quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Capítulo 11

Cap. 11 Réveillon.

     - SAI DE CIMA DE MIM SUA ANTA DO NORDESTE! – Ouvi alguém e gritar, e por estar gritando, devia ser Jane. Abri meus olhos, sentei-me na cama e encarei Greyson, que dormia em um sono pesado. Não havia ninguém no quarto, então me levantei, olhei o relógio que marcava 9h45min e saí do quarto sem fazer barulho para não acordar Greyson. Não foi preciso andar muito e achei o motivo e a pessoa que gritou. Alexa e Tanner haviam chegado, e pelo que parecia, Tanner estava imobilizando Alexa.
     - Ah, oi (seunome). – Tanner saiu de cima da irmã e veio me cumprimentar. Levantei Alexa que me deu um abraço.
     - Vocês não iam chegar só lá pro dia 3? – Perguntei.
     - Sim, mas quisemos fazer uma surpresa. Não iríamos passar o ano novo longe da nossa família. – Alexa disse dando uma cotovelada em Tanner.
     - Ah... Então sejam bem-vindos. – Falei sendo o mais simpática possível e voltei para o quarto. Fui ao banheiro, escovei os dentes, dei um jeito no fuá chamado cabelo, troquei de roupa e desci. Scott e Lisa não estavam na sala, mas o resto do pessoal estava.
     - (Seunome), vamos pra praia? – Jane me perguntou quando me viu descendo.
     - De novo? – Perguntei sem animação nenhuma.
     - É isso ou vamos ficar olhando um para cara do outro. – Jane disse sem entusiasmo.
     - Que sorte de vocês então. Ficar olhando para o meu belo rosto. – Falei ironicamente fazendo todos rirem. – Vamos esperar o Greyson acordar, aí nós vamos.
     - Por que não acordamos ele? – Tom perguntou fazendo todos ali presentes, olhar uns para os outros com malicia.

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     - Uma coisa é ser acordado por derramarem um balde d’água em você, ou com uma buzina no ouvido, ou batendo a cabeça em algo. Mas é sacanagem ouvir duas buzinas, uma de cada lado, se levantar no pulo e bater a cabeça em uma mesinha que supostamente foi colocada na minha cama e ainda ser molhado. – Greyson disse enquanto caminhávamos para a praia, já com Cody, Alli, Brad e Jones.
     - Mas esse é o espírito de férias. – Michael disse levantando uma mão como se, com aquele movimento, ele fosse receber um dom dos deuses.
     - Uma vez eu combinei com meu tio para ele se vestir de policial e acordar o Jones dizendo que ele estava preso. Jones teve que ir ao psicólogo por meses. – Brad disse normalmente como se aquilo fosse a mesma coisa que mascar chiclete.
     - Ai meu Deus! – Cody disse pausadamente enquanto mirava em algum ponto. Olhamos tentando enxergar o que provocara tal reação à Cody, mas a única coisa que vimos foi uma menina de pele morena, mas não tão escura, e assim como os olhos, seus cabelos eram castanhos. Ela parecia uma índia. Realmente linda. Olhei para o lado querendo ver a cara de Cody, mas o enxerguei longe, na outra calçada.
     - CODY! – Gritei, mas ele fingiu não ouvir. Corri até ele e o puxei de volta à calçada em frente à praia. – Você gosta dela não é? – Perguntei indicando a menina, que nesta hora, estava com uma prancha de surf, olhando para o mar.
     - Sim, mas ela não sabe disso. Quer dizer, já nos falamos algumas vezes, mas nunca fomos amigos. – Ele disse enquanto acompanhávamos o resto da galera que andava em direção ao mar.
     - Qual é o nome dela? – Perguntei tirando meus chinelos e carregando-os na mão.
     - Savannah. – Ele disse baixo como se ela pudesse ouvir. Lembrei-me da personagem Savannah que havia no livro que eu estava lendo e não pude esconder a cara de espanto.
     - Mas você acha que ela gosta de você? Ou pelo menos quer ser sua amiga? – Perguntei para Cody que há essa hora, já estava pálido de nervosismo.
     - Não faço ideia. – Ele respondeu respirando fundo.
     - Se você quiser eu posso te ajudar e... – Comecei a falar, mas antes que eu pudesse terminar ele já havia me pego no colo e comemorado dizendo mil obrigados enquanto pulava.
     - PeloamordeDeus! – Juntei as palavras. – Me solta doido!
     -Ei, que isso? – Greyson perguntou a me ver praticamente abraçada com Cody.
     - Chegou o ciumento. – Cody disse ironicamente enquanto me colocava no chão. – Não é nada de mais ok? Somos amigos e a (seunome) vai me ajudar com a Savannah.
     - Quem é Savannah? – Greyson perguntou enquanto me abraçava de lado.
     - Ela. – Apontei para a morena que agora, já estava na beira da água.
     - Linda. – Ele disse para si mesmo e eu o olhei com uma cara séria.
     - Espero que esteja falando de mim. – Disse o fazendo rir.
     - Claro meu amor. – Ele disse me dando um selinho.
     - Agora com licença que eu vou virar amiga da tal linda. – Falei o final da frase ironicamente fazendo os dois rirem. Caminhei até Savannah e tentei ser o mais simpática possível.
     - Oi, sou (seunome). – Disse apertando a mão de Savannah.
     - Sou Savannah. Você é americana mesmo? Porque seu nome é diferente. – Ela disse sorrindo.
     - Não, sou brasileira. – Respondi e ela arregalou os olhos.
     - Eu também! Quer dizer, mais ou menos. Meus pais são australianos, mas eu nasci no Brasil, e logo depois, minha família voltou pra cá. – Ela disse e eu sorri, tentando ser simpática.
     - Então... você surfa? – Perguntei apontando para a prancha.
     - Sim e você? – Ela respondeu parecendo animada.
     - Nem no videogame. – Respondi a fazendo rir.
     - Quer tentar? – Ela perguntou e em segundos, meu estômago embrulhou. Surfar? Naquela água fria? Naquele mar cheio de ondas fortes? Pela primeira vez sem antes praticar o equilíbrio? Tá né, tudo para ajudar Cody. Assenti e ela me puxou para o mar com um enorme sorriso. Ela me explicou tudo que eu deveria saber, e quando eu finalmente deitei na prancha  para esperar a onda vir, meus amigos correram até beira da água e ficaram me olhando surpresos, até mesmo Greyson. Mentira. Ele correu para onde eu estava enquanto dizia que eu podia me machucar. Eu disse que estava tudo bem e que sabia o que estava fazendo, mas pelo que eu o conheço, ele não ia sossegar. E foi o que aconteceu. Ele ficou na beira da água pronto para me salvar se preciso. Eu estava super tranquila, até ver uma onda que, segundo Savannah era pequena. Acho que ela mentiu, pois a onda tinha um pouco menos que dois metros. Respirei fundo e fiz tudo que ela me ensinara e o resultado foi um sucesso. Consegui ficar em pé na prancha até chegar à beira e fui aplaudida por todos, até mesmo Savannah.
     - Não sabia que você surfava. – Greyson disse me ajudando com a prancha.
     - Nem eu. – Respondi sorrindo. – Savannah, esse é Greyson, aquele Cody, Michael, Tom, Jane, Brad e Jones. Quer dizer, Jones e Brad. – Apresentei o pessoal enquanto ela dava um abraço em cada um.
     - Prazer, sou Savannah. – Ela disse o mais sorridente possível. – Eu já conhecia Cody. – Disse virada para mim o apontando. Olhei para ele e ergui as sobrancelhas, o fazendo rir nervoso.
     - Vamos ficar aqui mesmo ou vamos para água? – Alli quebrou o silêncio fazendo todos soltarem um “aé”. Entramos no mar e eu tentei ao máximo fazer Savannah ficar perto de Cody. Tanto é que eu passei praticamente o dia inteiro ao lado deles, fazendo Greyson ficar um pouquinho aborrecido. Pouquinho?
     - Eu vou parar de chamar o Cody pros lugares. – Greyson explodiu logo que chegamos em casa.
     - Eu estava o ajudando com a Savannah. Você não ajudaria um amigo? – Perguntei achando um absurdo tal reação.
     - E se ele não gostar da Savannah? E se ele esteja fazendo isso só pra ficar mais perto de você? – Ele disse me fazendo respirar fundo.
     - E se, e se... – Disse ironicamente. – E se nada Greyson. Ele é um amigo, e dá pra perceber como ele gosta da Savannah. Hoje eu só passei o dia com ele para tentar fazer com que ele chegasse nela. E devo dizer que foi um sucesso, pois se você não percebeu, na hora que sai de perto deles eu fui ficar com você, mas o senhor estava muito ocupado com a Alli. Mas eu me importei? Claro que não. Porque eu confio em você e confio nela também. Primeiramente vocês são meus amigos, depois vem o fato de nós estarmos juntos. Se você me ama, eu tenho que confiar em você, e não tem a desculpa de que eu deva desconfiar dela, pois ela parece ser um amor. – Esvaziei-me em palavras o fazendo ficar perplexo. Não ousei aumentar o tom de voz, pois não tinha motivo, mas a minha vontade era o deixar ali, sozinho.
     - É totalmente diferente. – Ele disse, mas antes que pudesse terminar eu o interrompi.
     - Aé? E qual é a diferença? Ah, deixe-me ver... Já sei, eu não posso encostar em nenhum garoto, mas você pode ter mil garotas em volta que eu não preciso ligar. Inclusive a psicopata da Lauren. – Fui irônica e deu para perceber que Greyson não estava tão calmo quanto antes. – Não há diferença Greyson. Não há! Eu estava ajudando um amigo, e você brincando com uma amiga. Diferente seria se vocês não fossem só amigos ou fossem ex-namorados quem sabe. – Falei e uma expressão de surpresa percorreu todo seu rosto. – O que foi? Vocês são ex-namorados? – Perguntei com medo da resposta. Ele me encarou e em seguida fixou seus olhos no chão.
     - Somos. – Ele disse me fazendo ficar perplexa.
     - Mas, p-por que não me contaram? – Perguntei tentado ser compreensiva.
     - Eu não vi motivo. Quer dizer, não estamos mais juntos, e eu gosto de você, não dela, então achei que não fosse necessário. Aliás, talvez isso pudesse virar uma barreira para a amizade de vocês. – Ele tentou se explicar, mas, mesmo sem motivo, eu fiquei magoada. Ou será que eu tinha motivo?
     - Eu não tenho o direito de ficar magoada, porque vocês não fizeram nada demais, mas teria custado eu saber desse pequeno detalhe? Sabendo que iríamos passar alguns dias aqui com ela, e ter virado tão minha amiga. – Falei segurando algumas lágrimas. Não sei bem porque eu estava chorando. Não poderia ser de raiva, porque sentir raiva do Greyson é impossível. Também não foi por medo de perdê-lo para uma ex, porque eu acredito que ele me ama, assim como o mesmo disse. E também não foram lágrimas de ódio da Alli, pois ela tem o direito de guardar isso para ela mesma. Talvez o relacionamento dos dois tenha sido um choque para ela, ou tenha ocorrido algo ruim, por isso não contou. Ou talvez ela tenha escondido para que a minha relação com Greyson não ficasse abalada. Seja como for, o que eu não tinha direito ali era de chorar.
     - Me desculpa pelo que eu disse sobre você e o Cody. Me desculpa por ser muito ciumento, e peço desculpas por não te contar sobre o meu antigo relacionamento com a Alli. – Ele disse enquanto me abraçava. Assenti e aproveitei para secar as lágrimas sem que ele pudesse ver.
     - Vou subir para tomar banho. Daqui a algumas horas é a virada do ano e eu não quero passar com cheiro de maresia e cheia de areia. – Falei enquanto separava meu corpo do dele. Ele levantou meu queixo e tentou olhar dentro dos meus olhos, mas desviei o olhar. Com certeza ele percebeu que não estava tudo bem, mas ele também sabe que não é bom insistir na mesma coisa por tanto tempo. Virei-me e subi as escadas, o deixando sozinho na sala. O resto do pessoal havia ido à casa dos ruivos para convencer a avó deles a passar o réveillon na praia com o resto do pessoal.
     Cheguei ao quarto e me atirei na cama. Minha cabeça matutava o verdadeiro motivo pelo qual nenhum dos dois havia me contado sobre o que houvera com eles há um tempo. Aliás, por quanto deve ter sido? E quando? Não sei, mas gostaria de saber. Levantei-me e entrei no banho. Eu não queria ficar me martirizando por isso, e o que eu poderia fazer de melhor era esquecer essa história. Entrei no banho e em quarenta minutos saí. Coloquei um vestido branco, bem estilo praia, uma rasteirinha com alguns brilhinhos e a mesma pulseira de ouro que usei no Natal. Coloquei um pequeno brinco preso à orelha e um brilhinho no segundo furo.  Não quis fazer nenhuma maquiagem, aliás, eu sempre odiei maquiagem, e só passava com extrema necessidade. Para mim, o mais bonito é o natural, e isso também servia para as joias. Joias demais nos deixam muito repugnante, assim como a maquiagem. Parece que você só é bonita com a ajuda deles, o que é a pura mentira. Meus cabelos foram presos em uma trança bem simples, que na ponta, carregava um elástico da cor do meu cabelo, para não chamar muita atenção. Olhei-me uma última vez no espelho e peguei o livro que estava lendo, “Dear John” (Querido John na tradução) e desci as escadas. O resto do pessoal já estava reunido na sala e não fui recebida de outra maneira a não ser com elogios.
     - Você está linda. – Greyson disse me fazendo dar um sorriso de lado. Com ou sem motivo, eu não podia fingir que estava tudo bem.
     - Ela é linda. – Tom corrigiu Greyson que lhe enviou um olhar severo.
     - Que coincidência. Eu também me acho linda. – Falei pra descontrair e acabar com o clima ruim entre os dois. Deu certo. Eles riram e eu me senti segura para me sentar junto a eles.
     - Vou me arrumar, já que ninguém se meche. – Jane disse se levantando. Fiquei parada onde estava e parece que ela leu meus pensamentos. – (Seunome), me ajuda a escolher uma roupa? – Ela disse e eu a agradeci com os olhos. A segui e chegando ao quarto ela pode me fazer mil perguntas. – O que houve com você?
     - Jane, o Greyson e a Alli são ex-namorados. – Falei em um tom baixo, mas alto o suficiente para que ela ouvisse.
     - CA-RA-LH*! – Ela soltou um palavrão e sua expressão era igual a minha quando soube. – Lembra quando ela ia falar algo e parou e não quis continuar? – Jane disse e eu me lembrei. Realmente, no dia em que nos conhecemos ela ia falar mais alguma história, mas não quis continuar. Insistimos, mas ela não cedeu, e depois esquecemos completamente.
     - Devia ser sobre isso. – Disse e ela concordou.
     - Mas como você está reagindo a isso? – Ela perguntou e eu dei de ombros.
     - Não sei como devo reagir. Não posso ficar magoada, pois não rolou nada entre eles desde que eu e Greyson começamos a namorar. Mas também não posso fingir que está tudo indo a mil maravilhas, porque é mentira. – Eu disse e ela me abraçou.
     - Você ama o Greyson? – Ela perguntou e minha reação foi de surpresa.
     - Mas que pergunta Jane. Claro que sim! – Respondi me desvencilhado de seus braços.
     - Você gosta da Alli? – Ela perguntou parecendo não ter se importado com a minha resposta.
     - Claro. Ela é uma ótima amiga. – Respondi e Jane sorriu.
     - Então você não sabe de nada. Finge que você nunca soube, porque, pelo que você disse, não precisa se preocupar com isso já que não rolou nada entre os dois desde que vocês estão juntos. E eles te amam, então, mesmo se o passado quiser voltar à tona, eles vão saber fazer o que é melhor para todos. – Ela me confortou e eu sorri de volta. Assenti e me levantei com outro ânimo, bem diferente do que eu estava há alguns minutos. – Então, já sabe que roupa vai usar?
     - Não faço ideia. – Ela me respondeu abrindo uma gaveta da cômoda. Havíamos posto nossas coisas no guarda-roupa e na cômoda, enquanto os meninos deixaram suas roupas nas bolsas mesmo.
     - Jane, você está tentando fazer ciúmes em Michael com o Jones? – Perguntei e ela soltou um sorriso de orelha a orelha.
     - Aham. Você acha que está funcionando? – Ela perguntou animada me fazendo rir.
     - Funcionando? O Mimi tá fervendo de ciúmes. – Eu disse a deixando nas nuvens.
     - Sabe (seunome), acho que nunca gostei realmente do Greyson. – Ela disse me surpreendendo.
     - Como assim? Você falava dele 23h59min do dia! – Disse a fazendo rir.
     - Eu sei, mas com o Michael é diferente sabe? Acho que eu dizia gostar do Greyson mais por ele ser o bambambã da escola depois do Greg, e ter mil meninas caindo aos seus pés. Acho que foi tudo...
     - Fogo de palha. - Completei a fazendo rir e depois concordar.
     - Exatamente. Algo muito diferente do que sinto pelo Michael. Com ele me sinto confortável, feliz, amada. Nós brigamos bastante, mas quem se ama sempre briga, e no final, acaba sempre em abraços, que, da minha parte pelo menos, é carinhoso. Acho que isso...
     - É amor. – Completei novamente e ela fez uma careta.
     - Sai daqui Mãe Diná. – Ela disse me fazendo rir. – Mas é exatamente isso. Todos os relacionamentos muito perfeitinhos, calminhos, que só tem love acaba sempre em traição. – Ela disse me fazendo perceber como o meu relacionamento com o Greyson era muito perfeitinho. Fiquei com medo, afinal, o que ela disse era verdade. Mas não quis esquentar a cabeça com isso, aliás, estávamos junto há um mês ou menos, seria pedir demais que brigássemos entre esse período de tempo.
     - Tá, mas agora se arruma logo que ainda tem um bando de gente na fila, só esperando você. – Disse puxando um short e uma blusa branca que achei na pilha de roupas dentro da gaveta. – Veste isso aqui e mate o Michael com tanta beleza. – Eu disse a fazendo rir e depois desci para a sala.
     - Ela já tá pronta? – Tom perguntou perplexo me fazendo rir.
     - Não. Vai entrar no banho só agora. – Disse fazendo todos soltarem um “ahh” sem nenhuma animação.
     - O que vocês estavam fazendo lá então? Plantando pedra na horta? – Michael disse me fazendo soltar um “ã?” bem óbvio.
     - Não tem horta lá em cima. – Greyson disse o óbvio.
     - Nem se planta pedra. – Tom disse o óbvio do óbvio do filho do neto do padrinho do vizinho do primo da prima do outro vizinho de mais um primo do primo do avô do irmão do tio do óbvio.
     - Jura Tom? Acho que se você não falasse isso, eu nunca iria saber. – Fui irônica fazendo todos rirem. – Me deu até sede saber desse fato que só os sábios sabiam. Nem mesmo Shakespeare sabia disso. – Fui irônica mais uma vez e logo depois fui até a cozinha beber água.
     - Está tudo bem (seunome)? – Tom perguntou assim que eu enchi o copo d’água e encostei meus lábios. Claro que eu engasguei e quase cuspi tudo nele, mas eu não sou má a tal ponto.
     - Ah, claro. Por que não estaria? – Falei sem jeito e pude perceber que ele não acreditou. Falei com olhos e dei um meio sorriso desanimado e ele assentiu.
     - Você sabe que pode contar comigo pra tudo não é? – Ele disse me abraçando. Aproveitei aquele abraço para me confortar e assenti, sorrindo verdadeiramente.
     - Mais do que qualquer pessoa. – Respondi ainda no abraço e Greyson apareceu na porta.
     - Cof, cof. – Greyson tossiu de propósito fazendo Tom me soltar para ver quem era.
     - Já estava de saída. – Ele disse saindo da cozinha e me deixando a sós com Greyson.
     - Qual o problema agora? – Perguntei com calma enquanto colocava o copo da pia.
     - Por que você acha que tem problema? – Ele perguntou se sentando no balcão.
     - Você não fingiria uma tosse para me fazer soltar Tom. Ainda mais você que é ciumento ao extremo. – Falei me virando ficando de frente para ele, só que mais baixa devido a altura do balcão.
     - Acertou novamente. Eu não gosto quando você...
     - Greyson, por favor. Ele é meu amigo, na verdade, meu melhor amigo. Conheço ele há uns oito anos, bem antes de conhecer você. Ele mais do que ninguém merece um abraço saudável, porque nem eu e muito menos ele pensa em segundas intenções. – O interrompi.
     - Sei lá ué. Talvez depois do que ocorreu no natal, vocês tenham começado a mudar de ideia a respeito disso. – Ele disse e eu não estava acreditando em tais absurdos que o tal garoto perfeito dizia.
     - Greyson! Já discutimos isso. Estávamos bêbados e chegamos a conclusão que não rolou nada entre a gente. – Falei tentando ser o mais calma possível.
     - Esse pode ser a sua cabeça, mas você não sabe a dele. – Ele disse e eu percebi que aquela discussão não ia levar a lugar algum, e que se eu passasse mais cinco segundos ali, eu começaria a elevar a voz.
     - Não Greyson. Essa é a sua cabeça. A sua cabeça que pensa que meus amigos querem muito mais que amizade. A sua cabeça pensa que eu deva usar algemas com você para nem sequer olhar para a roupa de algum garoto. A sua cabeça pensa que é normal você agir assim com tudo. Porque daqui a pouco, quando eu der um beijo na Jane você vai sentir ciúmes. Ciúme demais é doença Greyson, e eu não quero que te ver doente por coisas tão bobas. – Falei e em seguida sai segurando algumas lágrimas de angústia. Topei com Tom que simplesmente não disse nada, apenas me abraçou apertado, percebendo é claro que eu não estava legal.
     - (Seunome)! – Ouvi Greyson me chamar e em seguida me separei de Tom dando de cara com Greyson.
     - Depois Greyson. – Disse e sai da casa, sem saber aonde ir e o que fazer. Apenas quis sair dali, para não piorar o que já estava ruim.
     Passos atrás de passos, metros seguidos de centímetros e pela ironia do destino, encontrei Cody.
     - Por que você está chorando? – Ele perguntou assim que me viu.
     - Problemas com o Greyson. – Respondi me sentando em um banco enquanto Cody fazia o mesmo.
     - Você se sente a vontade se me contar? – Ele perguntou e eu suspirei.
     - Promete não comentar nada disso com ninguém? – Perguntei e ele sorriu.
     - Prometo. – Ele disse e eu assenti.
     - Primeiramente o Greyson ficou com ciúmes, dizendo que eu estava muito grudada com você. Depois acabei descobrindo que ele e a Alli namoraram. Ei, você sabia disso? – Perguntei e Cody balançou a cabeça positivamente. Suspirei. – Isso não importa tanto. Não há essa altura do campeonato. Bom... Continuando. Nós tivemos uma pequena discussão e depois de um tempo, quando voltei para onde ele estava, eu fiquei a sós com Tom na cozinha e nós nos abraçamos. Mas isso é natural, ainda mais com um melhor amigo. E eu conheço Tom há tanto tempo que se eu dissesse que ele era a pessoa mais importante da minha vida, não seria nada estranho. Bem... Nos abraçamos e Greyson viu e deu um escândalo praticamente. Disse que talvez eu e Tom pudéssemos querer algo amais que amizade, e eu conclui que Greyson está ficando cada vez mais enciumado. E você deve saber que ciúmes demais é doença. – Terminei de falar e Cody mordeu os lábios.
     - Lhe agradeço pela ajuda, mas peço desculpas por causar essa confusão toda. – Ele se desculpou, mas balancei a negativamente.
     - Você não me deve desculpas Cody. – Disse o fazendo sorrir aliviado.
     - Quando Greyson namorou a Alli ele não era ciumento. Não me lembro pelo menos. – Ele disse e percebi que aquela era a oportunidade de eu saber toda a história dos dois.
     - Quando eles namoraram? Por quanto tempo? Por que terminaram? – Fiz várias perguntas, mas Cody nem sequer soltou um meio sorriso.
     - Eu não sou a melhor pessoa para te contar isso. Na verdade, eu não sou a pessoa certa, mas ela é. – Cody apontou para algum ponto na escuridão e, pela roupa branca da pessoa que estava chegando, eu pude enxergar uma menina loira de olhos brilhantes. Era Alli.
     - Finalmente te achei seu bode. Você viu o que você fez com o banh... oi (seunome)! – Alli foi falando com Cody, mas parou para me cumprimentar. – Por que esses olhos vermelhos?
     - Ela estava chorando Alli. – Cody disse e Alli logo se sentou ao meu lado. – Vou deixar vocês a sós. Cody saiu e ela me olhou confusa. Respirei fundo e contei, com mínimos detalhes, tudo que havia ocorrido entre mim e o Greyson.
     - Eu sinto muito não ter te contado sobre... – Alli começou a falar, mas a interrompi.
     - Não precisa se desculpar. Isso não importa mais. – Eu disse e ela me abraçou. Forte.
     - Imagino que você queira saber sobre como foi meu relacionamento com o Greyson certo? – Ela disse e eu assenti, enquanto secavas algumas lágrimas.
     - Começamos a namorar há dois anos, quando fui para Los Angeles, nas férias de verão. Mas antes, ele costumava vir aqui na Austrália, já que seus pais eram amigos dos meus e ele era, e é até hoje, eu acho, melhor amigo de Cody. Depois que voltei para cá, ainda ficamos namorando por mais meio ano, até que apareceu a Lauren. Ela no início parecia legal, mas comecei a perceber como ela estava acabando com o meu relacionamento com o Greyson aos poucos. Conversei com ele, e decidimos terminar, antes que aquilo tudo acabasse nos prejudicando de alguma forma. A partir daí, viramos grandes amigos, e nunca ligamos para o fato de termos nos apaixonados antes. – Ela terminou de falar e apenas uma lágrima caiu de seu olho esquerdo. Uma única lágrima que foi logo secada, por mim. A abracei forte e ali me confortei em seus braços. – Mesmo ele estando muito ciumento ultimamente, não faça com que vocês passem a virada do ano sem se falarem. A virada tem que ser um momento mágico, e eu entendo o lado dele, assim como o seu. – Ela disse depois que me abraçou. – Nós terminamos, mas ainda dava para perceber que não queríamos exatamente aquilo. Durante todo o nosso namoro, ele sempre foi muito carinhoso, compreensível e alegre, animado. Acho que toda essa ciumeira é pelo fato do nosso relacionamento acabar como acabou. Tenho certeza que ele está com medo de te perder, por isso tal comportamento. Mas (seunome), você deve superar todas essas barreiras se o ama realmente. Você assim como eu sabe que ele merece todo o nosso esforço para que ele seja feliz. Ele sempre se preocupou tanto com todos... está na hora de nos preocuparmos com ele. – Ela disse e assenti sorrindo e secando as últimas lágrimas que caíram do meu rosto. A minha vontade era perguntar se ela ainda gostava dele, mas seria constrangedor para ela. Então decidi esperar e o tempo, se fosse generoso comigo, iria responder. – E além do mais, você não vai querer dar o gostinho da Lauren o ver solteiro, ou vai? – Ela disse me fazendo rir.
     - Mas eles não já namoraram? – Perguntei e Alli balançou a cabeça negativamente soltando uma risada fraca.
     - Ficaram por um tempo, mas foi numa época em que a Lauren estava sofrendo. O porque do sofrimento eu não sei, mas tenho quase certeza de que Greyson ficou com ela por pena, não amor. Ao contrário de você. Dá para ver nos olhos dele como ele é louco por você, menina. – Ela disse dando uma leve cotovelada em mim e me fazendo corar.
     - Mas então, já está pronta? Quer ir lá pra casa? – Perguntei me levantando animada a fazendo rir.
     - É melhor que ficar sozinha com o Cody. – Ela disse e eu soltei uma risada muito estranha, que a fez rir. – O Tom está lá? – Ela perguntou quase num sussurro.
     - Está sim, por que? – Perguntei já percebendo uma segunda intenção na pergunta da minha amiga. – Vai me dizer que você gosta dele? – Meu tom de voz aumentou e minha animação também.
     - SHH! – Fez Alli. – Fala baixo menina! É, eu gosto dele, mas só um pouquinho. – Ela disse e eu a encarei. – Tá bom, muito. Mas isso morre aqui! – Ela disse quando finalmente chegamos no hall de entrada. Abri a porta e encontrei Jane, Michael e Cody em um sofá, conversando, enquanto Greyson estava sentado em um degrau da escada, sozinho, e sua expressão não era a das melhores.
     - É melhor você ir falar com ele. – Alli disse percebendo meus olhos fixos nele.  Assenti e fui em direção a ele, enquanto ela se juntou aos outros.
     - Eu posso falar com você? – Perguntei em um tom baixo enquanto me sentava ao lado dele.
     - Eu também queria falar com você. – Ele disse se virando para mim, e assim, pude ver seus olhos inchados e vermelhos. – Eu queria me desculpar por ser tão ciumento e arrogante. Eu não deveria ter dito nada daquilo. O Tom e o Cody são seus amigos e você tem todo o direito de abraça-los e tudo mais. E além do mais, eu não mando em você, não sou seu dono. A qualquer momento você pode querer terminar comigo, e o que eu vou fazer? Cuidar da sua vida enquanto eu não tenho nada haver com ela? Acho que isso é errado, e você tem razão em dizer que ciúme demais faz mal, é doença. – Ele disse e eu sorri. O abracei apertado e finalmente parecia que estava tudo bem entre nós.
     - Eu não queria passar a virada brigada com você. Não é legal brigar com quem você ama, mas alguém me disse que um relacionamento sem brigas não é um relacionamento verdadeiro. – Disse depois do abraço. Ele sorriu e acariciou meu rosto. Fui chegando acada vez mais perto dele, e em segundos nossas respirações viraram uma só. Ele fechou seus olhos e eu fiz o mesmo quando senti meus lábios nos dele. O beijo não foi duradouro. Na verdade, foi apenas um selinho, mas pude sentir que fora o mais intenso de todos. O mais verdadeiro. Terminei o beijo e encostei a cabeça em seu ombro, enquanto ele brincava com a minha trança. Ficamos assim, quietos, apenas aproveitando um ao outro no silêncio até todos ficarem pronto e enfim, irmos para a praia.
     Dez para a meia noite e estavam todos sentados em uma roda na areia. Os pais de Greyson, a avó de Jones e Brad e até mesmo Savannah fazia parte da roda, enquanto desconhecidos bebiam longe dali.
     - Agora que está perto da virada do ano, vamos fazer um jogo que eu sempre gostei de fazer. – Lisa começou a falar enquanto todos ouviam atentamente suas palavras. – Eu começo dizendo o que de melhor aconteceu na minha vida durante o ano de 2011, e também o de pior. Depois escolho outra pessoa para fazer o mesmo. Todos de acordo? – Ela perguntou e todos concordaram. – Então tá. O que me aconteceu de melhor foi a alegria de viver por mais um ano junto com minha família. E nada aconteceu de ruim, pois o que me aconteceria se tenho minha família ao meu lado? – Ela terminou de falar e todos a aplaudiram. – Agora você Alexa.
     - Xápensar. – Ela juntou as palavras. – O que me aconteceu de melhor foi, além de passar mais um ano com a minha família, tirar minha carteira de motorista. – Ela disse e todos riram. – E o pior foi ter que fazer a prova pra tirar a carteira cinco vezes. – Ela terminou de falar fazendo todos rirem novamente. – Vai pirralho.
     - Pirralho sou eu, prazer. – Greyson disse tirando a dúvida de muitos. – A melhor coisa que me aconteceu foi me apaixonar pela (seunome). – Ele disse e todos soltaram vários “awn” me fazendo corar. – E a pior coisa foi não ter a chance de me apaixonar por ela antes. Agora você! – Ele disse se virando para mim.
     - Ai senhor... ok. A pior coisa foi ter sofrido na mão do Greg, mas eu fui salva por uma das pessoas que mais amo no mundo, e ter a chance de abraça-la é a melhor coisa que me aconteceu esse ano. – Eu disse e como esperado, todos aplaudiram. Olhei para Jane que tinha lágrimas nos olhos, e não pude conter a emoção que poucas e simples palavras me traziam. Greyson me abraçou e ali eu me confortei em seus braços. – Agora a Alli.
     - A melhor coisa foi poder virar amiga de pessoas tão incríveis, e a pior foi ter que aturar sozinha meu irmão por dias. – Ela disse e todos riram do final de sua confissão.
     - Agora é a última pessoa Allison. Escolhe bem! – Lisa disse depois que olhou no relógio.
     - Ok. Vai Michael.
     - A pior coisa foi não poder ver meu pai tão presente na minha vida. E a melhor coisa foi achar uma nota de cinquenta dólares. – Ele disse e todos riram. Reparei a expressão de Jane que não era uma das melhores, mas logo ela mudou quando Michael voltou a falar. – Mentira. A melhor coisa foi poder viver mais um ano sendo, pelo menos, amigo de uma das pessoas que mais amo na vida. – Ele terminou de falar e todos, ao mesmo tempo, olharam para Jane que estava muito vermelha.
     - Agora vamos nos preparar para a virada, porque só faltam alguns minutos. – Scott anunciou e todos se levantaram. Os meninos pegaram cada um, uma garrafa de champanhe, esperando apenas a hora certa de abri-los.
     Todas as meninas, tirando Lisa e a avó dos ruivos, correram para a beira do mar, apenas molhando os pés. Ficamos um tempo conversando e de repente ouvimos a contagem regressiva.
     DEZ, NOVE, OITO, SETE, SEIS, CINCO, QUATRO, TRÊS, E DOIS E UMMMMM! Todos gritavam enlouquecidos e num piscar de olhos, estavam todos encharcados de champanhe. Cumprimentei as meninas e fui surpreendida por um banho de champanhe. Greyson pegou a garrafa e a virou em mim. Corri e pulei no mar, e o mesmo foi atrás. Mergulhamos e, de baixo d’água, demos um beijo salgado. Subimos até a superfície e todos comemoravam na água. Desejei feliz ano novo para o resto do pessoal, e quando fui até Tom e Cody, Greyson não reclamou, o que me deixou aliviada.
     - Quer champanhe? – Greyson me ofereceu e eu balancei a cabeça negativamente desesperada.
     - Depois daquele dia nunca mais. – Disse o fazendo rir. Aproveitamos o mar que agora era banhado de energia positiva de todos e muito champanhe.
     Passado uma hora, todos os jovens foram para areia, enquanto Brad e Jones faziam uma fogueira improvisada. Lisa, Scott e a avó dos ruivos já tinham ido para casa, e depois de conversarmos muito em volta na fogueira, os casais foram se sentando mais afastados dos outros. Eu e Greyson sentamos na beira do mar enquanto nossos pés, descalços, eram banhados pela água salgada do mar. Jane e Michael haviam ido para algum lugar bem longe dali, e ninguém os viu saindo. Cody convidou Savannah para dar um mergulho e depois, se sentaram num banco que havia na calçada. Alli tentou ficar a sós com Tom, mas por algum motivo ele não quis, e assim acabou ficando os dois e os ruivos em volta da fogueira rindo alto sobre alguma palhaçada que Brad, o mais animado ali, fazia.
     Deitei-me ao lado de Greyson na areia enquanto mirava a lua que enchia todos de luz. Esperei até uma nuvem tampá-la deixando a madrugada mais escura e me virei para Greyson. Ele não tirava seus olhos de mim, e eu não pude conter um dos meus melhores sorrisos.
     - Me promete uma coisa? – Ele perguntou enquanto eu ainda sorria.
     - Se estiver dentro dos meus limites, sim. – Respondi e ele continuou sério.
     - Promete que vai durar para sempre? – Ele perguntou e eu sorri.
     - Não. – Respondi e seu rosto tomou uma expressão confusa. – Eu prometo durar enquanto nós dois sejamos felizes. – Terminei de falar e pude ver que seus olhos brilhavam como nunca. A nuvem que cobria a lua finalmente tomou outro rumo e ali, à luz do luar, selei nossos lábios.

AVISO: Enchancers, desculpem algum erro ortográfico, ainda não tive tempo de ler, porque agora que quatro atividades minhas (ballet, jazz, sapateado e street dance)  voltaram, estou ficando cada vez mais sem tempo, e pra conseguir escrever os outros capítulos, eu estou deixando de ler os que já escrevi. Qualquer coisa repetida ou absurdamente errada me falem pelos comentários, e eu espero que gostem, e como sempre, comentem. Beijos da Mi =)

5 comentários:

  1. continua logooooooo por favor ta muito bom mesmo

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  2. Você é simplismente demais, se vc escrever alguma coisa e mandar para uma editora vc fica rica, você tem talento e futuro!

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  3. Uau! Você é boa demais! #UmDosMelhoresImaginesDoMundo'! CONTINUAA! PLEASE!!!!

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  4. entra no meu imagine por favo e tbm com o greyson tai o endreço
    http://greysonchanceseguidores.blogspot.com/

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