sexta-feira, 5 de julho de 2013

Capítulo 19

Telhado


Dois anos e dois meses depois

     O sinal soou indicando o fim do último tempo. De repente, todo o corredor estava lotado de alunos desesperados por ar livre, luz, ou qualquer outra coisa que não fosse a escola. Entretanto, permaneci encostada ao bebedouro, esperando que Greyson desse o ar da graça e aparecesse para me pedir desculpas. Não que ele devesse, é claro, mas eu não sou do tipo que pede desculpas. É constrangedor. Tá acima da minha capacidade de ser humano. Da minha capacidade “humanal”.
     - (Seunome), me espera! – Jane gritou enquanto se aproximava do local onde eu estava. – Recadinho do Greysonzinho.
     Então, Jane tirou do decote da blusa um papel dobrado em cinquenta mil partes. Rolei os olhos ao perceber que aquilo significava que ele não viria falar comigo pessoalmente. Não agora.
     - Obrigada, Jane. Acho que já podemos ir pra casa.
     - Você não vai ler o bilhete? – perguntou enrugando o cenho. – Vai ver ele quer que você o encontre em algum lugar.
     - Não acho que seja isso...
     - (Seunome), abre essa merda de bilhete antes que eu o abra por você – interrompeu-me. Bufei, impaciente, enquanto meus dedos demoraram mais que o necessário pra desdobrar o papel amassado.
     A verdade era que eu não queria abri-lo na frente de ninguém. Talvez por medo de ler alguma frase que não excedesse minhas expectativas. No entanto, acabei abrindo-o e lendo o que havia sido escrito em voz alta, para que Jane pudesse também ouvir.
     No bilhete dizia o seguinte:

Ei, me perdoa? Estou te esperando no telhado. Grey Xx

Virei-me para Jane que me olhava com olhos esbugalhados. De repente, senti como se o mundo inteiro parasse e só restasse eu e minha ansiedade. Eu deveria correr logo e chegar o mais rápido impossível no ponto marcado, ou deveria dar uma de difícil e enrolar um pouquinho para fazer o Greyson sofrer? Bom... Repensando o motivo da nossa briga, acho que não era necessário fazê-lo esperar mais.
     - Preciso correr! Tchau! – disse rapidamente, fazendo Jane me puxar pelos ombros para me impedir de sair correndo.
     - Como assim no telhado? – perguntou invasiva.
     - Isso é coisa minha e dele. Ultrassecreto. Adeus.


     Enquanto corria pelo asfalto, me lembrei da primeira vez que eu e Greyson nos encontramos no telhado.  Eu ainda estava com a perna engessada, e só subimos porque minha mãe apareceu no quarto dizendo ter ouvido algum barulho. Me lembrei também sobre como foi o desfecho desse encontro, enquanto passava o polegar sobre o anel no meu dedo anelar. “De sempre para sempre”, dizia nossos anéis juntos.
     Então, me recordei das inúmeras brigas que tivemos durante um longo período, e da última que influenciou nessa crise que estamos vivendo. Talvez tenha sido a mais infantil de todas. Não acredito que algum casal em pleno século XXI seja capaz de discutir devido a um jogo de videogame. Pelo menos não um casal composto por dois adolescentes quase adultos de dezessete anos.
     Depois de poucos minutos, já que minha casa é pertinho da escola, abri a porta e corri escada acima. Por sorte minha mãe estava em Chicago assistindo a reunião superimportante, o que não me fez parar e ter de explicar que meu namorado estava no telhado me esperando para fazermos as pazes.
     Quando cheguei ao meu quarto, fiz o percurso já tão conhecido que me levou até o telhado. Alguns metros à minha frente, Greyson estava com as pernas estiradas pelas telhas, os braços, agora musculosos, suportavam o peso do seu corpo, enquanto o sol fazia com que sua pele ficasse encantadoramente pálida. Caminhei lentamente até ele e me agachei ao seu lado, pondo uma das mãos em seu ombro. Num átimo, ele se virou para mim e me sorriu daquela forma só dele. Daquela única forma que me fazia perder o ar e sorrir em resposta. Daquela forma que fazia meu corpo todo tremer em expectativa, a qualquer custo. 
     - Eu sabia que você viria - disse, pondo uma das mãos em meus rosto.
     - Quando é que você me chama e eu não vou?
     - Hum... Não sei... - ele fez cara de pensativo, enquanto me puxava para mais perto ainda. 
     Meu coração, no momento, batia tão forte que até Greyson era capaz de ouvir. Vendo seus lábios tão próximos aos meus, meus músculos se enrijeceram de ansiedade, enquanto minhas mãos suaram como bicas. Depois de duas semanas sem contato algum, estávamos tão próximo de finalmente lacrarmos nossas pazes com um beijo que eu mal me lembrei que ficara realmente magoada pelo que o mesmo dissera em nossa último briga. Porém, de súbito me afastei, fazendo com que seu rosto espelhasse confusão.
     - As coisas não são tão fáceis assim - conclui, após algum tempo em silêncio.
     - Vindas de você, realmente não são - retrucou, mesmo que ainda calmo.
     - O que quer dizer com isso?
     - Nada. - Suspirou pesadamente. - Eu só quero que as coisas fiquem bem de uma vez por todas entre a gente. (Seunome), a saudade que senti de você nesses últimos dias ultrapassou qualquer ressentimento que habitava em mim. Com você não ocorreu o mesmo?
     Ponderei sua pergunta por um momento. Não fazia ideia do que responder. Talvez, por ter percebido isso, ele prosseguiu:
     - As coisas são sim mais complicadas com você porque você tem um puta gênio. Mas eu enfrento sua forte personalidade, e o que mais a vida impor. Eu não vou desistir de nós só porque é difícil. - Ele sorriu, de repente. - Não sei se já te disseram, mas os homens gostam de desafios. E eu não sou exceção. Mas eu não vim para o seu telhado relembrar todas as noites que passamos aqui em cima e te pedir desculpas, atropelando meu orgulho, se fosse só pelo desafio. Eu tô aqui pelo que posso ganhar se tudo der certo. Eu tô aqui porque eu te quero mais do que qualquer coisa nesse mundo e eu não sei se acordarei amanhã, ou sei teremos uma vida longa. Tampouco sei se você vai ser capaz de me perdoar quando eu acabar com esse monólogo. Eu só sei que eu te amo e não te ter todos os dias da minha vida para falar isso é insuportável. Eu te amo como se minha vida dependesse só disso. Eu te amo como um dependente químico ama a sensação que é a droga se apoderando de seu corpo. - Então se levantou, puxando minhas mãos para que eu também levantasse. - Eu te amo como jamais imaginei ser capaz de amar alguém. Eu te amo tanto que até Afrodite, Deusa do Amor, é incapaz de amar. Eu te amo em um nível que nem eu mesmo entendo. Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...
     E de repente, foi como se só houvesse eu, ele e a frase que ele não cansava de repetir. Greyson me amava, afinal. E eu sempre soube disso. Entrelaçando as mãos em seu pescoço, olhei para o anel que brilhava em meu dedo. A sensação que me invadiu era tão maravilhosamente boa que eu pensei que não sairia viva. Era um êxtase completamente diferente de todos os êxtases que Greyson já proporcionara até o momento. 
     Então, senti o choque de seus lábios contra os meus em um beijo voraz e apressado. Era como se precisássemos saciar toda nossa sede um do outro só naquele toque. Mas também era como se fossemos morrer por estar fazendo aquilo. Morrer de qualquer coisa boa. De qualquer sentimento bom que simplesmente não cabia dentro da gente. 
     - Eu te amo - Greyson sussurrou, separando seus lábios dos meus. A intensividade que seus olhos passavam para os meus não ajudava na normalização da minha respiração. 
     E que se dane a respiração, pensei ao puxar seu braço até a ponta do telhado. Entendendo o que eu queria fazer, Greyson me ajudou a pular para a sacada e logo estávamos mais próximo do que nunca já dentro do me quarto. Eu entre seu corpo e a parede, e ele, arrancando minha blusa enquanto distribuía beijos  no meu pescoço.
     Mal nos importamos em chegar até a cama. Não tínhamos tempo para isso. Não sequer ligamos para isso. O que importava era não haver distância alguma entre meu corpo e o dele e nisso, se me permitem dizer, estávamos nos saindo muito bem. Tão bem que nosso corpos só ganhavam espaço entre si para tirar as roupas que tanto nos atrapalhavam. Mas essa complicação toda, depois de três minutos, não existia mais. Completamente nus, com os corpos colados e a respiração ofegante enquanto nos encarávamos olho-no-olho, nos apaixonamos mais uma vez em três anos. E não foi necessário nenhuma palavra para que entendêssemos o que o outro estava pensando. Estávamos tão interligados um no outro que até os pensamentos estavam sendo divididos. 
     Com cautela, Greyson puxou uma das minhas pernas até sua cintura e impulsionou seu quadril para frente, a fim de que nos completássemos definitivamente. Agora, éramos um só corpo. Uma só alma desfrutando dos prazeres da carne, e dos sentimentos do coração. 
     Quando o movimento vagaroso dos nossos quadris começaram a acelerar ensandecidamente, e minhas costas já batia com frequência na parece atrás de mim, finquei minhas unhas em seus ombros enquanto minha cabeça pendia para trás. Sua boca, soltando lufadas de ar em meu ouvido, só contribuiu para que meu ápice chegasse ainda mais rapidamente. O shock dos nossos quadris, o movimentos dos meus seios em seu peitoral, nossas bocas que entregavam todo o prazer que estávamos sentindo... Tudo deixava o quarto a mercê de algo quase afrodisíaco. Uma cena completamente bela de se ver.
     De repente, senti todo meu corpo tremer enquanto ondas de prazer me invadiam. Soltei meu corpo no chão quando os movimentos pararam e logo senti Greyson me abraçar, apoiando a cabeça no vale entre meus seios. Sua respiração quente se misturou com o suor que escorria pelo meu corpo, e nossas pernas, um verdadeiro emaranhado. Enfim, havíamos feito as pazes.
     - Eu não sei o que falar... - sussurrou, ofegante. 
     - Shiu!... Não estraga o momento.
     - Mas eu nunca estrago o momento.
     -Eu te amo.
     - Eu também te amo. E eu acho que não sou capaz de viver por mais tempo pra viver esse amor com você.
     - Shiu...!

FIM

P.s.: Ainda tem o epílogo que postarei depois!!!

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