séria para ele e o encarei.
     - Seus pais já sabem o que aconteceu? – Perguntei.
     - Não, mas vão descobrir quando chegarem. A diretora fez questão de ela própria ligar para eles. Ela disse que essa parada do certificado é uma honra e ela queria estar dentro de tudo.
     - Tá, mas e a suspensão? Isso não é uma honra.
     - Eu sei, mas eu não me importo. Estou indo bem nas matérias, não acho que vou perder muita coisa. Mas o problema é que eu vou ter que ficar três dias sem te ver.
     - HÁ-HÁ, como se isso fosse verdade. Não duvido nada que amanhã você vai estar na porta da minha casa.
     - Ah, acabou com a surpresa. – Ele disse me fazendo rir. Era tão bom saber que ele não foi expulso e que estava tudo bem entre a gente.  Abraçamo-nos e ficamos rindo de coisas bobas, como por exemplo, o jeito que eu estava vestida e os prováveis comentários que todas as mulheres estavam fazendo ao vê-lo sem blusa.
     TOC, TOC. Alguém bateu na porta e eu fui surpreendida ao ver minha mãe com uma expressão de desespero. Ela correu até mim, me abraçou muito forte e começou a fazer mil perguntas como “que roupas são essas?” “por que você está suja de sangue?” e “que garoto é esse?”. Ela poderia continuar com mais umas mil perguntas, mas foi chamada na sala onde se encontrava a diretora.
     - Sua mãe não estava em Seattle? – Greyson me perguntou olhando para minha mãe que acabara de entrar na sala.
     - Ela estava. Não sei se ela voltou porque acabou com o serviço lá ou se foi por minha causa. Estou com medo que tenha sido por mim, e que ela seja demitida por isso.
     - Você é tão pessimista. – Greyson disse rindo. – Olha, o bom é ter ela por pert... – Ele foi interrompido por outra batida na porta e nós nos viramos. Entraram duas pessoas, era um casal. – Meus pais. – Ele disse sorrindo e correu para falar com eles.
     - Por que você tá todo machucado?  Por que está sem blusa? – A mãe dele disse limpando um pouco do sangue que havia em seu rosto.
     - A diretora explica tudo pra vocês quando entrarem. Agora quero que vocês conheçam uma pessoa. – Greyson disse e foi puxando seus pais em minha direção.  Virei-me para trás tentando ver algo que poderia ser o motivo de Greyson estar vindo com eles, mas não havia nada, a não ser uma grande parede branca. Voltei a olhar pra frente e já dei de cara com os três. – Pai, mãe, essa é a (seunome). (Seunome), esses são meus pais, Lisa e Scott Chance. – Apertei a mão de cada e eu estava muito corada.
     - Me desculpem estar me apresentando nesse estado...
     - Ah, que isso. Você é linda querida. – Lisa disse sorrindo para mim. Logo em seguida se virou pra Greyson e perguntou. – Greyson, ela é sua namorada? – Ao ouvir o sussurro de Lisa corei e não pude deixar de esconder um sorriso.
     - Mãe!  - Greyson disse um pouco alto demais fazendo todos desviarem a atenção para os dois. Então ele a puxou para um canto e eu pude ler seus lábios, além do silêncio que estava na sala que também me ajudou a ouvir o sussurro. – Ainda não. – Neste estante Lisa sorriu e abraçou seu filho. Logo em seguida voltaram para onde eu e Scott estávamos, apenas encarando o chão.  De repente a porta da sala onde a diretora se encontrava foi aberta e minha mãe saiu um pouco pálida de lá.
     - Filha, eu vou matar aquele monstro! – Ela disse se segurando em meus ombros.
     - Mãe, calma! Ele foi expulso, está tudo resolvido. Não aconteceu nada de ruim comigo, eu estou inteira. Quer dizer, quase. – Disse ao lembrar-me da minha perna engessada. – E você deveria agradecer ao Greyson, pois se não fosse ele teria acontecido algo muito pior. – Falei indo em direção à Greyson, Scott e Lisa que há essa hora, estavam conversando muito entusiasmados. – Dona Lisa, senhor Scott, Greyson, essa é minha mãe (nomedasuamãe).
     - Olá Lisa, olá Scott, olá Greyson. – Minha mãe disse apertando a mão de cada um. - Queria agradecer por você ter salvado minha filha. – Minha mãe disse o abraçando.
     - Não há de que. – Greyson disse sorridente.
     - Você salvou a sua namorada? – Lisa perguntou assustada fazendo eu e Greyson corarmos.
     - Vocês estão namorando? – Minha mãe perguntou ainda mais assustada. – Filha, por que você não me contou?
     - Ela ainda não é minha namorada mãe. – Greyson disse enviando um olhar de reprovação para Lisa.
     - Ah, mas vai ser não é?! Porque ela é muito bonita. Você é americana mesmo? – Scott perguntou e eu corei ainda mais.
     - Não, sou brasileira. – Eu disse e então Lisa e Scott fizeram aquelas caras de “ah, tá explicado”, como se aquilo fosse óbvio.
     - Com licença, Senhor e senhora Chance, vocês poderiam entrar, por favor? Ah, e Greyson também. – A própria diretora os chamou. Eles assentiram e Lisa e Scott se despediram de mim e de minha mãe. Olhei para Greyson que abriu os braços e então o abracei.
     - Me encontra na porta da sua casa às 18h00min? – Ele sussurrou no meu ouvido.
     - Pra quê? – Perguntei.
     - Surpresa. – Ele disse rindo e se virou para mim. Ele ia me dar um beijo, mas virei o rosto.
     - Nossos pais estão aqui. – Disse entre os dentes.
     - Ah é. – Greyson disse e foi se despedir da minha mãe. – Até mais senhora (nomedasuamãe).
     - Até querido. – Minha mãe apertou a mão de Greyson e então ele se virou para mim, sorriu e entrou na sala.
     - Filha, que gato! – Minha mãe disse se virando para mim toda sorridente.
     - Mãe! – Olhei assustada pra ela.
     - É sério filha. E ele te salvou. Fiquei encantada pelo que o garoto fez!
     - Vamos mãe. – Disse puxando ela. – Você falou com minha tia?
     - Pera aí, deixa eu te ajudar a andar. – Minha mãe me abraçou pelo lado colocando o ombro em baixo do meu braço. – Não, mas você vai me contar tudo que aconteceu pelo tempo que estive fora. Principalmente sobre essa sua perna aí.
     - Tá, mas antes me diz uma coisa. Você voltou de Seattle por minha causa ou você conseguiu terminar o serviço lá? – Perguntei um pouco preocupada com a resposta.
     - Eu havia acabado de chegar em casa quando uma moça da escola ligou pra lá. Eu voltei para passar o natal com você, não queria que você passasse com a Virginia. Tive que vim bem antes para organizar também umas coisas no escritório antes de voltar pra Seattle.
     - Então você vai voltar? – Perguntei um pouco triste.
     - Sim, daqui a seis dias. Meu chefe me liberou apenas uma semana, sendo que terei que chegar lá sem atraso nenhum, então é melhor eu ir um dia antes para não correr o risco. Mas então, o que aconteceu enquanto eu estava fora? – Minha mãe me perguntou bem animada. Chegamos ao carro, entramos e minha mãe começou a dirigir. Contei tudo que havia acontecido, principalmente, sobre a barbaridade de a tia Virginia confiscar meu celular. Contei também sobre como fui parar no hospital e falei muitas coisas boas a respeito do Greyson.
     - Então vocês estão namorando?
     - Não. Quer dizer, mais ou menos. Ele ainda não me pediu oficialmente, estamos ficando, sabe? – Eu disse ficando um pouco corada.
     - Claro que eu sei. Não é porque eu nasci antes de você que eu sou desatualizada. – Minha mãe disse colocando óculos escuros.
     - Atá, desculpa. – Disse rindo. – Mãe, vamos convidar a família dele para passar o natal com a gente?
     - Por mim tudo bem, mas eles devem ter a família grande, vão querer passar com ela. Não custa tentar, mas não prometo nada. – Ela respondeu parecendo animada com o convite. Devia ser por ela não querer passar o Natal com a única família que tínhamos em Los Angeles, minha tia Virginia, e se convidássemos a família de Greyson teríamos uma ótima desculpa para dar à Virginia.
     - Mãe, você não quer ir ao Brasil? – Perguntei um pouco séria.
     - Não agora. Talvez possamos ir nas férias maiores, nas de julho. – Ela disse e percebi que seu tom de voz mudou.
     - Eu queria ver meu pai. – Falei, na verdade quase sussurrei.
     - Eu entendo que você esteja com saudades dele, mas não estou pronta para vê-lo.
     - Você não precisa ficar na casa dele. Pode se hospedar em um hotel e eu fico com ele.  Nós podemos nos encontrar nas tardes para andar por lá, ir às praias... Nossa que saudade eu sinto de praia. – Falei toda entusiasmada, mas fui interrompida por um barulho muito alto no carro.
     - NÃO ACREDITO! O carro deu problema de novo! Ai que droga. – Minha mãe desceu morrendo de raiva e abriu a parte da frente do carro para ver o motor. – Teremos que parar num posto. – Ela disse voltando a entrar no carro. – Ainda bem que tem um posto bem perto daqui.
     - Não dá pra me deixar em casa antes?
     - É muito arriscado. Eu não poderia nem estar dirigindo ele agora. Nem até o posto.
     - Mãe! Olha como eu estou vestida. Vou ter que sair assim? – Minha mãe olhou para mim e riu.
     - A blusa é do Greyson né. Ele realmente é um cavalh...
     - MÃE! Eu não posso sair assim. – Eu disse um pouco (muito) desesperada fazendo minha mãe rir muito mais.
     - Tem um casaco no banco de trás. Pega ele e veste, vai melhorar um pouco. – Ela olhou rapidamente pra mim e riu descontroladamente. – Mentira! Vai ficar ruim do mesmo jeito, mas pelo menos ninguém vai ver esse sangue todo.
     - Ah claro, obrigado por você aumentar minha autoestima. – Eu disse ironicamente enquanto pegava o casaco e o vestia.  Paramos no posto e minha mãe logo pediu para um homem checar num sei o que.  “Do que eles estão falando?” me perguntei, mas logo meus pensamentos foram outros quando tive que descer do carro.
     - Mãe, você me paga! – Disse entre os dentes e ela riu.
     Passado uns vinte minutos minha mãe veio me dar a maravilhosa notícia de que demoraria algumas horas para ajeitar o carro. Levantei-me da calçada, onde estava sentada, e entrei numa lojinha que havia no posto. Como era de se esperar, todos olharam para mim, mas não me importei e fui até um freezer e peguei um sorvete de potinho. Enfrentei a fila do caixa, paguei com o dinheiro que eu havia achado no bolso do casaco e sai de lá.
     - Mãe, deixei minha bolsa e minhas roupas na escola. – Disse para minha mãe que estava descaradamente pegando o potinho da minha mão.
     - Não tem problema. Amanhã você procura quando chegar à escola. Ei, por que não compra um sorvete pra você hein? – Minha mãe perguntou que há essa altura ela já estava na metade do potinho.
     - Eu comprei sabe, mas uma esfomeada o pegou da minha mão. – Eu disse e minha mãe olhou para os lados.
     - Não sei quem. – Ela disse e eu ri. Virei-me e voltei na loja. Peguei mais um potinho, paguei e fui para um banco que havia na beira da rua. Sentei-me e de repente um carro muito bonito parou no posto para colocar combustível. Reconheci o homem que saiu do carro, era Scott. Logo em seguida saiu uma mulher com uma carteira na mão indo atrás de Scott, era Lisa. Levantei-me e fui em direção ao carro. Percebi que uma janela de trás estava aberta, e logo consegui ver Greyson mexendo no celular. Fui andando em silêncio e apoiei-me na porta do carro colocando os braços em cima do vidro abaixado e sorri.
     - Sabia que mexer muito no celular faz mal para o cérebro? – Eu disse fazendo-o se virar rapidamente e logo abrir um sorriso gigantesco. Ele desceu do carro e me deu um abraço. – Acho que você está me seguindo.
     - Não, eu só estou ficando perto de você. Vai que acontece um assalto, sei lá. Eu tenho que está aqui para te proteger. – Ele disse rindo e eu ri junto com ele. – Mas o que você está fazendo aqui?
     - O carro da minha mãe deu problema. Já estou aqui há uns quarenta minutos, e minha mãe disse que vai demorar horas para concertar.
     - Por que vocês não vão pra casa?
     - Minha mãe tem que ficar aqui por causa do carro, e não é legal eu pegar um táxi sozinha.
     - Quer ir lá pra casa? – Ele perguntou todo animado.
     - Greyson! – Disse um pouco sem graça. – Seus pais nem sabem quem eu sou direito. E eu preciso tomar banho e...
     - Claro que sabem. Minha mãe fez mil perguntas sobre você no carro. – Ele disse me fazendo rir. – E você toma banho lá. Você pode colocar alguma roupa da minha irmã, uma que ela ainda não tenha usado.
     - Não, isso é muito constrangedor.
     - Por quê?
     - Eu vou pra lá tomar banho na casa dos seus pais, que acabei de conhecer e nem tenho muita intimidade, e ainda vestir as roupas de uma garota que nem me conhece.
     - Ah, por favor. Além do mais que se o carro demorar horas pra concertar, não vai dá pra gente sair às seis. – Greyson disse já me puxando para onde Lisa e Scott estavam.
     - Mãe, a (seunome) pode ir lá pra casa? O carro da dona (nomedasuamãe) deu problema e só vai estar pronto daqui a algumas horas. Por favor! – Greyson disse fazendo uma cara super fofa para Lisa.
     - Desculpe dona Lisa. Eu falei pra ele não pedir porque era um abuso e...
     - É claro que pode. – Greyson deu um pulo e abraçou Lisa. – Se sua mãe deixar é claro. – Ela disse se virando para mim.
     - Ah, vai deixar sim. – Greyson foi em direção a minha mãe que estava discutindo com um homem. Depois de alguns minutos Greyson voltou com o melhor sorriso que eu já tinha o visto dar e foi logo gritando pra Lisa e pra mim. – SIM! Ela deixou. – Ele me abraçou e eu não pude conter o sorriso.
     - Tudo bem, então vamos? Scott já botou combustível. – Ela disse abrindo a porta do carro para que pudesse entrar. Greyson correu na minha frente, abriu a porta e me esperou entrar. Eu ri da tentativa dele de ser cavalheiro e ele também. Tentei subir no carro, que era realmente alto, e então ele me pegou no colo e me colocou sentada no banco. Depois fechou a porta e entrou no outro lado.
     - Oi (seunome). – Scott me cumprimentou.
     - Oi senhor Chance. – Disse dando o meu melhor sorriso. Greyson se sentou do meu lado e depois de alguns minutos chegamos a casa dele.
     - Greyson, ajude a (seunome) descer por causa da perna engessada. – Scott disse enquanto pegava algumas coisas na mala. Greyson desceu do carro, deu a volta, abriu a porta pra mim e quando fui colocar o pé no chão ele me pegou no colo, do mesmo jeito que havia me pegado para levar-me ao hospital.
     - Greyson! – Falei um pouco alto demais o fazendo rir. – Eu estou de vestido sabia?
     - Vestido? – Ele disse rindo enquanto fechava a porta do carro com as costas. Lisa e Scott já haviam atravessado o jardim e entrado, e só estávamos eu e Greyson no lado de fora.
     - Sua blusa ficou como um vestido em mim. – Disse rindo.
     - Então você costuma usar vestidos desse tamanho? Que indecência.  – Ele fez voz afetada e eu ri um pouco alto demais.
     - E você quer que eu vista os que batem na canela? Que horror.
     - Tá certo. Você deve mostrar as belas pernas que Deus te deu. – Ele disse rindo e eu dei uma leve batida no ombro dele.
     - Tá, mas agora você poderia me colocar no chão?
     - Não. – Ele respondeu sério e saiu andando comigo. Comecei a bater um pouco forte nas costas dele que ele não parava de rir. – Você é forte! Eu nunca poderei brigar com você, senão já era.
     - Não se esqueça de qual de nós dois quebrou a cara do Greg. – Eu disse o fazendo rir. – Tá, agora me põe no chão. Não ia ser muito legal se eu entrasse na sua casa assim. – Ele assentiu e me botou no chão. Tentei me ajeitar, o que era impossível, e então Greyson abriu a porta e eu entrei.
     - Não repare a bagunça querida. – Lisa disse enquanto tirava uns papéis de cima da mesa de centro e colocando-os dentro de uma gaveta. Como eu poderia ver alguma bagunça ali? A casa era simplesmente P-E-R-F-E-I-T-A!
     A sala da casa de Greyson era imensa e era tudo branquinho. O sofá de couro preto era coberto por um manto branco, com várias almofadas bem clarinhas. Havia uma enorme televisão na parede e em baixo havia uma prateleira de vidro com alguns porta-retratos brancos. No canto havia uma lareira, apagada, com um enorme quadro pendurado na parede acima. Era a imagem de cinco pessoas. Reconheci Lisa, Scott e Greyson. A garota devia ser a irmã de Greyson e o garoto seu irmão.
     - Gostou? – Greyson perguntou reparando minha cara de espanto.
     - Sua casa é linda. – Falei ainda boquiaberta. – Ah, você pode jogar fora pra mim? – Disse o entregando o potinho do sorvete.
     - Claro, mas vem comigo pra conhecer o resto da casa. – Ele disse já me puxando para a cozinha.
     Depois de alguns minutos eu já tinha andando por toda imensa casa do Greyson. Lá havia uma piscina do tamanho do meu quarto. Do tamanho do meu quarto? Foi isso que disse? Era muito maior que o meu quarto, na verdade, umas três vezes o meu quarto. Havia também um grande jardim, uma sauna, seis quartos, três salas (uma de jantar, uma de estar e outra de entrada, com televisão e tudo mais), sete banheiros e muitos outros cômodos. Mas o que mais me surpreendeu era a escada, toda de vidro com alguns detalhes de mármore. No inicio ela era larga e depois de uns oito degraus ela se dividia em duas, deixando aproximadamente um metro de espaço entre a “escada da direita” e a “escada da esquerda”.
     - Querida, você quer ir tomar banho agora? Eu pego uma roupa da Alexa. – Lisa me perguntou enquanto subia as escadas para o segundo andar comigo e Greyson.
     - Sim, se não for encômod... – Fui interrompida.
     - Que isso! É claro que não. – Dona Lisa disse subindo a escada da direita. Sorri e virei-me para subir a escada da esquerda.
     - Greyson, onde estão seus irmãos? – Perguntei enquanto entrava no quarto de Greyson, que realmente me surpreendeu. Os quartos dos meninos costumam ser bem bagunçados e cheios de pôsteres na parede. O do Greyson? Nada disso. Havia uma parede preta cheia de discos de vinil, e na outra, uma frase que eu conhecia, era da música fix you do Coldplay.
     - A Alexa está na faculdade e o Tanner está dando aula de música, mas eles vão chegar para o almoço.
     - Você gosta de Coldplay? – Perguntei enquanto me sentava em uma cadeira que havia perto de uma escrivaninha.
     - Gosto? Eu amo Coldplay. – Ele disse e eu ri.
     - Também gosto, ops, amo Coldplay. Minha favorita é Paradis... – Comecei a falar, mas fui interrompida por uma batida na porta.
     - Licença. – Lisa entrou no quarto e foi logo me dando uma toalha e algumas roupas. – Aqui está. Peguei algumas roupas que Alexa ainda não usou. Escolhe qual você quer. Acho que vai caber em você, mesmo Alexa sendo mais um pouco mais alta, não acho que vá ficar tão grande.
     - Qualquer uma está boa. – Disse enquanto pegava a blusa e o short que estava em cima do monte de roupas que Lisa havia me dado.
     - Greyson, mostra o banheiro pra ela, mas não é pra ficar no banheiro com ela hein. – Lisa disse um pouco séria e eu ri. Greyson soltou um “ah” e depois Lisa saiu.
     - Por aqui. – Ele disse e abriu a porta do banheiro que havia em seu quarto e eu entrei. – Se você precisar de ajuda, por causa da perna e...
     - Greyson! – Disse rindo. – Não vou precisar não, ok?
     - Se você diz... – Ele disse dando de ombros. – Quer que eu saia do quarto também?
     - HÁ-HÁ, não precisa. – Disse enquanto fechava a porta e trancava. Coloquei a toalha e as roupas em cima de uma bancada que havia ao lado da pia, tirei as roupas e entrei embaixo do chuveiro. Peguei o vidro de shampoo, coloquei um pouco em minha mão e passei no cabelo. Enfiei a cabeça em baixo do chuveiro e logo fui surpreendida com uma voz P-E-R-F-E-I-T-A cantando uma música que eu conhecia bem. Era a música The Scientist do Coldplay. Pigarreei e acompanhei a voz, que depois de perceber-me cantando parou de repente.
     - Não sabia que você cantava. – A voz falou. Era a voz de Greyson.
     - Ué, todo mundo canta. – Falei ironicamente de dentro do banheiro.
     - Que você cantava bem. – Ele disse rindo.
     - Se você diz, deve ser verdade. – Falei rindo. – Eu sabia que você cantava, mas não tão bem. Devia se apresentar em algum programa de talentos. Você toca algum instrumento?
     - Toco piano, mas canto e toco só por diversão. Não quero ser famoso nem nada que inclua publicidade.
     - Canta mais. – Pedi.
     - Eu tenho vergonha. – Ele disse rindo.
     - Ah, por favor. – Insisti. – Por favor-or-oooor. – Cantei o fazendo rir.
     - Tá bom, mas é só por que você pediu. – Ele disse me fazendo soltar um “ah, que fofo” e então ele começou a cantar fix you.
     Passado uns trinta minutos sai do banheiro e recebi um “fiu fiu” do Greyson.
     - Palhaço. – Disse rindo. – Aqui sua blusa. – O entreguei e coloquei o casaco da minha mãe num canto.
     - Ah, sua roupa! – Ele disse saindo correndo do quarto. Em menos de vinte segundos voltou com uma bolsa que reconheci ser minha. – A diretora me entregou e suas roupas eu coloquei ai dentro.
     - Obrigado. – Disse pegando da mão de Greyson e colocando junto do casaco.
     - Agora eu que vou tomar banho. Você quer fazer alguma coisa por enquanto? – Greyson disse jogando uma toalha no ombro.
     - Não. Pode ir lá. – Respondi e então ele fechou a porta. Depois de alguns minutos ele saiu com a toalha enrolada na cintura. – Vou sair pra você se vestir. – Disse gaguejando enquanto andava de costas em direção à porta, sem antes é claro, topar com o criado-mudo. Ele riu e então sai do quarto. Fiquei olhando alguns retratos pendurados nas paredes do segundo andar e depois de dois minutos ele abriu a porta e eu entrei.
     - Vamos comer? – Ele me perguntou enquanto secava o cabelo encharcado.
     - Aham, estou morrendo de fome.
     - Ah não! Você não pode morrer. Por favor, não morra! – Greyson disse fazendo voz afetada e me fazendo rir. – Espera que eu faço respiração boca-a-boca pra ver se melhora. – Ele disse me pegando no colo.
     - Sem graça. Me solta, seus pais estão lá em baixo.
     - Só se me der um beijo. – Ele disse me fazendo rir.
     - Tá bom. – Dei um selinho nele, mas ele não me soltou. – Ei! Agora você tem que soltar.
     - Mas eu vou ter que te pegar no colo pra descer as escadas. – Ele disse já saindo do quarto.
     - Greyson, se seus pais me virem no seu colo eu vou morrer de vergonha. Prefiro descer degrau por degrau. – Disse enquanto olhava para todos os lados até que vi um cara alto, de cabelo escuro e bem bonito surgir na escada. – Greyson, me põe no chão! – Disse enquanto tentava descer. Greyson fez o que pedi e fingimos estar vendo uns retratos que estavam na parede do corredor que dava na escada.
     - Ei, quem é ela Greyson? – O cara perguntou.
     - Essa é a (seunome). (Seunome), esse é Tanner, meu irmão. – Greyson disse se virando para seu irmão. Cumprimentei Tanner com dois beijos nas bochechas, mas antes que pudesse terminar de cumprimenta-lo Greyson nos separou. – Ê, já chega né. Vamos descer (seunome)?
     - Ah, claro. Tchau Tanner. – Disse enquanto tentava descer a escada com a ajuda do Greyson. – Ciumento. – Disse rindo.
     - Sou mesmo. – Ele disse fazendo bico.
     - Ah, que coisa fofa. – Eu disse apertando suas bochechas e o fazendo rir. Chegamos à sala de jantar e a mesa já estava pronta. Greyson se sentou e eu sentei ao seu lado. Scott e Lisa já estavam sentados e havia também uma menina loira.
     - Oi, sou Alexa. – A menina se apresentou no mesmo momento em  que Tanner apareceu e se sentou ao meu lado. – A irmã desses dois trastes aí. – Ela disse fazendo todos rirem.
     - Sou (seunome). – Me apresentei.
     - (Seunome), troca de lugar comigo? – Greyson me perguntou. Balancei a cabeça positivamente e me levantei.
     - Por que poxa?  - Tanner fez voz de choro.
     - Tenho que te manter longe dela. – Greyson disse fazendo todos rirem.
     - Gente, podem se servir. – Lisa disse enquanto pegava uma travessa com batatas assadas.
     - Você gosta de lasanha (seunome)? – Scott me perguntou.
     - Pai, ela é brasileira, não japonesa. – Greyson disse me fazendo rir.
     - Ah, então é por isso. – Tanner disse e Alexa concordou.
     - O que? – Perguntei.
     - Nada não. – Tanner disse enquanto se servia.
     Depois de, aproximadamente, quarenta minutos, todos já haviam almoçado e eu estava na sala de estar com Greyson. Reparei no piano que havia no canto, me levantei e o chamei.
     - Toca um pouco. – Pedi e ele sorriu. Ele se sentou no banco e eu sentei ao seu lado. Ele abriu a “tampa” que cobre as teclas do piano e então começou a tocar a música I Wanna Be Where You Are, do Michael Jackson.  Depois de dois minutos acabou de tocar, olhou para mim e sorriu.
     - Gostou? – Ele perguntou.
     - Gostou? Amei. – Disse imitando como ele havia feito ao se referir ao Coldplay. – Posso tentar? – Perguntei apontando para o piano.
     - Claro. – Ele disse chegando um pouco para o lado. Toquei algumas notas, mas fracassei. Ele riu e então colocou suas mãos em cima das minhas e começou a tocar a mesma música que havia tocado. – Entendeu?
     - Não. – Respondi o fazendo rir mais ainda. Tentei mais uma vez, mas fui interrompida pelo toque no celular do Greyson. Ele olhou no visor e atendeu. Depois de alguns segundos ele desligou e me olhou com uma cara triste. – O que foi?
     - Sua mãe tá vindo te buscar.
     - Minha mãe tem o seu número? – Perguntei espantada.
     - Sim. Dei pra ela lá no posto. Foi a única maneira de você vir pra cá. – Ele disse e eu ri. Levantei-me e ele fez o mesmo.
     - Tenho que pegar minhas coisas lá em cima.
     - Vou com você. – Ele disse enquanto me ajudava a subir as escadas. Chegando ao quarto de Greyson peguei minhas coisas e descemos. – Você ainda quer me encontrar às 18h00min? – Ele perguntou enquanto se jogava no sofá.
     - Só se você me contar pra que. - Disse enquanto me sentava ao seu lado.
     - Não é nada de mais. Só queria ir a um lugar com você. – Ele disse deitando a cabeça na minha perna.
     - Que lugar? – Perguntei.
     - Surpresa, eu já disse. – Ele disse sorrindo.
     - Podemos deixar depois do natal? – Perguntei o fazendo ficar com uma cara de espanto.
     - Por quê? – Ele perguntou se sentando ao meu lado.
     - Queria aproveitar minha mãe esses dias. Ela vai voltar para Seattle dia 26. – Respondi e ele balançou a cabeça positivamente.
     - Tudo bem. Dá tempo de eu encomendar uma coisa. – Ele disse e quando terminou, um som de buzina o fez fazer uma careta.
     - Minha mãe. –Disse dando um pulo do sofá.
     - Deixa eu te levar até lá. – Ele disse correndo na minha frente para abrir a porta. Saímos e dei um selinho nele.
     - Até amanhã. – Me despedi e entrei no carro.
     - Tchau genro. – Minha mãe disse o fazendo rir e ficar levemente corado.
     - Tchau sogra. – Greyson disse dando tchau com a mão. Minha mãe deu partida no carro e então fomos embora.
     - Como foi a tarde com o seu namorado? – Minha mãe perguntou toda contente.
     - Ele ainda não é meu namorado, mãe. – Disse enquanto jogava a bolsa e o casado no banco de trás.
     - Aham, sei. – Ela foi irônica e eu ri.
     - Vamos fazer o que à tarde? – Perguntei.
     - Não sei. Que tal arrumar a casa? – Ela disse rindo.
     - MÃE! Eu não desmarquei um encontro com o Greyson pra isso né. – Eu disse e ela me olhou assustada. – Que foi?
     - Você desmarcou um encontro com aquele gato por minha causa? – Ela perguntou com olhos arregalados. – Você me ama mesmo hein. – Ela terminou de falar fazendo me fazendo rir.
     - Claro! Eu estava com saudades. Mas se você ficar se achando muito aí, eu ligo pra ele e...
     - HÁ-HÁ. Duvido você me deixar sozinha em casa pra sair com ele depois de dias sem me ver. 
     - Pouco convencida você. Espera só eu achar o número dele no seu celular. – Disse pegando o celular da minha mãe da bolsa.
     - Ei! Do meu? Então você não tem o número do seu namorado e eu tenho? – Ela disse rindo.
     - Mãe, shiu! – Disse colocando o dedo na boca fazendo o movimento que indica silêncio. – Eu vou passar o dia com você porque sou muito generosa, mas nós vamos fazer algo legal. Podemos ir ao shopping, ao parque, ao shopping ou ao shopping. Só que hoje tá meio frio para ir ao parque, então qual você escolhe?
     - Acho que ao shopping. – Ela disse fazendo cara de pensativa e me fazendo rir. – Ei, o que você está fazendo? – Minha mãe disse ao se virar rapidamente e me ver salvando algum número do celular dela no meu celular.
     - Nada não querida. – Disse passando a mão no cabelo dela. – Te amo tá?!
     - HÁ-HÁ. Sei disso. – Ela disse me fazendo rir.

AVISO: Enchancers, acabei de voltar de viagem e postei o cap. 8. Desculpe algum erro ortográfico, porque eu ainda não tive tempo de ler. Agradeço a todos que estão seguindo ou comentaram. Beijos da Mi.

3 comentários:

  1. *ooo* coontinua fíiia ! *oooo* Amei Amei Amei ♥

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  2. Haha' Continua! Simplesmente -P-E-R-F-E-I-T-O-!-
    (como vc disse da casa do Greyson haha')
    Beijos da segunda Mi! Kkk'

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