quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Capítulo 3

Cap. 3 Um novo amigo.

     - Bom dia alunos. – O professor tinha acabado de entrar na sala e foi falando com a turma de costas. – Michael e Tom, se ajeitem na cadeira.
     - Como o velhote pode ver por trás? – Tom perguntou perplexo.
     - É que vocês já estão muito previsíveis. – Respondi enquanto ajeitava o rabo de cavalo.
     - Bom, eu tenho uma surpresa para vocês. – O professor começou a falar virando de frente, até que foi interrompido por Tom.
     - É boa? – Tom disse fazendo cara de entediado.
     - É dinheiro? – Michael foi entrando na onda.
     - É chocolate? – Perguntou uma menina que sentava lá no canto da sala.
     - É uma mina super gata? – disse uma voz lá de trás. Com certeza era um garoto bem mulherengo.
     - É um livro de física aplicada? – o nerd que sentava na primeira carteira perguntou todo animado.
     - Não! – o professou berrou para fazer todos pararem de falar. – É algo melhor! Não melhor do que o Michael disse, mas dá para se divertir bastante com isso. – Todos riram. – Vou sortear o nome de apenas uma pessoa para apresentar o seminário, o resto não precisará apresenta-lo. – todos comemoraram e até ouvi um grito lá do fundo da sala “valeu tiozão!” - mas darei um teste para cada. – completou o professor. Todos suspiraram. – E quem eu sortear não irá apresentar o seminário para a sua turma, e sim para a turma que estiver agora na sala 13, seja ela qual for.
     - Mas professor, o seminário não foi feito em individual. Então se o nome da sua dupla for sorteado você irá apresentar com ela ou fará o teste?
     - Você receberá a nota que sua dupla receber, mas você não precisará apresentar e nem fazer o teste. – O professor respondeu a pergunta de Jane sorrindo para ela. Ele não era tão simpático assim, mas parecia que ele puxava muito o saco dela.
     - Portanto que não seja eu tudo ótimo! – Tom já veio se virando para falar comigo. Ele estava sentado bem no meio da sala. Ao seu lado direito estava Michael. Do lado esquerdo eu, e atrás de mim Jane.
     - Bem, eu não diria isso. Se você não apresentar o seminário você vai ter que fazer um teste, ou seja, estudar muito mais porque ele pode estar bem difícil. E mesmo assim, o seminário já está feito então não custa nada apresenta-lo, senão seria trabalho e tempo perdido. No meu caso, noite de sono perdida. – disse me virando de lado para poder falar com meus amigos.
     - Bom, vou sortear agora. E para vocês não dizerem que eu estou “roubando” – ele disse fazendo aspas com os dedos indicadores e do meio – vou fechar os olhos e olhar para trás. Ele abriu a chamada e passou o dedo por ela. Ainda meio que virado para trás e olhos fechados ele parou o dedo, virou para frente e abriu os olhos. Todos estavam esperando na expectativa, então alguém no fundo da sala gritou, devia ser o mesmo que havia pensado que a surpresa era a tal da garota.
     - Fala logo coroa! – todos riram, menos eu e Jane.
     - Senhor Michael – todos pararam e olharam para ele. Ele estava super assustado e encarava o professor com muita surpresa.
     - Fala sério que fui eu! – ele disse batendo a mão com força em cima do caderno.
     - Eu iria te dar os parabéns porque não foi você o sorteado, porque imagino que o senhor não tenha feito o seminário. – O professor disse com um ar de “MUAHAHA TE PEGUEI LEZADO!” e todos riram de Michael.
     - Afinal, quem foi? – Jane perguntou com um tom de voz um pouco mais alto do que o normal. Ela estava realmente nervosa.
     - Senhorita (seunome&sobrenome) foi sorteada. – O professor completou olhando para seu dedo que estava apontando (seunome).
     - Parabéns amiga! – Jane disse dando um tapinha de leve no meu ombro. – Vê se apresenta direito porque precisamos de uma nota alta!
     - Aê (seunome)! Não vai precisar fazer o teste! Dessa vez você não foi um imã do azar hein! – Tom disse bagunçando mais ainda meu cabelo (se é que isso era possível).
     - Ah meu Deus! Eu não esperava por isso. – Eu disse botando a mão no coração.
     - Vamos (seunome). Você poderá levar sua dupla para assistir. Vou levar vocês até a sala e explicar para os alunos o que está acontecendo. Depois voltarei aqui para passar trabalho para os alunos e voltarei para a sala 13 para assistir a apresentação do seminário e dar a sua e a nota da senhorita Jane.
     - Tá, tu-tudo bem. – Gaguejei. É eu estava um pouco (muito) nervosa! – Me levantei e Jane me acompanhou. Caminhei até a porta e me virei. Tom e Michael me desejaram boa sorte e sai da sala. Minhas mãos estavam soando e Jane parecia um pouco nervosa também. Ela estava segurando os papéis na mão e logo que entramos na sala 13 ela me entregou.
     - Boa sorte amiga! Não gagueja e fica calma! – Ela me abraçou me apertando um pouco forte. Ela parecia mais nervosa do que eu. Mentira! Eu estava quase cavando um buraco e me enfiando dentro para não encarar aquela turma.
     - Com licença. Eu sou o Professor Bradween – ele disse já entrando. “O nomezinho lindiu” pensei. – E vim aqui para apresentar à turma a senhorita (seunome) e senhorita Jane. Elas foram sorteadas para apresentar um trabalho a vocês, então quero respeito.
     - Então a Jane pode me ajudar? – Olhe esperançosa para ele.
     - Não. – ele respondeu seco como sempre.
     - Mas você disse “Elas foram sorteadas para apresentar um trabalho...”, ou seja, nós, eu e Jane.
     - Mesmo assim não! – ele me encarou e suspirei. Fui andando para frente da lousa e pigarreei.
     - Bom dia! Eu irei apresentar o seminário que eu e minha dupla, Jane, fizemos. – neste momento todos vaiaram a ouvir a palavra seminário. – Ele é sobre a cultura dos povos afrodescendentes e... – Parei de falar quando ao meio daquelas dezenas de pessoas eu vi o rosto do Greyson. Eu não acreditei quando vi que ele era daquela turma, da sala 13 e eu ia ter que apresentar meu trabalho para ele. Olhei para Jane e ela pode ler meus lábios, eu havia dito “GC” e ela sabia a quem eu me referia. Ela o procurou e o achou olhando para mim com um sorriso de canto de boca. Ele parecia estar achando engraçado eu toda enrolada tentando falar. É, ele é um fofo, ele é u... O QUE? Para já com isso mente! – Bom... Então a discursão foi iniciada pelo fato de que os afrodescendentes... – Já havia passado um tempo, o professor Bradween já estava na sala e parecia que ele estava gostando do seminário. Eu já estava finalizando quando vi o Greyson cochilando na carteira o que me fez parar de prestar atenção no que estava fazendo e começar a rir. Eu ri um pouco alto de mais o que o fez acordar assustado, me fazendo rir um pouco mais até o professor interromper meu momento de laugh para acabar com minha felicidade.
     -  Você está perdendo ponto por isso senhorita (seunome).
     -  Desculpe. Então a conclusão que tiramos sobre os afrodescendentes é que, depois de tudo que eles passaram, muito da nossa cultura está envolvida com a deles e vice-versa. – Ninguém bateu palma nem nada. Parecia que ninguém havia percebido que eu acabei de apresentar o meu trabalho, ou seja, ninguém prestou a atenção. Mas felizmente, Greyson começou a bater palma e assobiar, o que fez com que o resto do povão acordasse e batesse palmas junto com ele. Ele era uma boa pessoa. – Obrigado pessoal. – dei um sorriso forçado e fui ao encontro da minha amiga super nervosa chamada Jane.
     - Foi muito legal amiga! Parabéns, com certeza vamos ganhar uma nota ótima, você estava incrível. E olha quem tá vindo ali. – Jane disse apontando (que coisa feia!) para um garoto que estava vindo em nossa direção. Virei e era Greyson.
     - Aê! Dessa vez você não derrubou nada em mim! – Eu disse fazendo Jane e Greyson rirem.
     - Agora estou esperto para quando vir falar com você não trazer nada em minhas mãos. Bom... Você foi incrível, na verdade, o trabalho de vocês estava incrível. – Ele disse fazendo Jane sorrir que nem uma retardada.
     - Ah fala sério que eu sei que você não prestou a atenção! – Eu disse rindo da minha própria “piada”. – Ah, e isso é seu. – Fui tirando a jaqueta de couro preta do Greyson e lhe entregando. – Não preciso mais, já fiz o que precisava fazer com boa aparência, ou quase. - Jane e Greyson riram da careta que fiz ao dizer “ou quase”.
     - Poderia ficar com ela, ficou muito bem em você. – Ele disse e eu corei.
     - Ah, não obrigada. A jaqueta é masculina. – Eu disse com a voz afetada no final da frase, fazendo muitas pessoas em volta olharem estranho para mim. – Mas então, acha que vamos tirar uma boa nota? – Disse para tentar puxar assunto, porque eu havia percebido que se dependesse de Jane nós iriamos ficar olhando um para cara do outro.
     - Não precisa da opinião dele senhorita. Vocês tiraram 4,5. – O professor disse enquanto eu me virava assustada para encará-lo.
     - 4,5? Foi tão mal assim?
     - Senhorita, o trabalho valia 5,0 e a média é 3,0. Não acha que essa nota é boa? Porque qualquer coisa eu posso abaixar e...
     - Nãaaaaaao! Tá ótimo professor. – Eu disse com um sorriso de orelha a orelha. Abracei Jane que me abraçava com força, e é claro, Greyson fez parte da comemoração improvisada abraçando nós duas e pulando com a gente. Nós tínhamos um novo amigo, e ele se chamava Greyson Chance.



Comentem enchancers?! =)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Capítulo 2

Cap. 2 Confusão básica
     Bateu o segundo sinal. Depois de uma hora, o terceiro. Depois mais uma hora e tchanan: INTERVALO!
     Eu não consegui prestar a atenção em nenhuma aula. Minha cabeça estava muito cheia, cheia de preocupações com tudo que estava acontecendo entre eu, Jane, Greyson e Greg. Eu estava com medo de perder a amizade da minha melhor amiga por causa de um garoto. E minha cabeça também estava principalmente cheia de Greyson e seu lindo sorriso, cheia de... O QUE? LINDO SORRISO? COMO ASSIM? É, parece que as coisas mudaram muito rápido.
     - Ei, me espera maluca! – uma menina loira saiu correndo atrás de mim.
     - Ah, desculpa Jane, eu nem me lembrei de você.
     - O que? Grande amiga você é! Esquecendo da sua bff. – Jane disse com voz afetada e com bico, me fazendo rir. - Parabéns pra você, daqui a pouco esquece que tem o seminário pra apresentar ainda hoje depois do intervalo.
     - O seminário! Eu já tinha me esquecido. – disse colocando a mão na cabeça. – Obrigado Jane. – Sorri e a abracei.
     - Cof, cof – Alguém havia tossido atrás de mim, virei para olhar e... bom, mais uma rodada de bebida na camiseta, que agora não era só a minha que estava encharcada, era a dele também.
     - Você tem algo contra mim ou eu terei que parar de falar com você com copos na mão? – Era Greyson que já veio pegando um pano que ele arrancou da mão de alguém que passava só para me secar.
     - Você sempre anda com bebidas ou você só faz isso quando vem falar comigo? – Eu ri um tanto alto o fazendo rir junto comigo. Ai, aquele sorriso, aqueles olhos brilhando, aquelas sardas no rosto, aquele bom humor, aquela felic... O QUE ESTOU DIZENDO? Eu tenho que parar com isso. Meus pensamentos estão fora de controle, e daqui a pouco minhas ações também estarão.
     - Bom, eu acho que tem um pouco de propósito nisso. – ele disse, eu ri, eu estava ficando cada vez mais boba. – Mas está tudo bem? Porque eu sempre te vejo bem... ah, como posso dizer isso? É...
     - Bonita bem vestida e alinhada? – completei fazendo-o rir. Ele concordou com a cabeça e eu dei uma risada baixa. – Bom, não acordei ainda completamente, estou meio (totalmente) com sono.
     - Minha pergunta foi meio fora do normal, desculpe. É que você sempre chama a atenção quando chega, todos os meninos sempre te olham, dá pra perceber de longe... – Neste momento eu corei e olhei pro lado para não encarar Greyson. Ah qual é, eu estava com muita vergonha. Mas der repente, não achei quem eu queria. Onde está Jane? Olhei para trás e Greyson parou de falar e me encarou um pouco preocupado. – O que houve?
     - A Jane sumiu. Ela estava bem aqui e... – Eu parei de falar quando vi Greg, o garoto que eu sempre gostei, num canto com uma pessoa. Quem? Jane. Fazendo o que? Se beijando.
     Eu não pude acreditar. Meus olhos se encheram de lágrimas, minha garganta deu um nó e eu não aguentei de dor. Dor no coração, na minha alma. Greyson me abraçou e perguntou desesperado o que estava acontecendo. Não tive força para dizer nada, eu só queria chorar, e não ver aquela cena nunca mais, e chorar mais, e mais e continuar abraçada com Greyson, o garoto que há algumas horas atrás, eu odiava.
     - Me diz o que está acontecendo. Eu quero ajudar! – Greyson pedia enquanto me levava para o pátio da escola. Ele me sentou em um banco e se sentou ao meu lado me encarando. Dava para ver nos olhos deles que ele se importava comigo. Respirei fundo, solucei devido ao choro e tomei forças para dizer o que eu tinha visto para aquela pessoa na minha frente, que mesmo não conhecendo muito bem, eu sabia que eu poderia confiar.
     - A, J-j- jan-jane, e-ela e o G-gr-greg, se be-bei-beijar-ram. – Eu soluçava muito, e a verdade é que, por mais que o Greg tenha me magoado com aquela coisa boba na roda eu continuava gostando dele, e muito.
     - Então você gosta do Greg? – Ele disse e eu percebi que seu tom de voz mudou. Ele parecia triste. – Você o conhece bem a ponto de gostar dele realmente?
     Bem, eu gostava de Greg há três anos, desde que entrei nesse colégio. Não havia falado com ele diretamente, apenas pagado altos micos em sua frente, mas a verdade é que eu não queria responder e torci para que acontecesse qualquer coisa que poderia me tirar daquela situação. Foi aí que o segundo milagre do dia aconteceu, ou não. Tom e Michael vinham em minha direção. Sequei as lágrimas e me ajeitei (se é que tinha jeito), eu realmente estava acabada.
     - O que houve minha linda? – Tom perguntou preocupado.
     - Você não está nada bem (seunome), o que houve? – Foi à vez de Michael perguntar.
     Os meninos olharam para Greyson com um olhar de reprovação como se Greyson fosse o culpado pelo que estava acontecendo. Mas na verdade, eles sabiam que eu não gostava do Greyson, bom, até algum tempo atrás.
     - Meni-ni-nos, não cu-culpem o Gr-greyson. E-eu só que-quero f-ficar so-so-sozinha-nha e p-pensar um p-pouco. – eu disse (tentei) gaguejando tanto que mal dava para entender o que falava. Sequei as lágrimas que rolaram nos últimos segundos e encarei Greyson que já se levantava para sair a meu pedido.
     - Vamos meninos, vamos deixa-la sozinha. – Greyson disse puxando Michael e Tom que não queriam ir por nada.
     - Mas é sempre bom ter um amigo por perto, ainda mais quando o amigo não sabe o que aconteceu e quer descobrir. – Michael disse fazendo uma piadinha pra descontrair e me abraçando. Não deu certo. Isso só me deu mais vontade de chorar. Greyson o encarou com ar de reprovação, e assim os dois cederam me deixando sentada sozinha no banco. Greyson olhou pra trás e conseguiu ler minha boca, “obrigado!” eu sussurrei.
     - Ei amiga, o que aconteceu? – Era Jane. Ela colocou a mão em meu ombro enquanto sentava ao meu lado. Ela parecia muito preocupada comigo.
     - N-nada. – Eu não conseguia olhar nos olhos mel dela. Seria possível minha melhor amiga ficar com o garoto que eu gostava há anos? Claro que eu estava ficando um pouco amiga do Greyson, mas mesmo assim ela não tinha o direito de namorar ou até mesmo ficar com o Greg. Ou tinha?
     - Me diz, eu quero te ajudar. Eu sei que tudo vai acabar bem. Foi o Greyson não foi?! O que ele te disse? – ela me olhava meio de baixo para enxergar bem meu rosto, já que eu estava com a cabeça abaixada.
     - Eu v-vi você e o Greg se b-beijan-d-do. – Amém senhor! Meu soluço já estava parando. Jane me olhou preocupada.
     - Me desculpa. – Levantei o rosto para encará-la. Ela parecia estar sendo verdadeira comigo. – Eu fiquei com ciúmes porque o Greyson foi falar com você, então vi Greg, o-chamei e bem, o beijei. Ele sempre teve fama de pegador, mulherengo, então não achei que ele se importaria, mas ele me empurrou e me olhou com cara de nojo. Foi horrível. – ela disse deixando as lágrimas correrem livremente pelo seu rosto. Minha amiga estava realmente triste e não poderia culpa-la.
     - Me desculpe. Eu não quero acabar com nossa amizade por causa de garotos, mesmo eles se chamando Greg e Greyson. – A abracei. – Nossa amizade é muito mais importante. Além do mais são sete anos! E não vamos deixa-la acabar em sete segundos. – eu sorri e então vi de longe Michael e Tom correndo iguais uns loucos em minha direção. Eles estavam chegando perto e bem, já era de se esperar: caíram em cima de mim e de Jane, nos fazendo dar gargalhadas. Depois de receber os meus amigos daquela forma, bem, teve que rolar os tapas que representava a nossa amizade.
     - Porr*! Sai de cima de mim! – Jane gritava super alto enquanto batia nas costas de Tom.
     - Michael tira essa bunda gorda da minha fuça fazendo favor! – Tom gritava mais alto ainda fazendo a escola toda olhar para os retardados aqui, caídos no chão. Assim vi um Greyson vindo em nossa direção com um taco de golfe na mão.
     - Se você pular na gente nós te estrangulamos! – gritei o fazendo rir.
     - O que aconteceu? Alguém poderia me explicar? – Jane disse arrumando o cabelo já que Greyson estava lá. Havíamos conseguido nos levantar do chão, ainda rindo.
     - Bem... Quando Greyson nos levou para dentro da escola ele nos pediu para não voltar aqui para não te perturbar (seunome). Mas nos lembramos de que você dizia que odiava ele, então saímos correndo em sua direção para contrariar o Greyson. – Tom iniciou a explicação.
     - Só que topamos sem querer com o Greg e a máfia com quem ele anda. – Michael disse fazendo a galera toda rir. – Então viramos e vimos um Greyson irritado vindo com um taco de golfe em nossa direção, então cada um de nós – ele apontou para Tom e ele mesmo – saímos correndo em uma direção para não sermos pegos pelos zumbis sanguinários que se dizem amigos do Greg ou pelo manézão aqui. – Michael disse bagunçando o cabelo de Greyson que olhou com uma cara de “você tá legal?” para ele.
     - Nos encontramos na entrada do pátio, e o resto vocês já sabem. – Tom completou. Todos começaram a rir e fomos caminhando para frente da escola quando o sinal tocou.
     - O seminário! É agora! – Olhei para Jane com o coração acelerado. – Me desejem sorte meninos!
     - Boa sorte! – Tom e Greyson disseram.
     - Quebre a perna! – Michael disse rindo. Bom, só ele riu daquela piadinha sem graça.
     - Isso não se diz no teatro antes de alguma apresentação de dança? – Greyson perguntou meio confuso.
     - Ah, tanto faz! – Michael respondeu dando de ombros. Todos riram e entraram. Chegando no segundo andar Greyson nos deu tchau e seguiu para sua sala, que até algum tempo atrás eu agradecia para não ser a mesma que a minha nas aulas. Eu, Michael, Jane e Tom seguimos rumo a sala 5. Cada um sentou em um lugar próximo e nos preparamos para a aula, ou seja: Michael escorregou pela cadeira fazendo seu pescoço ficar apoiado na parte de cima das costas da cadeira. Tom abaixou a cabeça e encostou seus braços na mesa, fazendo assim uma ótima posição para dormir. Jane se ajeitou com postura e eu encarava toda a turma.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Capítulo 1

Cap. 1 Imprevisto
     “Talvez eu devesse continuar na cama.” O pensamento que invadiu minha cabeça por exatos dez minutos de uma segunda feira em Los Angeles. “Só hoje, eu prometo, apenas hoje!” prometi para mim mesma. Não deu certo. Levantei, calcei minha pantufa branca de coelho e fui me arrastando até o banheiro que havia no meu quarto.
     - Bom dia (seunome), preparada para mais um dia, mais escola, mais estresse? – É eu tenho mania de falar comigo mesma, principalmente na frente de espelhos.
      Após trinta e cinco minutos (passei pelo menos quinze minutos tomando coragem para encarar o chuveiro) eu já estava pronta para seguir rumo à cadeia, quer dizer, escola. Dei tchau para minha mãe que tomava café e fui caminhando até o lugar onde eu menos queria ir. Eu tinha acordado com muito sono (lógico), depois do banho continuei com sono, fui caminhando ainda com sono, e provavelmente, chegaria em casa com mais sono do que fui, o que é normal quando você vai dormir praticamente na hora de acordar, por cauda de um maldito seminário que você deve apresentar hoje.
     - Bom dia amiga. Ual, você está com uma cara ótima! O que você fez para estar tão linda assim hoje? – Jane zombou da minha cara com um sorriso gigantesco no rosto.
     - Olha, não sei bem. Acho que já nasci assim. – Eu disse fazendo minha melhor amiga soltar uma boa gargalhada. Na verdade eu estava péssima. Meus cabelos estavam despenteados, minha roupa amassada e embaixo dos meus olhos havia belas olheiras que chamavam a atenção até de um cego. Eu havia chegado à escola e sentado (despencado) em um banco de pedra, aqueles bem confortáveis sabe?
     - Conseguiu terminar a sua parte do  seminário? – Disse Jane já tirando minhas pernas do banco e sentando onde elas estavam. Nós havíamos feito o seminário juntas, mais ainda havia uma parte que eu estava terminando.
     - Olha pra mim e responda você mesma. – Eu disse me sentando, já que a fofa da minha amiga quis dividir aquele confortável (duro e horroroso) banco. “Não basta ele ser desconfortável, ainda tem que dividir?” pensei.
      - Parece que sim. – disse Jane soltando um risinho que me fez sorrir também, ou pelo menos tentar. - Eu te liguei ontem menina, mas deu que... – Jane parou de falar quando passou pela gente um menino de cabelo escuro e olhos castanhos. Era o tal Greyson Chance que todas as meninas “caiam matando” em cima, só para conseguir dele um “oi”. Não sei o porquê de ele ser o segundo mais desejado de toda a escola, ou era por ele ser bonito ou por cantar bem, e isso também não me interessava, porque além de eu não suportá-lo, ele tinha namorada, uma tal de Lauren.
      - Você devia falar com ele. – Aconselhei Jane enquanto via a expressão no rosto dela. Toda vez que Greyson passava ela ficava com uma cara super fofa, uma cara de apaixonada, que sempre me fazia rir. A mesma cara que eu fazia quando Gregory Benson, mas conhecido como Greg passava.
     - Tá maluca? Eu nunca conseguiria dizer uma palavra para ele. Na verdade, eu não iria conseguir nem chegar nele. Além do mais, ele tem namorada, e quando ele terminar com ela, tem mais umas cinquenta garotas correndo atrás dele. É só ele estalar os dedos e elas aparecem com presentinhos ou coisa do tipo. – Ela deu uma pausa. Vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto, então ela respirou fundo e continuou com a voz um pouco trêmula. – E elas são bonitas.
     Jane realmente gostava do Greyson, só um retardado poderia não perceber isso. Ela sempre se culpava e usava argumentos do tipo “Ah, eu sou feia”, “Ah, ele nunca irá me enxergar” ou “tem muitas outras garotas por aí mais bonitas do que eu, você mesma é (seunome)!”. Eu não entendia o porquê dela se achar tão inferior. Ela era simplesmente linda. Tinha longos cabelos loiros que chegavam até a cintura, olhos bem claros, quase mel, e um rosto fino.
     - Você devia parar de ser besta e ir falar com ele sim, se você não falar com ele, e falo por você. – disse já me levantando daquele magnífico assento onde eu me encontrava sentada.
     - Você não pode fazer isso.
     - Por quê? Me dê um bom motivo.
     - Porque antes você também deveria falar com o Greg. – Ela disse um pouco alto demais, e para a minha grande sorte todos ouviram. É, eu estava com vontade de me enfiar em um buraco.
     - Quem quer falar comigo? – Greg apareceu dando para nós o seu melhor sorriso. Nós vírgula porque a essa altura Jane já tinha corrido há muito tempo e me deixado sozinha com o cara mais lindo da escola.
     - Ah... é, ah... que... – Eu não sabia o que falar, e isso era bem difícil pra mim já que sempre tive coragem de chegar e falar o que eu quisesse com quem fosse. Eu era amiga de muitos, inimiga de outros, mas no geral, me dava bem com as pessoas por eu ser muito simpática.
     - Bom, eu vou indo já que você não diz coisa com coisa. Nos vemos por aí, ah, qual seu nome mesmo? – Perguntou Greg já andando de costas.
     - (seunome) – você disse agora acordando devido ao pulo que seu coração deu quando ele te deu tchau com uma das mãos.
     “A Jane está morta!” pensei. Sai andando em direção ao banheiro feminino quando me dou de cara com Thomas.
     - Ah, oi lindo – disse dando um beijo na bochecha dele. Thomas, ou melhor, Tom, era um grande amigo. Ele era bonito, tinha o cabelo meio caído nos olhos que, para acabar com qualquer um eram azuis meio piscina e uma boca bem vermelha.
     - Você está muito bem hoje hein... – Tom disse me olhando de cima abaixo com um ar de “Você saiu de dentro de um animal, só pode”. Eu ri me lembrando de como Jane também foi irônica ao falar da minha aparência. Poxa, eu peguei a primeira roupa que vi no armário, fiz um rabo de cavalo improvisado com um elástico de prender dinheiro e calcei um chinelo qualquer (sem contar com as olheiras), é eu estava nem um pouco atraente.
     - Ah obrigado. Eu sei que sou linda – fiz pose arrancando uma risada bem gostosa do meu amigo.
     - Disso eu não posso discordar. – ele disse me fazendo rir. – Mas eaí, cadê a Jane e o Michael?
     - Bom, ainda não vi Michael e Jane saiu correndo quando o Gr... – Parei de falar antes que Tom pudesse fazer alguma pergunta sobre fracasso que foi minha “conversa” com Greg.
     - Quando Greg o que? – droga! Ele percebeu de quem eu falava.
     - Ah, nada de mais, sabe, é que, bem, ah... eu f... – Fui interrompida por Michael que acabara de chegar. Salva pelo Gongo. “Eu te amo Michael” pensei. Poxa, eu não queria dizer coisas sobre o garoto que eu gosto com outro garoto, mesmo ele sendo meu amigo.
     - Hello gente. Ual, você est... – Interrompi Michael. Ele era um amigo muito leal e bem engraçado. Tinha cabelos encaracolados e olhos verdes. Era bem magro e muito branquelo.
     - Linda eu sei – completei arrancando risadas dos meus amigos e até de mim mesma. – Pessoal, vou procurar a Jane, beijos e beijos! – Disse andando de costas e mandando um beijo para cada um, até que, já que eu era muito sortuda (um imã do azar) senti uma topada e algo quente nas minhas costas começou a pingar. Virei. Era Greyson Chance, que maravilha!
     - Ah, desculpa, desculpa mesmo! Eu não queria, é que eu não te vi andando, eu estava dando tchau pro meu amigo, ai quando virei já era tarde demais. – Ele disse tirando sua jaqueta e tentando secar meus braços que estavam sujos de café. É, ele derrubou o copo de café (por sinal muito grande para um garoto da idade dele) nas minhas costas, que consequentemente, respingou nos meus braços. Ou seria “eu me joguei no copo de café dele?”, ah sei lá, e não estava muito a fim de discutir isso comigo mesma.
     - A culpa foi minha, me desculpe você e não precisa disso – disse enquanto empurrava a jaqueta dele pra fora de contato com a minha pele. Aff, só o que me faltava era isso acontecer. Agora sim eu estava muito pior na aparência. Primeiramente eu não gostava daquele garoto por algum motivo que eu não sabia ao certo. Em segundo, naquele instante, ele parecia ser gente boa por estar preocupada comigo, o que me deixava com raiva. E em terceiro, eu estava com muita vergonha, pois havia se formado uma roda de pessoas em volta da gente, aquela roda dos fofoqueiros sabe? Pois é.
     - Para com isso menina. A culpa foi realmente minha, e olha só o que eu fiz com a sua blusa. Tá toda suja... Toma, veste. – Ele me deu sua jaqueta preta de couro para vestir. Vesti como ele mandou porque eu não poderia aparecer na aula para apresentar o seminário com a blusa suja de café, não me levariam a sério. – Ah, ficou bem em você. – Ele sorriu. Parece que ele estava sendo sincero lá no fundo. Me senti feliz por um momento até ver Greg, na roda formada em volta de mim e do Greyson, rindo sem parar apontando pra mim e comentando com os amigos. Ele deveria estar contando alguma piadinha sem graça a meu respeito. De repente, se fez um nó em minha garganta e a vontade de chorar veio à tona. Quando olhei em volta para o rosto de cada um encontrei sem querer o de Jane, que me olhava com um ar de reprovação. Fui em direção a ela, mas ela simplesmente deu meia volta e saiu. Assim senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Eu estava pagando o maior mico de todos: chorando na frente de dezenas de pessoas.
     - Ei, fofa, não faça isso. Não chora, só foi um pouco de café, você não dev... – Greyson poderia continuar falando se não fosse eu o deixando falando sozinho. Corri em disparada em direção a minha melhor amiga. Achei Jane dentro do banheiro feminino. Ouvi o sinal que dava início as aulas tocar, mas não me importei.
     - Por que isso teve que acontecer logo com você? – ela disse com o rosto vermelho.
     - Isso o que? O café na minha blusa? – Olhei meio estranha para ela. – Mas o que tem?
     - Não foi com qualquer pessoa. Foi com o Greyson. Eu vi o jeito que ele te olhou. É o mesmo jeito que olho pra ele. E olha só isso – ela disse encostando a mão na jaqueta dele – ele deu a própria jaqueta pra você.
     - Mas ele só fez isso porque minha blusa estava toda suja. Ele não me deu porque gosta de mim, e além do mais, eu nunca gostei muito desse garoto, você sabe disso. – Eu disse a abraçando. Estava óbvio: ela estava com ciúmes do Greyson e com inveja de mim por isso ter acontecido comigo.
     - Me desculpa. – ela sussurrou no meu ouvido. Eu sorri e virei pra ela. – Sei que você ficaria mais feliz se isso acontecesse com o Greg.
     - Ah, falando em Greg, porque você me deixou sozinha com ele sua vaca! – eu disse cruzando os braços pra ela.
     - Achei que você devesse falar com ele a sós. – ela disse rindo.
     - Palhaça! – ri junto com ela – Mas agora não importa mais. Ele me decepcionou hoje, foi algo que parece ser bem bobo, mas pra mim, foi um grande erro.
     - O que houve? – Perguntou Jane desmanchando o sorriso.
     - Depois te conto, agora vamos pra aula porque o sinal já tocou há bastante tempo. – Disse puxando minha amiga pelo braço. Pegamos os livros no armário e fomos em direção a nossa sala de aula.
     - Com licença – ela e eu dissemos ao mesmo tempo depois de bater na porta.
     - Podem entrar, mas sejam rápidas minhas queridas. – Disse o professor de geografia enquanto nos encarava.
     Entramos correndo e nos sentamos no mesmo lugar de sempre. Peguei meu caderno, abri em uma folha em branco e escrevi uma frase com letra de forma. Dobrei a folha em oito pedaços e a entreguei enquanto o professor estava de costas. Ela abriu o bilhete e leu:     
ESTOU PRONTA PARA DURMIR. A SALA DE AULA É MAIS CONFORTÁVEL QUE AQUELE BANCO.

PS.: EU TE AMO BFF.

     Ela fechou o bilhete e o guardou em seu caderno antes que o professor pudesse pegá-lo. Olhou para mim e sorriu e eu pude ler seus lábios dizendo ”você não existe!”. Dei um risinho para ela e me afundei na cadeira, mas não consegui dormir, muito menos prestar a atenção na aula. Eu estava com o Greyson na cabeça, e sua preocupação me fazia dar um sorriso bobo. Eu nunca imaginei que ele seria tão gente boa a ponto de me dar sua jaqueta, ou só emprestar mesmo, pensei que ele era do tipo “sou foda”, mas parece que eu me enganei, e o pior de tudo, parecia que eu estava começando a pensar muito nele.