Cap. 9 É Natal!
Minha mãe já havia chegado de Los Angeles há alguns dias e hoje é véspera de Natal, ou seja, eu tenho apenas dois dias até dizer adeus para minha mãe e olá para tia Virginia. Para não passar o Natal com um gesso horroroso na perna, eu e minha mãe fomos até o hospital onde minha perna foi engessada e (depois de puxar o saco e ameaçar com um processo) o médico decidiu tirar meu gesso, mas eu teria que fazer fisioterapia para terminar o processo. Na verdade, meu tornozelo já estava perfeitamente bem, só que, segundo ele, é bom deixar mais que o tempo necessário para não acontecer de meu tornozelo virar facilmente. No Natal já estava combinado de irmos para casa do Greyson que também convidou Tom, Jane e Michael e todos confirmaram presença.
- Seus pais não ficaram chateados por vocês não passarem o Natal com eles? – Perguntei aos três que estavam sentados (jogados) no sofá da minha casa. Estávamos de férias, devido ao Natal, e combinamos de nos encontrar todos os dias.
- Minha mãe vai ter que fazer plantão no hospital e meu pai não se importa com a família então está tranquilo. – Michael disse não parecendo triste pelo que havia dito.
- Meus pais vão para Miami, só que eu pedi para não ir, pois queria passar o Natal com os amigos, e também usei alguns argumentos. – Tom disse e Jane, Michael e eu perguntamos ao mesmo tempo “QUE ARGUMENTOS?” fazendo Tom rir. – Eu disse que poderia ser a segunda lua de mel deles. – Tom terminou de dizer e todos caíram no riso.
- Os meus sabem que eu e você somos melhores amigas, então eles deixaram. Disseram que o Natal deve ser divertido, seja com quem for. – Jane disse e eu a abracei. – Gente, vou pra casa me arrumar. Daqui a pouco vamos para a casa do Greyson e eu tenho que está a altura da casa. – Ela disse e nós rimos.
- Mas ainda é 13h30min. Só temos que ir pra lá às 20h00min. – Tom disse perplexo.
- Só que eu preciso me arrumar com calma. – Jane disse se levantando.
- Realmente com calma, senão você vai ficar pronta às 14h00min. – Michael disse e foi o único a rir, e assim, parar ao perceber que foi o único, o que nos fez rir.
- Por que você não se arruma aqui comigo? – Perguntei e ela deu de ombros. – Busca o que tiver que pegar em casa e vem pra cá. – Ela assentiu e em seguida saiu.
- Podemos nos arrumar aqui também? – Michael perguntou com um tom sarcástico.
- HÁ-HÁ, claro que pode querido. – Fui irônica.
- Ok, já volto com as minhas coisas. – Michael disse me surpreendendo. – BORA TOM! – Ele gritou e Tom o seguiu.
- Gente, eu estava brincando! – Disse espantada e fui respondida por uma porta se fechando.
Passado uns trinta minutos Jane bateu na porta e eu atendi. Ela entrou correndo e subiu as escadas.
- CALMA MALUCA! – Gritei indo atrás dela.
- Não temos tempo a perder. Temos que sair daqui às 19h30min, e já são 14h00min. – Ela disse colocando algumas bolsas e um cabide coberto na minha cama.
- Nossa! Então só temos cinco horas e meia. – Falei com a voz afetada a fazendo rir. – Vai logo para o banho que depois eu vou. – Eu disse e ela saiu em direção ao banheiro levando algumas coisas. Depois de uma hora e muitos gritos como: “ANDA LOGO JANE!”, ela finalmente disse que estava acabando. Ouvi a campainha e então desci as escadas e abri a porta. Era Michael e Tom. – Oi gente.
- Sua mãe não tá em casa não? – Tom perguntou enquanto eu fechava a porta e Michael já ia subindo as escadas.
- Ela foi para o salão fazer o cabelo. – Eu disse enquanto subia as escadas junto com Tom. – MICHAEL NÃO ENTRA AÍ! – Gritei quando vi Michael abrindo a porta do meu quarto, mas já era tarde demais. O que pude ouvir dali foi um grito, MUITO ALTO, de Jane.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – Jane perguntou gritando para Michael enquanto se enrolava na toalha. Jane só estava com roupas íntimas, já que, pensara ela, que só estávamos eu e ela na casa.
- Agora, apreciando sua beleza. – Michael disse e todos caíram na gargalhada, menos Jane que expulsou Michael do quarto às tapas, e como brinde, Tom levou alguns também.
- SE ARRUMEM NO QUARTO DA MINHA MÃE. É NO FIM DO CORREDOR! – Gritei para os dois quando foram empurrados para fora. – Vou trancar a porta, ok? – Eu disse e Jane balançou a cabeça positivamente. Tranquei a porta, peguei minha toalha, minhas roupas e entrei no banho, enquanto ouvia Jane reclamar sobre o que havia acontecido.
Depois de trinta minutos, saí do banheiro já vestida, mas com short e blusa e a toalha enrolada na cabeça.
- Você vai assim? – Jane perguntou me olhando assustada. Durante todo o tempo em que estive no banheiro ela não havia feito absolutamente nada. N-A-D-A. Ela estava do mesmo jeito que saiu do banho.
- Não né. – Falei enquanto secava meus cabelos. – Quando tiver mais perto da hora de sairmos eu visto a roupa.
- Você pode passar prancha no meu cabelo? – Jane perguntou tirando uma prancha cor-de-rosa da bolsa.
- Mas pra que? Seu cabelo já é liso. – Falei e ela fez cara de ofendida. – Tá bom, eu faço. – Falei ligando a prancha na tomada. Jane se sentou na cama e comecei a passar.
Passado duas horas, o relógio já marcava 17h30min. Eu já estava pronta, só faltava por a roupa que eu iria usar no Natal. Jane terminava de fazer sua maquiagem, então desci para sala, onde os meninos estavam assistindo televisão.
- O que estão assistindo? – Perguntei sem ao menos olhar para televisão.
- American Pie 4. – Eles disseram me fazendo virar a cabeça rapidamente.
- Gente, vocês piraram? Se minha mãe chega agora eu estou morta. – Eu disse trocando o canal e colocando em um que o bispo estava rezando uma missa.
- Tsc, tsc. – Tom fez e depois caiu no riso. Sorri de volta e fui em direção à cozinha.
- Querem comer algo? – Perguntei abrindo a geladeira.
- Tem pizza? – Michael perguntou e eu balancei a cabeça negativamente. – Então não quero nada.
- Nem eu. – Tom disse e então eu ataquei uma maça. Voltei à sala e fui surpreendida por dois garotos de queixo caído. Olhei para escada e vi o motivo. Jane estava descendo e arrancando suspiros dos dois. Ela estava maravilhosa! Com uma blusa de alcinha branca com detalhes pretos e uma saia vermelha cintura alta apertada ao corpo. Nos pés scarpin preto e seus longos cabelos loiros, que não mudaram muito quando passei a prancha, estavam presos em um rabo de cavalo um pouco bagunçado. – Se você está assim, a (seunome) vai estar...
- Magnífica. – Michael completou me fazendo rir.
- Não sabia que você conhecia essa palavra. – Eu disse fazendo todos rirem. Desliguei a televisão e peguei uma garrafa que estava em cima da mesa da cozinha. – Verdade, consequência e desafio? – Perguntei e todos vibraram. Sentei-me no chão e todos fizeram o mesmo fechando uma roda. – Não vale beijo na boca. – Falei e Michael soltou um “ah” que me fez rir. – Eu sou comprometida! Não posso sair beijando todo mundo. – Falei e eles assentiram. Rodei a garrafa e caiu de Jane para Michael.
- Verdade, consequência e desafio? – Jane perguntou e Michael escolheu consequência. – Se você estive no alto de um prédio, qual das opções escolheria: Se salvar e salvar alguém daqui ou salvar duas pessoas daqui e não se salvar?
- Eu salvaria Tom e morreria para te salvar. – Michael disse fazendo Jane corar. Depois me enviou um olhar sapeca e sorriu.
- Ninguém me ama aqui não né? – Falei e fui enchida de abraços e beijos. – CHEGA! Já entendi que sou a mais amada por aqui. – Falei e todos riram. – Vou terminar de me arrumar, daqui a meia hora saímos hein! – Falei e os três continuaram sentados.
Subi as escadas e entrei no meu quarto que estava uma zona, provocada é claro pela Jane. Abri o guarda-roupa e peguei um vestido, que eu tinha acabado de comprar com a minha mãe, no dia em que ela voltou de viagem. O vesti e girei na frente do espelho sonhando com tudo que eu poderia sonhar, relacionado com Greyson. Peguei uma bolsa de festa e dentro coloquei meu celular, o batom, depois que retoquei é claro, e minha carteira. Vai que minha mãe tem que sair cedo da festa, o carro dos pais do Greyson quebra e eu tenha que voltar a pé. Tá, isso não ia acontecer, mas é melhor se prevenir. Calcei um sapato de salto, não tão alto, desci as escadas e fui recebida não por fiu-fiu, mas sim caras de espanto e, no caso de Michael, um pouco de baba no canto da boca.
- Que foi gente? – Perguntei já sabendo a resposta.
Eu estava usando um vestido solto, rosa clarinho com alguns detalhes em bronze que ia até acima do joelho. Uma sandália um pouco mais clara que bronze e a bolsa um pouco mais escura que o sapato. Meu cabelo estava natural e solto e minha maquiagem clara e simples. Uma pulseira bem fina, de ouro, com um pingente que carregava a palavra smile, se encontrava no meu pulso. Eu estava muito meiga.
- Não tenho palavras. – Tom foi o primeiro a quebrar o silêncio. Sorri e encarei Jane.
- E eu que pensei que eu estava linda. – Ela disse e eu ri.
- Nunca vi nenhuma garota tão linda quanto você. – Michael disse ainda sem limpar a baba que escorria no canto de sua boca. Jane enviou a ele um olhar de reprovação, mas ele não viu. Todos poderiam continuar a me admirar se não fosse o toque do meu celular que fizeram todos receberem uma passagem de volta para o Planeta Terra. Olhei no visor e era Greyson.
LIGAÇÃO ON
- Como conseguiu meu número? – Perguntei o fazendo rir do outro lado.
- Sua mãe. – Ele respondeu e eu soltei um “é claro!”. – Liguei pra saber se você quer que eu vá aí te buscar.
- Não precisa. A galera tá toda aqui, minha mãe nos leva. – Falei olhando para todos que me olhavam com bastante atenção, menos Tom.
- Ok então. Estou esperando todos. – Ele disse e eu sorri como se ele pudesse me ver. -Principalmente você, mas é segredo. – Ele sussurrou e eu dei uma gargalhada.
- Tá bom amor, um dia eu chego aí. – Falei e ele riu no outro lado da linha.
- Beijos amor. – Ele disse e então desliguei o telefone pronta para dar o relatório da conversa para os curiosos chamados Jane e Michael. “Eles precisam se casar, são tão iguais!” pensei.
LIGAÇÃO OFF
- Quem é o amor que conseguiu seu número? – Michael perguntou me fazendo rir.
- Sua anta! É o Greyson. – Jane disse dando um peteleco na orelha de Michael.
- Exato. Ele quis saber se era para ele passar aqui pra buscar a gente ou não. – Falei enquanto discava um número. – Vou ligar para minha mãe pra ver se ela já está chegando. – Disse já com o celular na orelha.
LIGAÇÃO ON
- Mãe, você ainda está no salão? – Perguntei esperando um “não”, só que isso não aconteceu.
- Estou. A cabelereira me pegou atrasada e a manicure que eu havia marcado horário faltou hoje, então tive que esperar a outra manicure ficar livre para fazer minha unha. – Ela disse e dava para perceber de longe que seu humor não era um dos melhores.
- Já estamos em cima da hora! Vê aí se não dá pra adiantar. Se você quiser eu levo suas coisas aí e você troca no banheiro, sei lá. Disse rezando para que minha mãe não gritasse, daquele jeito que só as mães fazem, no meio do salão.
- A cabelereira já está acabando e a manicure acabou. Daqui a uns vinte minutos eu chego aí. – Ela disse e eu assenti, como se ela pudesse me ver. – Agora vou desligar. Beijos filha.
- Beijos. – Disse e desliguei o telefone.
LIGAÇÃO OFF
- Ela chega daqui há uns vinte minutos. – Informei à todos que ao ouvirem assentiram.
- O que vamos fazer até lá? – Tom perguntou e eu sorri.
- Dar um jeito no look de vocês. – Falei e olhei para Jane que me olhava com os olhos brilhando.
Tom e Michael se entreolharam assustados e então Jane correu e puxou Michael. Fiz o mesmo com Tom, só que com mais delicadeza do que a doida da Jane. Chegamos ao meu quarto e Jane foi logo pegando um pote de gel que ela encontrou na gaveta da minha penteadeira. “Eu tenho gel?” me perguntei. Peguei um pente e parti o cabelo de Tom no meio, fazendo seu cabelo escuro e liso caído nos olhos ficar igual à de um nerd. Não sei como os dois ficaram parados sem gritar ou chamar a polícia, mas no final, tivemos que correr, e muito! O por que? Bom, é simples! Quando Tom se olhou no espelho ele estava igual a um nerd, mas com jeans e blazer. Seu cabelo estava partido no meio e com gel que Jane passou nos últimos segundos antes de ele se olhar no espelho. Eu também havia feito vários pontos vermelhos em sua testa, para serem “espinhas” já que no rosto perfeito de Tom nunca teria alguma. Já o Michael, eu poderia descrevê-lo como uma segunda Xuxa dos anos de “Castelo da Magia”, só que morena, com uma camisa xadrez azul e jeans. Seus cachos foram presos com elásticos coloridos, o fazendo ficar um “xuxuzin”, segundo Jane. Ela também havia passado um pouco de blush, o fazendo ficar com duas bolas vermelhas em cada bochecha. Então agora você sabe por que corremos certo? Saímos em disparada e nos trancamos no lavabo do primeiro andar, ainda rindo descontroladamente. Ouvimos a porta de entrada abrir e um “AAAAH” de ensurdecer logo em seguida. Saímos do banheiro e o que aconteceu estava óbvio. Minha mãe havia acabado de chegar e tanto ela, quanto os meninos tomaram susto. O susto da minha mãe vocês já sabem o porquê, e o dos meninos vou lhe explicar: Minha mãe estava igual a um poodle. Não é mentira, é serio! O que haviam feito no cabelo da minha mãe poderia ser considerado crime, sem brincadeira. Ela estava com um penteado que a fazia ficar com uma cabeça maior do que a da pessoa que você conhece que tem a maior cabeça, ou seja, um capacete, e pra acabar de estragar, uma flor vermelha do tamanho do palmo da minha mão, presa a orelha dela. Não pude conter o riso quando a vi, e tanto eu e quanto Jane rimos absurdamente alto.
- Mãe, você pagou por isso? – Perguntei secando as lágrimas que escorriam dos meus olhos, de tanto rir.
- Por que? Está feio? – Ela perguntou assustada e não deu para segurar a risada, mas dessa vez, nossa orquestra de alegria foi acompanhada por Michael, Tom e minha mãe.
- Posso dar um jeito? – Perguntei e ela assentiu. Subi com ela para seu quarto, e Jane com os meninos para meu quarto.
Passado vinte minutos, que pareciam dois, os meninos já estavam normais e minha mãe apresentável. Eu havia soltado aquele ninho chamado penteado e feito uma trança embutida, já que seu longo vestido azul escuro já chamava atenção demais.
- ANDA GENTE! O GREYSON ESTÁ ME ESP... QUER DIZER, NOS ESPERANDO! – Gritei para que todos no andar de cima pudessem ouvir enquanto eu esperava na porta. – JÁ ESTAMOS UNS VINTE MINUTOS ATRASADOS, E ATÉ CHEGAR LÁ É MEIA HORA PRA CIMA! – Gritei novamente e finalmente todos desceram e logo estavam todos já dentro do carro. Sentei no banco do carona enquanto os outros três sentaram no banco de trás. Passado quarenta minutos finalmente chegamos a casa dos Chance que parecia muito mais bonita à noite, com luzes direcionadas à ela. Minha mãe estacionou o carro na calçada e Greyson, que estava entretido com algo em seu celular, veio até nós ao enxergar os faróis do carro.
- Finalmente. – Foi a primeira palavra que ele disse quando veio nos cumprimentar. Depois de todos os apertos de mão, abraços e, no meu caso, beijos, entramos na casa para cumprimentar o resto do pessoal.
- Oi (seunome). Quem bom que você veio. – Scott disse enquanto me cumprimentava com um aperto de mão.
- Que bom que todos vieram. – Foi a vez de Lisa.
Depois que nós já tínhamos cumprimentado o pessoal, todos, tirando os adultos, Tanner e Alexa, foram para o jardim, ou seja, eu, Greyson, Jane, Michael e Tom. Chegando lá, eu e Greyson nos sentamos mais afastados de todos, e eles respeitaram isso. Tom, Jane e Michael riam alto de alguma palhaçada, obviamente, do Michael enquanto eu e Greyson ficávamos abraçados, sentados na grama, apenas aproveitando o calor do outro.
- Você está muito linda hoje. – Ele sussurrou e então sorri.
- Ao contrário do dia em que você derramou café em mim. – Eu disse e ele riu baixinho. - Vamos lá pra dentro? Tá meio frio aqui fora. – Perguntei já me levantando.
- Claro. – Ele disse e então atravessamos o jardim e os outros nos seguiram. Entramos e deu para perceber que nossos pais estavam se divertindo, e muito.
- Então, teve uma veix que o Greyjon foi naquelix carrinhous sabe? Aquelex de parquex de giversxão, que giram, um atráix do outro, como um carrossel. – Lisa dizia super empolgada e todos na sala não paravam de rir.
- Sxei sxim. – Minha mãe disse um pouco alto demais. Algo me dizia que nenhumas das pessoas naquela sala estavam puras. Ou estavam bêbadas ou drogadas. É, estavam bêbadas.
- Então, eu pedgi para ele subir para eu txirar uma foto, só que Scott não sxegurou dgireito, e o birrinquedo começou a girar, girar e girar e o Greysonzinho... – Lisa dizia já trocando algumas palavras.
- EI! Não está na hora de comermos não? – Greyson interrompeu o tal fato marcante que todos ali estavam ansiosos para ouvir.
- Mas queriodo, é só perto dxe meia noite, ainda é... – Lisa disse e parou ao tentar enxergar os ponteiros do relógio. – Não importa! – Ela terminou de dizer e virou para minha mãe.
- Lisa, já é quindjze para meia-noite, o Greysonzinho tá certinho-inho-inho. – Scott disse cantarolando o final da frase fazendo todos da sala, inclusive Greyson, rir.
- Então simbora. – Alexa disse enquanto andava tombando para o lado em direção à mesa. Era impressão minha ou a Alexa também estava bêbada?
- Vamos mãe. – Tanner puxou a mãe que soltou uma gargalhada alta.
- A última vez que me puxaram assim foi na lua de mel. O seu pai est... – Lisa começou a falar, mas foi logo interrompida por Greyson.
- MÃE! – Ele gritou. – Me desculpem por isso. – Greyson disse se virando para onde eu estava com o pessoal. Fui até ele e entrelacei meu braço com o dele. Caminhamos até a sala de jantar e os outros nos seguiram. Todos se sentaram, menos Scott que, na cabeceira, estava de pé para dizer algumas palavras, o que é de costume.
- Mesamigux, eu queria agradexcer por você exstarem aqui exsta noite-te. – Scott começou a dizer trocando algumas palavras. Segurei o riso e continuei a prestar atenção. – Hodje, o menino Jesux naxsi, e é uma honra a namorada do Greysonsinho-nho exstá aqui. – Ele disse me fazendo corar. Eu ainda não era a namorada oficial do Greyson, mas mesmo assim eu ficava com vergonha. Quando ele terminou de falar, todos bateram palma e começamos a nos servir. Quando nos sentamos com bêbados na mesa, acaba terminando em: toalha de mesa molhada, comida no chão, alguém caído com a cara no prato e algum arroto no final, quando todos acabaram de comer. Foi o que aconteceu. Tanner derramou seu copo de vinho na mesa, Alexa deixou seu prato cair e ser quebrado no chão, detalhe: ela tinha acabado de se servir. Scott dormiu com o rosto no prato cheio de comida e Lisa por cima dele. Minha mãe estava rindo atoa e pra acabar com a desgraça, Michael, que AINDA, não estava bêbado arrotou. Quando ouve a soltura de gases pela boca provocada por Michael, Scott acordou de seu sono profundo e, ainda com as palavras trocadas nos deu um motivo para rir.
- Não é asxim que sxe fais! É asxim. – E quando ele acabou de falar soltou uma bomba atômica que NUNCA poderia se considerar um arroto. Todos na mesa (acordados) começaram a rir e então, depois de um baque no prato, Scott voltou a dormir.
- Ei (seunome)! Me dá um beidjinho de Felix Natal. – Tanner disse fazendo bico pra mim. Fiz uma careta e Greyson o empurrou para que ficasse com as costas na cadeira.
- Tanner, vai dormir. – Greyson disse impaciente e Tanner capotou ali mesmo. Como a pessoa podia ficar tão bêbada?
- Vou pro meu quartxo. – Alexa disse levantando e tropeçando no pé na cadeira. – Dixculpa cadeira. – E assim saiu em direção à escada perfeita da casa perfeita do garoto perfeito. Olhei para o lado e vi minha mãe deitada no sofá e seus sapatos estavam dentro do vaso de planta. Como isso aconteceu? Não faço ideia, mas a única coisa que pude fazer foi rir. Jane, Michael, Tom, Greyson e eu caminhamos até o jardim e sentamos em roda.
- Vamos brincar de verdade e consequência? – Jane perguntou animada.
- Vamos inventar uma brincadeira. – Tom disse esnobando a ideia de Jane.
- Que tal assim: Nós giramos a garrafa igual verdade e consequência. Pra quem o fundo da garrafa parar faz uma coisa que nunca fez. Quem já tiver feito essa coisa, escolhe em tomar um copo de vinho ou fazer a coisa de novo, e quem nunca tiver feito, faz. – Michael foi dizendo e todos foram gostando da ideia.
- A gente não pode falar a coisa que nunca fizemos, ao invés de fazer? – Jane perguntou, mas Michael balançou a cabeça negativamente.
- E se a coisa que nós nunca fizemos não se pode fazer. – Perguntei e Michael me olhou confuso.
- Por exemplo: Para em você, e você diz que nunca gostou de ninguém aqui da roda. Não dá pra você começar a gostar de alguém. – Eu disse e ele me olhou pensativo.
- Quem já tiver gostado de alguém aqui pode beber um copo, e quem não tiver gostado escolhe alguém pra beber um copo amais. – Tom deu a ideia e todos concordaram.
- Vou pegar a garrafa e o vinho. – Greyson disse já se levantando. Depois de um tempo ele voltou com duas garrafas de vinho, uma de champanhe, uma de vodka e uma de água mineral vazia.
- Ei! Não vamos beber isso tudo não. – Disse enquanto ele colocava as garrafas e um único copo na grama, no meio da roda. Peguei a de água e girei. O fundo caiu para Michael e todos esperaram sua confissão na expectativa. Michael se levantou e subiu em uma árvore que havia no quintal.
- Eu nunca havia subido em uma árvore, e pulado dela. – Michael gritou lá de cima, e no mesmo instante, ele pulou da árvore, caindo de joelhos.
- Prefiro subir na árvore. – Greyson disse já se levantando.
- Eu também. – Falei levantando e ficando ao lado de Greyson.
- Idem. – Tom disse e fez o mesmo que eu.
- Eu bebo porque não vou subir na árvore de saia. – Jane disse abrindo uma das garrafas de vinho. Ela encheu o copo e depois virou. Piscou os olhos com forças e colocou o copo na grama. Greyson, Tom e eu fomos em direção à árvore, e Tom foi o primeiro a subir e pular. Greyson em seguida e então chegou a minha vez. Tirei o salto e o deixei no pé da árvore,
- Greyson, me segura peloamordedeus! – Juntei as palavras o fazendo rir. – Escalei a árvore de vestido mesmo, e então pulei caindo em cima de Greyson. Caímos deitados ele me deu um beijo. Sorri e então voltamos a nos sentar na roda. Michael girou a garrafa e caiu em Jane que deu um soco nas costas de Tom.
- Nunca soquei em ninguém aqui da roda, apenas dei tapas. – Ela disse e todos olharam para a garrafa. Enchi o copo de vodka e o virei. Eu já havia socado Tom quando éramos menores porque ele disse que garotas não sabiam lutar. Michael já havia dado um soco em Tom e Tom em Michael. Greyson era o único que nunca tinha batido, e escolheu bater em Michael. Ele deu um soco um pouco forte demais que fez Michael cair pra frente.
Passado uma hora, Jane já havia virado o copo quinze vezes, Michael dezessete, Tom dezenove, Greyson vinte e eu vinte e três, ou seja, estavam todos alegres, sujos e descabelados. Girei a garrafa e caiu em Michael novamente. Ele chegou perto de Jane e a tascou um beijo com direito a língua e tudo. Peguei o copo e virei, mas Greyson escolheu me beijar. Ele pegou minha nuca e me deitou na grama. Já que nós dois estávamos bêbados, a coisa começou a ficar um pouco quente demais. Arranquei sua blusa e a taquei junto com o casaco, que já tinha sido jogado a partir do quinto copo de Greyson. Ele me sentou em seu colo e por mais estranho que pareça, a verdade foi essa: Demos um beijo muito babado, com gosto de álcool e poucas vezes conseguimos acertar a boca um do outro. Ele caía na grama em meio e meio segundo e nós parávamos o beijo para rir.
- Eu vou roubar o sxeu narix. – Falei trocando as palavras e rindo atoa. Coloquei a mão na cara de Greyson e ele a lambeu. – Mentxira! A sxua linguinha-nha. – Falei e Greyson caiu por cima de mim.
- Vamox contxinuar o jogo. – Greyson disse tentando se levantar.
- E vocxê Tontom? – Perguntei cantarolando. – Vencá, ou vocxê vai preferir beber maixdji? – Perguntei novamente engatinhando até ele. Eu não acredito que fiz isso, mas foi o que aconteceu. O empurrei na grama e sentei em cima dele. Sorri maliciosa (se é que tinha como fazer isso com tanto álcool) e o beijei. Na verdade, eu babei a boca dele.
- Ei, ela é m-minha! – Greyson disse e me puxou para seu lado, e é claro, uma das garrafas que tinha um restinho de vinho foi derramada na grama. Michael e Jane ainda estavam se beijando, só que mais enlouquecidamente, e se encontravam sem blusa. – Parem dje servegonhicxe! – Greyson disse olhando para o chão e todos riram. Depois de alguns minutos para pararmos de rir, continuamos o jogo e o fundo da garrafa caiu em Greyson.
- Eu nunca parei dje gosxtar dje alguém aqui da roda, dexde o momento que eu a vi. – Ele disse, e mesmo bêbada, eu corei. Agora a confissão foi parecida com o meu exemplo, ainda no início do jogo. Eu não tinha feito o que Greyson acabou de dizer, mas também não posso fazer, então eu deveria escolher alguém para virar um copo amais. Se eu tivesse feito isso que o Greyson acabara de dizer, eu teria que virar o copo, e foi o que Tom fez. Não posso dizer que me surpreendi, porque eu estava muito bêbada para ser surpreendida, mas aquilo ali me fez pensar em uma hipótese, mas não poderia ser verdade. Jane escolheu Michael para beber um copo, e Michael Jane. Escolhi Greyson e ninguém me escolheu. Depois que todos acabaram de beber, girei a garrafa, que agora não era mais a de água mineral porque Tom havia a jogado na casa do vizinho, e o fundo parou em mim.
- E-eu nunca fix poli dancxe! – Falei me levantando e indo em direção a um poste de luz que havia na calçada. Jane se levantou e foi atrás de mim.
- Eu nunca fix, mas não é hojde que vou fazer. – Tom disse e os outros meninos concordaram. Eles viraram o copo e pareciam cada vez mais bêbados.
Eu e Jane começamos a girar pelo poste e batemos de frente, uma com a outra. Caímos no chão e começamos a rir absurdamente alto. Por sorte, a rua estava deserta e ninguém viu o que tinha acontecido com a gente desde o começo da brincadeira. Greyson se levantou e me pegou no colo, e Michael fez o mesmo com Jane. Tom pegou as bebidas e todos entraram na casa. Subimos para o quarto de Greyson e ele me jogou com tudo na cama. Michael deitou com Jane em um pufe e, já que eles estavam sem blusa, começaram a se esquentar muito rápido. Peguei a garrafa de vodka, que era a única que ainda tinha alguma coisa, e virei. Greyson veio pra cima de mim e cuspi toda a vodka em seu rosto. Comecei a rir descontroladamente e ele colocou a mão na boca. Em questão de segundos ele estava vomitando no banheiro, e caiu por lá mesmo onde dormiu. Puxei Tom pela gola da blusa e ele deitou em cima de mim. Puxei a colcha da cama, nos cobri e logo fui tirando sua blusa. Ele começou a me beijar, daquele jeito que bêbados se beijam, e logo me vi só de roupas íntimas. Foi assim que tudo começou a rodar e eu apaguei.
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- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Ouvi Jane gritar, mas não consegui abrir meus olhos.
- AI MINHA CABEÇA! – Foi a vez de Michael gritar.
- (Seunome)! – Greyson gritou e assim fui obrigada a abrir os olhos.
- Me deixem dormir. – Sussurrei e virei para o lado.
- Por que o Tom está ao seu lado e sem blusa? – Greyson perguntou se sentando em uma cadeira e ele parecia aborrecido. Abri os olhos e dei de cara com um Tom apagado e realmente ele estava sem blusa.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Gritei me levantando em um pulo da cama. – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Gritei novamente a me ver só de roupas íntimas. Corri e peguei a colcha que cobria Tom e me enrolei nela. – O que aconteceu aqui? – Perguntei assustada olhando tudo em volta. Havia várias roupas jogadas pelo quarto. Litros de bebidas alcóolicas tomaram o mesmo destino que as roupas. Todos estavam com alguma peça de roupa faltando, e é óbvio que a ressaca reinava ali.
- DARIA PARA VOCÊS PARAREM DE GRITAR? – Michael gritou novamente fazendo todos colocarem a mão na cabeça.
- VOCÊ ESTÁ GRITANDO SEU IMBECIL! – Jane respondeu Michael e para nossa desgraça, respondeu gritando.
- Eu preciso de um banho. – Falei indo em direção ao banheiro. – QUEM VOMITOU? – Gritei de dentro do banheiro e em questão de segundos, todos, inclusive eu, colocaram a mão na boca.
- ONDE TEM BANHEIRO? – Jane gritou enquanto corria em direção à porta, agora sem lençol em volta dela.
- Na casa inteira. – Greyson a respondeu e logo estava indo atrás de Jane, com certeza, para vomitar, assim como ela.
- AI MEU DEUS! – Michael gritou e logo tomou o mesmo destino de Jane e Greyson, me deixando sozinha com Tom no quarto. Fechei a porta e Tom se virou para mim.
- Só acordou agora? – Perguntei e ele balançou a cabeça negativamente.
- Eu estava acordado, mas não tive coragem de encarar tudo isso. – Ele falou em um tom baixo enquanto se sentava na cama.
- Você acha que nós... – Comecei a falar, mas fiquei com vergonha de terminar a frase.
- Não. Não pode ter sido. Não é? – Ele perguntou e dava para perceber em seus olhos que ele queria que a minha resposta fosse “é”.
- Não sei. Eu acordei com você ao meu lado, e não estávamos totalmente vestidos. – Me sentei ao seu lado enquanto falava.
- Mas se tivesse acontecido, não estaríamos com roupa nenhuma. – Ele disse e eu concordei com ele.
- Eu não consigo me lembrar de nada. – Falei impaciente e um baque na porta fez meu coração dar um pulo. Levantei-me correndo, peguei meu vestido no chão, joguei a colcha longe e entrei no banheiro. Lavei meu rosto e minha cabeça latejava muito. Coloquei o vestido e sai do banheiro. Tom ainda estava sentado na cama, só que ele não estava sozinho. Os outros já tinham voltado e todos pareciam muito envergonhados.
- Eu não acredito que perdi minha v... – Jane começou a falar, mas Michael a interrompeu.
- Nós não sabemos se aconteceu. Estávamos bêbados e na minha opinião, se tivesse ocorrido algo, estaríamos sem roupa alguma.
- Então como você explica acordamos enrolados em um mesmo lençol e só com roupas íntimas? – Jane perguntou impaciente e Greyson interrompeu a discussão dos dois.
- Gente, em um momento desses, o importante é um contar com o outro. Se virarmos as costas para nossos amigos, como iremos montar o quebra-cabeça e descobrir a verdade? – Ele disse e todos abaixaram a cabeça. Caminhei até a cama e me sentei no chão, apoiada nela. Fiquei encarando Greyson que agora não parecia tão aborrecido. Quis quebrar o silêncio, mas o que falar? Talvez eu soubesse, mas não quis arriscar.
- É melhor irmos para casa, descansar, esfriar a cabeça e depois nos encontramos lá em casa. – Eu disse e todos assentiram. Jane e Michael foram os primeiros a se levantar, e já estavam vestidos. Depois Tom se levantou, pegou sua blusa que estava caída em baixo da escrivaninha e entrou no banheiro, ficando apenas eu e Greyson no quarto.
- Independente do que aconteceu, estavam todos bêbados, e eu confio em você. Não acho que você faria o que você fez com Tom em estado normal. – Greyson disse se levantando e se sentando ao meu lado. Sorri e o abracei, colocando minha cabeça em seu ombro nu. Não aguentei e algumas lágrimas caíram em seu ombro. Não sei se de felicidade por ele ser tão incrível, talvez de remorso, pelo que pude ter feito com meu melhor amigo, ou talvez de raiva, por ter bebido tanto. Seja do que for, ele as sentiu, e as secou.
- Por que você está chorando? – Ele perguntou ainda secando, cuidadosamente, cada lágrima que escorria pelos meus olhos.
- Porque eu não mereço tudo que você faz por mim. Você é tão compreensível, tão... – Não consegui terminar de falar, pois uma enxurrada de lágrimas começou a cair com mais força dos meus olhos. – Se fosse qualquer outro garoto que me visse como você me viu com Tom, ficaria uma fera e não ia querer explicação nenhuma, mas você não...
- Você disse certo, qualquer outro garoto. Não eu. – Ele me interrompeu. – E você merece tudo isso sim, porque se não merecesse, eu não teria me apaixonado por você, e você não seria tão especial pra mim. – Ele terminou de falar e a única coisa que pude fazer foi beijá-lo, como agradecimento, ou até por meu próprio conforto de tê-lo ali, junto comigo. Minha cabeça ainda latejava muito, ainda mais depois das lágrimas que caíram durante a curta conversa entre mim e Greyson, mas nada poderia impedir aquele momento. Não era o melhor lugar para fazer o que estávamos prestes a fazer, e talvez não fosse a melhor hora. Quer dizer, acabamos de ter uma conversa muito da sentimental ali, nossos corações estavam acelerados e estávamos confortáveis por ter um o outro ali, bem perto. É, essa seria a melhor hora. Eu já estava ficando sem fôlego pelo longo beijo que estávamos dando, mas eu não ousaria a pará-lo ali, pois eu senti que aquele foi o beijo mais verdadeiro que havíamos dado desde o dia em que nos beijamos na rua da minha casa. Parece que ele havia lido meus pensamentos, pois ele parou por um estante ofegante e sorriu. Retribui o sorriso e ele voltou a me beijar. Sentei-me em seu colo, ficando de frente para ele e coloquei minhas mãos em seus ombros. Ele começou a passar a mão pela minha cintura e nenhuma ressaca impediu o fogo percorrer todo o nosso corpo. Ele começou a levantar meu vestido, e eu facilitei o trabalho para ele, puxando de uma vez e selando nossos lábios assim que foram separados pela retirada do vestido. Eu já havia imaginado que Greyson não era do tipo que liga para aparência, para o corpo ou qualquer dessas coisas. Mas nesse instante eu tive certeza, pois toda vez que parávamos o beijo, ele fixava seus olhos nos meus, tais olhos que brilhavam como nunca. Em nenhum momento ele se atreveu a fazer o que eu não queria. Muitos garotos são muito apressados e logo no começo já estão passando a mão em áreas íntimas, como os seios e a bunda, mas Greyson não se atreveu a encostar na minha cintura, sem que eu deixasse. Sabe o garoto perfeito que você espera a vida toda em encontrar? Chama-se Greyson Michael Chance, e eu estava tendo o prazer de poder tocá-lo e receber seu toque. Depois de algum tempo, o senti levantar. Ele me pegou no colo e me colocou cuidadosamente em sua cama. Continuei o beijando enquanto desabotoava sua calça, e me esqueci completamente que havia alguém no banheiro, mas essa pessoa não se esqueceu de sair de lá. Tom apareceu na porta com os olhos arregalados. O que ele devia estar pensando? Qualquer coisa comprometedora. Parei o beijo e em menos de um segundo, peguei o lençol que estava no chão e me cobri com ele.
- Desc... – Comecei a falar, mas fui interrompida por Tom.
- Vou deixar vocês a sós. – Ele disse e saiu do quarto de cabeça baixa. Encarei Greyson que me encarava. Não sei se ele estava encabulado ou preocupado, mas seja o que for nenhum de nós tivemos vontade de continuar o que estávamos fazendo. Desabei para trás e fixei meus olhos no teto. Será que Tom ficou chateado em ver essa cena? Mas eu Greyson estávamos juntos, não tinha nada demais em fazer isso. Não faço ideia do que ele sentiu, mas algo não muito bom tomou seu corpo, isso eu tive certeza. Talvez fosse pelo fato de talvez eu e ele termos... Ah não. Não poderia ser, e mesmo se tivesse, ele é meu amigo, e eu estou com o Greyson, não com ele. Seja o for que aconteceu ali, não queria pensar nisso agora. O que eu mais queria era descansar, tomar um comprimido para dor de cabeça e descansar novamente.
- Acho melhor eu ir. Tenho que dormir um pouco, porque mais tarde vocês vão pra lá. – Falei me sentando novamente na cama e ele assentiu. Saí em direção ao banheiro enrolada no lençol com o vestido na mão. Depois de alguns minutos saí do banheiro e Greyson fez questão de me acompanhar até a porta. Descemos as escadas e nossos pais ainda dormiam. Caminhei até minha mãe e a balancei para que acordasse.
- Me deixa dormir! – Ela sussurrou as mesmas palavras que eu havia dito quando acordei. Tal mãe, tal filha.
- Vamos pra casa. Já são dez para às nove. – Me ajoelhei no chão, para ficar na altura dela e sussurrei para não acordar Lisa e Scott que dormiam ainda na mesa.
- Então, ainda tá cedo. – Ela disse se virando para o lado. Olhei para Greyson e ele deu de ombros. Levantei-me e fui em direção à porta de entrada, com Greyson ao meu lado.
- Vou ter que esperar ela acordar de livre espontânea vontade. – Falei saindo da casa e Greyson riu. Fui caminhando pelo jardim e no pé da árvore, achei meus sapatos. Os peguei e depois me sentei em um banco para calçá-los.
- Posso ter a honra? – Greyson disse se ajoelhando na grama. Ri e balancei a cabeça positivamente. Depois de algum tempo, eu já estava calçada e paramos de conversar para entrar, pois o tempo havia esfriado.
- Minha mãe tá demorando muito acordar. – Falei impaciente sentando em uma poltrona.
- Vamos fazer alguma coisa pra passar o tempo. – Greyson disse se sentando em cima da mesinha de centro.
- Onde tá minha bolsa? – Perguntei enquanto olhava em volta. Comecei a procurar e a achei em baixo da minha mãe. Abri e me deparei com o batom que eu havia colocado nela. – Já sei o que vamos fazer.
- O que? – Ele perguntou olhando da bolsa para mim, de mim para a bolsa. Tirei o batom da bolsa e ele me olhou assustado. – Portanto que você não use isso em mim está ótimo. – Ele disse e eu ri.
- Você acha que seu irmão vai demorar muito dormindo? – Perguntei e ele sorriu. Parecia que ele estava pensando a mesma coisa que eu. Parecia? Ele estava pensando a mesma coisa que eu!
- Espero que sim. – Ele disse e em questão de segundos estávamos no quarto de Tanner, que ainda dormia. Tirei a tampa do batom e fiz um unicórnio em suas costas. Dei o batom para Greyson que escreveu “Eu amo meu irmão Greyson e borboletas” desde o início de um ombro até o final do outro. Prendi o riso e escrevi o clássico “chute-me” no meio de suas costas. Tanner estava tão cansado que nem se mexeu durante o tempo em que estivemos em seu quarto. Escrevemos mais algumas coisas em suas costas e depois partimos para seu rosto. Fiz duas bolas vermelhas, uma em cada bochecha (parecidas com a de Michael) e Greyson pintou suas sobrancelhas. Contando o que aconteceu não parece tão engraçado, mas o que posso dizer foi que Tanner ficou uma gracinha.
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- Ok, então não aconteceu nada demais. – Jane concluiu depois de uma longa conversa entre o quinteto.
- Podemos ficar tranquilos agora. Ouviu Mimi? – Perguntei encarando Michael que a essa altura já havia dado mil chiliques sobre a noite anterior. Ele parecia até a Jane.
- Tá bom MCP. – Michael respondeu um pouco vermelho.
- O que vamos fazer agora? – Tom perguntou enquanto se espreguiçava.
- Bora alugar um filme. – Dei a ideia e todos concordaram.
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- Que tal American Pie? Podemos alugar todos e ver na ordem. – Michael deu a ideia e Jane o enviou um olhar de desaprovação.
- Você só pensa nisso? – Ela perguntou furiosa.
- Você pode me mudar... – Michael foi falando e encostando Jane em uma das estantes.
- Toma jeito moleque. – Jane disse ainda furiosa, mas agora mais da metade da raiva dela havia ido e dado lugar a vergonha. Ela se abaixou e passou por baixo do braço de Michael e logo foi me puxando para um canto para contar o que acabara de acontecer.
- Viu o que ele acabou de fazer? – Jane perguntou um pouco ansiosa.
- Sim, ele está louco por você, todos sabem disso. Agora vamos escolher um filme descente antes que Michael faça a cabeça do Greyson e ele vire um... Um Michael. – Falei e logo cai no riso junto com Jane. – É sério, vamos. – A puxei de volta para onde estávamos, mas só encontrei Tom. – Cadê os meninos? – Perguntei olhando em volta.
- Michael puxou Greyson pra lá. – Ele disse apontando para uma sessão que se chamava “+18”.
- Não falei?! Ele vai estragar o Greyson. – Falei um pouco alto demais fazendo Jane rir. – Tom, nós vamos lá salvá-lo do Michael, quer ir? – Perguntei já andando com Jane para a sessão “+18”.
- Podem ir, vou procurar um filme descente aqui. – Ele disse e eu assenti. Chegando a sessão onde os meninos estavam encontramos os dois abaixados falando sobre algum dos filmes que estavam na mão de Michael.
- Tcs tcs. – Fiz com braços cruzados e os dois olharam para mim e Jane, assustados. – Bonito né senhor Chance. – Falei e cai no riso em seguida. – Que filmes vocês pegaram aí? – Perguntei me abaixando ao lado de Michael. – American Pie é muito fraquinho. Que tal esse aqui? – Perguntei pegando um em que, na capa, havia uma mulher de roupas íntimas dando o dedo do meio.
- Já vi. É muito violento pra vocês. – Michael disse como se ver filmes para maiores de dezoito anos fosse normal para alguém menor que a idade indicada.
- Falou o experiente do assunto né. – Jane disse e todos riram. – Quero ver se nós não aguentamos. Vamos alugar esse aí! – Ela disse destemida arrancando o DVD da minha mão.
- Ô cérebro, como vamos alugar se nenhum de nós tem dezoito anos ou mais? – Perguntei e todos soltaram um “ah”, menos Michael.
- Tenho prática nisso. – Michael disse pegando o DVD da mão de Jane e indo em direção ao balcão. – Que droga! Quem tá hoje é o cara.
- O que tem demais? – Perguntei mesmo a resposta sendo óbvia demais.
- Porque quando é a orca eu dou uma cantada e ela me deixa alugar na boa. – Ele disse e Jane deu um tapa em suas costas junto com um “ei”, o fazendo rir.
- Quem é orca? – Perguntei sabendo que orca é um golfinho, não uma pessoa. (Orca é golfinho, não baleia! Hunf).
- A Lizzie. – Tom que não estava com a gente até esse momento respondeu.
- Lizzie tamborzão? – Greyson perguntou rindo e Michael balançou a cabeça positivamente.
- Gente, porque esses nomes? – Jane perguntou enquanto eu me matava de tanto rir dos apelidos da pobre Lizzie.
- Porque ela é gorda, tem um monte de espinhas e já é velha. – Michael disse olhando em volta como se a Lizzie tamborzão fosse aparecer dentre as estantes.
- Que insensível. – Jane sussurrou me fazendo rir ainda mais.
- Olha ela ali! – Greyson disse apontando para uma mulher que acabara de sair de uma porta que havia atrás do balcão. Sair vírgula, pois ela ficou presa na porta, e olha que ela passou de lado! – Orca é generosidade, ela é uma Jubarte. – Greyson sussurrou para si mesmo, mas todos ouviram e caíram na gargalhada.
- (Seunome), enrola o cara, pede ajuda, sei lá, mas faça com que ele saia de lá e deixe a orca, quer dizer, jubarte sozinha. – Michael disse já me empurrando para o balcão.
- Mas Michael... – Sussurrei andando de costas, mas fui interrompida por ele.
- Usa sua beleza! – Ele sussurrou e eu balancei a cabeça negativamente.
- Jane, me ajuda! – Supliquei seu s.o.s.
- Não, só você! – Michael impediu Jane de ir.
- Por quê? – Ela perguntou cruzando os braços para Michael.
- Cara, ela é brasileira! Tem noção da beleza dela? – Michael disse e Greyson soltou o mesmo “ei” que Jane havia soltado. – E se você for, corre o risco dele pedir o número do seu celular. Não posso correr esse risco. – Ele disse e Jane corou.
- Ah, e a (seunome) pode né? – Greyson perguntou um pouco aborrecido, mas Michael o acalmou dizendo que se eu gostasse dele realmente, não aceitaria nenhuma cantada do cara. Depois de muita enrolação, cheguei ao balcão e encarei o tal cara. Ele era negro, musculoso e devia ter, no mínimo, dois metros.
- Você poderia tirar minha dúvida? – Perguntei com uma voz doce e o mais irresistível possível.
- Pode dizer. – Ele disse curto e grosso. Respirei fundo e continuei a conversa teatral que eu estava tendo.
- Você poderia vir comigo na sessão para eu te mostrar sobre qual filme... – Comecei a falar, mas ele me interrompeu.
- Qual o nome do filme? – Ele perguntou um pouco sem paciência.
- Não lembro. O senhor pode vir comigo? – Perguntei esperando um “claro minha querida”, mas não foi bem isso que ele disse.
- Vê lá e me diz. – Ele disse escrevendo algo em um caderno. Dava vontade de gritar “DÁ PARA VOCÊ OLHAR PARA MIM SEU IDIOTA?” bem na cara dele, mas me controlei e tentei ser sensual.
- É que eu não alcanço. Como você pode ver, eu sou um pouco baixa. – Falei dando distância do balcão para que ele pudesse me ver. Finalmente o homem reparou em mim, mas pareceu que ele não deu a mínima por eu estar com uma blusa colada ao corpo e um short jeans curto.
- A Lizzie vai com você. LIZZIE! – Ele chamou Lizzie tamborzão, mas o interrompi.
- EU QUERO QUE VOCÊ VÁ COMIGO! NÃO DEU PARA ENTENDER AINDA? – Gritei fazendo todos olharem para mim. Parece que Michael percebeu que eu precisava de ajuda, e em segundos, Jane estava parada ao meu lado.
- Eu e minha amiga estamos com pressa, daria para você nos ajudar? – Ela disse com calma e ele assentiu e saiu de trás do balcão.
- Finalmente. – Sussurrei para Jane que riu.
- Que filme vocês querem que eu pegue? – O cara perguntou depois que paramos em uma sessão qualquer.
- Ah... Aquele ali! – Jane apontou para um, na prateleira mais alta. O cara o pegou sem nenhum esforço e leu o nome na capa.
- Teletubbies? – Ele perguntou com uma cara de “fala sério”. Nós assentimos sem graça e peguei o DVD da mão dele.
- Só um segundo, quero ver se vou levar esse mesmo ou vou querer outro. - Falei e em seguida me virei para Jane. – Vê se já alugaram. – Sussurrei e ela assentiu.
- Vai esse ou não? Porque eu estou com pressa. – O cara disse e eu balancei a cabeça negativamente.
- Esse não. Pega o da ponta. – Falei e ele pegou o DVD da ponta. – Esse também não. Pega o que estava do lado dele. – Falei e quando ele encostou no DVD para retirá-lo da prateleira, Jane gritou “AMIGA!” o fazendo derrubar, no mínimo, vinte DVDs em cima dele.
- AI! – Ele deu um grito histérico. Encarei Jane e seguramos o riso.
- Vamos embora, só tem gente incompetente aqui. – Jane disse de nariz em pé e a segui.
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- Vocês precisavam ver! Não estou acreditando até agora que aquele cara era gay. – Jane disse enquanto colocava o DVD.
- Não sei em quem é pior dar cantada: Na orca-jubarte ou no negão. – Michael disse fazendo todos rirem.
- Greyson tem certeza que sua família vai demorar a voltar? – Jane perguntou se sentando ao meu lado no sofá.
- Sim, e hoje os empregados estão de folga porque é Natal. – Ele disse enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo.
- Prometi que eu ia passar o dia com a minha mãe porque é o último antes dela viajar para Seattle, e olha só o que estou fazendo. – Falei balançando a cabeça negativamente fazendo todos rirem. Levantei-me, apaguei as luzes e voltei a me sentar ao lado de Greyson. Jane estava entre eu e Michael, e Tom estava no chão, encostado no sofá.
O filme começou e deu para perceber que só ia ter merda. Mal começou o filme, e a garota da capa estava dentro de um carro fechado, sentada no banco do motorista com as pernas no volante, nua e fumando. Olhei para Greyson que não piscava e coloquei minha mão em seus olhos, o fazendo rir. Ele tirou minha mão e me abraçou, fazendo minha cabeça ficar deitada em seu ombro. Essa posição não durou nem vinte segundos, pois quando a tal mulher se virou para trás, apareceu um cara, também nu, dormindo. Desencostei de Greyson e sentei-me na ponta do sofá. Olhei para Jane e ela estava igual a mim, só que sem piscar. Ri da cara da minha amiga e senti Greyson me puxar de volta.
- Nem pensa em olhar. – Ele sussurrou no meu ouvido e eu ri. Ele me abraçou de forma que eu ficasse virada para ele, e de costas para a TV. Essa posição também não deu muito certo, pois ouvi alguns gemidos e virei de volta para ver o que estava rolando no filme. A mulher e o homem do carro estavam... Fazendo aquilo. Era estranho ver, eu me sentia envergonhada pelo que eles estavam fazendo. Abracei Greyson novamente, da mesma forma que estávamos, e quando eu estava pronta para tampar seus olhos, os vi fixos em mim. Ok, eu já sabia que Greyson era perfeito, mas não a tal ponto de esnobar um tipo de filme que muitos homens amam. Eu poderia dizer que aquilo era qualquer coisa, mas tinha um nome exato: respeito. Ele me respeitava, então não ousava em assistir um filme daqueles. Sorri e dei um selinho nele, só que esse selinho acendeu o fogo que estávamos hoje de manhã, e bem... foi necessário o Michael gritar para não tirarmos toda roupa ali mesmo e... Você sabe.
- EU VOU TER QUE TIRAR O FILME PRA VOCÊS ABAIXAREM ESSE FOGO TODO? – Michael perguntou um pouco alto demais me fazendo corar. Eu estava sentada no colo de Greyson que já estava sem blusa.
- CALA A BOCA MIMI! EU QUERO ASSISTIR. – Jane gritou para Michael que já estava abraçado com ela. Olhei para Greyson e ri. Eu não estava acreditando o que quase fizemos, e parecia que até Greyson estava com vergonha. Continuei a assistir o filme no colo de Greyson, só que agora de frente para TV. Depois de mais ou menos meia hora, olhei para Jane que dormia com a cabeça encostada no ombro de Michael. Olhei para Greyson e ele estava atento ao filme, que agora mostrava uma cena de morte. Deitei minha cabeça em seu ombro e em menos de vinte minutos, eu havia dormido ali mesmo.
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- Acorda amor. – Ouvi uma voz dizer no pé no meu ouvido, em um tom doce.
- Não é assim que se acorda. É assim: ISSO É UM ASSALTO, MÃOS PARA O ALTO! - Ouvi uma voz familiar e pelo que disse, tive certeza que era Michael.
- EI! Você vai deixar minha amiga surda. – Outra voz conhecida disse, só que mais baixo. Depois do grito que Michael havia dado eu já estava totalmente acordada, mas e a coragem de levantar?
- Anda logo gente! Ela vai nos matar se não conseguir se despedir da mãe dela. – Ouvi Tom dizer e então dei um pulo da cama. Todos estavam no quarto de Greyson.
- QUE? – Gritei sem acreditar. – Minha mãe já vai viajar? Mas é só amanhã e...
- Hoje é amanhã. – Jane disse me fazendo soltar um “hã?” quase óbvio.
- É porque ontem você dormiu aqui, só que o seu ontem é o nosso hoje e o hoje é o seu amanhã antes de eu falar isso. – Greyson disse me fazendo soltar mais um “hã?”.
- Sua mãe vai viajar daqui a pouco, vai logo pra casa se despedir dela. – Tom simplificou minha vida e assim entendi o que eles queriam dizer.
- PUTS! – Soltei ao invés de um palavrão. – Tchau gente, beijo. – Falei correndo em direção à porta. – DEPOIS FALO COM VOCÊS! – Gritei da escada, mas dei meia volta, entrei no quarto dei um selinho em Greyson e assim fui embora.
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- Já falei com sua tia e deixei bem claro que é para ela vir três vezes por semana, não todos os dias. Também disse que ela não pode confiscar nada seu e ela não sou eu para te castigar. – Minha mãe disse depois de muitos abraços, beijos e lágrimas.
- Obrigado mãe. – Disse dando mais um abraço apertado em minha mãe.
- Agora tenho que ir filha. O táxi já tá aí fora, e o taxímetro rodando... – Ela disse me fazendo rir. Dei mais um abraço nela e a desejei boa-viagem, foi assim que vi minha mãe partir.
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- Passar o ano novo na Austrália? – Perguntei pela quarta vez ainda sem acreditar.
- Que parte você ainda não entendeu? – Greyson me perguntou rindo.
- Tudo. – Respondi ainda perplexa.
- Mas você quer ou não? A Jane e o Michael já confirmaram, só falta você e o Tom.
- Sim, eu quero. Ainda mais porque minha mãe não vai voltar para o ano novo. Que incrível! – Disse o abraçando. – Mas é para ir que dia? E voltar?
- Vamos dia 29 e voltamos dia 5, mas se quiser podemos esticar até o dia 10. – Ele disse e eu assenti. – Meus pais compraram uma casa lá, e também tem o meu amigo que mora lá perto.
- Gente rica é outra coisa. – Michael disse fazendo todos rirem.
- Mas e o Tanner e a Alexa? – Perguntei já que Greyson ainda não havia tocado no nome deles.
- Eles só vão dia três. Alexa vai passar o ano novo com o namorado e Tanner tem que resolver umas coisas no trabalho. – Ele disse e eu assenti.
- Vou fazer minhas malas. Até depois favela. – Jane disse se levantando e indo em direção à porta de entrada da minha casa.
- Jane, hoje ainda é dia 26. – Greyson leu minha mente, e aposto que Michael também iria dizer a mesma coisa.
- Eu sei, está muito perto! – Ela disse e logo saiu.
- Vou devolver o DVD, depois nos vemos. – Michael disse se levantando e fazendo o mesmo caminho que Jane havia feito.
- Duvido nada que isso é só uma desculpa para ir atrás da Jane. – Falei fazendo Michael soltar uma risada irônica e depois sair. – Sabe o que estou com vontade de comer? – Perguntei à Greyson que mexia no celular.
- O que? – Ele perguntou desviando o olhar para mim.
- Lasanha. – Falei e ele riu. – Bora fazer?
- Bora tentar fazer. – Ele me corrigiu e eu ri. – Se lembra de como a Jane fez naquele dia? – Ele perguntou e eu balancei a cabeça negativamente.
- Mas minha mãe tem um livro de culinária, deve ter lasanha lá. – Eu disse indo até uma gaveta no balcão que havia ao lado da pia. – Aqui está. – Disse tirando o livro que no mínimo tinha quatro quilos, tanto que Greyson me olhou assustado.
- Você procura e lê a receita, eu faço. – Ele disse pausadamente me fazendo rir.
Depois de vinte minutos eu finalmente achei a página onde havia a receita da lasanha, e agora era tarefa do Greyson. Ele começou a “fazer”, mas como cozinheiro ele é um ótimo pianista, então acabei o ajudando. Por sorte havia todos os ingredientes em casa, e o que precisávamos era muita paciência e um cozinheiro de verdade. Durante toda a jornada (jornada mesmo, ou você pensa que é fácil cozinhar?) fizemos o melhor possível, mas o resultado foi óbvio: a lasanha passou do ponto, a cozinha poderia ser cortada em fatias e servida, pois havia mais ingredientes no chão do que na própria lasanha, e eu e Greyson? Bom... se você conseguisse ver um fio de cabelo nosso já era muito.
- Se eu comer mais uma grama eu vou precisar de uma ambulância. – Falei olhando para a travessa.
- Eu acho que depois dessa eu preciso ir para academia durante seis anos e caminhar 88.000km por minuto. – Ele disse me fazendo rir.
- O bom é que a cozinha está imunda e tenho que limpar até amanhã, antes que a minha querida tia apareça e dê um escândalo. – Falei enquanto brincava com os talheres.
- Ela não deve ser tão ruim. – Ele disse e a vontade que tive era de rir, mas meu sorriso se apagou quando um barulho na porta me fez levantar e dar de cara com Tia Virginia.
- Droga! Ela não morre tão cedo. – Falei e como esperado ela deu um chilique pela bagunça que a cozinha estava e outro chilique por Greyson estar na minha casa.
- O QUE ACONTECEU AQUI? VOCÊ PIROU? SE PIROU EU NÃO SEI, MAS É VOCÊ QUE VAI LIMPAR, SUA ID...
- OLHA COMO FALA COMIGO! – A interrompi gritando, mas em um tom mais baixo que o dela para não assustar Greyson. – E se você tiver um pingo de humildade, por favor, vai embora e volta outro dia. – Abaixei o tom de voz e falei mais calmamente para tentar fazer com que ela fosse embora sem que houvesse gritos ou polícia.
- E o que eu ganho com isso? – Ela perguntou já com a mão na maçaneta. Faltava pouco para ela me deixar em paz, mas qual desculpa dar?
- Uma noite com sua família, com seu marido, seja lá com quem for. Também pode ganhar sossego e paz na sua casa, porque se ficar aqui eu prometo não deixar você sossegada nem por dez segundos. – Greyson disse e sorri, concordando com ele.
- Mas nem era para você estar aqui. Se quiser eu te expulso e...
- Te dou cinquenta pratas se for embora. – Ele disse tirando da carteira o que havia prometido e eu o olhei, assustada. Tia Virginia bufou, pegou o dinheiro e depois saiu batendo o pé. – Vamos. Eu te ajudo com a cozinha. – Ele disse já indo em direção a ela.
- Não acredito que você pagou para ela sair. – Falei ainda sem acreditar.
- Já fiz isso algumas vezes, sempre funciona. É melhor do que ficar se estressando. – Ele disse como se dar cinquenta reais (ou dólares) para alguém que você não conhece fosse natural.
- Viu como ela é um amor de pessoa? – Perguntei ironicamente o fazendo rir.
- Preciso apresenta-la ao Tanner. – Greyson disse e eu ri.
Passado quarenta minutos a cozinha estava outra. Estava tudo limpo e muito organizado. Nem parecia que dois pestes haviam feito uma lasanha (ou pelo menos tentado). Mas é lógico que nem eu e muito menos Greyson iria conseguir ou ter vontade de limpá-la. Por isso meu “digníssimo-quase-namorado” ligou para uma de suas empregadas (é, o garoto tem mais de uma empregada; como diz Michael: gente rica é outra coisa) e ela limpou toda a cozinha para gente. Não está no contrato de serviços dela limpar a casa de outras pessoas, a não ser a dos Chance, mas como ela era um amor de pessoa, ao contrário da minha tia, e Greyson era tão fofo a ponto de convencê-la, conseguimos com que ela fizesse esse favorzinho para gente, e agradecemos muito à ela.
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- Por que você não quer ir Tom? – Perguntei a Tom que havia recusado o convite de Greyson para irmos todos à Austrália
- Posso falar com você a sós (seunome)? – Tom prguntou e eu assenti. Levantamo-nos e nos sentamos em uma mesa mais afastada de onde estávamos antes, ainda na mesma sorveteria.
- Pode falar. – Me ajeitei na cadeira pronta para ouvir a desculpa de Tom.
- Eu não me sinto à vontade estando entre casais. – Ele disse e eu fiz uma careta de “como assim?”, e parece que ele leu meu rosto. – A Jane e o Mimi, você e o Greyson, e eu sozinho. Pra vocês, talvez pareça que não, mas não andamos tão em galera como antes. Eu me sinto um pouco sozinho, e já que muitas coisas vocês fazem em casais, eu fico a parte. Como, por exemplo, quando eu vejo você e o Greyson se beijando. – Ele terminou de falar então respirei fundo atrás de uma desculpa.
- A Jane e o Mimi não estão juntos. – Falei, mas a expressão de Tom não mudou.
- Eles brigam muito, mas sempre acaba em abraços e beijos na testa, e cá pra nós, eles só não estão juntos porque não querem. – Ele disse e eu soltei um meio sorriso.
- Se você quiser, podemos mudar um pouco isso. Podemos parar de ficar tanto tempo em casais, como você diz. E Tom, vamos para Austrália! Lá deve ter dezenas de meninas, uma mais bonita que a outra. Também tem o amigo do Greyson... vai ser tão divertido! Não tanto se você deixar de ir, mas se você for eu te prometo que essa viagem vai render grandes histórias. – Terminei de falar e vi, depois de tanto tempo, Tom sorrir.
- Tá bom eu vou. – Ele disse e eu berrei “EEEEE!” me levantando e fazendo todos olharem para mim. Encarei algumas pessoas e voltei a me sentar fazendo um “eee!” baixinho. – Mas eu vou só por você. – Ele terminou de falar e eu sorri. Levantamo-nos e voltamos a nos sentar na mesa onde estava o resto do pessoal. Contamos a boa notícia e fizemos mil e um planos para a viagem.
AVISO: Eu sei que o Natal foi há mil dias atrás, mas como vocês sabem eu estava viajando, e pela ordem dos capítulos, este capítulo teve de ser postado hoje. E eu tenho uma novidade: no próximo capítulo, entrará mais alguns personagens, e um deles eu sei que muitos de vocês o idolatram. Começa com "Co" e termina com "dy Simpson". Adivinha quem é? haha. Não sei se vocês perceberam, mas eu mudei o visual do blog. O que acharam? E eu finalmente descobri como colocar a paradinha que conta quantas visitas o blog tem. Só que eu só botei hoje então a paradinha está pobre, mas espero que ela chegue, pelo menos, a 1.000. Quem não tiver meu FC, se quiser adicioná-lo pede pelos comentários e eu vou ficar muito feliz. Agradeço novamente a todos que estão seguindo ou comentando, e espero que gostem do capítulo e COMENTEM! Beijos da Mi =)
" - Promete que vai durar para sempre? – Ele perguntou e eu sorri. - Não. – Respondi e seu rosto tomou uma expressão confusa. – Eu prometo durar enquanto nós dois sejamos felizes. – Terminei de falar e pude ver que seus olhos brilhavam como nunca. A nuvem que cobria a lua finalmente tomou outro rumo e ali, à luz do luar, selei nossos lábios."
sábado, 21 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Capítulo 8
Cap. 8 A família Chance
Durante todo o caminho até a diretoria eu não tive coragem de dizer nenhuma palavra, e parecia que Greyson respeitava isso, pois ele não abriu a boca. Eu me sentia suja, por ter, mesmo obrigada, se misturado com Greg. Eu não fazia a menor ideia do que Greyson estava pensando naquele momento. Ele poderia estar chateado, se sentindo traído, ou apenas com medo. De qualquer maneira, o que importava agora era esclarecer tudo com a diretora e se ela não tomasse medidas drásticas em relação a Greg, eu não teria medo de sair daquela escola.
- Com licença. – Dei duas batidinhas na porta e a abri. Eu estava na secretaria e pelo estado que eu e Greyson nos encontrávamos todos se viraram e nos encararam.
- O que aconteceu? – Uma das inspetoras do colégio logo perguntou quando nos viu.
- Ah, aconteceu alg... – Comecei a falar, mas logo fui interrompida.
- Nós poderíamos falar com a diretora? – Greyson perguntou já andando em direção a porta que dava acesso à diretoria.
- Vou informar a ela que vocês estão aqui e ver se ela está disponível. – Uma das mulheres que se sentava na maior mesa da sala se levantou e entrou na sala da diretora. Depois de alguns segundos ela voltou e nos disse que poderíamos entrar. Entramos e a reação da diretora foi bem previsível. Ela estava de olhos arregalados e seu queixo caia lentamente.
- O que aconteceu? – A diretora nos perguntou pausadamente. Se ela quisesse poderia nos dar suspensão naquele momento. Primeiramente não estávamos na aula. Segundo que Greyson estava sem blusa, que no caso, eu estava usando, e nós dois estávamos cobertos de sangue.
- Diretora, eu não quero ser arrogante, mas ou você expulsa o Greg ou eu faço o que for para abrir um processo contra ele. – Greyson disse, mas foi logo interrompido por uma batida na porta, e de repente, um professor entrou com um aluno que havia um hematoma horrível perto do olho direito.
- O que houve aqui? – O professor e o aluno perguntaram no mesmo momento.
- É o que eu quero saber. – A diretora disse fazendo um gesto para que todos se sentassem. Sentamo-nos e eu contei tudo que havia acontecido comigo e logo em seguida Greyson contou como ele soube que eu estaria correndo perigo e o que ele fez para ir atrás de mim. Todos ficaram boquiabertos, até eu quando Greyson disse que havia dado um soco em seu amigo, por mim. A minha vontade ali era abraça-lo, mas eu não tinha certeza se estava tudo bem entre a gente. – Professor, me acompanhe, por favor. Iremos atrás do senhor Gregory e da senhorita Jane. – Eles se levantaram ficando apenas eu, Greyson e o aluno machucado, o tal de Jack.
- Vou sair para que vocês possam conversar. – Ele disse em voz muito baixa já se levantando e colocando a mão na maçaneta da porta. Greyson assentiu e então ele se retirou da sala. Agora só estava eu e Greyson, um de frente para o outro.
- Não precisa se culpar. – Greyson quebrou o silêncio. – A culpa não foi sua, todos sabem disso.
- Mas eu poderia ter me defendido e não deixado Greg chegar perto de mim. – Disse abaixando a cabeça. Eu não queria olhar Greyson nos olhos. Eu estava com muita vergonha de tudo o que eu havia passado. Imagina você “trair” o garoto que você gosta, ainda mais quando vocês começaram a ficar neste mesmo dia.
- Você não conseguiria se defender. Olha só para a sua perna, e pense no quanto Greg é mais forte que você.
- Mas eu estraguei tudo. Eu não deveria ter deixado Greg chegar perto de mim. Eu sinto que te trai, e eu não mereço tudo que você faz por mim. – As lágrimas começaram rolar pelo meu rosto e minha cabeça a latejar de tanto que eu já havia chorado. – Você me salvou pela segunda vez e eu não sei como te agradecer. Agora você corre risco de ser expulso e é tudo minha culp...
- Ei, você não se lembra do que eu te disse hoje de manhã? – Greyson me interrompeu e foi se levantando e vindo em minha direção. Ele se ajoelhou na minha frente e levantou minha cabeça. – Eu te amo. – Ele disse e me abraçou. As lágrimas rolaram mais ainda pelo meu rosto e eu não conseguia parar de soluçar. Eu estava muito feliz por estar tudo certo entre a gente, mas ainda me sentia culpada. E o que será da gente quando a diretora voltar? Greyson poderia até ser expulso pelo soco que deu em Jack.
BLAM! Alguma porta havia sido batida com muita força. Soltei Greyson e me virei para a porta. Não havia sido a da sala onde estávamos, mas era uma bem próxima.
- Deve ser o Greg. – Greyson disse já se levantando e tentando olhar pelo pequeno quadrado de vidro que havia na porta. Eu ainda não tinha reparado no físico do Greyson, e a única palavra que eu pude pensar na hora foi uau! Ele não era do tipo musculoso, que fica indo na academia levantar pesos, mas nem por isso ele deixava de ser fraco. Ele era magro e bem branco. As costas dele era perfeita, com o desenho certo e... CARACA! Ele era um dos poucos garotos que conheço no mundo que tinha bunda. A maioria dos garotos são retos atrás, mas eu jamais poderia dizer isso do Greyson.
- EU QUERO QUE MEU PAI VENHA AQUI AGORA! E COM ADVOGADO, POIS VOU ABRIR UM PROCESSO CONTRA ESSA ESCOLA! – Uma voz familiar gritava na outra sala e de repente a porta da sala onde estávamos foi aberta com tal força que ela bateu na parede e voltou com tudo. Greg, a diretora, o professor, Jack e Jane entraram na sala, todos já se sentando.
- O senhor está expulso e não ouse questionar. Pode se retirar agora, pegar todos os seus pertences e nunca mais apareça na escola se não quiser uma porta fechada na sua cara. – A diretora foi dizendo e Greg bufava na cadeira. Agora que Greg foi expulso eu me sentia melhor, e finalmente muitas pessoas ficariam mais tranquilas, aquelas mesmas que com certeza sofriam bullying na mão dele. – Mas antes o senhor vai pedir desculpas à senhorita (seusobrenome) e ao senhor Chance. – Greg parou e fez uma cara de quem estava achando graça, e realmente estava. Ele soltou uma risada irônica e se virou de costas indo em direção à porta. A abriu e a fechou com muita força. A diretora se levantou atrás dele, mas eu interrompi sua ação.
- Não precisa diretora. Não quero nada que venha dele. – Disse séria.
- Também não. – Greyson concordou comigo e a diretora voltou a se sentar.
- Agora precisamos resolver o que acontecerá com vocês. Senhor Jack, vá para a enfermaria para que a doutora cuide desse seu machucado. – Jack saiu da sala e a diretora nos encarou. - Senhorita Jane, já que você ajudou a “salvar” a senhorita (seunome), não irei te dar nenhum castigo. Mas quero que fique claro que você deveria ter informado o que estava acontecendo a alguém da escola, e não a um aluno. Já pode voltar à sala senhorita. – Jane assentiu e se levantou. Depois que ela saiu a diretora voltou a nos encarar. – Senhorita (seunome), eu queria pedir desculpas pela falta de organização da escola. Deveria haver algum inspetor nos corredores, mas infelizmente por uma falha nossa você sofreu esse absurdo. Está liberada para voltar para casa. A coordenadora já informou o seu responsável sobre o ocorrido e ele chegará aqui em alguns minutos. Você poderia esperar na secretaria, por favor, porque agora terei que tratar algo muito sério com o senhor Chance. – Assenti e me retirei da sala. Todos da secretaria me olhavam um pouco estranho, mas não liguei e fiquei rezando para que Greyson não fosse expulso. Seria minha culpa se algo de ruim acontecesse com ele, e eu NUNCA iria me desculpar por isso.
Passado uns quinze minutos, finalmente Greyson saiu da sala. Corri até ele para ver se estava tudo bem, e ele parecia feliz.
- E ai, o que ela disse? – Perguntei puxando-o para uma cadeira. – Você foi suspenso?
- Por três dias, mas essa não é a melhor parte. Eu vou ganhar um certificado de num sei o que por não sei o que. – Ele disse sorrindo.
- Tá sabendo bem hein. – Disse o fazendo rir. O abracei e ele me deu um beijo na testa. Virei-me séria para ele e o encarei.
- Seus pais já sabem o que aconteceu? – Perguntei.
- Não, mas vão descobrir quando chegarem. A diretora fez questão de ela própria ligar para eles. Ela disse que essa parada do certificado é uma honra e ela queria estar dentro de tudo.
- Tá, mas e a suspensão? Isso não é uma honra.
- Eu sei, mas eu não me importo. Estou indo bem nas matérias, não acho que vou perder muita coisa. Mas o problema é que eu vou ter que ficar três dias sem te ver.
- HÁ-HÁ, como se isso fosse verdade. Não duvido nada que amanhã você vai estar na porta da minha casa.
- Ah, acabou com a surpresa. – Ele disse me fazendo rir. Era tão bom saber que ele não foi expulso e que estava tudo bem entre a gente. Abraçamo-nos e ficamos rindo de coisas bobas, como por exemplo, o jeito que eu estava vestida e os prováveis comentários que todas as mulheres estavam fazendo ao vê-lo sem blusa.
TOC, TOC. Alguém bateu na porta e eu fui surpreendida ao ver minha mãe com uma expressão de desespero. Ela correu até mim, me abraçou muito forte e começou a fazer mil perguntas como “que roupas são essas?” “por que você está suja de sangue?” e “que garoto é esse?”. Ela poderia continuar com mais umas mil perguntas, mas foi chamada na sala onde se encontrava a diretora.
- Sua mãe não estava em Seattle? – Greyson me perguntou olhando para minha mãe que acabara de entrar na sala.
- Ela estava. Não sei se ela voltou porque acabou com o serviço lá ou se foi por minha causa. Estou com medo que tenha sido por mim, e que ela seja demitida por isso.
- Você é tão pessimista. – Greyson disse rindo. – Olha, o bom é ter ela por pert... – Ele foi interrompido por outra batida na porta e nós nos viramos. Entraram duas pessoas, era um casal. – Meus pais. – Ele disse sorrindo e correu para falar com eles.
- Por que você tá todo machucado? Por que está sem blusa? – A mãe dele disse limpando um pouco do sangue que havia em seu rosto.
- A diretora explica tudo pra vocês quando entrarem. Agora quero que vocês conheçam uma pessoa. – Greyson disse e foi puxando seus pais em minha direção. Virei-me para trás tentando ver algo que poderia ser o motivo de Greyson estar vindo com eles, mas não havia nada, a não ser uma grande parede branca. Voltei a olhar pra frente e já dei de cara com os três. – Pai, mãe, essa é a (seunome). (Seunome), esses são meus pais, Lisa e Scott Chance. – Apertei a mão de cada e eu estava muito corada.
- Me desculpem estar me apresentando nesse estado...
- Ah, que isso. Você é linda querida. – Lisa disse sorrindo para mim. Logo em seguida se virou pra Greyson e perguntou. – Greyson, ela é sua namorada? – Ao ouvir o sussurro de Lisa corei e não pude deixar de esconder um sorriso.
- Mãe! - Greyson disse um pouco alto demais fazendo todos desviarem a atenção para os dois. Então ele a puxou para um canto e eu pude ler seus lábios, além do silêncio que estava na sala que também me ajudou a ouvir o sussurro. – Ainda não. – Neste estante Lisa sorriu e abraçou seu filho. Logo em seguida voltaram para onde eu e Scott estávamos, apenas encarando o chão. De repente a porta da sala onde a diretora se encontrava foi aberta e minha mãe saiu um pouco pálida de lá.
- Filha, eu vou matar aquele monstro! – Ela disse se segurando em meus ombros.
- Mãe, calma! Ele foi expulso, está tudo resolvido. Não aconteceu nada de ruim comigo, eu estou inteira. Quer dizer, quase. – Disse ao lembrar-me da minha perna engessada. – E você deveria agradecer ao Greyson, pois se não fosse ele teria acontecido algo muito pior. – Falei indo em direção à Greyson, Scott e Lisa que há essa hora, estavam conversando muito entusiasmados. – Dona Lisa, senhor Scott, Greyson, essa é minha mãe (nomedasuamãe).
- Olá Lisa, olá Scott, olá Greyson. – Minha mãe disse apertando a mão de cada um. - Queria agradecer por você ter salvado minha filha. – Minha mãe disse o abraçando.
- Não há de que. – Greyson disse sorridente.
- Você salvou a sua namorada? – Lisa perguntou assustada fazendo eu e Greyson corarmos.
- Vocês estão namorando? – Minha mãe perguntou ainda mais assustada. – Filha, por que você não me contou?
- Ela ainda não é minha namorada mãe. – Greyson disse enviando um olhar de reprovação para Lisa.
- Ah, mas vai ser não é?! Porque ela é muito bonita. Você é americana mesmo? – Scott perguntou e eu corei ainda mais.
- Não, sou brasileira. – Eu disse e então Lisa e Scott fizeram aquelas caras de “ah, tá explicado”, como se aquilo fosse óbvio.
- Com licença, Senhor e senhora Chance, vocês poderiam entrar, por favor? Ah, e Greyson também. – A própria diretora os chamou. Eles assentiram e Lisa e Scott se despediram de mim e de minha mãe. Olhei para Greyson que abriu os braços e então o abracei.
- Me encontra na porta da sua casa às 18h00min? – Ele sussurrou no meu ouvido.
- Pra quê? – Perguntei.
- Surpresa. – Ele disse rindo e se virou para mim. Ele ia me dar um beijo, mas virei o rosto.
- Nossos pais estão aqui. – Disse entre os dentes.
- Ah é. – Greyson disse e foi se despedir da minha mãe. – Até mais senhora (nomedasuamãe).
- Até querido. – Minha mãe apertou a mão de Greyson e então ele se virou para mim, sorriu e entrou na sala.
- Filha, que gato! – Minha mãe disse se virando para mim toda sorridente.
- Mãe! – Olhei assustada pra ela.
- É sério filha. E ele te salvou. Fiquei encantada pelo que o garoto fez!
- Vamos mãe. – Disse puxando ela. – Você falou com minha tia?
- Pera aí, deixa eu te ajudar a andar. – Minha mãe me abraçou pelo lado colocando o ombro em baixo do meu braço. – Não, mas você vai me contar tudo que aconteceu pelo tempo que estive fora. Principalmente sobre essa sua perna aí.
- Tá, mas antes me diz uma coisa. Você voltou de Seattle por minha causa ou você conseguiu terminar o serviço lá? – Perguntei um pouco preocupada com a resposta.
- Eu havia acabado de chegar em casa quando uma moça da escola ligou pra lá. Eu voltei para passar o natal com você, não queria que você passasse com a Virginia. Tive que vim bem antes para organizar também umas coisas no escritório antes de voltar pra Seattle.
- Então você vai voltar? – Perguntei um pouco triste.
- Sim, daqui a seis dias. Meu chefe me liberou apenas uma semana, sendo que terei que chegar lá sem atraso nenhum, então é melhor eu ir um dia antes para não correr o risco. Mas então, o que aconteceu enquanto eu estava fora? – Minha mãe me perguntou bem animada. Chegamos ao carro, entramos e minha mãe começou a dirigir. Contei tudo que havia acontecido, principalmente, sobre a barbaridade de a tia Virginia confiscar meu celular. Contei também sobre como fui parar no hospital e falei muitas coisas boas a respeito do Greyson.
- Então vocês estão namorando?
- Não. Quer dizer, mais ou menos. Ele ainda não me pediu oficialmente, estamos ficando, sabe? – Eu disse ficando um pouco corada.
- Claro que eu sei. Não é porque eu nasci antes de você que eu sou desatualizada. – Minha mãe disse colocando óculos escuros.
- Atá, desculpa. – Disse rindo. – Mãe, vamos convidar a família dele para passar o natal com a gente?
- Por mim tudo bem, mas eles devem ter a família grande, vão querer passar com ela. Não custa tentar, mas não prometo nada. – Ela respondeu parecendo animada com o convite. Devia ser por ela não querer passar o Natal com a única família que tínhamos em Los Angeles, minha tia Virginia, e se convidássemos a família de Greyson teríamos uma ótima desculpa para dar à Virginia.
- Mãe, você não quer ir ao Brasil? – Perguntei um pouco séria.
- Não agora. Talvez possamos ir nas férias maiores, nas de julho. – Ela disse e percebi que seu tom de voz mudou.
- Eu queria ver meu pai. – Falei, na verdade quase sussurrei.
- Eu entendo que você esteja com saudades dele, mas não estou pronta para vê-lo.
- Você não precisa ficar na casa dele. Pode se hospedar em um hotel e eu fico com ele. Nós podemos nos encontrar nas tardes para andar por lá, ir às praias... Nossa que saudade eu sinto de praia. – Falei toda entusiasmada, mas fui interrompida por um barulho muito alto no carro.
- NÃO ACREDITO! O carro deu problema de novo! Ai que droga. – Minha mãe desceu morrendo de raiva e abriu a parte da frente do carro para ver o motor. – Teremos que parar num posto. – Ela disse voltando a entrar no carro. – Ainda bem que tem um posto bem perto daqui.
- Não dá pra me deixar em casa antes?
- É muito arriscado. Eu não poderia nem estar dirigindo ele agora. Nem até o posto.
- Mãe! Olha como eu estou vestida. Vou ter que sair assim? – Minha mãe olhou para mim e riu.
- A blusa é do Greyson né. Ele realmente é um cavalh...
- MÃE! Eu não posso sair assim. – Eu disse um pouco (muito) desesperada fazendo minha mãe rir muito mais.
- Tem um casaco no banco de trás. Pega ele e veste, vai melhorar um pouco. – Ela olhou rapidamente pra mim e riu descontroladamente. – Mentira! Vai ficar ruim do mesmo jeito, mas pelo menos ninguém vai ver esse sangue todo.
- Ah claro, obrigado por você aumentar minha autoestima. – Eu disse ironicamente enquanto pegava o casaco e o vestia. Paramos no posto e minha mãe logo pediu para um homem checar num sei o que. “Do que eles estão falando?” me perguntei, mas logo meus pensamentos foram outros quando tive que descer do carro.
- Mãe, você me paga! – Disse entre os dentes e ela riu.
Passado uns vinte minutos minha mãe veio me dar a maravilhosa notícia de que demoraria algumas horas para ajeitar o carro. Levantei-me da calçada, onde estava sentada, e entrei numa lojinha que havia no posto. Como era de se esperar, todos olharam para mim, mas não me importei e fui até um freezer e peguei um sorvete de potinho. Enfrentei a fila do caixa, paguei com o dinheiro que eu havia achado no bolso do casaco e sai de lá.
- Mãe, deixei minha bolsa e minhas roupas na escola. – Disse para minha mãe que estava descaradamente pegando o potinho da minha mão.
- Não tem problema. Amanhã você procura quando chegar à escola. Ei, por que não compra um sorvete pra você hein? – Minha mãe perguntou que há essa altura ela já estava na metade do potinho.
- Eu comprei sabe, mas uma esfomeada o pegou da minha mão. – Eu disse e minha mãe olhou para os lados.
- Não sei quem. – Ela disse e eu ri. Virei-me e voltei na loja. Peguei mais um potinho, paguei e fui para um banco que havia na beira da rua. Sentei-me e de repente um carro muito bonito parou no posto para colocar combustível. Reconheci o homem que saiu do carro, era Scott. Logo em seguida saiu uma mulher com uma carteira na mão indo atrás de Scott, era Lisa. Levantei-me e fui em direção ao carro. Percebi que uma janela de trás estava aberta, e logo consegui ver Greyson mexendo no celular. Fui andando em silêncio e apoiei-me na porta do carro colocando os braços em cima do vidro abaixado e sorri.
- Sabia que mexer muito no celular faz mal para o cérebro? – Eu disse fazendo-o se virar rapidamente e logo abrir um sorriso gigantesco. Ele desceu do carro e me deu um abraço. – Acho que você está me seguindo.
- Não, eu só estou ficando perto de você. Vai que acontece um assalto, sei lá. Eu tenho que está aqui para te proteger. – Ele disse rindo e eu ri junto com ele. – Mas o que você está fazendo aqui?
- O carro da minha mãe deu problema. Já estou aqui há uns quarenta minutos, e minha mãe disse que vai demorar horas para concertar.
- Por que vocês não vão pra casa?
- Minha mãe tem que ficar aqui por causa do carro, e não é legal eu pegar um táxi sozinha.
- Quer ir lá pra casa? – Ele perguntou todo animado.
- Greyson! – Disse um pouco sem graça. – Seus pais nem sabem quem eu sou direito. E eu preciso tomar banho e...
- Claro que sabem. Minha mãe fez mil perguntas sobre você no carro. – Ele disse me fazendo rir. – E você toma banho lá. Você pode colocar alguma roupa da minha irmã, uma que ela ainda não tenha usado.
- Não, isso é muito constrangedor.
- Por quê?
- Eu vou pra lá tomar banho na casa dos seus pais, que acabei de conhecer e nem tenho muita intimidade, e ainda vestir as roupas de uma garota que nem me conhece.
- Ah, por favor. Além do mais que se o carro demorar horas pra concertar, não vai dá pra gente sair às seis. – Greyson disse já me puxando para onde Lisa e Scott estavam.
- Mãe, a (seunome) pode ir lá pra casa? O carro da dona (nomedasuamãe) deu problema e só vai estar pronto daqui a algumas horas. Por favor! – Greyson disse fazendo uma cara super fofa para Lisa.
- Desculpe dona Lisa. Eu falei pra ele não pedir porque era um abuso e...
- É claro que pode. – Greyson deu um pulo e abraçou Lisa. – Se sua mãe deixar é claro. – Ela disse se virando para mim.
- Ah, vai deixar sim. – Greyson foi em direção a minha mãe que estava discutindo com um homem. Depois de alguns minutos Greyson voltou com o melhor sorriso que eu já tinha o visto dar e foi logo gritando pra Lisa e pra mim. – SIM! Ela deixou. – Ele me abraçou e eu não pude conter o sorriso.
- Tudo bem, então vamos? Scott já botou combustível. – Ela disse abrindo a porta do carro para que pudesse entrar. Greyson correu na minha frente, abriu a porta e me esperou entrar. Eu ri da tentativa dele de ser cavalheiro e ele também. Tentei subir no carro, que era realmente alto, e então ele me pegou no colo e me colocou sentada no banco. Depois fechou a porta e entrou no outro lado.
- Oi (seunome). – Scott me cumprimentou.
- Oi senhor Chance. – Disse dando o meu melhor sorriso. Greyson se sentou do meu lado e depois de alguns minutos chegamos a casa dele.
- Greyson, ajude a (seunome) descer por causa da perna engessada. – Scott disse enquanto pegava algumas coisas na mala. Greyson desceu do carro, deu a volta, abriu a porta pra mim e quando fui colocar o pé no chão ele me pegou no colo, do mesmo jeito que havia me pegado para levar-me ao hospital.
- Greyson! – Falei um pouco alto demais o fazendo rir. – Eu estou de vestido sabia?
- Vestido? – Ele disse rindo enquanto fechava a porta do carro com as costas. Lisa e Scott já haviam atravessado o jardim e entrado, e só estávamos eu e Greyson no lado de fora.
- Sua blusa ficou como um vestido em mim. – Disse rindo.
- Então você costuma usar vestidos desse tamanho? Que indecência. – Ele fez voz afetada e eu ri um pouco alto demais.
- E você quer que eu vista os que batem na canela? Que horror.
- Tá certo. Você deve mostrar as belas pernas que Deus te deu. – Ele disse rindo e eu dei uma leve batida no ombro dele.
- Tá, mas agora você poderia me colocar no chão?
- Não. – Ele respondeu sério e saiu andando comigo. Comecei a bater um pouco forte nas costas dele que ele não parava de rir. – Você é forte! Eu nunca poderei brigar com você, senão já era.
- Não se esqueça de qual de nós dois quebrou a cara do Greg. – Eu disse o fazendo rir. – Tá, agora me põe no chão. Não ia ser muito legal se eu entrasse na sua casa assim. – Ele assentiu e me botou no chão. Tentei me ajeitar, o que era impossível, e então Greyson abriu a porta e eu entrei.
- Não repare a bagunça querida. – Lisa disse enquanto tirava uns papéis de cima da mesa de centro e colocando-os dentro de uma gaveta. Como eu poderia ver alguma bagunça ali? A casa era simplesmente P-E-R-F-E-I-T-A!
A sala da casa de Greyson era imensa e era tudo branquinho. O sofá de couro preto era coberto por um manto branco, com várias almofadas bem clarinhas. Havia uma enorme televisão na parede e em baixo havia uma prateleira de vidro com alguns porta-retratos brancos. No canto havia uma lareira, apagada, com um enorme quadro pendurado na parede acima. Era a imagem de cinco pessoas. Reconheci Lisa, Scott e Greyson. A garota devia ser a irmã de Greyson e o garoto seu irmão.
- Gostou? – Greyson perguntou reparando minha cara de espanto.
- Sua casa é linda. – Falei ainda boquiaberta. – Ah, você pode jogar fora pra mim? – Disse o entregando o potinho do sorvete.
- Claro, mas vem comigo pra conhecer o resto da casa. – Ele disse já me puxando para a cozinha.
Depois de alguns minutos eu já tinha andando por toda imensa casa do Greyson. Lá havia uma piscina do tamanho do meu quarto. Do tamanho do meu quarto? Foi isso que disse? Era muito maior que o meu quarto, na verdade, umas três vezes o meu quarto. Havia também um grande jardim, uma sauna, seis quartos, três salas (uma de jantar, uma de estar e outra de entrada, com televisão e tudo mais), sete banheiros e muitos outros cômodos. Mas o que mais me surpreendeu era a escada, toda de vidro com alguns detalhes de mármore. No inicio ela era larga e depois de uns oito degraus ela se dividia em duas, deixando aproximadamente um metro de espaço entre a “escada da direita” e a “escada da esquerda”.
- Querida, você quer ir tomar banho agora? Eu pego uma roupa da Alexa. – Lisa me perguntou enquanto subia as escadas para o segundo andar comigo e Greyson.
- Sim, se não for encômod... – Fui interrompida.
- Que isso! É claro que não. – Dona Lisa disse subindo a escada da direita. Sorri e virei-me para subir a escada da esquerda.
- Greyson, onde estão seus irmãos? – Perguntei enquanto entrava no quarto de Greyson, que realmente me surpreendeu. Os quartos dos meninos costumam ser bem bagunçados e cheios de pôsteres na parede. O do Greyson? Nada disso. Havia uma parede preta cheia de discos de vinil, e na outra, uma frase que eu conhecia, era da música fix you do Coldplay.
- A Alexa está na faculdade e o Tanner está dando aula de música, mas eles vão chegar para o almoço.
- Você gosta de Coldplay? – Perguntei enquanto me sentava em uma cadeira que havia perto de uma escrivaninha.
- Gosto? Eu amo Coldplay. – Ele disse e eu ri.
- Também gosto, ops, amo Coldplay. Minha favorita é Paradis... – Comecei a falar, mas fui interrompida por uma batida na porta.
- Licença. – Lisa entrou no quarto e foi logo me dando uma toalha e algumas roupas. – Aqui está. Peguei algumas roupas que Alexa ainda não usou. Escolhe qual você quer. Acho que vai caber em você, mesmo Alexa sendo mais um pouco mais alta, não acho que vá ficar tão grande.
- Qualquer uma está boa. – Disse enquanto pegava a blusa e o short que estava em cima do monte de roupas que Lisa havia me dado.
- Greyson, mostra o banheiro pra ela, mas não é pra ficar no banheiro com ela hein. – Lisa disse um pouco séria e eu ri. Greyson soltou um “ah” e depois Lisa saiu.
- Por aqui. – Ele disse e abriu a porta do banheiro que havia em seu quarto e eu entrei. – Se você precisar de ajuda, por causa da perna e...
- Greyson! – Disse rindo. – Não vou precisar não, ok?
- Se você diz... – Ele disse dando de ombros. – Quer que eu saia do quarto também?
- HÁ-HÁ, não precisa. – Disse enquanto fechava a porta e trancava. Coloquei a toalha e as roupas em cima de uma bancada que havia ao lado da pia, tirei as roupas e entrei embaixo do chuveiro. Peguei o vidro de shampoo, coloquei um pouco em minha mão e passei no cabelo. Enfiei a cabeça em baixo do chuveiro e logo fui surpreendida com uma voz P-E-R-F-E-I-T-A cantando uma música que eu conhecia bem. Era a música The Scientist do Coldplay. Pigarreei e acompanhei a voz, que depois de perceber-me cantando parou de repente.
- Não sabia que você cantava. – A voz falou. Era a voz de Greyson.
- Ué, todo mundo canta. – Falei ironicamente de dentro do banheiro.
- Que você cantava bem. – Ele disse rindo.
- Se você diz, deve ser verdade. – Falei rindo. – Eu sabia que você cantava, mas não tão bem. Devia se apresentar em algum programa de talentos. Você toca algum instrumento?
- Toco piano, mas canto e toco só por diversão. Não quero ser famoso nem nada que inclua publicidade.
- Canta mais. – Pedi.
- Eu tenho vergonha. – Ele disse rindo.
- Ah, por favor. – Insisti. – Por favor-or-oooor. – Cantei o fazendo rir.
- Tá bom, mas é só por que você pediu. – Ele disse me fazendo soltar um “ah, que fofo” e então ele começou a cantar fix you.
Passado uns trinta minutos sai do banheiro e recebi um “fiu fiu” do Greyson.
- Palhaço. – Disse rindo. – Aqui sua blusa. – O entreguei e coloquei o casaco da minha mãe num canto.
- Ah, sua roupa! – Ele disse saindo correndo do quarto. Em menos de vinte segundos voltou com uma bolsa que reconheci ser minha. – A diretora me entregou e suas roupas eu coloquei ai dentro.
- Obrigado. – Disse pegando da mão de Greyson e colocando junto do casaco.
- Agora eu que vou tomar banho. Você quer fazer alguma coisa por enquanto? – Greyson disse jogando uma toalha no ombro.
- Não. Pode ir lá. – Respondi e então ele fechou a porta. Depois de alguns minutos ele saiu com a toalha enrolada na cintura. – Vou sair pra você se vestir. – Disse gaguejando enquanto andava de costas em direção à porta, sem antes é claro, topar com o criado-mudo. Ele riu e então sai do quarto. Fiquei olhando alguns retratos pendurados nas paredes do segundo andar e depois de dois minutos ele abriu a porta e eu entrei.
- Vamos comer? – Ele me perguntou enquanto secava o cabelo encharcado.
- Aham, estou morrendo de fome.
- Ah não! Você não pode morrer. Por favor, não morra! – Greyson disse fazendo voz afetada e me fazendo rir. – Espera que eu faço respiração boca-a-boca pra ver se melhora. – Ele disse me pegando no colo.
- Sem graça. Me solta, seus pais estão lá em baixo.
- Só se me der um beijo. – Ele disse me fazendo rir.
- Tá bom. – Dei um selinho nele, mas ele não me soltou. – Ei! Agora você tem que soltar.
- Mas eu vou ter que te pegar no colo pra descer as escadas. – Ele disse já saindo do quarto.
- Greyson, se seus pais me virem no seu colo eu vou morrer de vergonha. Prefiro descer degrau por degrau. – Disse enquanto olhava para todos os lados até que vi um cara alto, de cabelo escuro e bem bonito surgir na escada. – Greyson, me põe no chão! – Disse enquanto tentava descer. Greyson fez o que pedi e fingimos estar vendo uns retratos que estavam na parede do corredor que dava na escada.
- Ei, quem é ela Greyson? – O cara perguntou.
- Essa é a (seunome). (Seunome), esse é Tanner, meu irmão. – Greyson disse se virando para seu irmão. Cumprimentei Tanner com dois beijos nas bochechas, mas antes que pudesse terminar de cumprimenta-lo Greyson nos separou. – Ê, já chega né. Vamos descer (seunome)?
- Ah, claro. Tchau Tanner. – Disse enquanto tentava descer a escada com a ajuda do Greyson. – Ciumento. – Disse rindo.
- Sou mesmo. – Ele disse fazendo bico.
- Ah, que coisa fofa. – Eu disse apertando suas bochechas e o fazendo rir. Chegamos à sala de jantar e a mesa já estava pronta. Greyson se sentou e eu sentei ao seu lado. Scott e Lisa já estavam sentados e havia também uma menina loira.
- Oi, sou Alexa. – A menina se apresentou no mesmo momento em que Tanner apareceu e se sentou ao meu lado. – A irmã desses dois trastes aí. – Ela disse fazendo todos rirem.
- Sou (seunome). – Me apresentei.
- (Seunome), troca de lugar comigo? – Greyson me perguntou. Balancei a cabeça positivamente e me levantei.
- Por que poxa? - Tanner fez voz de choro.
- Tenho que te manter longe dela. – Greyson disse fazendo todos rirem.
- Gente, podem se servir. – Lisa disse enquanto pegava uma travessa com batatas assadas.
- Você gosta de lasanha (seunome)? – Scott me perguntou.
- Pai, ela é brasileira, não japonesa. – Greyson disse me fazendo rir.
- Ah, então é por isso. – Tanner disse e Alexa concordou.
- O que? – Perguntei.
- Nada não. – Tanner disse enquanto se servia.
Depois de, aproximadamente, quarenta minutos, todos já haviam almoçado e eu estava na sala de estar com Greyson. Reparei no piano que havia no canto, me levantei e o chamei.
- Toca um pouco. – Pedi e ele sorriu. Ele se sentou no banco e eu sentei ao seu lado. Ele abriu a “tampa” que cobre as teclas do piano e então começou a tocar a música I Wanna Be Where You Are, do Michael Jackson. Depois de dois minutos acabou de tocar, olhou para mim e sorriu.
- Gostou? – Ele perguntou.
- Gostou? Amei. – Disse imitando como ele havia feito ao se referir ao Coldplay. – Posso tentar? – Perguntei apontando para o piano.
- Claro. – Ele disse chegando um pouco para o lado. Toquei algumas notas, mas fracassei. Ele riu e então colocou suas mãos em cima das minhas e começou a tocar a mesma música que havia tocado. – Entendeu?
- Não. – Respondi o fazendo rir mais ainda. Tentei mais uma vez, mas fui interrompida pelo toque no celular do Greyson. Ele olhou no visor e atendeu. Depois de alguns segundos ele desligou e me olhou com uma cara triste. – O que foi?
- Sua mãe tá vindo te buscar.
- Minha mãe tem o seu número? – Perguntei espantada.
- Sim. Dei pra ela lá no posto. Foi a única maneira de você vir pra cá. – Ele disse e eu ri. Levantei-me e ele fez o mesmo.
- Tenho que pegar minhas coisas lá em cima.
- Vou com você. – Ele disse enquanto me ajudava a subir as escadas. Chegando ao quarto de Greyson peguei minhas coisas e descemos. – Você ainda quer me encontrar às 18h00min? – Ele perguntou enquanto se jogava no sofá.
- Só se você me contar pra que. - Disse enquanto me sentava ao seu lado.
- Não é nada de mais. Só queria ir a um lugar com você. – Ele disse deitando a cabeça na minha perna.
- Que lugar? – Perguntei.
- Surpresa, eu já disse. – Ele disse sorrindo.
- Podemos deixar depois do natal? – Perguntei o fazendo ficar com uma cara de espanto.
- Por quê? – Ele perguntou se sentando ao meu lado.
- Queria aproveitar minha mãe esses dias. Ela vai voltar para Seattle dia 26. – Respondi e ele balançou a cabeça positivamente.
- Tudo bem. Dá tempo de eu encomendar uma coisa. – Ele disse e quando terminou, um som de buzina o fez fazer uma careta.
- Minha mãe. –Disse dando um pulo do sofá.
- Deixa eu te levar até lá. – Ele disse correndo na minha frente para abrir a porta. Saímos e dei um selinho nele.
- Até amanhã. – Me despedi e entrei no carro.
- Tchau genro. – Minha mãe disse o fazendo rir e ficar levemente corado.
- Tchau sogra. – Greyson disse dando tchau com a mão. Minha mãe deu partida no carro e então fomos embora.
- Como foi a tarde com o seu namorado? – Minha mãe perguntou toda contente.
- Ele ainda não é meu namorado, mãe. – Disse enquanto jogava a bolsa e o casado no banco de trás.
- Aham, sei. – Ela foi irônica e eu ri.
- Vamos fazer o que à tarde? – Perguntei.
- Não sei. Que tal arrumar a casa? – Ela disse rindo.
- MÃE! Eu não desmarquei um encontro com o Greyson pra isso né. – Eu disse e ela me olhou assustada. – Que foi?
- Você desmarcou um encontro com aquele gato por minha causa? – Ela perguntou com olhos arregalados. – Você me ama mesmo hein. – Ela terminou de falar fazendo me fazendo rir.
- Claro! Eu estava com saudades. Mas se você ficar se achando muito aí, eu ligo pra ele e...
- HÁ-HÁ. Duvido você me deixar sozinha em casa pra sair com ele depois de dias sem me ver.
- Pouco convencida você. Espera só eu achar o número dele no seu celular. – Disse pegando o celular da minha mãe da bolsa.
- Ei! Do meu? Então você não tem o número do seu namorado e eu tenho? – Ela disse rindo.
- Mãe, shiu! – Disse colocando o dedo na boca fazendo o movimento que indica silêncio. – Eu vou passar o dia com você porque sou muito generosa, mas nós vamos fazer algo legal. Podemos ir ao shopping, ao parque, ao shopping ou ao shopping. Só que hoje tá meio frio para ir ao parque, então qual você escolhe?
- Acho que ao shopping. – Ela disse fazendo cara de pensativa e me fazendo rir. – Ei, o que você está fazendo? – Minha mãe disse ao se virar rapidamente e me ver salvando algum número do celular dela no meu celular.
- Nada não querida. – Disse passando a mão no cabelo dela. – Te amo tá?!
- HÁ-HÁ. Sei disso. – Ela disse me fazendo rir.
AVISO: Enchancers, acabei de voltar de viagem e postei o cap. 8. Desculpe algum erro ortográfico, porque eu ainda não tive tempo de ler. Agradeço a todos que estão seguindo ou comentaram. Beijos da Mi.
Durante todo o caminho até a diretoria eu não tive coragem de dizer nenhuma palavra, e parecia que Greyson respeitava isso, pois ele não abriu a boca. Eu me sentia suja, por ter, mesmo obrigada, se misturado com Greg. Eu não fazia a menor ideia do que Greyson estava pensando naquele momento. Ele poderia estar chateado, se sentindo traído, ou apenas com medo. De qualquer maneira, o que importava agora era esclarecer tudo com a diretora e se ela não tomasse medidas drásticas em relação a Greg, eu não teria medo de sair daquela escola.
- Com licença. – Dei duas batidinhas na porta e a abri. Eu estava na secretaria e pelo estado que eu e Greyson nos encontrávamos todos se viraram e nos encararam.
- O que aconteceu? – Uma das inspetoras do colégio logo perguntou quando nos viu.
- Ah, aconteceu alg... – Comecei a falar, mas logo fui interrompida.
- Nós poderíamos falar com a diretora? – Greyson perguntou já andando em direção a porta que dava acesso à diretoria.
- Vou informar a ela que vocês estão aqui e ver se ela está disponível. – Uma das mulheres que se sentava na maior mesa da sala se levantou e entrou na sala da diretora. Depois de alguns segundos ela voltou e nos disse que poderíamos entrar. Entramos e a reação da diretora foi bem previsível. Ela estava de olhos arregalados e seu queixo caia lentamente.
- O que aconteceu? – A diretora nos perguntou pausadamente. Se ela quisesse poderia nos dar suspensão naquele momento. Primeiramente não estávamos na aula. Segundo que Greyson estava sem blusa, que no caso, eu estava usando, e nós dois estávamos cobertos de sangue.
- Diretora, eu não quero ser arrogante, mas ou você expulsa o Greg ou eu faço o que for para abrir um processo contra ele. – Greyson disse, mas foi logo interrompido por uma batida na porta, e de repente, um professor entrou com um aluno que havia um hematoma horrível perto do olho direito.
- O que houve aqui? – O professor e o aluno perguntaram no mesmo momento.
- É o que eu quero saber. – A diretora disse fazendo um gesto para que todos se sentassem. Sentamo-nos e eu contei tudo que havia acontecido comigo e logo em seguida Greyson contou como ele soube que eu estaria correndo perigo e o que ele fez para ir atrás de mim. Todos ficaram boquiabertos, até eu quando Greyson disse que havia dado um soco em seu amigo, por mim. A minha vontade ali era abraça-lo, mas eu não tinha certeza se estava tudo bem entre a gente. – Professor, me acompanhe, por favor. Iremos atrás do senhor Gregory e da senhorita Jane. – Eles se levantaram ficando apenas eu, Greyson e o aluno machucado, o tal de Jack.
- Vou sair para que vocês possam conversar. – Ele disse em voz muito baixa já se levantando e colocando a mão na maçaneta da porta. Greyson assentiu e então ele se retirou da sala. Agora só estava eu e Greyson, um de frente para o outro.
- Não precisa se culpar. – Greyson quebrou o silêncio. – A culpa não foi sua, todos sabem disso.
- Mas eu poderia ter me defendido e não deixado Greg chegar perto de mim. – Disse abaixando a cabeça. Eu não queria olhar Greyson nos olhos. Eu estava com muita vergonha de tudo o que eu havia passado. Imagina você “trair” o garoto que você gosta, ainda mais quando vocês começaram a ficar neste mesmo dia.
- Você não conseguiria se defender. Olha só para a sua perna, e pense no quanto Greg é mais forte que você.
- Mas eu estraguei tudo. Eu não deveria ter deixado Greg chegar perto de mim. Eu sinto que te trai, e eu não mereço tudo que você faz por mim. – As lágrimas começaram rolar pelo meu rosto e minha cabeça a latejar de tanto que eu já havia chorado. – Você me salvou pela segunda vez e eu não sei como te agradecer. Agora você corre risco de ser expulso e é tudo minha culp...
- Ei, você não se lembra do que eu te disse hoje de manhã? – Greyson me interrompeu e foi se levantando e vindo em minha direção. Ele se ajoelhou na minha frente e levantou minha cabeça. – Eu te amo. – Ele disse e me abraçou. As lágrimas rolaram mais ainda pelo meu rosto e eu não conseguia parar de soluçar. Eu estava muito feliz por estar tudo certo entre a gente, mas ainda me sentia culpada. E o que será da gente quando a diretora voltar? Greyson poderia até ser expulso pelo soco que deu em Jack.
BLAM! Alguma porta havia sido batida com muita força. Soltei Greyson e me virei para a porta. Não havia sido a da sala onde estávamos, mas era uma bem próxima.
- Deve ser o Greg. – Greyson disse já se levantando e tentando olhar pelo pequeno quadrado de vidro que havia na porta. Eu ainda não tinha reparado no físico do Greyson, e a única palavra que eu pude pensar na hora foi uau! Ele não era do tipo musculoso, que fica indo na academia levantar pesos, mas nem por isso ele deixava de ser fraco. Ele era magro e bem branco. As costas dele era perfeita, com o desenho certo e... CARACA! Ele era um dos poucos garotos que conheço no mundo que tinha bunda. A maioria dos garotos são retos atrás, mas eu jamais poderia dizer isso do Greyson.
- EU QUERO QUE MEU PAI VENHA AQUI AGORA! E COM ADVOGADO, POIS VOU ABRIR UM PROCESSO CONTRA ESSA ESCOLA! – Uma voz familiar gritava na outra sala e de repente a porta da sala onde estávamos foi aberta com tal força que ela bateu na parede e voltou com tudo. Greg, a diretora, o professor, Jack e Jane entraram na sala, todos já se sentando.
- O senhor está expulso e não ouse questionar. Pode se retirar agora, pegar todos os seus pertences e nunca mais apareça na escola se não quiser uma porta fechada na sua cara. – A diretora foi dizendo e Greg bufava na cadeira. Agora que Greg foi expulso eu me sentia melhor, e finalmente muitas pessoas ficariam mais tranquilas, aquelas mesmas que com certeza sofriam bullying na mão dele. – Mas antes o senhor vai pedir desculpas à senhorita (seusobrenome) e ao senhor Chance. – Greg parou e fez uma cara de quem estava achando graça, e realmente estava. Ele soltou uma risada irônica e se virou de costas indo em direção à porta. A abriu e a fechou com muita força. A diretora se levantou atrás dele, mas eu interrompi sua ação.
- Não precisa diretora. Não quero nada que venha dele. – Disse séria.
- Também não. – Greyson concordou comigo e a diretora voltou a se sentar.
- Agora precisamos resolver o que acontecerá com vocês. Senhor Jack, vá para a enfermaria para que a doutora cuide desse seu machucado. – Jack saiu da sala e a diretora nos encarou. - Senhorita Jane, já que você ajudou a “salvar” a senhorita (seunome), não irei te dar nenhum castigo. Mas quero que fique claro que você deveria ter informado o que estava acontecendo a alguém da escola, e não a um aluno. Já pode voltar à sala senhorita. – Jane assentiu e se levantou. Depois que ela saiu a diretora voltou a nos encarar. – Senhorita (seunome), eu queria pedir desculpas pela falta de organização da escola. Deveria haver algum inspetor nos corredores, mas infelizmente por uma falha nossa você sofreu esse absurdo. Está liberada para voltar para casa. A coordenadora já informou o seu responsável sobre o ocorrido e ele chegará aqui em alguns minutos. Você poderia esperar na secretaria, por favor, porque agora terei que tratar algo muito sério com o senhor Chance. – Assenti e me retirei da sala. Todos da secretaria me olhavam um pouco estranho, mas não liguei e fiquei rezando para que Greyson não fosse expulso. Seria minha culpa se algo de ruim acontecesse com ele, e eu NUNCA iria me desculpar por isso.
Passado uns quinze minutos, finalmente Greyson saiu da sala. Corri até ele para ver se estava tudo bem, e ele parecia feliz.
- E ai, o que ela disse? – Perguntei puxando-o para uma cadeira. – Você foi suspenso?
- Por três dias, mas essa não é a melhor parte. Eu vou ganhar um certificado de num sei o que por não sei o que. – Ele disse sorrindo.
- Tá sabendo bem hein. – Disse o fazendo rir. O abracei e ele me deu um beijo na testa. Virei-me séria para ele e o encarei.
- Seus pais já sabem o que aconteceu? – Perguntei.
- Não, mas vão descobrir quando chegarem. A diretora fez questão de ela própria ligar para eles. Ela disse que essa parada do certificado é uma honra e ela queria estar dentro de tudo.
- Tá, mas e a suspensão? Isso não é uma honra.
- Eu sei, mas eu não me importo. Estou indo bem nas matérias, não acho que vou perder muita coisa. Mas o problema é que eu vou ter que ficar três dias sem te ver.
- HÁ-HÁ, como se isso fosse verdade. Não duvido nada que amanhã você vai estar na porta da minha casa.
- Ah, acabou com a surpresa. – Ele disse me fazendo rir. Era tão bom saber que ele não foi expulso e que estava tudo bem entre a gente. Abraçamo-nos e ficamos rindo de coisas bobas, como por exemplo, o jeito que eu estava vestida e os prováveis comentários que todas as mulheres estavam fazendo ao vê-lo sem blusa.
TOC, TOC. Alguém bateu na porta e eu fui surpreendida ao ver minha mãe com uma expressão de desespero. Ela correu até mim, me abraçou muito forte e começou a fazer mil perguntas como “que roupas são essas?” “por que você está suja de sangue?” e “que garoto é esse?”. Ela poderia continuar com mais umas mil perguntas, mas foi chamada na sala onde se encontrava a diretora.
- Sua mãe não estava em Seattle? – Greyson me perguntou olhando para minha mãe que acabara de entrar na sala.
- Ela estava. Não sei se ela voltou porque acabou com o serviço lá ou se foi por minha causa. Estou com medo que tenha sido por mim, e que ela seja demitida por isso.
- Você é tão pessimista. – Greyson disse rindo. – Olha, o bom é ter ela por pert... – Ele foi interrompido por outra batida na porta e nós nos viramos. Entraram duas pessoas, era um casal. – Meus pais. – Ele disse sorrindo e correu para falar com eles.
- Por que você tá todo machucado? Por que está sem blusa? – A mãe dele disse limpando um pouco do sangue que havia em seu rosto.
- A diretora explica tudo pra vocês quando entrarem. Agora quero que vocês conheçam uma pessoa. – Greyson disse e foi puxando seus pais em minha direção. Virei-me para trás tentando ver algo que poderia ser o motivo de Greyson estar vindo com eles, mas não havia nada, a não ser uma grande parede branca. Voltei a olhar pra frente e já dei de cara com os três. – Pai, mãe, essa é a (seunome). (Seunome), esses são meus pais, Lisa e Scott Chance. – Apertei a mão de cada e eu estava muito corada.
- Me desculpem estar me apresentando nesse estado...
- Ah, que isso. Você é linda querida. – Lisa disse sorrindo para mim. Logo em seguida se virou pra Greyson e perguntou. – Greyson, ela é sua namorada? – Ao ouvir o sussurro de Lisa corei e não pude deixar de esconder um sorriso.
- Mãe! - Greyson disse um pouco alto demais fazendo todos desviarem a atenção para os dois. Então ele a puxou para um canto e eu pude ler seus lábios, além do silêncio que estava na sala que também me ajudou a ouvir o sussurro. – Ainda não. – Neste estante Lisa sorriu e abraçou seu filho. Logo em seguida voltaram para onde eu e Scott estávamos, apenas encarando o chão. De repente a porta da sala onde a diretora se encontrava foi aberta e minha mãe saiu um pouco pálida de lá.
- Filha, eu vou matar aquele monstro! – Ela disse se segurando em meus ombros.
- Mãe, calma! Ele foi expulso, está tudo resolvido. Não aconteceu nada de ruim comigo, eu estou inteira. Quer dizer, quase. – Disse ao lembrar-me da minha perna engessada. – E você deveria agradecer ao Greyson, pois se não fosse ele teria acontecido algo muito pior. – Falei indo em direção à Greyson, Scott e Lisa que há essa hora, estavam conversando muito entusiasmados. – Dona Lisa, senhor Scott, Greyson, essa é minha mãe (nomedasuamãe).
- Olá Lisa, olá Scott, olá Greyson. – Minha mãe disse apertando a mão de cada um. - Queria agradecer por você ter salvado minha filha. – Minha mãe disse o abraçando.
- Não há de que. – Greyson disse sorridente.
- Você salvou a sua namorada? – Lisa perguntou assustada fazendo eu e Greyson corarmos.
- Vocês estão namorando? – Minha mãe perguntou ainda mais assustada. – Filha, por que você não me contou?
- Ela ainda não é minha namorada mãe. – Greyson disse enviando um olhar de reprovação para Lisa.
- Ah, mas vai ser não é?! Porque ela é muito bonita. Você é americana mesmo? – Scott perguntou e eu corei ainda mais.
- Não, sou brasileira. – Eu disse e então Lisa e Scott fizeram aquelas caras de “ah, tá explicado”, como se aquilo fosse óbvio.
- Com licença, Senhor e senhora Chance, vocês poderiam entrar, por favor? Ah, e Greyson também. – A própria diretora os chamou. Eles assentiram e Lisa e Scott se despediram de mim e de minha mãe. Olhei para Greyson que abriu os braços e então o abracei.
- Me encontra na porta da sua casa às 18h00min? – Ele sussurrou no meu ouvido.
- Pra quê? – Perguntei.
- Surpresa. – Ele disse rindo e se virou para mim. Ele ia me dar um beijo, mas virei o rosto.
- Nossos pais estão aqui. – Disse entre os dentes.
- Ah é. – Greyson disse e foi se despedir da minha mãe. – Até mais senhora (nomedasuamãe).
- Até querido. – Minha mãe apertou a mão de Greyson e então ele se virou para mim, sorriu e entrou na sala.
- Filha, que gato! – Minha mãe disse se virando para mim toda sorridente.
- Mãe! – Olhei assustada pra ela.
- É sério filha. E ele te salvou. Fiquei encantada pelo que o garoto fez!
- Vamos mãe. – Disse puxando ela. – Você falou com minha tia?
- Pera aí, deixa eu te ajudar a andar. – Minha mãe me abraçou pelo lado colocando o ombro em baixo do meu braço. – Não, mas você vai me contar tudo que aconteceu pelo tempo que estive fora. Principalmente sobre essa sua perna aí.
- Tá, mas antes me diz uma coisa. Você voltou de Seattle por minha causa ou você conseguiu terminar o serviço lá? – Perguntei um pouco preocupada com a resposta.
- Eu havia acabado de chegar em casa quando uma moça da escola ligou pra lá. Eu voltei para passar o natal com você, não queria que você passasse com a Virginia. Tive que vim bem antes para organizar também umas coisas no escritório antes de voltar pra Seattle.
- Então você vai voltar? – Perguntei um pouco triste.
- Sim, daqui a seis dias. Meu chefe me liberou apenas uma semana, sendo que terei que chegar lá sem atraso nenhum, então é melhor eu ir um dia antes para não correr o risco. Mas então, o que aconteceu enquanto eu estava fora? – Minha mãe me perguntou bem animada. Chegamos ao carro, entramos e minha mãe começou a dirigir. Contei tudo que havia acontecido, principalmente, sobre a barbaridade de a tia Virginia confiscar meu celular. Contei também sobre como fui parar no hospital e falei muitas coisas boas a respeito do Greyson.
- Então vocês estão namorando?
- Não. Quer dizer, mais ou menos. Ele ainda não me pediu oficialmente, estamos ficando, sabe? – Eu disse ficando um pouco corada.
- Claro que eu sei. Não é porque eu nasci antes de você que eu sou desatualizada. – Minha mãe disse colocando óculos escuros.
- Atá, desculpa. – Disse rindo. – Mãe, vamos convidar a família dele para passar o natal com a gente?
- Por mim tudo bem, mas eles devem ter a família grande, vão querer passar com ela. Não custa tentar, mas não prometo nada. – Ela respondeu parecendo animada com o convite. Devia ser por ela não querer passar o Natal com a única família que tínhamos em Los Angeles, minha tia Virginia, e se convidássemos a família de Greyson teríamos uma ótima desculpa para dar à Virginia.
- Mãe, você não quer ir ao Brasil? – Perguntei um pouco séria.
- Não agora. Talvez possamos ir nas férias maiores, nas de julho. – Ela disse e percebi que seu tom de voz mudou.
- Eu queria ver meu pai. – Falei, na verdade quase sussurrei.
- Eu entendo que você esteja com saudades dele, mas não estou pronta para vê-lo.
- Você não precisa ficar na casa dele. Pode se hospedar em um hotel e eu fico com ele. Nós podemos nos encontrar nas tardes para andar por lá, ir às praias... Nossa que saudade eu sinto de praia. – Falei toda entusiasmada, mas fui interrompida por um barulho muito alto no carro.
- NÃO ACREDITO! O carro deu problema de novo! Ai que droga. – Minha mãe desceu morrendo de raiva e abriu a parte da frente do carro para ver o motor. – Teremos que parar num posto. – Ela disse voltando a entrar no carro. – Ainda bem que tem um posto bem perto daqui.
- Não dá pra me deixar em casa antes?
- É muito arriscado. Eu não poderia nem estar dirigindo ele agora. Nem até o posto.
- Mãe! Olha como eu estou vestida. Vou ter que sair assim? – Minha mãe olhou para mim e riu.
- A blusa é do Greyson né. Ele realmente é um cavalh...
- MÃE! Eu não posso sair assim. – Eu disse um pouco (muito) desesperada fazendo minha mãe rir muito mais.
- Tem um casaco no banco de trás. Pega ele e veste, vai melhorar um pouco. – Ela olhou rapidamente pra mim e riu descontroladamente. – Mentira! Vai ficar ruim do mesmo jeito, mas pelo menos ninguém vai ver esse sangue todo.
- Ah claro, obrigado por você aumentar minha autoestima. – Eu disse ironicamente enquanto pegava o casaco e o vestia. Paramos no posto e minha mãe logo pediu para um homem checar num sei o que. “Do que eles estão falando?” me perguntei, mas logo meus pensamentos foram outros quando tive que descer do carro.
- Mãe, você me paga! – Disse entre os dentes e ela riu.
Passado uns vinte minutos minha mãe veio me dar a maravilhosa notícia de que demoraria algumas horas para ajeitar o carro. Levantei-me da calçada, onde estava sentada, e entrei numa lojinha que havia no posto. Como era de se esperar, todos olharam para mim, mas não me importei e fui até um freezer e peguei um sorvete de potinho. Enfrentei a fila do caixa, paguei com o dinheiro que eu havia achado no bolso do casaco e sai de lá.
- Mãe, deixei minha bolsa e minhas roupas na escola. – Disse para minha mãe que estava descaradamente pegando o potinho da minha mão.
- Não tem problema. Amanhã você procura quando chegar à escola. Ei, por que não compra um sorvete pra você hein? – Minha mãe perguntou que há essa altura ela já estava na metade do potinho.
- Eu comprei sabe, mas uma esfomeada o pegou da minha mão. – Eu disse e minha mãe olhou para os lados.
- Não sei quem. – Ela disse e eu ri. Virei-me e voltei na loja. Peguei mais um potinho, paguei e fui para um banco que havia na beira da rua. Sentei-me e de repente um carro muito bonito parou no posto para colocar combustível. Reconheci o homem que saiu do carro, era Scott. Logo em seguida saiu uma mulher com uma carteira na mão indo atrás de Scott, era Lisa. Levantei-me e fui em direção ao carro. Percebi que uma janela de trás estava aberta, e logo consegui ver Greyson mexendo no celular. Fui andando em silêncio e apoiei-me na porta do carro colocando os braços em cima do vidro abaixado e sorri.
- Sabia que mexer muito no celular faz mal para o cérebro? – Eu disse fazendo-o se virar rapidamente e logo abrir um sorriso gigantesco. Ele desceu do carro e me deu um abraço. – Acho que você está me seguindo.
- Não, eu só estou ficando perto de você. Vai que acontece um assalto, sei lá. Eu tenho que está aqui para te proteger. – Ele disse rindo e eu ri junto com ele. – Mas o que você está fazendo aqui?
- O carro da minha mãe deu problema. Já estou aqui há uns quarenta minutos, e minha mãe disse que vai demorar horas para concertar.
- Por que vocês não vão pra casa?
- Minha mãe tem que ficar aqui por causa do carro, e não é legal eu pegar um táxi sozinha.
- Quer ir lá pra casa? – Ele perguntou todo animado.
- Greyson! – Disse um pouco sem graça. – Seus pais nem sabem quem eu sou direito. E eu preciso tomar banho e...
- Claro que sabem. Minha mãe fez mil perguntas sobre você no carro. – Ele disse me fazendo rir. – E você toma banho lá. Você pode colocar alguma roupa da minha irmã, uma que ela ainda não tenha usado.
- Não, isso é muito constrangedor.
- Por quê?
- Eu vou pra lá tomar banho na casa dos seus pais, que acabei de conhecer e nem tenho muita intimidade, e ainda vestir as roupas de uma garota que nem me conhece.
- Ah, por favor. Além do mais que se o carro demorar horas pra concertar, não vai dá pra gente sair às seis. – Greyson disse já me puxando para onde Lisa e Scott estavam.
- Mãe, a (seunome) pode ir lá pra casa? O carro da dona (nomedasuamãe) deu problema e só vai estar pronto daqui a algumas horas. Por favor! – Greyson disse fazendo uma cara super fofa para Lisa.
- Desculpe dona Lisa. Eu falei pra ele não pedir porque era um abuso e...
- É claro que pode. – Greyson deu um pulo e abraçou Lisa. – Se sua mãe deixar é claro. – Ela disse se virando para mim.
- Ah, vai deixar sim. – Greyson foi em direção a minha mãe que estava discutindo com um homem. Depois de alguns minutos Greyson voltou com o melhor sorriso que eu já tinha o visto dar e foi logo gritando pra Lisa e pra mim. – SIM! Ela deixou. – Ele me abraçou e eu não pude conter o sorriso.
- Tudo bem, então vamos? Scott já botou combustível. – Ela disse abrindo a porta do carro para que pudesse entrar. Greyson correu na minha frente, abriu a porta e me esperou entrar. Eu ri da tentativa dele de ser cavalheiro e ele também. Tentei subir no carro, que era realmente alto, e então ele me pegou no colo e me colocou sentada no banco. Depois fechou a porta e entrou no outro lado.
- Oi (seunome). – Scott me cumprimentou.
- Oi senhor Chance. – Disse dando o meu melhor sorriso. Greyson se sentou do meu lado e depois de alguns minutos chegamos a casa dele.
- Greyson, ajude a (seunome) descer por causa da perna engessada. – Scott disse enquanto pegava algumas coisas na mala. Greyson desceu do carro, deu a volta, abriu a porta pra mim e quando fui colocar o pé no chão ele me pegou no colo, do mesmo jeito que havia me pegado para levar-me ao hospital.
- Greyson! – Falei um pouco alto demais o fazendo rir. – Eu estou de vestido sabia?
- Vestido? – Ele disse rindo enquanto fechava a porta do carro com as costas. Lisa e Scott já haviam atravessado o jardim e entrado, e só estávamos eu e Greyson no lado de fora.
- Sua blusa ficou como um vestido em mim. – Disse rindo.
- Então você costuma usar vestidos desse tamanho? Que indecência. – Ele fez voz afetada e eu ri um pouco alto demais.
- E você quer que eu vista os que batem na canela? Que horror.
- Tá certo. Você deve mostrar as belas pernas que Deus te deu. – Ele disse rindo e eu dei uma leve batida no ombro dele.
- Tá, mas agora você poderia me colocar no chão?
- Não. – Ele respondeu sério e saiu andando comigo. Comecei a bater um pouco forte nas costas dele que ele não parava de rir. – Você é forte! Eu nunca poderei brigar com você, senão já era.
- Não se esqueça de qual de nós dois quebrou a cara do Greg. – Eu disse o fazendo rir. – Tá, agora me põe no chão. Não ia ser muito legal se eu entrasse na sua casa assim. – Ele assentiu e me botou no chão. Tentei me ajeitar, o que era impossível, e então Greyson abriu a porta e eu entrei.
- Não repare a bagunça querida. – Lisa disse enquanto tirava uns papéis de cima da mesa de centro e colocando-os dentro de uma gaveta. Como eu poderia ver alguma bagunça ali? A casa era simplesmente P-E-R-F-E-I-T-A!
A sala da casa de Greyson era imensa e era tudo branquinho. O sofá de couro preto era coberto por um manto branco, com várias almofadas bem clarinhas. Havia uma enorme televisão na parede e em baixo havia uma prateleira de vidro com alguns porta-retratos brancos. No canto havia uma lareira, apagada, com um enorme quadro pendurado na parede acima. Era a imagem de cinco pessoas. Reconheci Lisa, Scott e Greyson. A garota devia ser a irmã de Greyson e o garoto seu irmão.
- Gostou? – Greyson perguntou reparando minha cara de espanto.
- Sua casa é linda. – Falei ainda boquiaberta. – Ah, você pode jogar fora pra mim? – Disse o entregando o potinho do sorvete.
- Claro, mas vem comigo pra conhecer o resto da casa. – Ele disse já me puxando para a cozinha.
Depois de alguns minutos eu já tinha andando por toda imensa casa do Greyson. Lá havia uma piscina do tamanho do meu quarto. Do tamanho do meu quarto? Foi isso que disse? Era muito maior que o meu quarto, na verdade, umas três vezes o meu quarto. Havia também um grande jardim, uma sauna, seis quartos, três salas (uma de jantar, uma de estar e outra de entrada, com televisão e tudo mais), sete banheiros e muitos outros cômodos. Mas o que mais me surpreendeu era a escada, toda de vidro com alguns detalhes de mármore. No inicio ela era larga e depois de uns oito degraus ela se dividia em duas, deixando aproximadamente um metro de espaço entre a “escada da direita” e a “escada da esquerda”.
- Querida, você quer ir tomar banho agora? Eu pego uma roupa da Alexa. – Lisa me perguntou enquanto subia as escadas para o segundo andar comigo e Greyson.
- Sim, se não for encômod... – Fui interrompida.
- Que isso! É claro que não. – Dona Lisa disse subindo a escada da direita. Sorri e virei-me para subir a escada da esquerda.
- Greyson, onde estão seus irmãos? – Perguntei enquanto entrava no quarto de Greyson, que realmente me surpreendeu. Os quartos dos meninos costumam ser bem bagunçados e cheios de pôsteres na parede. O do Greyson? Nada disso. Havia uma parede preta cheia de discos de vinil, e na outra, uma frase que eu conhecia, era da música fix you do Coldplay.
- A Alexa está na faculdade e o Tanner está dando aula de música, mas eles vão chegar para o almoço.
- Você gosta de Coldplay? – Perguntei enquanto me sentava em uma cadeira que havia perto de uma escrivaninha.
- Gosto? Eu amo Coldplay. – Ele disse e eu ri.
- Também gosto, ops, amo Coldplay. Minha favorita é Paradis... – Comecei a falar, mas fui interrompida por uma batida na porta.
- Licença. – Lisa entrou no quarto e foi logo me dando uma toalha e algumas roupas. – Aqui está. Peguei algumas roupas que Alexa ainda não usou. Escolhe qual você quer. Acho que vai caber em você, mesmo Alexa sendo mais um pouco mais alta, não acho que vá ficar tão grande.
- Qualquer uma está boa. – Disse enquanto pegava a blusa e o short que estava em cima do monte de roupas que Lisa havia me dado.
- Greyson, mostra o banheiro pra ela, mas não é pra ficar no banheiro com ela hein. – Lisa disse um pouco séria e eu ri. Greyson soltou um “ah” e depois Lisa saiu.
- Por aqui. – Ele disse e abriu a porta do banheiro que havia em seu quarto e eu entrei. – Se você precisar de ajuda, por causa da perna e...
- Greyson! – Disse rindo. – Não vou precisar não, ok?
- Se você diz... – Ele disse dando de ombros. – Quer que eu saia do quarto também?
- HÁ-HÁ, não precisa. – Disse enquanto fechava a porta e trancava. Coloquei a toalha e as roupas em cima de uma bancada que havia ao lado da pia, tirei as roupas e entrei embaixo do chuveiro. Peguei o vidro de shampoo, coloquei um pouco em minha mão e passei no cabelo. Enfiei a cabeça em baixo do chuveiro e logo fui surpreendida com uma voz P-E-R-F-E-I-T-A cantando uma música que eu conhecia bem. Era a música The Scientist do Coldplay. Pigarreei e acompanhei a voz, que depois de perceber-me cantando parou de repente.
- Não sabia que você cantava. – A voz falou. Era a voz de Greyson.
- Ué, todo mundo canta. – Falei ironicamente de dentro do banheiro.
- Que você cantava bem. – Ele disse rindo.
- Se você diz, deve ser verdade. – Falei rindo. – Eu sabia que você cantava, mas não tão bem. Devia se apresentar em algum programa de talentos. Você toca algum instrumento?
- Toco piano, mas canto e toco só por diversão. Não quero ser famoso nem nada que inclua publicidade.
- Canta mais. – Pedi.
- Eu tenho vergonha. – Ele disse rindo.
- Ah, por favor. – Insisti. – Por favor-or-oooor. – Cantei o fazendo rir.
- Tá bom, mas é só por que você pediu. – Ele disse me fazendo soltar um “ah, que fofo” e então ele começou a cantar fix you.
Passado uns trinta minutos sai do banheiro e recebi um “fiu fiu” do Greyson.
- Palhaço. – Disse rindo. – Aqui sua blusa. – O entreguei e coloquei o casaco da minha mãe num canto.
- Ah, sua roupa! – Ele disse saindo correndo do quarto. Em menos de vinte segundos voltou com uma bolsa que reconheci ser minha. – A diretora me entregou e suas roupas eu coloquei ai dentro.
- Obrigado. – Disse pegando da mão de Greyson e colocando junto do casaco.
- Agora eu que vou tomar banho. Você quer fazer alguma coisa por enquanto? – Greyson disse jogando uma toalha no ombro.
- Não. Pode ir lá. – Respondi e então ele fechou a porta. Depois de alguns minutos ele saiu com a toalha enrolada na cintura. – Vou sair pra você se vestir. – Disse gaguejando enquanto andava de costas em direção à porta, sem antes é claro, topar com o criado-mudo. Ele riu e então sai do quarto. Fiquei olhando alguns retratos pendurados nas paredes do segundo andar e depois de dois minutos ele abriu a porta e eu entrei.
- Vamos comer? – Ele me perguntou enquanto secava o cabelo encharcado.
- Aham, estou morrendo de fome.
- Ah não! Você não pode morrer. Por favor, não morra! – Greyson disse fazendo voz afetada e me fazendo rir. – Espera que eu faço respiração boca-a-boca pra ver se melhora. – Ele disse me pegando no colo.
- Sem graça. Me solta, seus pais estão lá em baixo.
- Só se me der um beijo. – Ele disse me fazendo rir.
- Tá bom. – Dei um selinho nele, mas ele não me soltou. – Ei! Agora você tem que soltar.
- Mas eu vou ter que te pegar no colo pra descer as escadas. – Ele disse já saindo do quarto.
- Greyson, se seus pais me virem no seu colo eu vou morrer de vergonha. Prefiro descer degrau por degrau. – Disse enquanto olhava para todos os lados até que vi um cara alto, de cabelo escuro e bem bonito surgir na escada. – Greyson, me põe no chão! – Disse enquanto tentava descer. Greyson fez o que pedi e fingimos estar vendo uns retratos que estavam na parede do corredor que dava na escada.
- Ei, quem é ela Greyson? – O cara perguntou.
- Essa é a (seunome). (Seunome), esse é Tanner, meu irmão. – Greyson disse se virando para seu irmão. Cumprimentei Tanner com dois beijos nas bochechas, mas antes que pudesse terminar de cumprimenta-lo Greyson nos separou. – Ê, já chega né. Vamos descer (seunome)?
- Ah, claro. Tchau Tanner. – Disse enquanto tentava descer a escada com a ajuda do Greyson. – Ciumento. – Disse rindo.
- Sou mesmo. – Ele disse fazendo bico.
- Ah, que coisa fofa. – Eu disse apertando suas bochechas e o fazendo rir. Chegamos à sala de jantar e a mesa já estava pronta. Greyson se sentou e eu sentei ao seu lado. Scott e Lisa já estavam sentados e havia também uma menina loira.
- Oi, sou Alexa. – A menina se apresentou no mesmo momento em que Tanner apareceu e se sentou ao meu lado. – A irmã desses dois trastes aí. – Ela disse fazendo todos rirem.
- Sou (seunome). – Me apresentei.
- (Seunome), troca de lugar comigo? – Greyson me perguntou. Balancei a cabeça positivamente e me levantei.
- Por que poxa? - Tanner fez voz de choro.
- Tenho que te manter longe dela. – Greyson disse fazendo todos rirem.
- Gente, podem se servir. – Lisa disse enquanto pegava uma travessa com batatas assadas.
- Você gosta de lasanha (seunome)? – Scott me perguntou.
- Pai, ela é brasileira, não japonesa. – Greyson disse me fazendo rir.
- Ah, então é por isso. – Tanner disse e Alexa concordou.
- O que? – Perguntei.
- Nada não. – Tanner disse enquanto se servia.
Depois de, aproximadamente, quarenta minutos, todos já haviam almoçado e eu estava na sala de estar com Greyson. Reparei no piano que havia no canto, me levantei e o chamei.
- Toca um pouco. – Pedi e ele sorriu. Ele se sentou no banco e eu sentei ao seu lado. Ele abriu a “tampa” que cobre as teclas do piano e então começou a tocar a música I Wanna Be Where You Are, do Michael Jackson. Depois de dois minutos acabou de tocar, olhou para mim e sorriu.
- Gostou? – Ele perguntou.
- Gostou? Amei. – Disse imitando como ele havia feito ao se referir ao Coldplay. – Posso tentar? – Perguntei apontando para o piano.
- Claro. – Ele disse chegando um pouco para o lado. Toquei algumas notas, mas fracassei. Ele riu e então colocou suas mãos em cima das minhas e começou a tocar a mesma música que havia tocado. – Entendeu?
- Não. – Respondi o fazendo rir mais ainda. Tentei mais uma vez, mas fui interrompida pelo toque no celular do Greyson. Ele olhou no visor e atendeu. Depois de alguns segundos ele desligou e me olhou com uma cara triste. – O que foi?
- Sua mãe tá vindo te buscar.
- Minha mãe tem o seu número? – Perguntei espantada.
- Sim. Dei pra ela lá no posto. Foi a única maneira de você vir pra cá. – Ele disse e eu ri. Levantei-me e ele fez o mesmo.
- Tenho que pegar minhas coisas lá em cima.
- Vou com você. – Ele disse enquanto me ajudava a subir as escadas. Chegando ao quarto de Greyson peguei minhas coisas e descemos. – Você ainda quer me encontrar às 18h00min? – Ele perguntou enquanto se jogava no sofá.
- Só se você me contar pra que. - Disse enquanto me sentava ao seu lado.
- Não é nada de mais. Só queria ir a um lugar com você. – Ele disse deitando a cabeça na minha perna.
- Que lugar? – Perguntei.
- Surpresa, eu já disse. – Ele disse sorrindo.
- Podemos deixar depois do natal? – Perguntei o fazendo ficar com uma cara de espanto.
- Por quê? – Ele perguntou se sentando ao meu lado.
- Queria aproveitar minha mãe esses dias. Ela vai voltar para Seattle dia 26. – Respondi e ele balançou a cabeça positivamente.
- Tudo bem. Dá tempo de eu encomendar uma coisa. – Ele disse e quando terminou, um som de buzina o fez fazer uma careta.
- Minha mãe. –Disse dando um pulo do sofá.
- Deixa eu te levar até lá. – Ele disse correndo na minha frente para abrir a porta. Saímos e dei um selinho nele.
- Até amanhã. – Me despedi e entrei no carro.
- Tchau genro. – Minha mãe disse o fazendo rir e ficar levemente corado.
- Tchau sogra. – Greyson disse dando tchau com a mão. Minha mãe deu partida no carro e então fomos embora.
- Como foi a tarde com o seu namorado? – Minha mãe perguntou toda contente.
- Ele ainda não é meu namorado, mãe. – Disse enquanto jogava a bolsa e o casado no banco de trás.
- Aham, sei. – Ela foi irônica e eu ri.
- Vamos fazer o que à tarde? – Perguntei.
- Não sei. Que tal arrumar a casa? – Ela disse rindo.
- MÃE! Eu não desmarquei um encontro com o Greyson pra isso né. – Eu disse e ela me olhou assustada. – Que foi?
- Você desmarcou um encontro com aquele gato por minha causa? – Ela perguntou com olhos arregalados. – Você me ama mesmo hein. – Ela terminou de falar fazendo me fazendo rir.
- Claro! Eu estava com saudades. Mas se você ficar se achando muito aí, eu ligo pra ele e...
- HÁ-HÁ. Duvido você me deixar sozinha em casa pra sair com ele depois de dias sem me ver.
- Pouco convencida você. Espera só eu achar o número dele no seu celular. – Disse pegando o celular da minha mãe da bolsa.
- Ei! Do meu? Então você não tem o número do seu namorado e eu tenho? – Ela disse rindo.
- Mãe, shiu! – Disse colocando o dedo na boca fazendo o movimento que indica silêncio. – Eu vou passar o dia com você porque sou muito generosa, mas nós vamos fazer algo legal. Podemos ir ao shopping, ao parque, ao shopping ou ao shopping. Só que hoje tá meio frio para ir ao parque, então qual você escolhe?
- Acho que ao shopping. – Ela disse fazendo cara de pensativa e me fazendo rir. – Ei, o que você está fazendo? – Minha mãe disse ao se virar rapidamente e me ver salvando algum número do celular dela no meu celular.
- Nada não querida. – Disse passando a mão no cabelo dela. – Te amo tá?!
- HÁ-HÁ. Sei disso. – Ela disse me fazendo rir.
AVISO: Enchancers, acabei de voltar de viagem e postei o cap. 8. Desculpe algum erro ortográfico, porque eu ainda não tive tempo de ler. Agradeço a todos que estão seguindo ou comentaram. Beijos da Mi.
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